O que é projeção na psicologia: definição e exemplos

O que é projeção na psicologia: definição e exemplos

Eventualmente, como conclusão de uma extensa jornada de conflitos emocionais, podemos perguntar a nós mesmos(as): "por que não consigo ficar tranquilo com ninguém?". É possível que brigas constantes, isolamento, evasão social e outros eventos interpessoais frustrados não sejam causados pelo mais evidente (os outros), mas sim por conflitos que estão presentes em nosso inconsciente desde há muitos anos. Conflitos tão dolorosos, vergonhosos, frustrantes e imorais que negamos assumir, sendo que a melhor alternativa é enxergá-los nos outros: a projeção. Neste artigo de Psicologia-Online, explicamos o que é projeção na psicologia: definição e exemplos.

O que é a projeção

A projeção é um termo da psicanálise. A definição de projeção a descreve como um mecanismo que consiste em atribuir a outra pessoa algo que acontece conosco. A projeção é uma forma de funcionamento observada em pessoas que atribuem a outro o que está acontecendo com elas mesmas, normalmente de forma inconsciente. Este mecanismo não permite o contato consigo mesmo nem com os outros. Por exemplo, muitas pessoas que utilizam a projeção consideram que todas as outras pessoas possuem defeitos, mas elas não.

Em psicologia, utilizamos a projeção para detectar determinados traços do caráter, como as motivações, os problemas e frustrações. As tendências projetivas das pessoas se desenvolvem de maneira forte em indivíduos de tipo paranoico. Algumas pessoas com esta patologia manifestam uma tendência a julgar constantemente os outros, são muito sensíveis e capazes de perceber o inconsciente dos outros e, ao interpretá-lo, esquecem-se de seu próprio inconsciente. Nos casos graves, a projeção leva à deformação viciosa ou a uma falsa imagem da realidade (delírio paranoico). Em alguns casos, a projeção bem canalizada pode gerar criações artísticas ou científicas incríveis.

Além disso, é importante destacar que a projeção pode se manifestar de maneiras sutis no cotidiano. Por exemplo, uma pessoa que sente insegurança sobre suas habilidades pode perceber críticas ou julgamentos em comentários neutros de colegas de trabalho. Reconhecer essas manifestações sutis pode ser o primeiro passo para lidar com a projeção de maneira mais eficaz.

A projeção como mecanismo de defesa na psicologia

Hermann Hesse (1919) expressava algo parecido com a teoria da projeção como um mecanismo de defesa, e o fez com a seguinte frase:

Quando odiamos alguém, odiamos em sua imagem algo que está dentro de nós.

A projeção é um dos mecanismos de defesa mais utilizados contra as ameaças materiais externas, imputando a responsabilidade de nossos próprios traços, sentimentos e comportamentos a outra pessoa ou ambiente. O indivíduo atribui a outras pessoas as próprias carências, virtudes ou defeitos, incluindo até mesmo seus próprios conflitos internos de ambivalência.

A projeção como mecanismo de defesa geralmente opera em situações de conflitos afetivos/emocionais ou de conflitos internos, onde acaba se atribuindo ao ambiente (pessoas ou coisas) os próprios sentimentos, pensamentos ou impulsos que são incômodos ou inaceitáveis para a pessoa. Além do conteúdo negativo, também se transmite tudo aquilo que garante e assegura a continuidade do narcisismo, a manutenção dos vínculos intersubjetivos, os processos de conservação: identificações, mecanismos de defesa, ideais, dúvidas e certezas.

Por outro lado, entender a projeção como um mecanismo de resistência pode ajudar a reconhecer padrões de comportamento que nos impedem de crescer emocionalmente. Quando nos recusamos a enfrentar nossos próprios sentimentos e experiências, podemos perder oportunidades valiosas de autodescoberta e desenvolvimento pessoal.

A projeção como mecanismo de defesa nos faz cuspir ou expelir sobre o mundo as vivências, emoções ou traços da personalidade que desejamos desalojar de nós mesmos pelo fato de serem inaceitáveis. Tudo o que é relativamente gratificante é aceito pelo eu - como algo que pertence a ele - mas tudo que se mostra doloroso e pouco gratificante é considerado como algo alheio a você.

