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Problemas no relacionamento: tipos e soluções

 
Por Equipe editorial. 29 dezembro 2019
Problemas no relacionamento: tipos e soluções

O ser humano é um animal gregário, ele precisa interagir com os outros e com o ambiente.

Dentro das relações interpessoais, podemos abrir uma seção separada para as relações conjugais. Nós, psicólogos, encontramos em inúmeras ocasiões na consulta, pessoas afetadas psicologicamente por um término, por serem incapazes de encontrar a estabilidade em seus relacionamentos, porque se prendem a seus parceiros criando modelos dependentes de relação, por serem incapazes de iniciar um relacionamento por medo do que isso gera... A seguir, neste artigo de Psicologia-Online, apresentaremos, a partir de uma perspectiva psicológica, os problemas no relacionamento.

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Problemas no relacionamento: fatores e variáveis

Nossas experiências passadas e as presentes influenciam nossas relações interpessoais. Consequentemente, percebemos os novos eventos da mesma maneira que os velhos: se eu falhei na maioria dos meus relacionamentos, se eu me apeguei aos meus parceiros me anulando como pessoa, se eu tenho conflitos constantes na minha relação… nesses casos, ao enfrentar uma situação semelhante, os mesmos medos das vezes anteriores aparecerão novamente.

Existem diferentes variáveis que nos afetam tanto pela escolha do parceiro, como para o enfrentamento dos problemas que surgem a partir dela.

Por vezes, essas informações que determinam os relacionamentos que uma pessoa pode ter e a maneira como enfrenta os conflitos podem passar completamente despercebidos. O primeiro passo para resolver efetivamente uma situação conflituosa consiste em conhecer cada fator e perceber até que ponto pode influenciar no relacionamento do casal. O conhecimento é o primeiro passo para a mudança e a solução de conflitos.

Variáveis que influenciam as relações amorosas

Félix López Sanchez nos fala sobre os componentes de uma relação amorosa:

Desejo

É percebido como a necessidade de buscar satisfações sexuais, fantasias sexuais, desejo de abraçar e acariciar, desejo de ser abraçado e acariciado...

Atração

A atração envolve o desejo, mas basicamente orientada para o objeto do desejo. Implica em alguma pessoa ou estímulo específico (real ou fantasioso) tem “valor erótico”.

Estar apaixonado

Trata-se da soma do desejo e da atração. A paixão, embora vivida e sentida como uma experiência única e individual, é expressa em percepções, sentimentos, fantasias e comportamentos, que frequentemente têm grande semelhança nas diferentes pessoas apaixonadas, mesmo que também haja grandes diferenças individuais.

Entre outras variáveis que influenciam as relações conjugais, é necessário falar sobre autoimagem ou o que ela é, o conceito que temos de nós mesmos:

Quando uma pessoa não se sustenta, pode descobrir que outro é quem a sustenta, utilizando-o como o único ponto de apoio em sua vida. Sem ele, ela cairia, portanto, precisa dele para sua “sobrevivência” diária, gerando relações patológicas ou viciantes.

Da mesma forma, se nossa autoimagem é baixa, nossa capacidade para iniciar relacionamentos diminui, causando-nos medo e insegurança. Em relação aos relacionamentos já consolidados, mas que podem ter conflitos de comunicação, lazer, paixão… A autoimagem também tem relação no sentido de que, se não nos consideramos aceitáveis como pessoas, dificilmente poderemos dar força ao nosso relacionamento.

A importância do APEGO

Shaver e Hazan (1987) consideram que “o processo amoroso pode ser entendido a partir dos padrões de apego formados na infância e mantidos ao longo do ciclo da vida”.

A história e o estilo de apego estão relacionados com a experiência amorosa que os adultos têm a esse respeito: experiência amorosa mais positiva no caso das pessoas que têm uma história de apego mais positiva e um estilo de apego mais seguro.

O apego é um padrão relacional relativamente estável que acaba em conformidade com um destes 3 tipos fundamentais:

  • APEGO SEGURO: está associado com relacionamentos confiantes e positivos. Com mais autonomia anterior, melhor seleção de parceiros, ideias mais realistas e favoráveis sobre o amor, intimidade e compromisso mais fáceis, mais satisfação no vínculo, melhor rompimento.
  • APEGO ANSIOSO: está associado às relações dependentes e contínua necessidade de confirmação de que é amado, dificuldades para a autonomia, busca e seleção precipitada, medo de não ser amado, medo da perda e ciúmes frequentes, ideias contraditórias sobre o amor, dificuldade para o rompimento.
  • APEGO EVITATIVO: está associado às relações desconfiadas e distantes. Com pseudo autonomia emocional, medo da intimidade, dificuldade para estabelecer relações, relações com pouca intimidade, dificuldade em manifestações afetivas, ideias pessimistas sobre o amor, aparente rompimento fácil, insegurança camuflada.
Problemas no relacionamento: tipos e soluções - Variáveis que influenciam as relações amorosas

Problemas no relacionamento: tipos

Aparecem quando nos 2 membros existem duas motivações de caráter opostas, mas de igual intensidade. São a base dos mal-entendidos do relacionamento e são de longe as causas da insatisfação, frustração e enfraquecimento e até perda do companheiro, se não forem bem resolvidos.

