Psicologia cognitiva

Efeito cheerleader: o que é e exemplos

 
Gianluca Francia
Por Gianluca Francia, Psicólogo. 5 julho 2022
Efeito cheerleader: o que é e exemplos

A denominação efeito cheerleader foi cunhada pelo personagem fictício Barney Stinson, interpretado por Neil Patrick Harris, em um episódio da série de TV norte-americana How I Met Your Mother. Barney explica para seus amigos que, na maioria das vezes, as mulheres são particularmente atraentes apenas porque estão em grupos, mas se examinadas de forma individual, as mesmas não seriam tão sedutoras.

Estas são as palavras exatas que ele usa para descrever: "E isso amigos é o efeito cheerleader, também conhecido como o 'efeito paradoxo', a 'síndrome da garota da irmandade' e, recordando um poucos os anos 90, 'a conspiração das Spice Girls'". (Barney Stinson)

Neste artigo de Psicologia-Online, falaremos sobre o Efeito cheerleader: o que é e exemplos, para que possamos compreendê-lo melhor.

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Índice
  1. Em que consiste a teoria do efeito cheerleader
  2. Em que se baseia o efeito cheerleader
  3. Exemplos do efeito cheerleader

Em que consiste a teoria do efeito cheerleader

O efeito cheerleader, também conhecido como efeito de atração grupal, é o viés cognitivo que faz com que as pessoas pareçam mais atraentes quando estão em grupo. O termo foi apoiado pela pesquisa de Drew Walker e Edward Vul (2014)[1] e van Osch et al.(2015)[2].

Sendo assim, o efeito cheerleader faz com que notemos às pessoas ou objetivos como parte de um grupo e, portanto, nos parecem mais atraentes do que quando estão sozinhos. Em suas pesquisas, Walker e Vul apresentaram aos participantes uma seleção de fotografias que mostravam os rostos de pessoas estranhas. Cada rosto aparecia duas vezes, uma sozinha e outra em grupo. Seu atrativo emocional e estético foi percebido como mais alto nas fotos em grupo.

Este viés cognitivo funciona porque nosso sistema visual busca harmonizar os elementos que o impactam, pois decodifica mais elementos, escolhendo para cada um as melhores características e combinando-as para criar um conjunto agradável.

Os psicólogos descobriram que, a primeira vista, nossas mentes medem inconscientemente a beleza segundo a média. Esta pontuação média tende a ser superior a do indivíduo. Em outras palavras, a pontuação média de beleza de uma equipe de cheerleader é superior às pontuações individuais somadas.

Em que se baseia o efeito cheerleader

O efeito visual explicado por Barney Stinson é composto por processos cognitivos e perceptivos que são a base de outras ilusões óticas bem conhecidas, como o efeito de Ebbinghaus e a ilusão lunar. Walker e Vul sugeriram que este efeito vem da interação de três fenômenos cognitivos:

  1. O sistema visual humano toma "representações de conjunto" de rostos em um grupo.
  2. A percepção dos indivíduos é desequilibrada em relação a esta média.
  3. Os rostos médios são mais atraentes, talvez devido à média das idiossincrasias pouco atraentes.

Quando os três fenômenos se produzem ao mesmo tempo, os rostos individuais parecem mais atraentes em um grupo, já que se parecem mais com o rosto médio do conjunto, que é mais atraente que os rostos individuais dos membros.

No estudo de van Osch et al. (2015) foram confirmados os resultados obtidos por Walker e Vul. Nele surgiram duas explicações diferentes para o efeito cheerleader:

  1. A atenção seletiva aos membros mais atraentes do grupo.
  2. O princípio da Gestalt de igualdade ou semelhança. Se você quer saber em que consiste, neste artigo encontrará informações no artigo Lei do fechamento da Gestalt: o que é e exemplos.
Efeito cheerleader: o que é e exemplos - Em que se baseia o efeito cheerleader

Exemplos do efeito cheerleader

Estar em grupo é uma tática vital no mundo animal, pois serve para se defender dos inimigos, encontrar comida mais facilmente, alternar-se no cuidado das crias e se tornar mais atraente. Neste sentido, o efeito cheerleader é benéfico para as pessoas que são mais atraentes quando vistas em grupo do que quando são vistas sozinhas.

Neste sentido, a seguir, te mostraremos alguns exemplos do efeito cheerleader que ilustram como funciona.

1. Redes sociais

Quer parecer mais sexy em seu perfil do Facebook ou Instagram? Seja fotografado na companhia de alguém que tenha características físicas complementares às suas, no entanto, tenha cuidado para não exagerar. O olho humano tende a se focar nas diferenças e parecer diferente demais do resto do grupo pode ser contraproducente.

2. Venda de produtos

O efeito cheerleader é particularmente potente porque se produz de forma automática e é muito difícil evitar racionalmente sua implementação, até mesmo se formos conscientes disso. Sendo assim, este traço cognitivo pode ser utilizado em uma loja física ou em um comércio eletrônico, pois o produto individual dentro de um conjunto aumenta sua atratividade quando o comprador combina suas qualidades positivas com as dos artigos próximos.

3. Marketing digital

Outro possível uso do efeito cheerleader é aplicável aos sites web para medir o impacto dos comentários negativos. Se as opiniões são apresentadas em um grupo, as melhores criarão uma compensação perceptiva no cliente com as menos positivas. Desta forma, os comentários negativos ou as avaliações negativas não desanimam seus visitantes. Ao contrário, os clientes apreciarão sua transparência e terão mais confiança em sua marca.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Referências
  1. Walker, D., & Vul, E. (2014). Hierarchical encoding makes individuals in a group seem more attractive. Psychological Science, 25(1), 230-235.
  2. van Osch, Y., Blanken, I., Meijs, M. H., & van Wolferen, J. (2015). A group’s physical attractiveness is greater than the average attractiveness of its members: The group attractiveness effect. Personality and Social Psychology Bulletin, 41(4), 559-574.
Bibliografia
  • Dharma (2020). L’effetto cheerleader: Barney Stinson non sbaglia mai. Recuperado de: https://qrios.it/effetto-cheerleader-barney-stinson-non-sbaglia-mai/2232/
  • Diotto, M. (2020). Neurobranding. Il neuromarketing nell'advertising e nelle strategie di brand per i marketer. MIlán: Hoepli.
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