
É natural que, em algum momento, os filhos desafiem os pais. Quando a frase "minha filha me enfrenta" aparece, ela carrega sentimentos mistos: frustração, dúvida, até mesmo um certo medo de estar falhando. Esses enfrentamentos, muitas vezes, são parte do desenvolvimento da autonomia e da identidade dela. É como se, ao se posicionar, ela dissesse: "eu existo, estou crescendo, quero ser ouvida".
Esse processo pode ser desconfortável, mas também pode ser uma oportunidade para os pais refletirem sobre seus próprios limites e formas de comunicação. Afinal, criar um espaço de diálogo nem sempre é simples, mas pode ser transformador.
Como esse é um tema importante e que toca o coração de muitas famílias, vamos explorar nesse artigo de Psicologia-Online tudo o que você precisa saber sobre essa situação: Minha filha me enfrenta: como lidar.
1. Como lidar com filha difícil
Lidar com uma filha considerada "difícil" pode ser desafiador, mas é importante entender que, por trás de comportamentos complicados, muitas vezes estão necessidades não atendidas, emoções intensas ou dificuldades em se expressar. O caminho para fortalecer a relação entre pais e filhas começa com empatia, escuta ativa e conexão genuína.
Antes de tudo, tente enxergar além do comportamento desafiador. Pergunte-se: “O que minha filha está tentando me dizer com suas ações?” Muitas vezes, atitudes que parecem difíceis são, na verdade, pedidos de ajuda disfarçados. Ao abrir espaço para diálogo sem julgamentos, você cria um ambiente seguro para que ela possa compartilhar seus sentimentos.
Outro ponto essencial é observar como você responde a esses comportamentos. Reações explosivas ou críticas podem intensificar os conflitos, enquanto uma postura acolhedora pode transformar a dinâmica. Isso não significa ignorar limites ou aceitar comportamentos desrespeitosos, mas sim estabelecer regras claras com firmeza e carinho.
Tente também compreender as pressões que sua filha enfrenta. As crianças e adolescentes de hoje lidam com desafios como ansiedade, comparações constantes nas redes sociais e a busca por aceitação. Mostrar-se disponível para ouvir, sem pressionar, é uma forma poderosa de fortalecer os laços.
Se a situação estiver muito difícil de gerenciar, considere buscar ajuda profissional. Um psicólogo pode ajudar a identificar possíveis causas subjacentes e oferecer estratégias personalizadas para melhorar a comunicação e o relacionamento familiar.
Lembre-se de que “difícil” é apenas uma perspectiva. Ao olhar para sua filha com curiosidade e amor, em vez de frustração, você pode descobrir caminhos para reconstruir a conexão e ajudá-la a lidar melhor com suas próprias emoções. Afinal, todo relacionamento pode ser transformado com paciência e cuidado.

2. O que fazer quando sua filha adulta não te respeita
Quando sua filha adulta não demonstra respeito, é natural sentir dor, frustração e até mesmo culpa. Afinal, a relação entre pais e filhos é carregada de emoções e expectativas. No entanto, é importante lembrar que os relacionamentos evoluem com o tempo, e isso exige compreensão e adaptação de ambas as partes.
Em primeiro lugar, tente entender o que pode estar motivando o comportamento desrespeitoso. Muitas vezes, conflitos mal resolvidos do passado ou dificuldades na comunicação podem gerar ressentimentos. Nesse contexto, é essencial evitar recriminações e buscar um diálogo aberto e honesto. Pergunte como ela se sente e ouça sem interromper ou julgar. Isso pode ajudar a construir um espaço de empatia e acolhimento.
Estabelecer limites saudáveis também é fundamental. Respeitar a individualidade da sua filha não significa tolerar atitudes que lhe causam sofrimento. Expresse suas necessidades de forma assertiva, mas sempre com calma e respeito. Por exemplo, você pode dizer: “Eu me sinto magoada quando você age dessa forma, e gostaria que conversássemos para melhorar nossa relação.”
Reflita sobre sua própria postura. Como você tem lidado com situações de conflito? Seu comportamento incentiva o diálogo ou perpetua a tensão? Buscar aprimorar suas próprias habilidades de comunicação pode fazer toda a diferença.
Se o desrespeito persistir, considere a possibilidade de inserir alguém que possa ajudar no diálogo entre vocês, alguém que tenha proximidade um olhar empático, e imparcial que será tão importante nesse momento.
Cada relação é única e que transformar conflitos em oportunidades de crescimento pode fortalecer os laços entre vocês. Com paciência e dedicação, é possível construir uma relação mais saudável e respeitosa.

3. O que fazer quando mãe e filha não se entendem
O relacionamento entre mãe e filha pode ser uma das conexões mais fortes e complexas ao mesmo tempo. Para resolver esse conflito, é interessante basear a conversa na conexão que foi construída ao longo da convivência entre vocês, ao invés de focar na complexidade que existe. Quando os desentendimentos surgem, é comum que ambas se sintam frustradas e até magoadas. Porém, com paciência e estratégias certas, é possível superar os conflitos e fortalecer essa relação.
Primeiro, é importante reconhecer que cada pessoa tem suas próprias vivências, opiniões e formas de enxergar o mundo. A mãe pode ter valores e expectativas baseados em sua experiência, enquanto a filha busca sua autonomia e identidade. O choque entre essas perspectivas pode gerar conflitos, mas também oportunidades de crescimento para as duas.
A comunicação é a chave para resolver mal-entendidos. Tente criar um ambiente onde ambas possam falar e, principalmente, ouvir sem julgamentos. Use frases que expressem sentimentos em vez de acusações, como: “Eu me sinto magoada quando isso acontece”, em vez de “Você nunca me entende”. Isso ajuda a evitar que a conversa vire um confronto.
Além disso, procure praticar a empatia. Coloque-se no lugar da outra e tente entender o que ela sente e pensa. Isso não significa concordar com tudo, mas abrir espaço para a compreensão mútua.
Desentendimentos são normais em todo tipo de relação, mas não precisam definir o relacionamento. Com esforço conjunto, é possível transformar os desafios em aprendizado, criando uma relação mais saudável, baseada no respeito e no amor mútuo. Afinal, mãe e filha têm muito a compartilhar e aprender uma com a outra.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
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- Bonfim, F. G.. (2014). Amor - Ódio: devastação na relação mãe e filha. Fractal: Revista De Psicologia, 26(1), 245–252. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1984-02922014000100017. Acessos em: 24 de janeiro de 2025.
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