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O que é a psicologia ambiental: definição, características e exemplos

 
Por Irene Alabau, Psicóloga. 9 novembro 2020
O que é a psicologia ambiental: definição, características e exemplos

Dentro da psicologia existe um grande número de ramos e áreas diferentes, devido à diversidade de objetos de estudo e aplicações práticas desta disciplina acadêmica. Um dos mais novos campos de estudo da psicologia é a psicologia ambiental. Mas, o que é a psicologia ambiental? A psicologia ambiental investiga aspectos muito diferentes que compreendem desde o efeito de diferentes variáveis do entorno até o desenvolvimento de cidades sustentáveis e que respeitam o meio ambiente. Se você quer saber mais sobre este ramo da psicologia, continue lendo este artigo de Psicologia-Online e entenda o que é a psicologia ambiental: definição, características e exemplos.

O que é a psicologia ambiental

Há alguns anos, existe uma maior preocupação e consideração pelo meio ambiente e suas problemáticas. Este aumento de interesse proporciona o desenvolvimento da consciência ambiental, que considera que nós, seres humanos, somos responsáveis pelas mudanças produzidas em nosso entorno, assim como este entorno é capaz de influenciar em nossas emoções e comportamentos. Portanto, enfatiza a existência de uma relação bidirecional entre as pessoas e o ambiente. Esta inquietude fomentou o nascimento de um novo campo teórico ou disciplina dentro da psicologia: a psicologia ambiental.

Psicologia ambiental: definição

O que é a psicologia ambiental? A psicologia ambiental é reconhecida como um campo interdisciplinar dentro da psicologia na década de 60. A definição de psicologia ambiental é a seguinte: estudo e análise da inter-relação e interação do ser humano com seu entorno. Abrange e distingue entre entornos naturais, criados pelos ser humano, entornos sociais, de aprendizagem e informativos.

A psicologia ambiental ou psicologia ecológica coloca o foco nas diferentes variáveis de comportamentos e psicológicas das pessoas em relação com as trocas que se produzem com os diversos entornos. O meio ambiente não se trata de um espaço neutro, mas sim de um entorno marcado por significados. Consiste em um contexto no qual as dimensões espaço-temporais adquirem uma grande importância, assim como os significados culturais e de sistemas de valores e crenças que se desenvolvem no mesmo. É, então, o espaço que constrói o funcionamento das pessoas e o comportamento do ser humano, que por sua vez modela este entorno.

Existem antecedentes da psicologia ambiental na década de 40, na qual começava a se contemplar a relação entre a pessoa e o meio ambiente. Nesta década e na dos anos 50, trabalhos teóricos de autores como Kurt Lewin, Roger Barker e Herbert F. Wright se destacam. Estas contribuições culminam na proliferação de estudos neste campo nos anos 70 e a consolidação da psicologia ambiental como disciplina própria e diferente de outras. A partir deste momento, diversos autores e autoras analisam e desenvolvem diversas metodologias, conceitos, enfoques teóricos da psicologia ambiental.

Da mesma forma, os conhecimentos sobre a psicologia ambiental ou ecológica são reunidos e unificados em manuais. Um dos mais preponderantes é o manual de psicologia ambiental de Charles J. Holahan de 1991. Este livro de psicologia ambiental oferece uma definição, características e objeto de estudo da psicologia ambiental, assim como reúne conhecimentos e pesquisas da relação entre o entorno e a pessoa, tais como a importância do espaço pessoal, os efeitos do ambiente no desempenho, as consequências do design urbano, etc.

Psicologia ambiental: características

As características que definem a psicologia ambiental são as seguintes:

  • Consideração das relações entre os seres humanos e o meio ambiente como bidirecionais, portanto, o objeto de estudo desta disciplina são os efeitos do entorno sobre as pessoas e o impacto do ser humano sobre o ambiente. Logo, estuda a relação recíproca e mútua entre o comportamento e o nicho ecológico.
  • O entorno não se analisa unicamente através de uma perspectiva física, mas também social. É por isto que não se levam em conta apenas as variáveis físicas do entorno, como o espaço e o tempo, mas também as sociais, como a cultura e o sistema de valores. Ambos aspectos possuem uma grande influência sobre o funcionamento comportamental do ser humano. Portanto, na psicologia ambiental, o objeto de análise é o entorno sócio-físico.
  • O enfoque da psicologia ambiental é holístico, isto é, analisa o ambiente em seu conjunto, de forma integral e integrada. Se baseia em uma perspectiva global, na interação dos diferentes componentes do ambiente, ao invés do isolamento destes elementos e sua análise de forma parcial e separada.
  • A orientação da psicologia ambiental ou ecológica é prática, tal que seu objetivo é oferecer uma resposta aplicada a diferentes demandas sociais. Apesar que a psicologia ambiental desenvolve conceito e explicações teóricas, possui uma vocação aplicada, e visa a conseguir mudanças no ambiente que facilitem o bem-estar, tanto humano como ambiental. Portanto, existe uma relação íntima entre teoria e prática.
  • A psicologia ambiental é interdisciplinar, já que compartilha estudos e se nutre de outras disciplinas, como a biologia, a geografia, a arquitetura, a ergonomia, a antropologia urbana, etc.
  • A metodologia empregada neste campo de estudo é eclética, o que significa que diferentes procedimentos metodológicos são empregados na pesquisa. O uso de uma variedade de métodos e desenhos experimentais, favorece uma aproximação mais completa ao objeto de estudo.
  • A perspectiva da psicologia ambiental é não determinista. As pessoas não se consideram sujeitos passivos diante do meio ambiente, mas sim seres capazes e orientados à produção de mudanças e alterações no entorno. Existe um intercâmbio dinâmico de influências entre o ser humano e o ambiente.
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O que a psicologia ambiental estuda

