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Transtornos de humor: o que são e exemplos

 
Por Equipe editorial. 27 agosto 2020
Transtornos de humor: o que são e exemplos

Como seu próprio nome indica, os transtornos de humor são definidos por extremos patológicos de certos estados de humor - especificamente, de tristeza e de euforia. Embora a tristeza e a euforia são normais e naturais, podem chegar a ser dominantes e prejudiciais, podendo até mesmo dar lugar à morte, através de suicídio ou como resultado de um comportamento imprudente. Em um mesmo ano, aproximadamente 7% dos americanos sofrem transtornos de humor. Se você quer saber mais sobre os transtornos de humor, te convidamos a continuar lendo este artigo de Psicologia-Online.

O que são transtornos de humor

Os transtornos de humor afetam a disposição geral e o estado emocional de uma pessoa, que não se adequam às circunstâncias nas quais se encontra, podendo interferir com a sua capacidade para funcionar por períodos prolongados. O paciente pode ficar extremamente irritável, triste ou vazio (depressão) ou alternar esses períodos depressivos com euforia (mania).

Tipos de transtornos de humor

Em seguida, te apresentamos os principais tipos de transtornos de humor:

  • Depressão
  • Transtorno bipolar

Continue lendo para saber tudo sobre cada um deles.

Depressão Maior

Os sintomas cardinais do transtorno depressivo maior são humor deprimido e perda de interesse ou prazer. Outros sintomas variam muito. Por exemplo, a perda de sono e de peso são sinais clássicos, mesmo que muitos pacientes deprimidos ganhem peso e durmam excessivamente.

É duas vezes mais comum em mulheres do que em homens.

O que agora é chamado de transtorno depressivo maior, sem dúvida se diferencia quantitativa e qualitativamente da tristeza normal ou pesar. Os estados normais da disforia (um estado negativo ou aversivo do humor) são tipicamente menos penetrantes e funcionam geralmente em um período de tempo mais limitado. Por outro lado, alguns dos sintomas da depressão severa, tais como anedonia (a inabilidade de sentir prazer), desespero e perda de reação do humor (a capacidade de sentir um levantamento do humor em resposta a algo positivo) raramente acompanham a tristeza "normal". Os pensamentos suicidas e os sintomas psicopáticos, tais como ideias delirantes ou alucinações visuais, significam sempre um estado patológico.

Quando um episódio depressivo maior não é tratado, pode durar em média 9 meses. Em oitenta a noventa por cento dos indivíduos, remitirá no prazo de 2 anos do primeiro episódio (Kapur e Mann, 1992). Depois disso, ao menos 50 por cento das depressões se repetirão, e depois de três ou mais episódios, as probabilidades da repetição no prazo de 3 anos aumentam até ficarem entre 70 a 80 por cento se o paciente não passar por tratamento preventivo (Thase e Sullivan, 1995).

A ansiedade é comumente comórbida [ocorre ao mesmo tempo] com a depressão maior. Cerca de metade das pessoas com um diagnóstico de depressão maior também tem uma desordem de ansiedade (Barbee, 1998; Regier et al., 1998). A comorbidade da ansiedade e da depressão é tão pronunciada que levou as teorias a pensar que possuem etiologias similares [causas], que são discutidas abaixo. De 24 a 40 por cento dos indivíduos com transtornos de humor sofrem também transtornos por abuso de substâncias nos Estados Unidos (Merikangas et al., 1998). Sem tratamento, o abuso de substâncias piora o estado dos transtornos de humor. Outros transtornos comórbidos comuns incluem os transtornos de personalidade (DSM-IV) e doenças físicas, especialmente as condições crônicas, tais como hipertensão [alta pressão arterial] e artrite.

O suicídio é a complicação mais temida do transtorno depressivo maior. Cerca de 10 a 15 por cento de pacientes anteriormente hospitalizados por depressão se suicida (Angst et al., 1999). O transtorno depressivo maior explica cerca de 20 a 35 por cento de todas as mortes por suicídio (Angst et al., 1999). O suicídio é mais comum entre os que apresentam sintomas mais severos e/ou psicóticos, com início tardio, com a coexistência de transtornos mentais e vícios (Angst et al., 1999), assim como entre os que experimentaram acontecimentos estressantes na vida, que possuem doenças, e que tem antecedentes familiares de comportamento suicida (Blumenthal, 1988). Nos Estados Unidos, os homens se suicidam quatro vezes mais que as mulheres; a tentativa de suicídio é quatro vezes mais frequente em mulheres do que em homens (Blumenthal, 1988).

Distimia

Distimia é uma forma crônica de depressão (recorrente, geralmente menos severa).

A depressão está relacionada, geralmente, à tristeza. A tristeza é uma resposta natural a circunstâncias difíceis que não podem ser resolvidas fugindo (no caso do medo) ou atacando o problema (no caso da raiva). No lugar disto, surge a ideia de esperar o problema se resolver sozinho. No pesar, por exemplo, acreditamos que, em última instância, apenas o tempo diminuirá a dor.

Consideramos que a tristeza passou a ser patologia quando perdemos esse sentido de que a dor diminuirá. Continuamos sofrendo, temos sensação de culpa, pensamos obsessivamente no problema, até tentamos bloquear completamente nossos sentimentos. Os acontecimentos traumáticos tais como a doença ou a morte de um ente querido são causas comuns de depressão.

Porém, a pressão contínua também é uma causa comum de depressão. A vida sob pressão acarreta no esgotamento dos recursos do corpo, incluindo mudanças na disponibilidade dos neurotransmissores associados a energia, a felicidade e a calma. Com o estresse constante, o sistema nervoso fica cada vez mais sensível à pressão adicional, até que se torna insuportável. Uma maneira simples de dizer isto é que você se esgota emocionalmente das dificuldades da vida.

