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Síndrome do cuidador: o que é, sintomas, fases e tratamento

 
Por Marta Thomen Bastardas, Psicóloga. 18 junho 2019
Síndrome do cuidador: o que é, sintomas, fases e tratamento

Em 90% das famílias, é necessária ajuda para cuidar de um membro dependente e, geralmente, são os familiares diretos que tendem a assumir este papel. Frequentemente, é um único membro da família que assume esse papel de cuidador de uma pessoa idosa. Esta situação emerge de forma sobreveniente e a sobrecarga que pode provocar no cuidador principal do idoso pode dar lugar à síndrome do cuidador. Se você está interessado em conhecer a síndrome do cuidador: o que é, sintomas, fases e tratamento, continue lendo esse artigo de Psicologia-Online.

Síndrome do cuidador

Na grande maioria dos casos, as pessoas idosas requerem ajuda em todas as funções que já não podem desempenhar, como a higiene pessoal os hábitos alimentares, a higiene do sono, fazer compras, etc. Perante essa situação, é necessária uma pessoa com o papel de cuidador para ajudá-las a desempenhar todas estas tarefas e oferecer-lhes apoio emocional.

Este grupo de pessoas recebe o nome de cuidadores e tende a ser dividido em dois grupos:

  • Os profissionais dedicados ao cuidado dessa população, ou seja, cuidadores profissionais de pessoas idosas ou muito idosas ou pessoas dependentes.
  • Familiares ou pessoas próximas da pessoa doente ou idosa. No entanto, existe uma elevada prevalência de familiares cuidando dos doentes em comparação com os profissionais, o que pode implicar um problema, já que não dispõem de estratégias ou formação para encarar esta circunstância.

Perante esses casos, a sobrecarga que implica cuidar de uma pessoa doente pode se repercutir notoriamente na saúde física do cuidador, mas surgem sobretudo repercussões psíquicas, relacionadas geralmente com a ansiedade e a depressão, devido à pressão que implica o cuidado de idosos, já que o cuidador deixa de responder às suas necessidades emocionais, deixando-as em segundo plano.

A pressão dessa situação pode causar frustração ao ver que não é possível chegar a tudo o que é necessário e, perante esse caso, o cuidador deixa de cuidar das suas próprias necessidades, interesses, ambiente e tempo livre, podendo surgir isolamento social, deterioramento da qualidade de vida e do tempo livre, dando lugar à síndrome de burnout do cuidador.

O que é síndrome do cuidador?

A síndrome do cuidador, também chamada de estresse do cuidador ou síndrome de burnout do cuidador, consiste na sobrecarga sentida pelos cuidadores de idosos, pessoas doentes ou dependentes, que implica repercussões na sua saúde física, mental e social.

Síndrome do cuidador: sintomas e sinais

Se você se está perguntando se sofre de síndrome do cuidador, pode identificar em seguida se apresenta os sinais e sintomas de síndrome do cuidador. A sobrecarga que o cuidador sente pode dar lugar a manifestações sintomáticas a nível físico, psíquico e social, sendo as seguintes as mais frequentes:

Síntomas físicos de síndrome do cuidador

  • Perda de energia e sensações de fadiga e cansaço
  • Dor de costas
  • Cefaleia
  • Tonturas
  • Incapacidade para relaxar
  • Dispepsia
  • Dores musculares
  • Sensação de pernas pesadas

Síntomas psíquicos de síndrome do cuidador

  • Ansiedade
  • Depressão
  • Alterações no sono
  • Apatia
  • Irritabilidade
  • Nervosismo
  • Pensamentos de suicídio ou de abandono
  • Ressentimento em relação à pessoa de quem se cuida
  • Sentimentos de desespero
  • Dificultades para manter a concentração
  • Problemas de memória

Síntomas sociais de síndrome do cuidador

  • Isolamento
  • Perda de interesse
  • Dificuldade nas relações interpessoais
  • Reação exagerada a críticas

Esses sintomas ou consequências da síndrome do cuidador ou estresse do cuidador podem variar segundo o tipo de cuidados, e dependerão da pessoa dependente e das suas necessidades. Uma das situações mais comuns na qual esta condição aparece é em cuidadores de pessoas com mal de Alzheimer.

