Psicologia clínica

Gerontofobia: como lidar com o medo de envelhecer

 
Caroline Scaff
Por Caroline Scaff. 11 abril 2022
Gerontofobia: como lidar com o medo de envelhecer

O mundo tem passado por profundas transformações socioculturais, por novas demonstrações de sofrimento psíquico, ocasionando grande impacto e repercussão no trato clínico e psicológico que tem exigido maior compreensão, além de movimentos singulares por parte dos profissionais de saúde.

Muito se ouve falar em indivíduos que não conseguem lidar com a passagem do tempo, que acarreta no envelhecimento. É uma tendência mundial o fato de que o envelhecimento assusta um grande número de pessoas que, no Brasil e no mundo, não medem esforços para retardar este processo.

Em Psicologia-Online, vamos tratar do assunto Gerontofobia: como lidar com o medo de envelhecer, para que você entenda o que é esta questão e como encará-la.

Também lhe pode interessar: Amaxofobia: como lidar com o medo de dirigir
Índice
  1. Gerontofobia: o medo de envelhecer
  2. Sintomas da gerontofobia
  3. Como lidar com o medo de envelhecer

Gerontofobia: o medo de envelhecer

Normalmente se é difundida a ideia de envelhecimento como sinônimo de declínio do indivíduo, equiparando ao ato de consumir a garantia de eterna juventude e prestígio. Envelhecer requer ajustamento pessoal e social, podendo ser compreendido através das condições precárias ou avançadas da educação e da saúde, ao longo do curso da vida.

Assim faz-se importante o planejamento de perspectiva do curso da vida, pois todos os seres humanos que estão envelhecendo e alcançaram idade avançada desejam ter condição de manter a qualidade de vida e a independência.

Salienta-se também que ao envelhecer, os indivíduos além de sentirem medo do fim da vida, sentem-se também humilhados e desfavorecidos, sem nenhuma importância social apenas por estarem ficando mais velhos.

A gerontofobia nasce neste contexto, em que o medo do que a velhice representa na vida de quem não se sente preparado para esta fase pode tornar-se algo patológico.

Sintomas da gerontofobia

Entre as preocupações que afetam as pessoas que sofrem da gerontofobia estão:

  • A preocupação com as mudanças do corpo
  • O medo do abandono
  • As doenças que costumam chegar com a idade avançada
  • A diminuição da capacidade física
  • Demais transformações que fazem parte dessa fase da vida

Para tanto, o apoio neste momento é tão importante, seja da família, de um amigo ou uma equipe de saúde para que esse medo não interfira no convívio nos espaços sociais, pois alguns idosos acabam se isolando. Nesses casos a estratégia é fazer com que eles estejam cada dia mais envolvidos com atividades e que tenham alternativas entre grupos.

Nesse sentido, o maior desafio para os profissionais de saúde mental é buscar uma proposta de intervenção com o objetivo de contribuir nas diversas práticas existentes, para que esta fase de vida que está chegando seja prazerosa, ativa e feliz.

É importante salientar que o envelhecimento, em termos psicológicos, não se apresenta igual para todos os indivíduos dependendo dos espaços sociais nos quais estiver inserido. O ser humano que se encontra em idade mais avançada apresenta características muito marcantes e pessoais.

Como lidar com o medo de envelhecer

A compreensão do envelhecimento inevitável ainda é singular, pois existe um número enorme de indivíduos que mostram uma enorme angústia e muita ansiedade com a passagem do tempo e tentam evitar essa realidade custe o que custar.

Pensar em chegar à velhice ou envelhecer sendo obrigado a depender de outros seres humanos faz com que o indivíduo tenha antecipada preocupação olhando o ato de envelhecer, bem como de tudo que se relaciona com a velhice, com um medo irracional que pode levá-lo a apresentar um quadro gerontofobia.

