Ao começar um tratamento psicológico, é bastante comum que o psicólogo ou psicóloga realize nas primeiras consultas uma entrevista perguntando pelo motivo da consulta e, de forma geral, sobre a vida do paciente. Isso serve para que o/a profissional possa ter uma ideia geral sobre o que está acontecendo e descobrir se há outras áreas problemáticas que poderiam estar afetando-o.
Em alguns casos, é muito útil e necessário realizar este tipo de entrevista com familiares, o/a parceiro/a ou, de forma geral, alguém de seu entorno mais próximo, especialmente quando se trata de crianças.
Este tipo de varredura sobre a situação é conhecido pelo nome de anamnese e há determinados aspectos que devem ser cumpridos. Além disso, há diferentes tipos. Por isso, se você quer continuar descobrindo o que é a anamnese psicológica, como fazê-la e os diferentes tipos que existem, continue lendo Psicologia-Online.
Tipos de anamnese
Como mencionamos, a anamnese trata de obter uma ideia geral do problema que o paciente possui e como interfere com o entorno. Portanto, podemos deduzir dois tipos básicos de anamnese:
Anamnese focal
Consiste na realização de um conjunto de perguntas ao paciente sobre o problema. Entre estas, podemos encontrar:
- Qual é o motivo da consulta?
- Desde quando está ocorrendo? Existe algo que poderia ter desencadeado isso?
- Aconteceu em alguma outra ocasião?
- Você já consultou com outros psicólogos?
- O que você tentou fazer para resolver o problema?
Este tipo de anamnese é particularmente útil para identificar padrões recorrentes e elementos desencadeadores que possam não ser imediatamente aparentes.
Anamnese para o impacto biográfico
Neste tipo de anamnese são feitas perguntas para obter informação sobre como o problema pode estar interferindo no dia a dia da pessoa, ou seja, trata-se de averiguar se outras áreas de sua vida foram afetadas pelo problema. Deste modo, obteríamos perguntas tais como:
- Devido ao problema, você deixou de realizar alguma atividade?
- Existe algo que você acredita que está mantendo ou aumentando a situação?
- Como você acha que a terapia poderia ajudar com seu problema? O que você espera de nós?
- Você tem apoio de seu entorno?
Essa abordagem ajuda a entender melhor o impacto do problema na qualidade de vida geral do paciente, permitindo um tratamento mais holístico.
Como deve ser uma anamnese com exemplos
A seguir, veremos como fazer uma anamnese psicológica com alguns exemplos de perguntas. A anamnese deve ser composta de diferentes pontos:
Identificação
Consiste em coletar os dados básicos do paciente: nome, idade, endereço, entre outros. Isso estabelece um registro inicial e ajuda a personalizar o atendimento.
Motivo de consulta
Trata-se da razão que levou a iniciar uma terapia: uma ruptura amorosa, problemas com os pais e mães, baixa autoestima, entre outros. Este é o aspecto mais importante em uma anamnese, já que a entrevista pode se desenrolar em uma ordem ou outra. Se há um problema de casal, as primeiras perguntas serão relacionadas a esse relacionamento, enquanto que se há um problema familiar se perguntaria sobre com quem vive, entre outros, em primeiro lugar.
Histórico do problema
Isto consiste na pessoa descrever quais são os sintomas do problema, quando começou, por que pensa que aconteceu, quando se acentua e quando desaparece. Ou seja, descrever o problema, assim como as possíveis causas de origem e persistência do mesmo. Esse histórico é crucial para identificar padrões e gatilhos que podem não ser imediatamente óbvios.
Impacto biográfico
Uma vez entendido o problema, procede-se para a realização do segundo tipo de anamnese mencionado. Ou seja, pergunta-se à pessoa sobre outras áreas de sua vida (trabalho, estudos, plano social, hobbies, etc.) e verifica-se como o problema pode estar prejudicando essas outras áreas. Compreender esse impacto pode ajudar a criar estratégias de intervenção mais eficazes.
Infância
Em alguns casos, pode ser interessante perguntar ao sujeito sobre sua infância: como eram seus pais com ele/a, castigos e recompensas, assédio escolar, entre outros. De forma geral, como foi sua vida a fim de que possamos descobrir outras possíveis causas do problema ou traumas relacionados. A infância muitas vezes contém pistas importantes sobre padrões de comportamento e reações emocionais atuais.
Expectativas
Este ponto é importante, pois, em alguns casos, o/a paciente pode chegar a ter expectativas pouco compatíveis com a realidade. Trata-se de adiantar à pessoa até que ponto seu problema pode ser amenizado, sempre deixando claro que não se pode garantir e que dependerá de muitos fatores. Estabelecer expectativas realistas é fundamental para o sucesso do tratamento.
Importância da anamnese psicológica
É importante não saturar o paciente. Ou seja, em muitos casos, com a intenção de obter a máxima quantidade de informações possível, o tempo se estende demais, fazendo com que a pessoa sinta que não está obtendo nenhum feedback sobre seu problema. Por isso, às vezes é melhor ir ampliando a informação pouco a pouco nas seguintes sessões da terapia e combinar com algum tipo de possíveis objetivos da terapia, explicações do problema, entre outros.
Por outro lado, a ordem não tem porquê ser sempre a mesma. Isso dependerá do problema, do paciente e de como vai se desenvolvendo. A ideia é que a conversação flua de forma natural, favorecendo, antes de tudo, o conforto do paciente com a coleta de informações.
Isto nos leva ao fato de que é importante informar ao paciente que não tem porquê responder e falar sobre tudo, mas sim sobre aquilo que ele esteja pronto, respeitando, deste modo, seu tempo. Isso garante que o paciente se sinta seguro e respeitado, o que é essencial para um tratamento bem-sucedido.
Além disso, uma anamnese bem conduzida pode fortalecer o vínculo terapêutico, promovendo um espaço de confiança e diálogo aberto. Este vínculo é a base para um trabalho terapêutico eficaz e pode determinar a disposição do paciente em explorar questões complexas e difíceis.
Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
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- Bleger, J. (1964). La entrevista psicológica. Temas de psicología (entrevista y grupos).
- Pujol, T. (1982). La historia clínica en el proceso psicodiagnóstico infantil. Anamnesis versus entrevista psicológica. Educacio i cultura: revista mallorquina de Pedagogía, 179-184.
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