Encontramos a depressão mais comumente nas pessoas que vivem na pobreza, sob discriminação e exploração. Não é uma surpresa que 70% das pessoas deprimidas são mulheres, já que viver em uma sociedade dominada pelo masculino gera mais pressão sobre elas. É também mais comum em pessoas de populações estigmatizadas. O psicólogo cultural Richard Castillo sugere até que tratar a depressão como uma "doença do cérebro" é a maneira que a sociedade utiliza para evitar enfrentar os problemas sociais importantes que levam à depressão, da mesma maneira que focar em "tomar medidas" com viciados em drogas ou infratores leves, nos permite desconsiderar as situações sociais que levam as pessoas à esses comportamentos.

Uma explicação bem conhecida da depressão a considera uma questão de indefesa aprendida. Se nos vemos como indefesos frente a pressões e traumas, se vemos nosso sofrimento como desespero, desenvolvemos depressão. Isto deixa um dilema para os psicólogos: Frequentemente é benéfico para as pessoas verem a depressão como uma "doença do cérebro" que ocasiona níveis baixos de serotonina, visto que podem deixar de se considerar de alguma maneira responsáveis por sua condição. Porém, isso também significa que agora veem a depressão como algo que só se pode ajudar através de intervenção médica externa.

A depressão não é tão comum em muitas culturas não ocidentais e pré-modernas. Nessas culturas, é mais provável que o esgotamento emocional seja expressado através da somatização, ou seja, sob a forma de sintomas físicos. Castillo sugere que o predomínio da depressão em sociedades ocidentais modernas tais como a dos EUA seja devido a nossa ênfase no sucesso financeiro, valores materiais e a ideia de que cada um tem a responsabilidade individual por sua própria felicidade. Em outras sociedades, as pessoas confiam mais em um estado definido, na tradição e no apoio social de uma família grande. Também em outras sociedades, as pessoas não veem a felicidade como um direito. Nos EUA, se você não é feliz, as pessoas assumem que alguma coisa terrivelmente ruim está acontecendo.

Transtornos de humor: o que são e exemplos - Depressão Maior

Transtorno bipolar

O transtorno bipolar é um transtorno de humor recorrente, que apresenta um ou mais episódios de mania ou episódios mesclados de mania e de depressão (DSM-IV; Goodwin e Jamison, 1990). O transtorno bipolar é diferente do transtorno depressivo maior em virtude de uma história de episódios (mais suaves e não psicóticos) maníacos ou hipomaníacos.

A mania é derivada de uma palavra francesa que significa literalmente enlouquecido ou frenético. O transtorno de humor pode se estender da euforia pura [grande felicidade] ou da euforia para a irritabilidade, ou ainda a uma instável [variável] mescla que também inclui a disforia [infelicidade] (quadro 4-4). O conteúdo dos pensamentos é geralmente grandioso, mas também é possível ser paranoico. A grandiosidade normalmente toma a forma de ideias sobrevalorizadas [e.g., "meu livro é o melhor jamais escrito") e de ideias claramente delirantes (e.g., "Tenho radiotransmissores implantados em minha cabeça e os marcianos estão monitorando meus pensamentos"). As alucinações auditivas e visuais complicam os episódios mais severos. A velocidade dos pensamentos, e as ideias tipicamente competem com a consciência da pessoa maníaca. No entanto, a distraibilidade e a falta de concentração dificultam colocar em prática. O juízo também pode estar comprometido seriamente; os gastos compulsivos, o comportamento ofensivo ou desinibido, e a promiscuidade ou outros comportamentos obviamente imprudentes também são comuns. A energia subjetiva e a libido [desejo sexual] geram um aumento da atividade, mas uma percepção reduzida da necessidade do sono pode minar as reservas físicas. A privação de sono também pode exacerbar [piorar] as dificuldades cognitivas e contribuir com o desenvolvimento da catatonia [permanecer em uma posição por longos períodos de tempo] ou a um seleto [completamente desenvolvido] estado desconcertante conhecido como mania delirante.

Ciclotimia

A ciclotimia é marcada por estados maníacos e depressivos, mas não tem intensidade suficiente nem duração para merecer um diagnóstico de transtorno bipolar ou de transtorno depressivo maior.

É provável que a mania implique uma quantidade determinada de dissociação - ou seja, uma reorientação da atenção das situações dolorosas (especialmente sociais) para uma fantasia de grande alcance, grandiosa. É possível que o transtorno bipolar seja uma questão de uma fase enérgica de fantasia seguida pelo esgotamento emocional seguido por outra fase enérgica de fantasia, e assim sucessivamente.

A mania às vezes se associa à criatividade, e acredita-se que um grande número de escritores, artistas, músicos e de outros famosos foram bipolares. Podem ficar deprimidos durante meses e depois ter explosões de atividade criativa enérgica, somente para cair novamente dentro da depressão.

Famoso bipolares

Entre as pessoas que se acredita terem sido bipolares, encontramos:

  • Luiz von Beethoven,
  • Abraham Lincoln,
  • Winston Churchill,
  • Isaac Newton,
  • Charles Dickens,
  • Edgard Allan Poe,
  • Mark Twain,
  • Virginia Woolf,
  • Kurt Vonnegut,
  • Edvard Munch,
  • Vincent van Gogh,
  • Marilyn Monroe,
  • Jimmy Hendrix,
  • Sting,
  • Ozzie Osbourne,
  • Adam Ant.
  • Kurt Cobain.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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