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Como salvar um casamento em crise

 
Por Ana Díaz Azorín. Atualizado: 3 dezembro 2019
Como salvar um casamento em crise

Durante todos os momentos associados a uma crise no casamento, surgem diversos sentimentos e emoções que, pela sua intensidade, são difíceis de gerir: tristeza, dor, raiva, frustração, insegurança, desconforto, confusão, etc. Nesses momentos, é muto frequente que as pessoas envolvidas assumam posturas extremas, o que dificulta a avaliação do que está acontecendo, a comunicação com a outra pessoa, a posição de ambos e o caminho a tomar.

No entanto, uma crise não tem que terminar em uma separação ou divórcio, pode ser uma oportunidade para crescer como pessoa e progredir como casal. Em Psicologia-Online, te explicamos como salvar um casamento em crise em detalhe.

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Problemas no casamento

Para obter uma solução para qualquer conflito, é importante conhecer as causas do problema. Isso também acontece nas crises no relacionamento, sendo fundamental ter um conhecimento explícito dos eventos que contribuíram para as mesmas. Para isso, indicamos os principais motivos de crise no casamento:

  • Problemas de comunicação.
  • Consumo de substância por um dos membros do casal: álcool, tabaco, drogas.
  • Infidelidade.
  • Diferentes expectativas sobre o casal e o relacionamento.
  • Discussões e brigas mal geridas.
  • Não apoiar ou não sentir apoio do outro em questões importantes.
  • Não mostrar afeto nem atenção.
  • Falta de confiança e mentiras.
  • Questões financeiras.
  • Traços narcisistas e presença de abuso emocional.
  • Problemas de ciúmes.
  • Distanciamento, estagnação, aborrecimento.
  • Casamento em crise por família política.

Casamento em crise: etapas

As etapas de uma crise no casamento são muito semelhantes às do luto, ou seja, o processo de adaptação emocional após uma perda importante. Como consequência, a pessoa que passa por ela pode viver sentimentos de tristeza e apatia intensas, desespero, perda de apetite, etc. Isso acontece porque uma crise, por qualquer um dos motivos mencionados no ponto anterior ou outro, representa um ponto de viragem na qual as regras mantidas até agora (implícitas ou explícitas) deixam de funcionar e exigem uma mudança radical. Se esse processo não é executado de forma adequada, pode levar à ruptura do relacionamento, o que demonstra a sua importância. As etapas mais comuns de um casamento em crise são:

  1. Choque emocional. Nessa primeira fase, a pessoa não tem noção clara do que está acontecendo. É uma etapa caracterizada pelo impacto e confusão imediatamente posteriores à crise, provocando um bloqueio na pessoa que se encontra desorientada e incrédula.
  2. Negociação. Nessa fase, a pessoa não é capaz de assimilar e aceitar a existência do problema. Predominam pensamentos como "isso não pode estar acontecendo" e "algo está errado" para evitar a dor emocional.
  3. Negociação. Esta etapa está intimamente ligada à anterior, já que a pessoa ainda não aceita a existência de uma crise no seu relacionamento, pelo que está disposta a realizar qualquer coisa para escapar da mesma. Este momento é caracterizado por uma forte emocionalidade na qual a pessoa tende a não se comportar de forma lógica e até mesmo a perder o controlo.
  4. Ira. Embora frequentemente associemos a ira, raiva e frustração a emoções negativas, é importante ter em conta que possuem a sua função. Esta fase é particularmente importante pois é nela que se toma consciência do problema, de forma a que a pessoa começa a notar atitudes reprováveis por parte do marido ou esposa e se apercebe do que aconteceu e da sensação de perda.
  5. Tristeza. É uma experiência dolorosa mas necessária para evoluir no processo de recuperação, tanto pessoal como conjugal.
  6. Aceitação. Nessa fase, as pessoas começam a assimilar o sucedido para que seja possível mudar o foco que estava situado nas situações dolorosas do passado e começar a dirigi-lo ao futuro.
  7. Readaptação à nova realidade. Tanto se é provocada por um reajuste do casal, como se a crise terminou na ruptura do relacionamento, nessa etapa ocorre uma transformação na vida das pessoas, na qual se presta mais atenção às necessidades, existe maior sensação de controle sobre as situações e se intervém mais ativamente na toma de decisões.
Como salvar um casamento em crise - Casamento em crise: etapas

