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O que é o sono REM, duração e características

 
Por Nerea Babarro Rodríguez, Psicóloga. 9 outubro 2021
O que é o sono REM, duração e características

O sono é um conceito que se refere tanto ao ato quanto a vontade de dormir. Trata-se de um estado normal e recorrente no qual as atividades cerebrais não param — na verdade, diminui-se a capacidade de percepção e de resposta aos estímulos externos. Se você quer conhecer os diferentes tipos de sono e especialmente o sono REM, continue lendo este artigo de Psicologia-Online sobre o que é o sono REM, duração e características.

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Tipos de sono

Existem dois tipos de sono, chamados sono REM e NREM. O fato de haver essa divisão em dois tipos de sono não quer dizer que um sonho exclua o outro, mas sim que ambos coexistem, cada um aparecendo em uma parte temporal diferente do dormir em sua totalidade. A seguir, veremos o que é o sono REM e NREM, suas características e fases.

Sono NREM

Em relação aos tipos de sono, tem-se em primeiro lugar o sono NREM (do inglês non rapid eyes movement), ou não-REM em português (sono sem movimento rápido dos olhos). O sono NREM se caracteriza por ter quatro etapas distintas:

Etapa 1: sonolência

Tem uma duração aproximada de dez minutos e se caracteriza por ser a etapa em que surge a sonolência. Nesta etapa há a presença de tônus ​​muscular, mas não há presença de movimentos oculares (ou estes são muito lentos). Além disso, na etapa 1 desaparece o ritmo encefalográfico característico do estado de vigília e alerta, justamente por se tratar de uma transição entre a vigília e o sono.

Etapa 2: sono leve

Nesta etapa predomina o sono leve e dura aproximadamente cinquenta minutos. Caracteriza-se por uma maior diminuição do ritmo encefalográfico mencionado anteriormente, diminuição do ritmo cardíaco e respiratório, ainda que o tônus muscular continue presente. Não há movimentos oculares. Além disso, entram em cena os complexos K, ondas bifásicas cuja finalidade é fazer com que a pessoa não acorde. Nessa etapa, quando o cérebro demonstra estar tendo dificuldades no contato com o corpo, algumas vezes ele pode enviar algum impulso para garantir a conexão e o funcionamento normal do organismo, de forma que normalmente as pessoas reagem a esse impulso com movimento brusco.

Etapa 3: transição

Ao ingressar na terceira etapa, começamos a passar do sono leve para o sono profundo. É possível chamá-la de uma etapa de transição entre o sono leve ao profundo, com uma duração aproximada de dois a três minutos.

Etapa 4: sono profundo

Essa etapa tem uma duração aproximada de vinte e cinco minutos e nela predomina o sono profundo. O ritmo encefalográfico diminui ainda mais — além disso, continua sem haver movimentos oculares e o tônus muscular pode diminuir de forma excessiva ou se manter em função da situação. Nessa etapa as pessoas podem realizar movimentos corporais como mudar de postura ou trocar de lado na cama. Por se tratar de um sono profundo, como o próprio nome já evidencia, as pessoas também têm maiores dificuldades para acordar e não costumam sonhar nessa etapa. É importante destacar que para poder avaliar se uma pessoa tem uma qualidade de sono boa ou ruim, devemos nos concentrar nessa etapa, pois é ela que nos permite fazer essa determinação.

O que é o sono REM

O segundo dos tipos de sono é o sono REM (do inglês rapid eyes movement ou, em português, movimento rápido dos olhos), também chamado sono paradoxal. O que é sono REM? Este é um tipo de sono que aparece depois das etapas anteriores, isto é, após o indivíduo ter passado aproximadamente uns noventa minutos dormindo.

Sono REM: características

Durante a fase do sono REM, como bem diz seu nome, observa-se o movimento rápido dos olhos e, além disso, a presença de uma atividade encefalográfica que faz lembrar o estado de vigília. Ou seja, nessa fase, o cérebro demonstra uma atividade similar a de quando estamos acordados — por isso é quando aparecem os sonhos e também onde captamos mais informações do ambiente e de tudo que nos cerca. Dessa forma, é mais fácil acordar alguém que se encontra no estado de sono REM.

Sono REM: duração

É preciso destacar que a duração da vigília aumenta com o passar do tempo, de forma que quando mais velho se fica, menos se dorme. Por isso, há uma diminuição do tempo de duração do sono REM. Calcula-se que uma pessoa jovem/adulta, sem problemas relacionados ao sono, divide-se em um total de aproximadamente seis horas de sono NREM e cerca de duas horas de sono REM.

Acordar na fase REM

A fase de sono REM é a que mais se parece com o estado de vigília, por isso, é comum que ao despertar nessa fase as pessoas apresentem um maior estado de alerta do que em outras fases, nas quais provavelmente demonstrariam um estado de confusão mental e um possível retorno rápido ao sono.

Por isso, se alguém acorda na fase de sono REM, essa pessoa conseguirá lembrar e explicar com detalhes todas as informações possíveis de seus sonhos ou pesadelos. É importante diferenciar os pesadelos dos terrores noturnos, já que o conteúdo dos pesadelos é possível de ser lembrado devido a sua predominância de aparição na fase REM, enquanto, por outro lado, o conteúdo dos terrores noturnos é impossível ou muito difícil de ser lembrado, já que surgem na fase NREM, especificamente nas etapas 3 e 4.

Transtorno comportamental do sono REM

De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, pode-se diagnosticar um transtorno comportamental do sono REM quando:

  • Ocorrem episódios frequentes de acordar durante o sono associados à falar e/ou ter comportamentos motores complexos;
  • Por esses comportamentos ocorrerem durante o sono REM — isto é, cerca de noventa minutos após o início do sono — estes episódios são mais frequentes durante a noite e poucas vezes ocorrem durante os cochilos diurnos;
  • Quando a pessoa acorda durante estes episódios ela está totalmente desperta, em estado de alerta e não apresenta confusão mental nem desorientação;
  • Se ocorrer uma ou outra das seguintes características: 1) sono REM sem atonia, entendendo-a como o desaparecimento do tônus ​​muscular; 2) antecedentes que dão a entender que há um distúrbio do comportamento do sono REM e um diagnóstico estabelecido de sinucleinopatias (doenças relacionadas a alterações nas sinucleínas, uma família de proteínas do sistema nervoso);
  • Quando esses comportamentos causam um mal-estar clinicamente significativo ou um desgaste no âmbito social, profissional ou em outras áreas importantes da vida;
  • Se a alteração do sono REM não pode ser explicada por efeitos fisiológicos de uma substância (remédios, drogas, etc.) ou outra condição de saúde;
  • Quando os transtornos mentais já diagnosticados ou os médicos não conseguem explicar o surgimento desses episódios.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
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  • ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. (2014). Manual diagnóstico y estadístico de los trastornos mentales. DSM 5. 5ª Edición. EEUU: Panamericana
  • VELAYOS, J.L., Moleres, F.J., Irujo, A.M, Yllanes, D., y Paternain, B. (2007). Bases anatómicas del sueño. Anuales del Sistema Sanitario de Navarra, 30(1), 7-17.

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