Exemplos de projeção

A frustração que caracteriza uma pessoa que cria projeções de si mesma nos outros desaparece quando começa a acreditar que seus defeitos, deficiências e fracassos são compartilhados pelos outros, ou que são os outros que provocam estes fracassos, deficiências (ou qualquer coisa que não desejam ter). A seguir te damos alguns exemplos de projeções psicológicas:

Roubar e acreditar que os outros também roubariam

Pessoas que pensam de determinada forma (por exemplo, justificando um ato de corrupção) acreditam que os outros pensam da mesma forma. Por exemplo, o dono de uma loja rouba alguns gramas de cada quilo do produto que vende e, quando vai comprar em outra loja, será o cliente mais desconfiado.

Pensar em ser infiel e ter medo de que seu(sua) namorado(a) o seja

Em um relacionamento, um dos dois começa a apresentar sintomas de ansiedade (por exemplo, diz se sentir inseguro e sem esperança), como consequência de ideias constantes de infidelidade de seu(sua) namorado(a), que várias vezes tentou deixar claro e evidente de que esta infidelidade não é real. Através de uma análise, se descobre que esta pessoa com sintomas de ansiedade também não foi infiel, mas que existem muitas pessoas que pareceram atraentes para ela e com as quais ela tem muita vontade de ter relações sexuais. Sua própria consciência - e respeito pelo(a) namorado(a) - não permite que o faça. Além desta projeção, a pessoa também projeta sua insegurança sobre seu físico e personalidade, se comparando com as pessoas próximas de seu(sua) namorado(a) que ela considera atraentes.

Repreender os filhos por comportamentos que a própria pessoa tem

Outro exemplo de projeção muito frequente é a dos pais para com os filhos. Por exemplo, o pai demanda e reclama constantemente sobre o comportamento da criança, que vai contra os princípios que ensinou para ela, assim como os fracassos que esta criança possa ter. Todas essas coisas que são as mesmas que o pai não conseguiu superar e os mesmos princípios que ele em várias ocasiões transgrediu, tanto em sua juventude quanto no momento atual.

Além disso, um exemplo clássico é quando alguém critica um colega de trabalho por ser desorganizado, enquanto essa pessoa mesma luta para manter sua mesa arrumada. Essa tendência de projetar pode criar um ambiente de trabalho tenso e afetar negativamente as relações interpessoais.

Como evitar as projeções

Os mecanismos de defesa implicam um comportamento defensivo que a personalidade utiliza para manter o equilíbrio, ou seja, uma regulação da pressão e da empolgação.

Com este comportamento defensivo, o organismo pretende alcançar um ajuste ou adaptação que dissolva todo tipo de insegurança, frustração, perigo, pressão ou ansiedade. No entanto, o comportamento defensivo não soluciona os conflitos, apenas se limita a restringir a capacidade de atuação do eu diante dos objetos perturbadores.

As projeções são conflitos ou elementos internos que se colocam para fora em uma tentativa de dissolução, mas que, evidentemente, provocam o efeito contrário: a sustentação das frustrações e pressões. É importante uma análise minuciosa e dirigida por um profissional para determinar quais são esses elementos internos que provocam essa inconsistência com o ambiente.

Como lidar com as projeções psicológicas? Observar e meditar se existem conflitos constantes com a família, amigos, namorado(a) e trabalho, ajudará a encontrar e determinar se, na verdade, o que gera e desenvolve essa instabilidade é algo conosco mesmo.

Além disso, buscar o autoconhecimento através de terapias e práticas de mindfulness pode ser uma ferramenta poderosa para reduzir a projeção. Ao aumentar a consciência sobre nossos próprios sentimentos e reações, podemos começar a identificar quando estamos projetando nossos próprios problemas nos outros e, assim, trabalhar para resolver essas questões internamente.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Hermann Hesse. (1919). Demian. Alianza de novelas.