Como salvar um casamento em crise

Assim que a causa do problema e as etapas que apresenta estejam claras, o seguinte passo é saber como salvar um casamento em crise. Em seguida, te oferecemos 10 conselhos para casais em crise:

  1. Não finja voltar ao passado ou agir como se não tivesse acontecido nada. Muitas pessoas que procuram terapia manifestam o desejo de que as coisas voltassem a ser como eram antes, mas isso não é possível. A vida é evolução e o tempo apenas segue para a frente, não para trás, o que não é necessariamente algo mau. O ambiente vai mudando e, com ele, nós também. Essas readaptações ajudam as pessoas a crescer e a progredir. Os obstáculos podem ser reformulados como detonantes ou motores para criar mudanças positivas que podem tornar o casal mais forte.
  2. Aceite que a mudança leva tempo. Frequentemente, sobretudo no caso dos homens, quando lhes são dadas certas indicações sobre expressão emocional, eles procuram adaptá-las, alguns até com grande dedicação. Contudo, uma semana mais tarde voltam à terapia com a sensação de terem falhado, com frases como “tentei dizer à minha esposa que estava triste e ela me chamou de choramingão. Nesse momento, é importante ter consciência de que é essencial criar um ambiente de segurança no qual seja possível demonstrar vulnerabilidade sem medo da rejeição, e isso leva tempo. Se queremos que uma mudança se mantenha a longo prazo, é necessário ser paciente.
  3. Coloque o foco no presente, olhando para o futuro. É hora de deixar o passado atrás. Remoer problemas antigos ou estar sempre mexendo na "roupa suja" do passado não só não serve de nada, como também desperta sentimentos negativos. Focar no futuro faz com que o objetivo seja construtivo.
  4. Veja o outro lado da moeda. Se a outra pessoa não comunica com você, é possível que a acuse de indiferença em relação a você e ao relacionamento. No entanto, não exclua a possibilidade de existir outra explicação. É possível que esse silêncio seja a forma de representar dor e decepção? Essa pessoa é insensível ou essa é a sua forma de evitar conflitos?
  5. Corte as interações negativas de vez: críticas, queixas, culpas, acusações, comentários sarcásticos, etc. Ninguém gosta de escutar que está fazendo algo errado ou, pior ainda, que é má pessoa. Com este tipo de comentários, você apenas conseguirá que a outra pessoa se torne defensiva e procure argumentos para rebater os seus, o que perpetua essa dinâmica e contamina as partes positivas da sua relação.
  6. Aprenda a expressar inquietudes de forma construtiva. O ponto anterior não quer dizer, em nenhum caso, que você deva estar de acordo com tudo o que a outra pessoa faz e fiz, ou que tenha medo de expressar os seus desejos. Nenhum extremo é recomendável. Se trata de reformular uma crítica em forma de pedido. Então, ao invés de dizer à outra pessoa "estou farta de que você grite comigo", seria mais adequado expressar o seguinte "gosto quando conversamos sem levantar a voz e podemos debater serenamente".
  7. Um problema de cada vez. Muitas pessoas caem no erro de encarar tudo de uma vez, ou de aproveitar um tema para sacar outro que não foi abordado no momento adequado. Não misture situações nem conflitos, enfrente um de cada vez, ou não será capaz de resolver nenhum.
  8. Tente ser o mais específico possível. Evite articular frases de forma vaga e geral, como por exemplo "Você podia fazer mais coisas em casa". O ideal é reformular frases concretas e específicas, como por exemplo "Seria ótimo se você pudesse tratar da comida nos sábados, assim eu poderia levar o cachorro pra passear".
  9. Aprenda a tomar decisões de forma cooperativa, nada de tentar que apenas seja feita a sua vontade. Assim, a abordagem será "ganhar-ganhar" e é elaborado um plano de ação que agrada ambas as partes. Depois de um conflito, não há vencedores nem vencidos, já que o resultado é satisfatório para ambos.
  10. Aumente a energia positiva no casal de forma exponencial. Através das suas investigações, Gottman descobriu que os casamentos geralmente sobrevivem se a proporção de interações positivas é de 5 para 1. Você quer que o seu casamento sobreviva? Ou prefere salvar o casamento fazendo com que o mesmo prospere? Sorria mais. Toque mais. Abrace mais. Mais tempo compartilhado e projetos em comum. Mais apreço e afeto. Mais elogios e gratidão.

