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Acrofobia: significado, sintomas, causas e tratamento

 
Por Marta Thomen Bastardas, Psicóloga. 6 maio 2019
Acrofobia: significado, sintomas, causas e tratamento

A acrofobia faz parte dos denominados transtornos fóbicos, os quais se caracterizam por um medo desproporcionado e irracional a determinados objetos, situações ou atividades. O sofrimento da pessoa que padece a fobia emerge tanto pela própria ansiedade que gera o estímulo fóbico, como da consciência do medo irracional incontrolado que sofre a pessoa. Com o objetivo de não sofrer estas sensações de ansiedade, a pessoa reproduz respostas contra-fóbicas, isto é, condutas esquivas com o objetivo de evitar o objeto fóbico. O medo injustificado da acrofobia assenta no medo das alturas. Neste artigo de Psicologia-Online, exporemos a acrofobia: significado, sintomas, causas e tratamento.

Acrofobia: significado

Acrofobia significa medo das alturas. Esta fobia faz parte das fobias de situação, isto é, fobias referidas a lugares, neste caso das alturas, afetando um 5% da população. Em suma, a acrofobia é o medo irracional e injustificado das alturas, o qual pode se manifestar em diferentes situações e comportar elevados níveis de ansiedade. A acrofobia se trata de um tipo de fobia específica. Esta fobia tem um alto componente relacional com a vertigem.

Diferença entre acrofobia e vertigem

Acrofobia e vertigem têm semelhanças, embora não sejam equivalentes. A vertigem surge de uma alteração do ouvido, o qual regula o equilíbrio, provocando uma sensação subjetiva de um movimento rotatório ao redor ou a sensação de que é você mesmo quem está girando. Muitas vezes, é acompanhada de sensação de tontura e desmaio, desequilíbrio e náuseas. Por outro lado, na acrofobia a pessoa pode sofrer em um momento determinado a sensação de vertigem, sendo este unicamente um dos sintomas que pode se apresentar no transtorno.

Acrofobia: causas

A acrofobia pode aparecer no fim da etapa da infância ou no início da idade adulta. As causas do desenvolvimento da fobia das alturas a podem incluir antecedentes de experiências diretas da própria pessoa, experiências vicárias de observação, informativas, herança ou por próprias distorções cognitivas, e são também determinantes as pressões ou o estresse psicológico. As causas da acrofobia podem ser:

  • Experiências diretas - vicárias - observação: resultado de uma experiência traumática na infância que desenvolveu uma visão negativa e um componente de terror das alturas. Esta experiência traumática não tem porque ter sido vivenciada pela pessoa, pode ter sido percebida uma observação de uma situação alheia ou que alguém informou à pessoa em causa.
  • Herança: várias pesquisas estimam que existe a possibilidade de um fator hereditário no desenvolvimento da acrofobia. No entanto, a existência de mais membros da família que sofrem desse transtorno fóbico também pode fazer que se desenvolva esta fobia porque as crianças observam o comportamento fóbico dos progenitores face às alturas desde pequenas, fazendo-lhes entender o perigo que implica e provocando que eles acabem sofrendo o mesmo medo das alturas.
  • Distorções cognitivas: os processos de raciocínio que estabelecemos têm um papel fundamental no desenvolvimento das fobias. Se a pessoa começa a dar voltas à ideia de perigo que envolvem as alturas, pode desenvolver uma preocupação irracional sobre elas, resultando na fobia.

Acrofobia: sintomas

Os sintomas aparecem quando a pessoa se expõe vivencialmente ou na sua imaginação ao estímulo temido, manifestando-se através da consciência de que terá que se expor ao objeto fóbico, um estado de ansiedade antecipatória. Os sintomas da acrofobia são os mesmos ou semelhantes que os que se produzem em outras fobias específicas, mas os mais característicos são os seguintes:

  • Ansiedade – Ansiedade antecipatória
  • Medo e pânico
  • Aceleração do ritmo cardíaco
  • Sudação
  • Taquicardia
  • Sensação de tontura ou vertigem
  • Dor de estômago
  • Tremores
  • Náuseas e vômitos
  • Dor no peito
  • Dificuldades para respirar
  • Arrepios ou aumento da temperatura do corpo
  • Pensamentos catastróficos

Acrofobia: tratamento

O tratamento mais eficaz no melhoramento das fobias se reproduz nas técnicas da terapia cognitivo-comportamental. Dentro desta orientação, a técnica de tratamento mais utilizada e validada com a sua eficácia é a a exposição gradual à situação temida, onde a pessoa deve se expor de forma progressiva ao estímulo que lhe provoca o medo irracional. A exposição se estrutura com uma hierarquia de situações de menor impacto a maior impacto, isto é, se expõe primeiro a situações que provocam um medo menor, finalizando com o medo maior. Esta exposição gradual pode se reproduzir “in vivo” ou na imaginação, sendo mais eficaz a exposição à situação temida vivencialmente.

Uma vez se determine se a exposição será vivencial ou em imaginação e se elabore a lista de jerarquias de situações temidas, a pessoa deverá se expor a estas. Note-se que quando o paciente se enfrenta com a situação temida, os seus níveis de ansiedade aumentarão significativamente, por isso, é recomendável realizar exercícios de relaxamento entre a exposição de uma hierarquia à seguinte para poder estabilizar a ansiedade da pessoa.

Em muitas fobias específicas, é muito difícil poder controlar uma exposição gradual devido às limitações da fobia em si, por exemplo, uma pessoa que tenha medo dos aviões não poderá se expor a estes de forma gradual, devido a que quando o avião decola não pode sair. No entanto, com a evolução das novas tecnologias da informação e a comunicação (TIC) é possível reproduzir um tratamento de Realidade Virtual (VR) que está resultando muito eficaz no tratamento das fobias. Na VR se reproduz o objeto, situação ou atividade temida, onde a pessoa tem a sensação de estar fisicamente com o estímulo, além de permitir una interação com este em tempo real. Esta tecnologia permite à pessoa poder se expor de forma gradual ao estímulo fóbico em um ambiente que lhe proporcione segurança e que esteja controlado.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
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