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Pensamentos suicidas: como combatê-los

 
Por Anna Rafaela Pires. 24 agosto 2022
Pensamentos suicidas: como combatê-los

Quantas vezes nós pensamos que não aguentamos mais? Quantas vezes nos últimos tempos você falou ou ouviu alguém dizer "não aguento mais, quero morrer"? Muitas vezes são apenas expressões de linguagem, contudo, como diria Freud: podem ser desejos inconscientes que precisam de atenção. Sabendo disso, vamos comentar sobre a importância de combater os pensamentos suicidas.

Neste artigo iremos explicar mais sobre os pensamentos suicidas e como podemos lidar com eles. Em Psicologia-Online, lhe ensinaremos estratégias para combatê-los.

O que são pensamentos suicidas

Segundo o Conselho Federal de Psicologia em seu livro "O suicídio e os desafios para psicologia" [1]:

"Em 97% dos casos, segundo vários levantamentos internacionais, o suicídio é um marcador de sofrimento psíquico ou de transtornos psiquiátricos (BOTEGA, 2010)."

Sabendo dessa afirmação podemos ter noção de que os pensamentos suicidas tem vínculo direto com o sofrimento psíquico.

O sofrimento psíquico segundo o CFP (Conselho Federal de Psicologia) é algo que vem da vivência que todos irão passar, porém essa dor tem intensidades diferentes. E é exatamente na intensidade onde iremos focar.

Quanto mais intenso o sofrimento psíquico maior a chance de o indivíduo possuir pensamentos suicidas.

Pensamentos de morte

Os pensamentos suicidas possuem conexão com os sintomas que serão citados abaixo, mas principalmente com a intensidade deles. Caso você esteja passando por uma situação díficil, um luto ou algo traumático - você pode estar tendo esses sintomas devido ao sofrimento agudo.

Independente se é algo agudo ou algo crônico (de anos), os pensamentos suicidas podem acontecer. Às vezes podemos dar mais valor ao sofrimento psíquico mais longo e desprezar aquele que veio devido a um acontecimento.

Um exemplo: caso você ou alguém próximo tenha perdido um parente querido e esteja sofrendo em excesso, essa pessoa pode ter pensamentos suicidas e devemos prestar atenção, pedir ajuda de profissional e dar apoio.

Outro exemplo é: um indivíduo que sofre de depressão há mais de 3 anos e possui pensamentos suicidas recorrentemente. Essa pessoa também precisa de atenção, ajuda de um profissional e apoio.

Independente do tempo que existem esses pensamentos e o motivo deles, é necessária a ajuda de um psicólogo, equipe multidisciplinar e um psiquiatra.

Por que temos pensamentos suicidas

O CFP relata que dependendo da intensidade desses sintomas que serão mencionados abaixo podemos ter uma noção melhor do comportamento suicida:

  • Dor e sofrimento psicológico - aquela sensação de exaustão emocional, quando consideramos aquela sentimento intolerável;
  • Pressão ou estresse - situações tão estressantes que causam paralisia no indivíduo;
  • Perturbação - sensação de estar chateado, uma inclinação autodestrutiva com impulsos para mudar as situações estressantes;
  • Desesperança - falta de expectativa para mudança, não acredita que o sofrimento psicológico vá acabar;
  • Autoestima - concepção intolerável de si mesmo.

Como ajudar alguém com pensamentos suicidas

Às vezes não temos esses pensamentos de autoextermínio, porém algum amigo ou parente pode ter e aí? O que faremos? E isso não é tipo de coisa que aprendemos na escola, ninguém nos ensina como lidar com esses indivíduos e como ajuda-los.

O passo mais importante para lidar com isso é enteder que não é busca de atenção e não é besteira. Nós somos ensinados que o sofrimento emocional não é tão válido quanto o sofrimento físico e isso nós deixa em uma posição ignorante e, às vezes, até arrogante perante a dor do outro e seus pensamentos suicidas.

