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Teoria do apego: tipos e desenvolvimento

 
Por Gemma Adsuara Arrufat. 27 janeiro 2021
Teoria do apego: tipos e desenvolvimento

Desde bem pequenos nós sentíamos uma conexão forte com aqueles que nos cuidavam. No entanto, estas conexões nem sempre derivam em relações adequadas entre o bebê e seu/sua cuidador/a.

Nos parques podemos encontrar grandes diferenças entre as relações que cada uma das crianças tem com seus pais e mães. Esta união que os pequenos desenvolvem, desde quando são bebês, em relação a seus cuidadores, é o que se conhece como apego.

No entanto, devemos levar em conta que nem todos os tipos de apego são bons e adequados, já que alguns podem ajudar as crianças a se desenvolver corretamente, enquanto outros podem dar lugar à problemas na idade adulta.

Por isso, neste artigo de Psicologia-Online, temos a intenção de te explicar cada um dos possíveis apegos que um bebê pode desenvolver e como este vai influenciar em seu futuro.

O que é a teoria do apego na psicologia

O ser humano tem a necessidade de sentir apego e ter algumas referências afetivas incondicionais que o dão apoio. Sem elas, o desenvolvimento psicológico normal não é possível. Existe o que é considerado uma relação privilegiada entre o bebê e seu cuidador ou sua cuidadora.

É preciso ter em mente que o apego define o sentimento que um bebê tem em relação a seu/sua cuidador/a, mas não o contrário, pois o que os cuidadores desenvolvem (geralmente as mães) em relação aos bebês é conhecido como bond (laço).

O apego aparece entre os 6 e 8 meses, que é quando o bebê reconhece seus pais. No seguinte artigo você encontrará mais informações sobre as fases e o desenvolvimento do apego. Existe uma série de indicadores no comportamento dos bebês que marcam a existência de tal apego:

  • Ansiedade por separação;
  • Ansiedade diante de estranhos;
  • Comportamentos de proximidade (seguir seus cuidadores quando estes se afastam deles).

Quais são os tipos de apego

Ainsworth foi o primeiro psicólogo a implementar uma situação experimental que o permitisse determinar se uma criança tinha apego ou não, e assim pôde definir os diferentes tipos de apegos que existiam. Estabeleceu três tipos diferentes de apego, porém, nos anos 80, foi adicionais mais um à lista.

  • Apego seguro;
  • Apego inseguro;
  • Apego evasivo;
  • Apego desorganizado.

Para em seguida explicar os diferentes tipos de apego, é necessário colocar nossa imaginação para trabalhar para recriar mentalmente as situações experimentais: uma mãe e seu bebê se encontram dentro de um quarto. A mãe está sentada em uma cadeira enquanto que a criança brinca.

Apego seguro

A criança brinca de maneira tranquila enquanto sua mãe se encontra no quarto, mas isso se transforma em choro quando a cuidadora se levanta e sai do quarto sem levá-la. O choro do bebê não é exagerado e, no mesmo instante que a mãe entra no quarto, é interrompido. Neste tipo de apego a criança não terá problemas em restabelecer a relação com sua cuidadora. Segundo as estatísticas, as crianças que desenvolvem este tipo de apego possuem um melhor desenvolvimento cognitivo.

Estes bebês são capazes de obter o consolo que precisam e demonstrar eficácia, flexibilidade e resiliência quando enfrentam situações estressantes. De forma geral são cooperativos e mostram um baixo nível de irritação.

Se em sua infância as crianças tiverem este tipo de apego, ao se desenvolverem contarão com confiança suficiente para ter uma participação ativa na sociedade. Geralmente, este tipo de crianças costuma ter um vocabulário mais amplo e variado. São crianças mais curiosas, competentes, empáticas e resilientes que geralmente se dão bem com outras crianças, de maneira que formam amizades muito mais estreitas, as quais permitirão a elas no futuro mostrar um bom ajuste social.

Apego inseguro

Este tipo de apego também é conhecido pelos profissionais como ansioso ou ambivalente. A criança só irá interagir com aquilo que a rodeia (neste caso os brinquedos), se sua mãe se encontrar muito perto dela. No exato momento que a cuidadora sai do quarto, a criança chorará de uma maneira exagerada. É considerado ambivalente devido a reação da criança quando sua mãe entra novamente no quarto, pois primeiro ficará irritada com ela por a ter deixado. Após alguns minutos, vai se agarrar a ela e não vai soltar.

O apego inseguro causa problemas e dificuldades quanto ao desenvolvimento cognitivo e de aprendizagem. Tendem a apresentar inibições e emoções negativas na infância, assim como hostilidade em relação a outras pessoas. As crianças com este tipo de apego são propensas a ter problemas de comportamento e a desenvolver transtornos psiquiátricos a partir dos 17 anos.

Apego evasivo

O menor é completamente independente de sua mãe, e se mostrará seguro para explorar seu entorno tanto se ela se encontra presente, quanto se não. Além disso, quando a mãe abandona o lugar, não mostra nenhuma reação e continua fazendo suas coisas. O mesmo ocorre quando a cuidadora volta: a criança não reage de maneira significativa. Se caracterizam por mostrar poucas emoções, sejam positivas ou negativas.

Apego desorganizado

A relação da criança com seu pai ou sua mãe é como o nome indica: desorganizada, pois esta não sabe qual é o comportamento que deve ter em relação a seus pais. Considera-se que este tipo de apego pode se desenvolver em famílias desestruturadas ou naquelas crianças vítimas de maltrato.

Este tipo de apego é o menos seguro de todos, pois as crianças parecem carecer de uma estratégia organizada para lidar com o estresse que uma situação estranha pode produzir. Geralmente mostram comportamentos contraditórios, repetitivos ou mal direcionados.

O apego desorganizado é um preditor confiável de problemas posteriores de comportamento e de ajuste.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Clemente, R. (2015). Psicología evolutiva II. Universidad Jaume I.
  • Hernández, C. (2015). Psicología evolutiva. Universidad Jaume I.
  • Papalia, D (2012). Desarrollo Humano.

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