Ansiedade silenciosa: o que é, sintomas e tratamento

Ansiedade silenciosa: o que é, sintomas e tratamento

Pensamentos acelerados, respiração ofegante, falta de concentração... Os sintomas da ansiedade costumam ser muito evidentes. Mas você sabia que existe uma forma mais discreta de sofrer dessa doença? Estamos falando da ansiedade silenciosa e, embora ela não grite nem interrompa reuniões, é igualmente perigosa.

Quem sofre dela costuma funcionar “bem” externamente: estuda, trabalha e cumpre suas responsabilidades. No entanto, internamente, vive com uma tensão constante, uma sensação de alerta permanente e uma inquietação que raramente consegue apagar. Neste artigo da Psicologia-Online, explicamos o que é a ansiedade silenciosa, seus sintomas e tratamento.

O que é ansiedade silenciosa?

A ansiedade silenciosa não é um diagnóstico clínico em si, mas uma forma de ansiedade, seja pontual ou contínua, caracterizada por seu baixo nível de expressão externa. Ou seja, uma pessoa com ansiedade silenciosa experimenta preocupação, medo e ativação fisiológica constantes, mas consegue esconder seus sintomas e manter uma aparência de controle.

Ao contrário da ansiedade “visível”, na ansiedade silenciosa o conflito ocorre no mundo interno: pensamentos repetitivos, antecipação de problemas, tensão corporal e uma sensação de sobreviver à vida.

Na verdade, muitas pessoas com ansiedade silenciosa são vistas como responsáveis, perfeccionistas, tranquilas ou até frias. No entanto, a verdade é que elas aprenderam a lidar com seu mal-estar sem demonstrá-lo. O problema? Quanto melhor escondem sua angústia, menos apoio recebem.

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Causas da ansiedade silenciosa

A ansiedade silenciosa não surge do nada nem responde a uma única causa, mas é o resultado de uma combinação complexa de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Personalidade

Pessoas com traços de perfeccionismo, alta autoexigência, necessidade de controle e tendência a agradar os outros são especialmente vulneráveis. Essas características favorecem a repressão emocional e o hábito de “aguentar”.

Educação emocional

Crescer em ambientes onde expressar emoções era mal visto (“não chore”, “não exagere”, “seja forte”) ensina a esconder o mal-estar em vez de processá-lo. Com o tempo, essa repressão se transforma em ansiedade crônica[1].

Estresse prolongado

Exigências profissionais, problemas familiares, insegurança econômica e/ou experiências traumáticas prolongadas são o terreno fértil perfeito para uma ansiedade que nunca chega a ser desativada.

Fatores biológicos

A predisposição genética, o funcionamento do sistema nervoso e certos desequilíbrios neuroquímicos influenciam profundamente o aparecimento de transtornos de ansiedade, incluindo sua forma silenciosa. De fato, alguns estudos indicam que pessoas com histórico familiar de ansiedade, depressão ou outros transtornos psicológicos apresentam maior vulnerabilidade a desenvolver esse tipo de resposta ao estresse[2].

Quais são os sintomas da ansiedade silenciosa?

A ansiedade silenciosa não faz barulho, mas prejudica profundamente a pessoa que a experimenta. Ela se infiltra na vida cotidiana, prejudica a saúde e limita o bem-estar sem que ninguém perceba. Às vezes, até mesmo a pessoa que sofre desse tipo de ansiedade acredita que essa é sua maneira de ser, normalizando um nível de mal-estar que não é normal nem saudável. Reconhecê-la é o primeiro ato de autocuidado. Mas como se manifesta a ansiedade silenciosa?

Sintomas mentais

  • Preocupação constante, mesmo sem motivo aparente.
  • Dificuldade em desligar e relaxar.
  • Antecipação negativa do futuro.
  • Ruminação de erros passados.
  • Sensação de ameaça permanente.
  • Sintomas emocionais
  • Irritabilidade.
  • Sensação de vazio ou esgotamento.
  • Dificuldade em desfrutar.
  • Medo difuso, difícil de explicar.
  • Hipersensibilidade ao estresse.

Sintomas físicos

  • Tensão muscular crônica (pescoço, mandíbula, costas).
  • Fadiga persistente.
  • Insônia ou dificuldade para descansar.
  • Problemas digestivos.
  • Dores de cabeça frequentes.
  • Palpitações.

Como tratar a ansiedade silenciosa?

A boa notícia é que a ansiedade silenciosa tem tratamento e um prognóstico muito bom quando abordada de forma adequada. Portanto, se você se identificou com os sintomas, recomendamos que procure ajuda profissional e aplique as seguintes dicas.

Psicoterapia

A terapia cognitivo-comportamental e a terapia de aceitação e compromisso podem ajudá-lo a identificar pensamentos ansiosos automáticos, aprender a regular suas emoções, modificar padrões de autoexigência e desenvolver habilidades para enfrentar os eventos da vida de forma equilibrada.

Educação emocional

As emoções são sinais internos que nos informam sobre nossas necessidades, ambiente e relacionamentos. Aprender a reconhecer, nomear e expressar emoções é uma das chaves do processo de recuperação. A ansiedade diminui quando deixamos de reprimir nossas emoções.

Mudanças no estilo de vida

O tratamento da ansiedade silenciosa também requer ajustes no estilo de vida para ajudar o sistema nervoso a recuperar o equilíbrio. Algumas medidas que podem promover um ambiente mais estável e seguro são: reduzir o consumo de cafeína e estimulantes, praticar exercícios físicos regularmente, criar uma rotina personalizada e reservar tempo para atividades que te façam se sentir bem.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Referências
  1. Gómez-Núñez, M. I., Cano-Muñoz, M. Á. (2023). Inteligencia emocional y personalidad: predicción de los niveles de ansiedad en alumnos del Grado en Educación Infantil y Educación Primaria. Electronic Journal of Research in Educational Psychology, 18(50), 2595.
  2. Hettema, J. M., Neale, M. C., Kendler, K. S. (2018). The genetics of anxiety disorders: familial aggregation and heritability. Oxford Academic.
Bibliografia
  • American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed., text rev.). APA Publishing.
  • Barlow, D. H. (2014). Anxiety and its disorders: The nature and treatment of anxiety and panic (2nd ed.). Guilford Press.
  • Hofmann, S. G., Smits, J. A. J. (2008). Cognitive-behavioral therapy for adult anxiety disorders: A meta-analysis. Journal of Clinical Psychiatry, 69(4), 621–632.