Psicologia clínica

Depressão pós-parto e tristeza pós-parto: diferenças

 
Equipe editorial
Por Equipe editorial. 23 dezembro 2021
Depressão pós-parto e tristeza pós-parto: diferenças

Certamente você já ouviu falar da depressão pós-parto ou da tristeza pós-parto (também chamado baby blues ou postpartum blues) que muitas mulheres sofrem após dar à luz, ou talvez você seja uma dessas mulheres que sofre disso, mas você sabe realmente a diferença entre depressão pós-parto e tristeza pós-parto? Todas as mulheres sofrem com isso após trazer crianças a este mundo? É algo muito comum ou é difícil de encontrar nos dias de hoje?

Se você conhecer quais são suas causas, os sintomas que as diferenciam, o tratamento, quando podem aparecer, quanto duram, ou se você está grávida e quer saber se tem risco de sofrer de depressão pós-parto ou de tristeza pós-parto, continue lendo este artigo de Psicologia-Online, no qual te ajudaremos a diferenciá-las e também falaremos de outra alteração pós-parto menos comum: a psicose pós-parto, desenvolvida por algo como 0,1-0,2% das mulheres depois de dar à luz.

Índice

  1. Prevalência
  2. Momento de aparição
  3. Causas da depressão pós-parto e da tristeza pós-parto
  4. Sintomas da depressão pós-parto e da tristeza pós-parto
  5. Efeitos no recém-nascido
  6. Grupos de risco
  7. Os critérios do DSM-V
  8. Duração
  9. Tratamento
  10. A psicose pós-parto
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Prevalência

A primeira diferença entre a depressão pós-parto e a tristeza pós-parto é a prevalência.

  • A depressão pós-parto afeta de 10 a 20% das mulheres.
  • Enquanto o baby blues ou tristeza pós-parto afeta uma porcentagem maior de mulheres: entre 50 e 70%.

Momento de aparição

Outra das diferenças entre depressão pós-parto e tristeza pós-parto tem a ver com o momento no qual começam a aparecer os sintomas.

  • Na depressão pós-parto, os sintomas surgem durante a gravidez (50% dos episódios aparecem antes do parto ou nas 4 semanas posteriores ao parto).
  • No entanto, a tristeza pós-parto aparece entre o segundo e o terceiro dia depois do parto.
Depressão pós-parto e tristeza pós-parto: diferenças - Momento de aparição

Causas da depressão pós-parto e da tristeza pós-parto

A depressão pós-parto, atualmente, não foi vinculada a nenhuma alteração endócrina concreta. Foi observado um maior incremento em mulheres que sofrem de tireoidite pós-parto, não foi possível concluir sua relação. Portanto, afirmamos que os fatores endócrinos não possuem um efeito causal, mesmo que possam interferir na sensibilização de alguns aspectos.

Tristeza pós-parto ou Baby blues: o que é

A tristeza pós-parto ou postpartum blues, por outro lado, foi implicada de maneira direta com os hormônios, sobretudo associado a grandes mudanças na progesterona. Uma das teorias que explicam este fato, diz que durante a gravidez se produz uma habituação à modulação dos receptores GABA pela metabolização da progesterona, o que provoca um efeito de síndrome de abstinência no momento em que os níveis deste hormônio caiam com o parto.

Sintomas da depressão pós-parto e da tristeza pós-parto

Outra das diferenças entre a depressão pós-parto e a tristeza pós-parto são os sintomas de ambas as condições:

Sintomas da depressão pós-parto

A depressão pós-parto manifesta os sintomas típicos do transtorno depressivo maior:

  • Tristeza
  • Abatimento
  • Pesar
  • Infelicidade
  • Irritabilidade
  • Vazio
  • Nervosismo
  • Apatia
  • Estado geral de inibição
  • Falta de motivação
  • Pensamentos negativos (desesperança, falta de controle, não poder dar sentido ao que se faz)
  • Dificuldade para a tomada de decisões
  • Memória e atenção alteradas
  • Pensamento circular e barulhento
  • Culpa
  • Perda de autoestima
  • Alteração do sono
  • Fadiga
  • Perda de apetite
  • Diminuição da atividade e desejo sexual
  • Deterioramento das relações sociais

Baby blues: sintomas

O baby blues se caracteriza pela presença de sintomas de tristeza, vontade de chorar e labilidade emocional.

Efeitos no recém-nascido

Outra diferença entre depressão pós-parto e o baby blues são as consequências. Foi demonstrado que as mães que sofrem de depressão pós-parto mostram uma cura diferente do recém-nascido com relação à que o pai oferece. Nestas crianças foi visto um aumento da incidência a sofrer qualquer tipo de alteração do estado de humor (não por questão genética, mas ambiental, já que a maioria dos inputs que recebe são negativos e isto afeta a formação correta do SNC - sistema nervoso central - que se forma nas primeiras semanas de vida) e, também se observa uma maior vulnerabilidade do bebê em sua vida futura. Por outro lado, a tristeza pós-parto parece não ter repercussão em seu desenvolvimento.