Existem algumas áreas de conflito que aparecem mais constantemente, como por exemplo a divisão de tarefas domésticas, que provocam discussões e situações desagradáveis, mas geralmente não levam ao rompimento.

Existem outras fontes de conflito baseadas em aspectos mais profundos, próprios do casal, e são esses que podem gerar problemas mais sérios. Eles derivam de discordâncias na maneira de perceber a intimidade, o grau de compromisso e a paixão.

Manter a satisfação no relacionamento requer um grande esforço de ambas as partes, bem como a utilização de certas habilidades que ajudam no bom funcionamento do mesmo (comunicação, respeito, cumplicidade, paixão...).

Comunicação

É quase desnecessário mencionar que uma boa comunicação é a base de um relacionamento satisfatório. A comunicação nem sempre é verbal, pois o casal também se olha, se toca, sorri um para o outro (comunicação não verbal).

Diante de uma situação na qual queremos comunicar algo, a maneira ou forma de emiti-lo, como o outro o recebe e o conteúdo dessa mensagem são fundamentais. Assim, encontramos diferentes maneiras de nos comunicar e algumas delas não são exatamente positivas.

“A coerção” trata-se de uma maneira de comunicação onde apenas nossas próprias necessidades são levadas em consideração, dificultando a vida do outro no sentido de que suas necessidades não são levadas em consideração e tentando conseguir a submissão ou anulação do outro.

Isso ocorre porque o membro do casal que cede não faz isso porque considera que o outro tem razão, mas para evitar a discussão e ameaças. Em conclusão, para escapar de um conflito ou problema no relacionamento.

“Respostas emocionais negativas”: “são aquelas palavras, gestos, ações, etc., que são vivenciadas como desagradáveis: gritos, ameaças, humilhações, sarcasmos… e que em inúmeras ocasiões é o que mantém um casal fundamentalmente unido.

Entre as maneiras ou formas positivas de nos comunicar, nos encontramos de acordo com Liberman:

  • Expressões verbais: respeito, elogios, palavras carinhosas, cantadas…
  • Comportamentos de afeto: acariciar, pegar na mão, acariciar a bochecha…
  • Ações que tornam a vida do seu parceiro mais fácil ou agradável: tentar não fazer barulho acordá-lo, preparar uma refeição que ele goste, dar um presente…

Lazer e tempo livre

Um dos conflitos mais frequentes nos relacionamentos é a perspectiva diferente de ambos os membros para organizar seu tempo livre e suas atividades sociais.

É possível que ambos se tenham deixado levar pela rotina diária, apreendidos por seus respectivos empregos e afazeres diários e que tenham esquecido como se divertir. Ou porque cada um busca sua própria diversão independentemente do seu parceiro e/ou ao contrário: passam a vida juntos e não se relacionam com mais ninguém. Também acontece em casais jovens que, ao ter um filho, o ponto de vista sobre como organizar as atividades sociais é diferente, pois um membro do casal pode querer se concentrar apenas no cuidado da criança (deixando a área social de lado) e o outro exige planejar um tempo próprio para o casal.

Seja como for, a pessoa como indivíduo independente tem suas próprias necessidades e é difícil adaptá-las e conciliá-las com seu parceiro. Por exemplo: se eu tenho a necessidade de ficar em casa nos finais de semana porque realmente sinto vontade e gosto disso, isso não gera nenhum problema para mim, além disso, me deixa feliz, mas como pessoa independente. Agora, se mantenho um relacionamento onde o outro necessita e gosta de sair aos finais de semana e eu não sinto vontade, aparece um conflito de interesses.

A maneira de resolver esse conflito e a importância ou relevância que o casal dá depende dos recursos emocionais, de comunicação, de empatia… de cada um dos membros.

Problemas no relacionamento: tipos e soluções - Lazer e tempo livre

As expectativas, as crenças sobre a relação e a maneira de interpretar o outro

As ideias que cada membro do casal faz é referente à sua vida em comum, à sua convivência, às suas perspectivas de futuro… às vezes são pontos de problemas no relacionamento, pois pode acontecer que os 2 membros do casal não o vejam da mesma maneira.

