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Consequências do isolamento social

 
Por Gianluca Francia, Psicólogo. 19 abril 2021
Consequências do isolamento social

Todos temos a necessidade de contatos sociais com nossos semelhantes para manter uma adaptação psicológica normal, mesmo que existam amplas diferenças individuais na quantidade exata de contato "ótimo" para cada um de nós. A privação de contatos sociais é perturbadora, e deixa a maioria das pessoas desorientadas e facilmente influenciáveis. Parece então que todos temos a necessidade de contatos sociais com nossos semelhantes para manter uma adaptação psicológica normal, mesmo que existam amplas diferenças individuais na quantidade de contato "ótimo" para cada um de nós. A privação de contatos sociais é perturbadora, e deixa a maioria das pessoas desorientadas e facilmente influenciáveis. Neste artigo de Psicologia-Online, descobriremos juntos as consequências do isolamento social, vendo como impacta em nosso cérebro.

Relação de isolamento social e saúde mental

O que acontece quando as pessoas se veem obrigadas por alguma razão a abandonar seu círculo habitual de contatos sociais e a viverem isoladas dos outros? Parece que há grandes diferenças individuais na tolerância das pessoas em relação ao isolamento, e nas quantidades de contatos sociais e estímulos que precisam. Psicólogos como Hebb (1955) e Eysenck (1969) afirmam que os indivíduos se diferenciam em seu nível básico de ativação e, portanto, no nível ótimo de estimulação que os outros precisam.

Eysenck sugeriu que diferentes níveis subjacentes de ativação, determinado por fatores biológicos e genéticos, também explicam diferenças fundamentais na personalidade como a extroversão-introversão e a neurose. Estas teorias parecem demonstrar que a sociabilidade está vinculada aos modelos básicos da personalidade e a estrutura genética e fisiológica de uma pessoa.

Os comportamentos de retirada são frequentes na vida de cada um e não têm necessariamente significado patológico. Em alguns casos, no entanto, a retirada e o isolamento apontam um profundo mal-estar: a tendência ao isolamento e a perda de contato com o mundo exterior são, de fato, manifestações que caracterizam condições particulares, tais como a depressão, a esquizofrenia, a fobia social, os transtornos do espectro autista, etc. Na psicopatologia, o isolamento é um sintoma cuja determinação concorrem tanto aspectos de natureza "estrutural" (como, por exemplo, viver sozinho e a escassez de relações sociais), como "funcional" (como a falta de apoio emocional).

Efeitos psicológicos do isolamento social

Vejamos alguns fatos e descobertas que evidenciam as consequências do isolamento social a nível mental em diferentes contextos:

Transtornos de desenvolvimento

Ocasionalmente, é possível obter informação sobre lactantes humanos que foram criados por animais e criados sem nenhum contato com outros seres humanos. Estas pessoas geralmente apresentam sintomas graves de transtornos de desenvolvimento que são irreversíveis. Entretanto, nunca é possível dizer em tais casos se o atraso não se deve eventualmente a alguns defeitos anteriores ao nascimento, e assim não seja a razão, mas sim a consequência, do abandono por parte da sociedade humana.

Alucinações

Durante períodos de privação de contatos sociais, a pessoa geralmente fica muito disponível para experiências e influências novas, e é possível experimentar sonhos e imagens vibrantes e às vezes alucinações. Ao menos, algumas das "visões" e "aparições" relatadas por pessoas que vivem em um estado de isolamento social extremo devido a princípios religiosos, como ermitãos e monges, podem ser devidos a essas alucinações também.

Influenciabilidade

Outra das consequências do isolamento social é o aumento da influenciabilidade. O isolamento era uma parte dos procedimentos de "lavagem cerebral" utilizados para influenciar nas atitudes dos prisioneiros estadunidenses durante a guerra da Coreia, e dos períodos mais curtos de isolamento que foram utilizados para fins terapêuticos. Por exemplo, convencer às pessoas a deixar de fumar. Estes métodos se baseiam no fato de que as comunicações durante e depois do isolamento social possuem um impacto muito maior.

Sintomas psicopatológicos

Uma revisão recente publicada pelo The Lancet sobre o impacto psicológico da quarentena da Covid-19 chama a atenção sobre as reações significativas psicológicas induzidas pelo isolamento social: desde o aumento do nível de angústia psicológica, até a aparição de sentimentos de medo, desorientação, raiva, inquietação emocional e resignação.