Como superar uma traição no casamento

A traição é um dos motivos mais comuns pelos quais os casamentos terminam. Contudo, não significa necessariamente o final de um relacionamento e é possível trabalhar para salvar o casamento em crise em 3 fases. Em seguida, explicamos como salvar um casamento em crise por infidelidade:

  1. Crise. O descobrimento de uma traição por parte do marido ou esposa provoca uma dor devastadora, pelo que é importante prestar atenção ao que exige atenção mais urgente. Nesse momento crítico, é essencial fomentar um ambiente seguro e sem preconceitos para a intensidade das emoções. São necessárias tranquilidade, clareza e estrutura, assim como esperança.
  2. Construção de significado. Nesse momento, trata-se de entender porque a aventura ocorreu, que fatores do relacionamento contribuíram para o sucedido, que papel ambas as partes desempenharam na história e os fatores externos que tiveram influência.
  3. Visão e construção do futuro. O casal deve perguntar o que enfrentarão juntos, se depois do processo anterior decidiram que querem reconstruir a sua relação. Nesse momento é fundamental que o casal reveja o que significa perdoar e seguir em frente, os potenciais benefícios e custos de perdoar, avaliar possíveis resistências e explorar o rumo que a relação tomará no futuro.

Como ser feliz no casamento

Os casais que têm problemas ou que sentem que o seu casamento não pode ser reparado podem melhorá-lo e ser felizes. Embora possa parecer impossível para alguns, as relações podem mudar. A forma como nos comportamos, como pensamos sobre a outra pessoa ou como acreditamos que um casamento deve ser são variáveis que influenciam a felicidade conjugal. Todas elas são variáveis sobre as quais podemos exercer controle.

Quando você se sentir em um momento de opressão, faça um esforço deliberado para manter a cama. Esta estratégia contribui para que você abandone a postura defensiva, o que previne brigas improdutivas que minam o relacionamento. Fazer com que o seu marido ou esposa saibam que você também entende o seu lado é uma das ferramentas mais poderosas para fomentar sentimentos positivos no seu relacionamento. É um antídoto contra a crítica, o desprezo e a atitude defensiva. Em vez de atacar ou ignorar o ponto de vista da outra pessoa, trate de ver o problema desde o seu ponto de vista, o qual pode ser tão válido quanto o seu. Também é importante abordar e ajustar as expectativas que temos em relação à outra pessoa e as relações em geral.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • de la Parra García, D. J. (2008). Experiencia emocional y ruptura de pareja. Familia: Revista de ciencias y orientación familiar, (36), 25-40.
  • Gottman, J. M. (2008). Gottman method couple therapy. Clinical handbook of couple therapy, 4(8), 138-164.
  • Heitler, S. M. (1997). The power of two: Secrets to a strong & loving marriage. New Harbinger Publications.
  • Pascale, R., & Primavera, L. H. (2016). Making Marriage Work: Avoiding the Pitfalls and Achieving Success. Rowman & Littlefield.

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