No entanto, tudo isso refere-se às ideias que cada membro tem sobre o que deveria ser sua relação, para que esta seja totalmente satisfatória “o que deveria ser e o que realmente é”, sendo fonte de numerosos conflitos no caso em que os membros não a percebem da mesma maneira. Vamos nos referir, sobretudo, a como cada membro do casal pode interpretar os problemas que lhes ocorrem.

As interpretações desses motivos são o que chamamos de atribuições. Quando seu parceiro, por exemplo, não retira a mesa depois de comer, você pode pensar que: é um/a egoísta que sempre pensa em si mesmo/a e que nunca considera o que você sente. Se você mudar essa abordagem e pensar que não é que seja egoísmo, mas em sua casa ninguém o/a ensinou e é realmente uma falta de “aprendizado”, a reação que você tem em relação ao outro é completamente diferente.

Infidelidade

Em um relacionamento, não apenas os fatores internos da mesma influenciam (habilidades de comunicação, expectativas de futuro, compromisso…), também existem fatores externos que influenciam diretamente: estresse no trabalho e pessoal de cada um dos membros, a rotina, problemas relacionados com o ambiente, como família e amigos… Acabam se tornando problemas no relacionamento.
Nesses momentos onde a relação pode estar com nível emocional mais baixo devido a essas série de conflitos externos e internos do próprio relacionamento é quando o casal está mais vulnerável (maior a probabilidade de ocorrer coisas negativas).

Essa vulnerabilidade pode desencadear que outra pessoa entre na relação e apareça, então, a infidelidade.

Problemas no relacionamento: tipos e soluções - Infidelidade

Ciúmes

Os ciúmes patológicos são acompanhados de intensos sentimentos de insegurança, autocompaixão, hostilidade, depressão e geralmente são destrutivos, sendo um dos mais comuns problemas no relacionamento.

No caso do ciúme, existe uma grande relação com a autoestima. Se eu me vejo forte e seguro e tenho uma autoestima alta, não dependerei que meu parceiro esteja sempre comigo para me sentir bem, pois me apoio sozinho, estou cheio de muitas outras coisas, no entanto, se minha autoestima é baixa, me sinto inseguro e a única maneira de me encher de segurança é que meu parceiro esteja apenas comigo, optarei por pressioná-lo e dependerei dessa exclusividade para me sentir satisfeito.

O ciúme é baseado em crenças irracionais: se eu penso “meu parceiro nunca pode me deixar porque sabe que, se o fizer, isso me causará muita dor, portanto, ele seria uma pessoa ruim”, estou utilizando um pensamento irracional.

Relações dependentes

Em uma situação de relacionamento pode ocorrer um conflito (problema) que faz com que os membros do casal tomem 2 decisões: trabalhar juntos para resolvê-lo ou terminar o relacionamento (às vezes é um único membro do casal que toma a decisão de deixá-lo).

Porém, pode acontecer que um dos membros do casal opte por negar a evidência desse conflito, ou se auto incriminará constantemente sempre que houver um problema. Se essa situação de autoincriminação se perpetuar, produzirá uma desigualdade de papéis na relação, onde um tem mais poder que o outro. O que tem menos pode ficar preso ao outro, produzindo, então, uma relação viciante, pois “necessita do outro” de uma maneira doentia e é capaz de se anular e negar evidências apenas para estar com ele.

O resultado final é que a personalidade do dependente é anulada na do dominante, que pode ou não ser consciente do que faz.

Entre as relações dependentes, encontramos:

  1. VÍCIO NO AMOR: Pía Mellody nos fala sobre essa doença que consiste em que os afetados atribuem um tempo desproporcional à sua relação e um valor acima de si mesmos à pessoa na qual são viciados, às vezes de uma maneira, inclusive, obsessiva. Mantêm expectativas irreais em relação à consideração positiva e incondicional da pessoa a quem estão ligados. Se descuidam e subestimam enquanto estão no relacionamento.
  2. DEPENDÊNCIA EMOCIONAL: Jorge Castelló define como "um padrão de necessidades emocionais insatisfeitas desde a infância, e que agora, adultos, procuramos satisfazer através da busca por relações interpessoais muito próximas". Trata-se de um transtorno não adaptativo que ocorre apenas com o indivíduo do qual depende, portanto, é menos generalizado que o anterior, embora não seja menos grave.
  3. CODEPENDÊNCIA: Sirvent define como a relação especial que é estabelecida entre uma pessoa que convive com um toxicodependente (geralmente um alcoólatra, mas também pode ser outras drogas). Essas pessoas superprotegem e justificam todos os comportamentos do viciado, por mais monstruosos que sejam.
  4. BIDEPENDÊNCIA: De acordo com Mª Cruz Ribas Reguero, é “o conjunto de atitudes, comportamentos e afetos que afetam uma pessoa que é dependente de uma droga e de outra pessoa ao mesmo tempo".

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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