Depressão pós-parto e tristeza pós-parto: diferenças - Efeitos no recém-nascido

Grupos de risco

Na depressão pós-parto observamos determinados grupos de risco:

  • Mulheres com antecedentes de depressão maior anterior
  • Mulheres com transtorno bipolar
  • Mulheres com episódio prévio de depressão pós-parto
  • Consumo de álcool
  • Ter menos de 20 anos
  • Ter familiares com antecedentes de depressão e/ou ansiedade
  • Pessoas que tenham manifestado sintomas depressivos durante a gravidez
  • Violência doméstica e/ou problemas maritais
  • Falta de apoio familiar e/ou social

Por outro lado, o baby blues é um fator de risco e preditor para a aparição da depressão pós-parto, sem ser determinante.

Os critérios do DSM-V

No DSM-V (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, Ed. 5) encontramos a depressão pós-parto como um subtipo de transtorno depressivo maior, e no DSM-IV como transtorno não específico com início no periparto, o que indica que o transtorno foi produzido durante a gravidez. Neste artigo, falamos dos tipos de depressão.

Para poder diagnosticar se devem cumprir, portanto, os critérios de depressão maior, que são os seguintes:

  1. Qualidade depressiva do estado de humor (com perda de interesse ou de prazer)
  2. Por um período mínimo de duas semanas
  3. Acompanhada de alguns dos seguintes sintomas: estado de humor deprimido, anedonia, apetite e peso desregulados, fadiga, lentidão psicomotora, agitação, autoestima baixa ou culpa, concentração alterada, desejo de morte, ideias suicidas
  4. Que estes sintomas desencadeiam mal-estar ou incapacidade
  5. Que não apresente critérios de exclusão

Este manual considera grupos de risco as mulheres com antecedentes de transtorno bipolar ou depressivo, mulheres com depressão, ou com episódios depressivos prévios à depressão pós-parto.

Por outro lado, a tristeza pós-parto não é considerada um transtorno patológico.

Duração

Outra das diferenças entre depressão pós-parto e tristeza pós-parto é a duração de ambas as condições:

  • Para poder falar de depressão pós-parto, os sintomas devem ser persistentes na maior parte do tempo e na maior parte dos dias durante um mínimo de duas semanas.
  • Visto que o postpartum blues não é considerado um transtorno no DSM-V, a duração dos sintomas deve ser menor de duas semanas, e se persistir, passaríamos a falar de depressão pós-parto.
Depressão pós-parto e tristeza pós-parto: diferenças - Duração

Tratamento

A abordagem terapêutica deve se iniciar indicando a interrupção do consumo de álcool e tabaco, aumentar o descanso, praticar técnicas de relaxamento e exercícios físicos.

  • Para a depressão pós-parto se recomenda iniciar tratamento psicológico personalizado em função dos sintomas concretos e das características idiossincráticas da pessoa; e tratamento psicofarmacológico, no caso de não obter resposta na psicoterapia, com antidepressivos. Aqui explicamos os Tipos de antidepressivos e para que servem.
  • Já para a tristeza pós-parto não seria necessário o tratamento psicofarmacológico. Seria útil proporcionar um tratamento psicológico personalizado em função dos sintomas concretos e das características idiossincráticas da pessoa.

A psicose pós-parto

Também é importante diferenciar a depressão pós-parto e a tristeza pós-parto da psicose pós-parto. Esta constitui o transtorno pós-parto mais grave, porém, felizmente, se apresenta em uma porcentagem pequena.

A psicose pós-parto se caracteriza por uma perda de contato com a realidade, agitação, confusão, alucinações, delírios paranoides e comportamentos violentos que caracterizam o transtorno como uma situação de urgência psiquiátrica. No DSM-V identificamos como transtorno psicótico breve. Tem uma incidência de 2-3/1000 e é mais comum em mulheres primíparas (que vão dar à luz pela primeira vez).

Pode apresentar a seguinte sintomatologia clínica: alucinações, ilusões, pensamentos incoerentes, insônia, delírios, mania, suicídio (5%), infanticídio (4%).

Considera-se grupos de risco aquelas pessoas com uma história pessoal e/ou familiar de psicose, transtorno bipolar ou esquizofrenia, complicações obstétricas.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • American psychiatric association, (2014). Manual diagnostico y estadístico de los trastornos mentales DSM – 5. Madrid, España. Editorial medica panamericana.
  • Carlson, N. R. (2014). Fisiología de la conducta. Madrid. Pearson Education, S.A.
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