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As pessoas não mudam, ou mudam?

 
Por Bryan Longo. Atualizado: 31 março 2020
As pessoas não mudam, ou mudam?

Quantas vezes ouvimos frases como "as pessoas não mudam com o tempo, o tempo mostra o que realmente são" ou que "as pessoas mudam quando não precisam de você". Alguma dessas afirmações é verdadeira? A realidade é que a personalidade tem uma parte inata e outra aprendida, portanto, existem traços que permanecem e outros que podem se adaptar. Neste artigo de Psicologia-Online, aprofundamos sobre esse interessante assunto e explicaremos se as pessoas mudam ou se revelam: as pessoas não mudam, ou mudam?

Por que as pessoas mudam de atitude?

Rosenberg e Rovland (1960) tentaram dar um significado ao termo de atitude, formulando um modelo tripartido muito parecido com a teoria racional emocional de Ellis, porque, quando confrontamos um estímulo atitudinal, três tipos diferentes de resposta são manifestados:

  1. Respostas cognitivas: crenças e pensamentos sobre o objeto.
  2. Respostas avaliativas: emoções associadas ao objeto (repulsa, prazer, desprazer ou atração).
  3. Respostas comportamentais: são expressadas nas intenções de agir.

Com essa abordagem, podemos definir que a atitude é a categorização de um estímulo ao longo de uma dimensão avaliativa baseada em três classes de informações: cognitiva, afetiva ou emocional ou comportamental.

De acordo com a proposta que os autores anteriores oferecem, podemos concluir que as ações que realizamos (nossos comportamentos) são precedidos de fatores cognitivos e emocionais e, portanto, fazem parte de uma única expressão, a atitude. No entanto, esses fatores atribuem componentes orgânicos e sociais, dos quais muitas vezes somos inconscientes e que não podemos prescindir com tanta facilidade.

É por isso que concluímos com a seguinte proposta que as pessoas não mudam, mas simplesmente se adaptam melhor. Podemos resistir, regular e negar que somos dotados de instintos, mas nunca podemos provocar a abolição ou supressão de tudo aquilo que fomos dotados por milhões de anos de evolução filogenética. Somos compelidos a uma adaptação social saudável.

Carl G. Jung (1960) “Ter uma atitude é estar disposto a uma coisa determinada, embora seja inconsciente; o que significa: ter a priori uma direção para um fim determinado, representado ou não. A disposição que é para mim a atitude consiste sempre na presença de uma certa constelação subjetiva, combinação determinada de fatores ou de conteúdos psíquicos que determinam esta ou aquela direção da atividade ou esta ou aquela interpretação do estímulo externo”.

Por quais motivos as pessoas mudam sua forma de ser?

A atitude foi definida como uma categorização dos estímulos aos quais estamos progressivamente expostos. A atitude está constituída por fatores emocionais e cognitivos que posteriormente podem levar ao um comportamento a favor ou contra o estímulo; emoções e raciocínios são construídos, mas também são herdados; estamos predispostos a apresentar com maior frequência e intensidade algumas emoções e ideias sem nenhum esforço. Assim com nosso aprendizado social alimenta ou desativa determinadas atitudes, o mesmo acontece com nossa herança genética.

Foi explicado anteriormente que nenhum de nós será capaz de eliminar por completo nossos instintos inconscientes do mero desejo de fazer a diferença, mas acredito que podemos aprender novos mecanismo de adaptação.

Acreditamos que mudamos nossa forma de ser, ou seja, mudamos de atitudes (formas de pensar, sentir e agir); e muitas vezes a ideia de alguma mudança em nossa atitude assusta mais aos outros do que a nós mesmos, pois somos inconscientes sobre essas mudanças a maior parte do tempo (por exemplo, de repente paramos de jogar o que nos divertia quando crianças, abandonamos os brinquedos, já não choramos quando mamãe nos deixa sozinhos na escola, deixamos de cortejar da mesma forma fazíamos, deixamos de chorar porque nos abandonam, nos unimos de maneira diferente, em geral, como dissemos no início, algumas coisas deixam de ter prioridade em nossa vida e outras que antes não tinham, passam a ter).

Nos adaptamos porque precisamos. Precisamos nos adaptar porque é o nosso próprio contexto que exige isso de nós, caso contrário, seguiríamos sem restrição alguma nossos instintos.

Um exemplo fácil para entender essa proposta é o seguinte: um adolescente que cresceu em uma família que não possui princípios, valores morais ou qualquer tipo de preceito que contribuísse para a regulação de seu comportamento e, por isso, conviveu em uma família com vínculo fraco entre seus membros. E somado à todas essas desvantagens para o adolescente, não experimentou a aproximação de um possível modelo externo para sua família que facilite suas relações sociais (professores, pedagogos, líderes ou figuras públicas). São muitas as possíveis consequências na atitude do adolescente, mas nesse exemplo, propomos uma atitude irascível, promíscua, provocadora, desinibida e despreocupada que facilitou a integração, adaptação e aceitação em determinados grupos que estimam essa atitude, mas conforme as desenvolve, também surgem seus efeitos nocivos, o corolário buscar uma forma mais adaptativa para se relacionar, apesar de seus desejos inconscientes sejam outros, apesar de seus instintos. Mudamos pelas realizações de nossas ambições.

As pessoas mudam com o tempo?

Talvez alguns de nós manifestamos atitudes distantes, de estranheza, de inibição, queixosa, de desconfiança em nós mesmos e muito complacentes quando atravessamos a adolescência. Mas essas atitudes foram se dissipando pouco a pouco com a prática constante de outras, como de colaboração, de confiança e de interesse.

Essa mudança que as pessoas fazem ao longo do tempo é desenvolvida graças às múltiplas experiências que tiveram. Como afirmado anteriormente, as mudanças são demandas de nosso contexto, imperativos do ambiente que dão lugar às premissas “o mais apto sobrevive”; “tem que se adaptar para sobreviver”; nossa atitude de inibição e de desconfiança não nos permite sobreviver, está nos impossibilitando e, portanto, fazemos uma mudança nela.

Por que as pessoas mudam em um relacionamento

As pessoas mudam por amor? Acredito que as mudanças nas pessoas quando estão em um relacionamento são relacionadas com ciúmes, mas não surgem por razões muito diferentes às propostas anteriormente. A mudanças podem ser muito variadas e não são direcionadas apenas para um esquema, mas obviamente vão do polo oposto ao outro (do preto ao branco ou vice-versa). As mudanças em um relacionamento podem surgir pelas conhecidas fases do namoro, onde cada um vive uma atitude diferente.

Razões pelas quais as pessoas mudam em um relacionamento

Mas essas mudanças também podem surgir por algumas das seguintes razões:

  1. Insegurança que provoca medo de perder o relacionamento.
  2. "Comodidade": a conquista já foi alcançada, portanto, não há razão para continuar se esforçando.
  3. Confiança: as mudanças são devidas à confiança que surge entre as duas pessoas.
  4. Influência externa: situações sociais (por exemplo, a desaprovação das pessoas importantes para qualquer um dos dois).
  5. Transtornos de personalidade ou algum outro tipo de psicopatologia.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a As pessoas não mudam, ou mudam?, recomendamos que entre na nossa categoria de Crescimento pessoal e autoajuda.

Bibliografia
  • Carl G. Jung. (1960). La dinámica de lo inconsciente. Editorial Trotta. Madrid.

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