Em alguns casos, observa-se também o desenvolvimento de verdadeiros quadros psicopatológicos, caracterizados principalmente por sintomas de ansiedade, depressão e transtornos do sono.

Os estudos trazem à tona a presença de duas categorias que apresentam um risco especial de desenvolver sequelas psicológicas importantes: os profissionais da saúde (que vivem o duplo estresse do trabalho 'perigoso' e da quarentena em casa) e os pacientes psiquiátricos. Em geral, todos os sujeitos com antecedentes de fragilidade psíquica parecem estar particularmente expostos.

Isolamento social no/a idoso/a

Na vida da pessoa idosa fatores puramente sociais, como a quantidade e a qualidade das relações, a solidão e o isolamento social, a diminuição das habilidades sociais e o distanciamento das mesmas, possuem um impacto muito forte. De fato, muito frequentemente se observa nos idosos um isolamento progressivo das atividades sociais. Esta situação de isolamento e "pobreza relacional" aumenta o risco de fragilidade e o caminho para a falta de autossuficiência.

O isolamento social das pessoas idosas está relacionado com uma série de problemas da meia idade e da idade avançada. Foi constatado que as pessoas socialmente isoladas possuem um maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, acidentes cerebrovasculares, depressão, demências e morte prematura.

É importante levar em conta que os fatores de risco associados ao isolamento social são múltiplos e podem se classificar em várias categorias:

  • Individuais: ter setenta e cinco anos ou mais, ter problemas de saúde, viver sozinho e ter filhos que vivem em outra cidade.
  • Relações: ter poucos contatos ou relações conflituosas com familiares ou amigos.
  • Comunitário: viver em regiões socialmente desfavorecidas com altos níveis de criminalidade e acesso limitado a serviços, atrações e transportes públicos.
  • Sociais: experiências de marginalidade, discriminação e falta de coesão social.

O que é o isolamento emocional

O isolamento emocional, ou emotional isolation, é um fenômeno conhecido já faz anos e que inicialmente se limitava apenas às pessoas maiores de 50 anos, frequentemente viúvas ou solteiras, que nem sequer tinham uma amizade próxima para o qual confiar suas emoções, seus medos, seus desejos... Infelizmente, este cenário se estendeu pelos anos (ou talvez já era assim), incluindo até mesmo pessoas muitos mais jovens e de todos os extratos sociais, e o aspecto curioso - fundamental - é que o isolamento emocional pode ocorrer até mesmo quando não se tem um isolamento social real. Ou seja, a pessoa pode até mesmo estar casada, ter um melhor amigo sempre presente, muitos amigos, colegas de trabalho e vizinhos prontos para estender a mão, etc. mas sentir que não é escutada e que está separada do mundo.

Com maior precisão, fala-se então de privação emocional ou afetiva, uma sensação relacionada com o fato de que nas relações e na vida dessas pessoas sempre falta algo, que os outros não expressam suficientemente afeto, calor, atenção ou emoções profundas por elas. Em particular, é possível experimentar um sentimento de privação emocional em três aspectos, que podem estar presentes simultaneamente ou individualmente:

  • A falta de cuidados: neste caso a pessoa sente que não tem ninguém a quem recorrer e que tenha um interesse profundo nela ou transmita afeto concreto através de um contato físico ou um abraço.
  • A falta de empatia: aqui a pessoa experimenta a sensação de que ninguém a escuta realmente ou procura compreender a fundo sua personalidade e seus sentimentos.
  • A falta de proteção: esta condição provoca na pessoa a sensação de que ninguém a protege e a guia.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Casciaro, F. (2018). Prevenire l’isolamento sociale negli anziani. Dispionível em: https://www.centronovamentis.it/prevenire-lisolamento-sociale-negli-anziani/
  • Cavazza, G., Malvi, C. (et al.) (2014). La fragilità degli anziani. Strategie, progetti, strumenti per invecchiare bene. Santarcangelo di Romagna: Maggioli Editore.
  • Forgas, J. P. (2002). Comportamento interpersonale. La psicologia dell’interazione sociale. Roma: Armando Editore.
  • Francesconi C. (2021). La trappola della Deprivazione Emotiva. Disponível em: https://www.chiarafrancesconi.it/letture/schema-therapy/60-schema-deprivazione-emotiva.html
  • UniSR (2020). Le reazioni psicologiche indotte dall’isolamento sociale. Recuperado de: https://www.unisr.it/news/2020/3/le-reazioni-psicologiche-indotte-da-isolamento-sociale

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