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Como parar de pensar em sexo

 
Por Equipe editorial. 26 novembro 2019
Como parar de pensar em sexo

O sexo. Algo que todo o mundo pro cura e quer. O sexo é um tema que gera curiosidade a todo o mundo, mas do qual nem todos se atrevem a falar. Foi um tema tão reprimido ao longo da história, tão tabu, que é normal que as pessoas tenham reservar na hora de falar abertamente sobre ele. Por esse motivo, são criadas expectativas e dúvidas sobre a sexualidade. O sexo é o tema latente sobre o qual todo o mundo quer saber mais.

Sobretudo quando ainda estamos descobrindo esse mundo, é comum pensar em sexo. Porém, é normal não conseguirmos parar de pensar nisso? Como parar de pensar em sexo? Continue lendo esse artigo de Psicologia-Online para descobrir a resposta e obter mais informação sobre esse tema.

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Só penso em sexo, é normal?

Helen Kaplan, especialista em sexologia e terapia sexual, propôs um modelo de resposta sexual para explicar as fases pelas quais passamos quando queremos e/ou temos sexo. Atualmente, é o modelo mais usado e no qual são baseados a maior parte dos tratamentos relacionados. No modelo trifásico de Kaplan, a resposta sexual se divide em desejo, excitação e orgasmo.

Na fase do desejo, o mesmo é definido como um impulso que leva a pessoa a buscar uma experiência sexual ou a se mostrar receptiva a tê-la. Nesta fase, se incluem os pensamentos sobre sexo, fantasias, etc. Quando ocorrem alterações nessa etapa, podem surgir transtornos como o desejo sexual hipoativo (DSH), o transtorno por aversão ao sexo e o desejo sexual hiperativo ou hipersexualidade.

Contudo, nem todas as mudanças resultam, necessariamente, em transtornos. Existem alguns critérios gerais a avaliar quanto a alterações do desejo sexual:

  • A frequência, ou seja, se há mais ou menos aparecimento do desejo, de fantasias sexuais, de recetividade a estímulos neuróticos, etc.
  • A intensidade do desejo, se há um defeito ou um excesso da mesma, se há uma presença de intensidade durante o ciclo de resposta sexual, etc.
  • A orientação. Não se alarme! Não estamos falando de orientação sexual (entendida como hetero, homo, bi, etc), mas sim de como a orientação desse desejo é expressada, ou seja, se existe exclusividade (o desejo só aparece em certas circunstâncias ou com certa pessoa ou objeto), compulsão, etc. Este parâmetro está mais relacionado com as parafilias.

Devemos ter em conta que, para a frequência e intensidade, não existem valores absolutos sobre os quais conseguimos determinar se é “muito” ou “pouco”, mas sim que a avaliação das alterações depende da frequência e intensidade base de cada pessoa. Por exemplo, algumas pessoas possuem uma frequência de desejo sexual alta e isso não indica, necessariamente, que sofram de hipersexualidade.

Além disso, é necessário contemplar o papel da sociedade na qual vivemos. Somos parte de uma sociedade hipersexualizada, na qual o sexo tem uma importância desmesurada na hora de definir estatutos entre as pessoas jovens, na qual o sexo é usado para vender qualquer coisa mesmo que não possua qualquer relação (até cervejas e produtos de limpeza!), onde é um ingrediente imprescindível em qualquer filme ou série de televisão... Perante este panorama, não é estranho que pensemos em sexo e que chegue até a ser uma causa de preocupação, fazendo as pessoas questionarem "só penso em sexo, é normal?". Nos seguintes tópicos, te ajudamos a saber como parar de pensar em sexo.

Vício em sexo e hiperssexualidade

O vício em sexo, clinicamente chamado de hipersexualidade, é um transtorno que se foi definindo ao longo da história. Antigamente, tinha nomes diferentes para homens (a chamada satiríase ou síndrome de Don Juan) e para mulheres ("ninfomania"). Para ambos os sexos, foi revendo uma infinidade de nomes: hiperestesia sexual, promiscuidade compulsiva, autoerotismo compulsivo, impulso sexual excessivo (OMS), etc. Atualmente, não existe uma denominação única para este tipo de comportamento: sexo compulsivo, sexolismo, conduta sexual compulsiva, hipersexualidade problemática, etc.