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Síndrome do cuidador: fases

O esgotamento físico e psíquico que um cuidador de idosos experiencia, que dá lugar à síndrome do cuidador, aparece gradualmente no cuidador. O cuidador vá passado por um seguimento de etapas. As fases do síndrome de burnout do cuidador são:

  • Fase 1 - perante a situação, assumindo a liderança: quando as circunstâncias familiares exigem que um dos seus membros deve ser cuidado, um único membro da família deve assumir o papel de cuidador principal e, embora toda a família possa colaborar nos seus cuidados, o cuidador primário ou principal do idoso ou pessoa dependente é quem deverá assumir a grande maioria das responsabilidades.
  • Fase 2 - desequilíbrio entre as exigências e os recursos: ao iniciar os cuidados da pessoa idosa, o cuidador observa que as exigências que a pessoa requer são muito grandes e, para cobrir as suas necessidades, é necessário dedicar-lhe mais tempo e mais cuidados, esgotando os seus recursos, o que pode ser desgastante para a pessoa cuidadora.
  • Fase 3 - reação perante a sobrecarga: com o tempo, o aumento de horas e de cuidados dedicados à pessoa produzem elevados níveis de estresse e esforço e, com isso, começam a aparecer os primeiros sintomas do síndrome do cuidador tais como: esgotamento físico e mental, ansiedade, sentimentos de tristeza, isolamento social ou alterações do sono, entre outros devidos à sobrecarga do cuidador.
  • Fase 4 - alívio: devido ao síndrome do cuidador, quando a pessoa dependente falece, o cuidador pode temer expressar o alívio que essa situação supõe para ele. Nesse momento, surgem sentimentos de culpa junto desses pensamentos. No entanto, essa sensação de liberação é natural, uma vez que o cuidador se encontrava totalmente preso perante a situação.

Síndrome do cuidador: tratamento

Como superar a síndrome do cuidador? Todas as medidas executadas no tratamento da síndrome do cuidador se resumem ao conceito de cuidar do cuidador, ou seja, é orientado em procurar um aumento da qualidade de vida dele. Como cuidar do cuidador? O tratamento deve ser multimodal, atendendo todas as necessidades do cuidador. Em seguida, veremos como tratar a síndrome do cuidador.

Em primeiro lugar, o cuidador deve estar informado sobre a doença da pessoa cuidada com o objetivo de incrementar a aceitação do problema, evitar falsas expectativas de melhora ou idealizações negativas, como pensar que o idoso faz determinadas coisas apenas para incomodá-lo, compreender os limites da pessoa doente e lutar por aumentar a sua autonomia dentro das suas possibilidades.

Contudo, também é importante ter consciência dos próprios limites, entendendo que não é necessário forçar-se ou esquecer-se do próprio cuidado pessoal. Mais que nunca, o cuidador deve tratar das suas próprias necessidades, apostando numa alimentação correta, hábitos de sono saudáveis e programando descansos fora do cuidado dessa pessoa, evitando assim o aparecimento de sentimentos de culpa por dedicar-se a ele mesmo.

Por outro lado, embora esta pessoa seja designada cuidadora primária ou principal, no ambiente do doente existem outros familiares com os quais o cuidador deve compartilhar a evolução do doente e a sobrecarga que implica cuidar do mesmo, tanto prática como emocional, informando-os dos próprios sentimentos, medos e preocupações, para que a carga possa ser menor quando é compartilhada.

Em muitos casos, devido à culpa, o cuidador prefere não comunicar os seus medos, preocupações ou esgotamento à sua família, mas sente a necessidade de ter uma via de escape emocional onde possa liberar a frustração que sente ou o ressentimento que pode aparecer, assim como sentimentos negativos. Perante isso, é muito frequente iniciar tratamentos psicoterapêuticos que ajudem a pessoa a poder livrar-se desses sentimentos negativos e paliar as emoções de estresse, ansiedade e depressão.

Ocasionalmente, perante uma boa gestão da situação, a atenção ao cuidado pessoal e à realização de psicoterapia, os sintomas de síndrome do cuidador ou burnout do cuidador persistem e, por isso, é necessário usar psicofármacos que ajudem a reduzir a sintomatologia, como fármacos hipnóticos que ajudem na higiene do sono ou fármacos antidepressivos ou ansiolíticos para reduzir os elevados níveis de estresse, ansiedade e tristeza.

O que acontece com a síndrome do cuidador quando a pessoa dependente morre? Devido à sobrecarga do cuidador, depois de falecer a pessoa cuidada, o cuidador primário pode experienciar uma sensação de alívio. Essa sensação contradiz-se comos sentimentos de tristeza esperados numa situação de perda e pode implicar sentimentos de culpa. Por isso, o tratamento da síndrome do cuidador não termina após a perda, sendo inclusive recomendado continuá-lo no processo de luto.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
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