De forma geral, o objeto de estudo e objetivo da psicologia ambiental é a interação e inter-relação entre a pessoa e o contexto, tanto físico como social. No entanto, dentro desta disciplina podemos distinguir diversos enfoques ou objetos de estudo da mesma. A seguir listamos os diferentes temas que a psicologia ambiental estuda:

  • Relação entre o espaço físico e o comportamento: pesquisas sobre as variáveis do espaço físico e sua influência sobre o comportamento humano. Através deste enfoque, o espaço pessoal, a territorialidade, a superlotação, a apropriação e distribuição de espaço, etc. são analisados.
  • Influência das variáveis ambientais no comportamento humano: estuda a incidência de diferentes dimensões ambientais e seus efeitos sobre as percepções, cognições e emoções das pessoas, assim como sua adaptação à estas. Incluem estudos sobre elementos como estresse ambiental, ruído, luz, cor, clima, temperatura e contaminação, e suas consequências psicológicas e físicas sobre as pessoas. Os efeitos sobre o rendimento e a variabilidade dos efeitos em diferentes entornos também são incluídos.
  • Desenho e planificação ambiental: sugestão e criação de ambientes como base na consideração das variáveis ambientais e seus efeitos sobre as pessoas. Por outro lado, também se aplica o desenho de entornos e produtos que sejam ecológicos, respeitáveis e sustentáveis para o meio ambiente, como base para as consequências sobre o entorno.
  • Conhecimento ambiental: refere-se à representação subjetiva e mental que as pessoas têm sobre seu ambiente, assim como os significados e emoções ligados a este. Este ramo estuda de que forma os seres humanos percebem e entendem o ambiente em nível pessoal e o organizam na mente.
  • Comportamentos e atitudes com o meio ambiente: análise das diferenças culturais e psicológicas no desenvolvimento de atitudes e consciência sobre o entorno, assim como estudo dos fatores que influem sobre estas. As diferentes motivações que levam à preocupação sobre o meio ambiente também são analisadas.
  • Relação entre coletivos da população e sua relação com o entorno: análise das necessidades específicas de certos grupos da população em relação à construção e distribuição de espaços, assim como as dificuldades que experimentam, derivadas deste desenho.
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Psicologia ambiental: exemplos

Alguns exemplos de psicologia ambiental, das investigações e objetos de estudo desta disciplina são os seguintes:

  • Grandes contrastes de cor podem influenciar de maneira negativa no desempenho profissional e visual das pessoas, já que favorecem a distração.
  • Outro exemplo de psicologia ambiental ou psicologia ecológica é que a presença de diversos espaços públicos abertos nos territórios favorecem a participação cidadã, já que estes espaços facilitam o associacionismo e a socialização das pessoas.
  • A disposição circular entre pessoas estimula a comunicação, o debate e intercâmbio de ideias, devido ao fato de que é mais fácil para todas as pessoas se olharem.
  • Investigação sobre leis e incentivos no comportamento ambiental, como o fomento da reciclagem de vasilhames vazios através de uma pequena recompensa econômica, como está sendo feito em alguns países do Norte da Europa.
  • Quanto ao espaço pessoal, os quartos quadrados, os tetos altos e as janelas diminuem a sensação de aglomeração.
  • O planejamento urbano do transporte, escolas e centros residenciais com base nas necessidades das crianças, pessoas idosas e com diversidade funcional.
  • Desenho e construção de espaços que sejam seguros para as mulheres, especialmente de noite e pensados para evitar assédio e agressão em espaços públicos.
  • Aqueles grupos sociais que são educados com o respeito ao entorno e concebem as pessoas como parte do mesmo, desenvolvem uma maior consciência ambiental. Enquanto que aqueles grupos que crescem em um sistema de valores individualista e que situam o ser humano como central, desenvolvem mais facilmente uma perspectiva egoísta sobre o entorno e procuram benefício próprio nele.
  • O desenvolvimento de cidades sustentáveis através do incentivo do uso das energias renováveis e a redução de emissões por parte das empresas são outros exemplos de psicologia ambiental.
  • Efeitos da contaminação sobre enfermidades respiratórias, alergias, assim como alterações do equilíbrio psicológico e aumento do estresse e a ansiedade.
  • Desenvolvimento de uma boa comunicação e rede de meios de transporte, assim como fomento do uso da bicicleta pela população, com o objetivo de melhorar o meio ambiente.
  • Outro exemplo da psicologia ambiental é a investigação sobre as barreiras que as pessoas percebem no que se refere à reciclagem, como falta de conhecimento, baixa disponibilidade de diferentes recipientes por perto ou a falta de percepção de benefícios deste comportamento. Uma vez conhecidas as causas, são abordadas as soluções como educação ambiental e campanhas de conscientização ou aumento de recipientes.
  • As diferenças de personalidade e culturais na base do entorno físico e variáveis como a temperatura e o clima. O transtorno afetivo sazonal é um exemplo de como o clima influencia as pessoas.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Aragonés, J. I. (2003). Los desarrollos de la Psicología Ambiental en los próximos años. Estudios de Psicología (Natal), 8(2), 329-330.
  • Holahan. J. Charles (2005) Psicología Ambiental. Madrid: Limusa
  • López, G. B. (2006). Una aproximación a la psicología ambiental. Fundamentos en humanidades, (13), 157-168.
  • Roth, E. (2000). Psicología ambiental: interfase entre conducta y naturaleza. Revista ciencia y cultura, (8), 63-78.

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