Apresentam um transtorno hipersexual as pessoas que têm um comportamento sexual desadaptativo, com impulsividade e/ou compulsividade marcadas, comportamentos de risco e prováveis parafilias.

Sintomas de vício em sexo / Critérios de hipersexualidade

Os critérios avaliados para determinar se uma pessoa sofre de vício em sexo são as seguintes:

  • Investe um excesso de tempo em fantasias e desejos sexuais, assim como na planificação e realização de comportamentos sexuais.
  • As fantasias, desejos e comportamentos sexuais repetidos são uma resposta a estados de ânimo disfóricos (ansiedade, depressão, aborrecimento, irritabilidade...) ou a situações de vida estressantes.
  • Esforços persistentes e ineficazes para controlar ou reduzir as fantasias, desejos e comportamentos sexuais.
  • Existe uma implicação repetida em comportamentos sexuais ignorando o risco físico, psíquico ou emocional que pode ter para a pessoa ou para outros.

Comportamentos associados ao vício em sexo

  • Masturbação compulsiva (75%). No seguinte artigo, você encontrará mais informação para conseguir diferenciar a masturbação normal da excessiva: Me masturbo muito, é normal?
  • Uso de pornografia - revistas, internet, filmes... - (47,5%)
  • Promiscuidade - múltiplos amantes, pagamento de prostitutas... (44,1%)
  • Uso de linhas de telefone eróticas
  • Uso de chats eróticos
  • Fantasias sexuais constantes
  • Cibersexo
  • Comportamento hipersexual e obsessivo com uma pessoa

Consequências

Outra forma de saber se uma pessoa é viciada em sexo passa pelas consequências que acarreta:

  • Sociais: perda de emprego, risco de ser preso(a), decrescimento do estatuto socieconômico, términos amorosos indesejados, etc.
  • Físicos: contração de doenças sexualmente transmissíveis, esgotamento físico, fadiga, etc.
  • Psicológicas: culpa, vergonha, baixa autoestima, solidão, isolamento, dificuldades de concentração, etc.

Como parar de pensar em sexo o tempo todo

Pensar em sexo é normal. Contudo, é possível que um excesso desses pensamentos acabe interferindo no seu dia-a-dia e te impeça de ter uma vida normal, provocando assim ansiedade e mal-estar. Ser capaz de controlar esses pensamentos é imprescindível para recuperar a sua rotina. Em seguida, te oferecemos as 7 chaves para que você saiba como parar de pensar em sexo:

  1. Identifique as origens dos pensamentos (situações, momentos, imagens, etc.) para poder evitá-los ou travá-los a tempo.
  2. Evite visualizar conteúdo erótico: ver vídeos e imagens sugestivas, temas de conversa que te fazem pensar em sexo, etc.
  3. Mantenha sua mente ocupada (com coisas que, obviamente, não estejam relacionadas com sexo), faça planos, participe em atividades, etc.
  4. Dirija a sua atenção: procure se ocupar com coisas que captem a sua atenção por completo: um livro, um filme, um processo criativo como escrever, desenhar, cantar, tocar um instrumento, etc. Você também pode treinar a sua atenção e deixar os pensamentos ir através de exercícios de mindfulness.
  5. Faça exercício. É uma boa forma de se ocupar e ajuda a liberar hormônios que você também liberaria durante o sexo, ajudando de alguma forma a "saciar" o apetite sexual.
  6. Deixe um espaço para o sexo. Trata-se de diminuir estes pensamentos, não de suprimi-los completamente. É importante desenvolver uma sexualidade saudável, explorar-se a você mesmo(a), ter dúvidas, etc.
  7. Consulte uma especialista. Como sempre, se você se encontra com dificuldades para gestionar estas situações, o melhor é recorrer a uma psicóloga ou sexóloga que pode oferecer uma resposta adaptada ao seu caso.

Agora que você já sabe como parar de pensar em sexo, não esqueça: o sexo foi feito para desfrutar e não para sofrer!

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Como parar de pensar em sexo, recomendamos que entre na nossa categoria de Sexologia.

Bibliografia
  • Kaplan, H. (1974). The new sex therapy.
  • Kingston, D. A., & Firestone, P. (2008). Problematic hypersexuality: A review of conceptualization and diagnosis. Sexual Addiction & Compulsivity, 15, 284-310.

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