Psicologia social

Labelling approach: o que é a teoria do etiquetamento social

 
Gianluca Francia
Por Gianluca Francia, Psicólogo. 25 outubro 2022
Labelling approach: o que é a teoria do etiquetamento social

A criminologia é uma disciplina que, com o passar do tempo, desenvolveu muitas teorias para explicar quais fatores produzem um comportamento que se desvia daquilo que conhecemos como normal. Algumas envolveram doenças mentais ou outros fatos estatísticos ou características de personalidade, mas o que é a teoria do etiquetamento?

Neste artigo de Psicologia-Online nos aprofundaremos sobre o labelling approach ou teoria do etiquetamento social para te ajudar a entender melhor o tema.

Índice
  1. O que é o labelling approach
  2. Teoria do labelling approach na Psicologia
  3. Tipos de desvio segundo a teoria do etiquetamento
  4. Exemplos da teoria do etiquetamento

O que é o labelling approach

A teoria do etiquetamento nasce dentro do panorama socio-criminológico dos anos sessenta com o nome de labelling approach, que provêm de label em inglês ou "etiqueta". Esta teoria parte do estudo do desvio não como um fenômeno de objetividade inata e inaudível, mas como um processo de interpretação de certos comportamentos que a sociedade, entendida neste caso como o grupo predominante e majoritário, definiu como "não normais".

Deste modo, a teoria do etiquetamento social afirma que as normas sociais são unicamente definíveis dentro de um marco histórico e cultural preciso e que, portanto, em um lugar determinado hoje em dia se define e percebe como desvio, não necessariamente foi no passado ou em outros lugares. Pensemos, por exemplo, em um combate por duelo, um fenômeno que hoje se considera inaceitável tanto social como juridicamente, mas que no passado era um comportamento perfeitamente aceito.

A teoria do etiquetamento em criminosos

O criminoso, portanto, encontra-se submetido a uma dupla avaliação. Por um lado, uma de tipo jurídico definida pela lei, e por outro, a avaliação social que aplica a etiqueta de criminoso a um sujeito.

Esta etiqueta tem um grande poder, já que não apenas define o sujeito, mas gera a projeção de expectativas sobre o que é o sujeito e seu comportamento.

Teoria do labelling approach na Psicologia

Segundo a teoria do etiquetamento social, através da atribuição da etiqueta de criminoso ao autor ou suspeito de um delito se desencadeia um processo capaz de transformá-lo em um delinquente crônico. Este processo poderia ser afetado tanto pelas consequências da desconfiança, falta de autoestima e a estigmatização da coletividade como o isolamento e a exclusão social que as instituições penitenciárias provocam.

Portanto, o etiquetado pode ter consequências nefastas tanto na representação social e na autopercepção como nas oportunidades e frequentações. Este processo, sobretudo no caso de sujeitos problemáticos, pode dar início a uma extensa carreira criminosa, podendo provocar que o primeiro delito passe a formas de desvio ainda mais graves, assim como hostilidades ou a um desprendimento do corpo social.

Por este motivo, a carreira criminosa foi analisada por muitos estudiosos, como por exemplo o sociólogo Howard S. Becker em sua obra "The Outsiders".

Vítimas da teoria do etiquetamento

Segundo a teoria do etiquetamento seriam vítimas deste fenômeno sobretudo as pessoas que tenham cometido algum dos delitos que suscitem "alarme social" e que não dispõem de meios materiais nem de uma reputação ou ainda um estado consolidado capaz de contrapor a etiqueta de criminosos. Assim, a definição dos comportamentos a estigmatizar (delitos, ou até mesmo atos não criminosos como o consumo de drogas), estaria ligada ao poder de influenciar a opinião pública e nas leis das camadas mais ricas.

Como consequência, a reação social não ativará da mesma maneira para todos os tipos de delitos e será mais severa e prejudicial para a delinquência e os delitos associados com as minorias, pessoas pobres, presos reincidentes ou os que possuem determinado aspecto.

Por outro lado, os protagonistas de outros comportamentos criminais, como por exemplo os crimes de "colarinho branco", não sofreriam o mesmo processo de condenação social graças à tolerância concedida para os delitos típicos de uma classe social mais alta, normalmente como um status melhor e meios para encontrar estratégias capazes de saírem de cara limpa.

Labelling approach: o que é a teoria do etiquetamento social - Teoria do labelling approach na Psicologia

Tipos de desvio segundo a teoria do etiquetamento

Segundo a teoria do labelling approach, um comportamento é definido como desviado quando é etiquetado assim por aqueles que possuem poder suficiente para apoiar e reforçar esta definição. Portanto, o desvio é o resultado de como os outros interpretam um comportamento, de modo que os indivíduos etiquetados como desviados frequentemente interiorizam este julgamento e acabam se tornando parte de sua identidade.

A seguir, te mostraremos os tipos de desvio segundo a teoria do etiquetamento:

Estigma

O estigma é o sentimento de vergonha que se associa a um comportamento ou a um estado social considerado inaceitável ou reprovável pela sociedade.

O estigma social funciona quando o etiquetamento, a separação e a discriminação estão relacionados com a desigualdade no poder social, econômico ou político.

Desvio secundário

Responde diretamente não tanto a uma motivação desviada do sujeito, quanto as atitudes de desaprovação e isolamento que a sociedade coloca em ação contra o indivíduo que transgrediu as normas. A reiteração de comportamentos desviados, portanto, seria um mecanismo de defesa e de adaptação à reação social recebida.

Neste caso, o etiquetamento funciona como uma profecia autorrealizável, como se menciona no teorema de Thomas.

Exemplos da teoria do etiquetamento

Se um restaurante for destruído por um grupo de estudantes universitários privilegiados sob os efeitos do álcool, como seria visto? E se um grupo de crianças de crianças mais pobres fizesse o mesmo? Seria julgado da mesma forma?

Outros exemplos podem vir diretamente de nossa vida cotidiana, como a capacidade de alguns estudantes "populares" para etiquetar outros se baseando em comportamentos ou traços físicos, chamando-os de "perdedores" porque eles, dentro do contexto escolar, possuem o poder.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Croteau, D., Hoynes, W., Antonelli, F., Rossi, E. (2022). Sociologia generale. Teorie, metodo, concetti. Milán: McGraw-Hill.
  • Manai, N. (2017). Siamo davvero classisti? La teoria dell’etichettamento di Howard Becker. Recuperado de: https://www.frammentirivista.it/la-teoria-delletichettamento-becker/
  • Marcon, G. (et al.) (2017). Oltre l'indizio. Verso una lettura psico-criminologica del reato. Padúa: Webster.
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