O que também provoca a gerontofobia é quando envelhecer torna-se um fardo, quando existe um desconhecimento generalizado sobre o que seria de fato a velhice, esse desconhecimento poderá ser a possível causa, dentre outras, para a formação de atos discriminatórios, além da formação de estereótipos.

Tratamento para gerontofobia

Cabe à psicologia e aos psicólogos, por meio de terapia, o papel de propiciar aos indivíduos, que possuem desejo de não envelhecer, a possibilidade de encarar o envelhecimento como uma etapa natural da vida e não como um fato triste e indesejável que traz medo às pessoas.

Segundo a psicologia o envelhecimento pode ser visto sob três aspectos:

  • Aspecto psicológico: apresenta relação com a forma como cada indivíduo se distingue, levando em consideração seus aspectos biológicos e psicológicos;
  • Aspecto biológico: refere-se ao tempo de vida que ainda resta ao organismo mostrando a possibilidade de cada indivíduo no desempenho de papéis esperados para pessoas da mesma faixa etária, trazendo preocupações e distanciamento em alguns indivíduos;
  • Aspecto social: quando envelhecer se torna um horror para os indivíduos que não conhecem os aspectos da velhice e pensam que se tornarão um fardo para outras pessoas quando poderão tornar-se de grande valia graças à experiência de vida acumulada.

É preciso estar atento aos desafios impostos por estes pacientes e identificar quais os processos de fragilização e fortalecimento que podem ser usados a favor deles.

Se você gostou deste artigo sobre gerontologia, também pode se interessar por Psicogerontologia: o que é, características e funções.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Gerontofobia: como lidar com o medo de envelhecer, recomendamos que entre na nossa categoria de Psicologia clínica.

Bibliografia
  • ANDRÉ, C. Psicologia do medo: como lidar com temores, fobias, angústias e pânicos. Tad.de João Batista Kreuch. Ed. Vozes, Petrópolis-RJ, 2007. 304p.
  • ARAÚJO, L. S.; PIMENTEL, A. A Concepção da Criança na Pós-Modernidade. Revista Psicologia Ciência e Profissão. vol. 7, nº 2, junho, 2007, Belém-PA, p. 184-193. Acesso em:06/07/2018.
  • BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Ed. Zahar, trad. Plínio Dentzien, Rio de Janeiro-RJ,2014.
  • BORGES, C. N; BUENO, M. G.; LIMA, T. M. Consumo, estética e saúde feminina nas páginas e discursos da revista Boa Forma. Congresso de Ciências da Comunicação. Campo GrandeMT. Anais. 2012, p. 1-12. Acesso em : 01/07/2018.
  • CAMARANO, A. A. Envelhecimento da população brasileira: uma contribuição demográfica.In: FREITAS, E. V.; PY, L.; NERI, A. L.; CANÇADO, F. A. X.; GORZONI, M. L.; ROCHA,S. M. (Eds). Tratado de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro-RJ, 2002. p. 58-71. Acesso em: 06/07/2018.
  • GALDALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2ª ed. Porto Alegre-RS, Ed. Artmed, 2008.
  • KARPF, A. Como Envelhecer. Rio de Janeiro-RJ, Ed. Objetiva Ltda, 2014.
  • Lima, A. M. M., Silva, H. S., & Galhardoni, R. Envelhecimento bem-sucedido: trajetórias de um constructo e novas fronteiras. Biblioteca Digital da Produção Intelectual – BDPI. São Paulo-SP, 2008. Acesso em: 30/06/2018.
  • MOTTA, L.B. Processo de envelhecimento. In: A. L. Saldanha e C. P. Caldas (Ed.), Saúde do Idoso: a arte de cuidar. 2a edição. Rio de janeiro: Interciência, 2004. Acesso em: 28/06/2018.
  • Neri, A. L. (Org.). Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na terceira idade. Fundação Perseu Abramo. São Paulo-SP, 2007. Aces
Escrever comentário
O que lhe pareceu o artigo?
Gerontofobia: como lidar com o medo de envelhecer