Sabendo disso, tem alguns pontos que precisamos prestar atenção para ajudarmos:

  • Estimular a pessoa com suas pulsões de vida;
  • Ajuda-lo na busca de alternativas não letais para lidar com seus pensamentos suicidas;
  • Incentiva-lo a procurar o CVV (Centro de valorização da vida) - Telefone gratuito: 188;
  • Buscar ajuda na procura de profissionais de saúde para o tratamento da pessoa;
  • Apoia-lo/a e deixar de lado nosso orgulho - para ajudar o outro precisamos entender que nem sempre vamos compreender a dor psíquica dele, mas devemos ter compaixão acima de nossa opnião nesses momentos.

Afinal, cada indivíduo é único e possui suas dores e formas de sofrer.

Como parar de pensar em suicídio

Segundo o CVV a ideação suicida é como um alarme de incêndio, se simplesmente tentarmos desligar o alarme sem saber de onde o fogo vem, a possibilidade de mudarmos esses pensamentos é baixa.

Sabendo disso, as dicas abaixo são apenas um apoio, é necessário fazer terapia e psicoterapia para descobrir o porquê desses pensamentos suicidas.

Ligue para o CVV

O CVV é o Centro de Valorização da Vida. Ele possui diversas formas de contato para quando alguém precisar de apoio. Você pode entrar em contato por chat, telefone (188), e-mail ou pessoalmente.

Quando estiver com pensamentos de autoextermínio, antes de tomar decisões impulsivas - ligue ou mande mensagem para eles. Muitas vezes conversar vai ajudar a diminuir sua ideação suicida.

Se você tiver algum parente, colega ou amigo(a) que precise desse apoio - indique para ele/ela o CVV.

É só ligar para 188 ou entrar no site deles para se comunicar: https://www.cvv.org.br/chat/

Busque sua pulsão de vida

Muitas vezes é difícil simplesmente buscarmos pensar positivo, talvez até um pouco irrealista. Buscar a pulsão de vida nos pensamentos suicidas não é mentir para si mesmo, é ir atrás daquilo que faz que queiramos viver.

Se você tem algum hobby, busque praticá-lo, procure alguém que também faça. Busque sair um pouco do seu isolamento, ficar mais tempo ao ar livre, e, claro, fazer a sua terapia.

Faça o contrário do que você faz

Você concorda comigo que quando realizamos algo, caso a gente queira mudar, precisamos fazer algo diferente? Com os pensamentos suicidas não é diferente, para tentarmos mudá-los ou tirar eles de nossa cabeça, precisamos fazer algo diferente.

Vamos dizer que quando você está ansioso/a, nervoso/a e com ideação suicida você se isola - sabendo disso, fazer diferente seria você ir conversar com um amigo de confiança sobre suas questões ou ligar para o CVV.

Busque tomar atitudes diferentes, caso você esteja em um momento depressivo muito delicado e não tiver forças, busque ajuda de um profissional. Faça pequenas mudanças, lute as lutas que você conseguir lutar e tenha paciência.

Lembre-se que você sabe da sua história de vida, você entende o porquê está tendo esses pensamentos, não é? Então tenha autocompaixão e diga não para o que você não consegue enfrentar agora. Não há nenhum problema em não conseguir fazer tudo. O primeiro passo basta!

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Pensamentos suicidas: como combatê-los, recomendamos que entre na nossa categoria de Crescimento pessoal e autoajuda.

Referências
  1. Conselho Federal de Psicologia. O Suicídio e os Desafios para Psicologia / Conselho Federal de Psicologia. - Brasília: CFP, 2013. 152p. ISBN: 978-85-89208-70-3;
Bibliografia
  • BOTEGA, NEURY JOSÉ. Crise suicida: avaliação e manejo [recurso eletrônico] / Neury José Botega. – Porto Alegre: Artmed, 2015. E-PUB

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