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O que é a somatização na psicologia

 
Por Júlia Rovira, Psicóloga. Atualizado: 23 julho 2021
O que é a somatização na psicologia

Hoje em dia, seguramente a maioria de nós ouviu falar que nosso corpo e nossa mente estão intimamente conectados. É certo que, quando experimentamos alguma emoção muito forte, podemos notar diferentes mudanças em nosso corpo, como mal-estar geral, aceleração do ritmo cardíaco, desânimo, etc. É por este motivo que muitos profissionais da saúde mental, como psiquiatras ou psicólogos, mesmo que pareça paradoxal, cada vez mais assumem que existem diferentes transtornos psicológicos cujos sintomas observáveis parecem ser físicos, ainda que a origem destes seja principalmente psicológica.

Estamos falando de um fenômeno chamado somatização, que afeta mais mulheres que homens na nossa sociedade e que, se não tratada devidamente, pode chegar a causar um transtorno psicológico: o transtorno por somatização ou de sintomas somáticos. Neste artigo de Psicologia-Online mostraremos o que é a somatização em psicologia, suas manifestações mais frequentes, suas causas e seu tratamento.

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Transtorno por somatização DSM-5

O Transtorno por Somatização, segundo a DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), está classificado como Transtorno de Sintomas Somáticos e Transtornos Relacionados, o qual se caracteriza principalmente pela presença de sintomas físicos frequentes que causam dor e mal-estar podendo ser, por vezes, identificáveis ou não pelo pessoal da saúde e sendo, muitas vezes, acompanhados de pensamentos, sentimentos e uma preocupação excessiva em relação a saúde do paciente.

As principais características do transtorno de sintomas somáticos podem ser dor, dificuldade ao respirar, fraqueza física, cansaço e podem variar de intensidade e de manifestação. A dor é o sintoma mais comum normalmente e pode estar associada a pensamentos e comportamentos como os seguintes:

  • Preocupação excessiva sobre a possibilidade de sofrer alguma ou algumas doenças.
  • Associar os sintomas físicos como sinais de doenças graves.
  • Dificuldade para obter um diagnóstico médico claro devido a falta de provas e evidências.
  • Revisão constante do corpo buscando anomalias.
  • Percepção dos sintomas mais intensos mesmo sofrendo uma doença médica.

O fato de que estes sintomas, normalmente, não apresentam uma origem orgânica, faz com que os pacientes frequentem diferentes serviços de saúde para encontrar um diagnóstico e um tratamento definitivo. Como consequência, ao somatizar e não serem identificadas suas causas, podem aparecer diferentes psicopatologias associadas, como a ansiedade, o estresse e a depressão.

A Doença Somática, ou Transtorno por Somatização, geralmente começa no início da idade adulta, aproximadamente aos 30 anos, e sua prevalência na população geral é de 5 a 7%.

Causas da somatização

Quais são os mecanismos etiológicos do transtorno de somatização? Atualmente, não existe uma causa concreta e definida para explicar por que aparece este fenômeno, mas podemos concluir que existem diferentes fatores de risco que mostraremos na continuação, que geram uma vulnerabilidade para sofrê-la:

  • Fatores biológicos como ser mais sensível a dor.
  • Fatores genéticos.
  • Antecedentes familiares.
  • Fatores pessoais, como uma menor percepção para identificar e processar as emoções e ter alguns traços da personalidade mais ansiosos.
  • Vitimas de abuso sexual ou maus-tratos físicos.

Cabe destacar que, em alguns casos a somatização aparece devido à existência de outra patologia médica prévia, como o câncer ou doenças cardíacas, entre outras.

Tipos de somatização mais frequentes com exemplos

Existem diferentes tipos de transtorno por somatização incluídos dentro del DSM-5:

  • O transtorno de sintomas somáticos.
  • O transtorno de ansiedade por doença ou hipocondria.
  • O transtorno de conversão.
  • O transtorno com fatores psicológicos que influência em outras doenças médicas.
  • O transtorno artificial.

A dor física, como foi mencionado anteriormente, é a doença mais comum em pessoas que sofrem deste transtorno e os sistemas do corpo humano que são os mais afetados costumam ser o digestivo, o locomotor, o sexual e o dérmico. Na continuação mostraremos uma classificação dos tipos de somatização mais habituais. Os sintomas mais frequentes são:

  • Cefaleia (dor de cabeça).
  • Dor na coluna e nas articulações.
  • Dor no peito.
  • Azia de estômago, náuseas, vômitos e diarreia.
  • Dor menstrual.
  • Transtornos da sexualidade como dor durante as relações sexuais ou disfunção erétil.

Como curar a somatização

Como deixar de somatizar? Este transtorno pode ser tratado a partir da abordagem da psicologia cognitivo-comportamental, já que esta corrente tem em consideração e se encarrega de trabalhar com os aspectos comportamentais, os pensamentos e outros aspectos psicológicos que podem estar prejudicando o funcionamento normal do paciente. Este tratamento pode ajudar a aliviar os sintomas, a dor, a tomar consciência da existência desta problemática, ao lidar com os pensamentos negativos recorrentes, ao saber lidar com o estresse e ao ter um melhor bem-estar e qualidade de vida. No seguinte artigo explicamos o que fazer com os pensamentos negativos recorrentes.

Além disso, se o paciente sofre de outros transtornos psicológicos como a depressão ou ansiedade, buscar um profissional especializado nesta corrente poderia ser de grande ajuda.

O tratamento farmacológico utilizando fármacos antidepressivos e/ou ansiolíticos também está recomendado nestes casos para aliviar os sintomas da depressão ou da ansiedade. Uma combinação deste tratamento junto com o psicológico seria a mais recomendada pelos especialistas.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • American Psychiatric Association (2013). Somatic symptom disorder. Diagnostic and Statistical Manual of Disorders. 5th ed. Arlington, VA: American Psychiatric Publishing, 311-315.
  • Muñoz, H. (2009). Somatización: consideraciones diagnósticas. Revista Med, 17(1), 55-64.
  • Santiago, J.L. y Belloch, A. (2002). La somatización como síntoma y como síndrome: una revisión del trastorno de somatización. Revista de psicopatología y psicología clínica, 7(2), 73-93.

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