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Como superar o apego ansioso

 
Por Sonia Silgado, Psicóloga. 25 maio 2021
Como superar o apego ansioso

O apego é um vínculo entre duas pessoas que define a forma com que interagem entre si. Há três tipos principais de apego: o seguro, o ansioso e o evasivo. Ter um ou outro depende das atenções recebidas de seus cuidadores durante a infância e por diferentes tipos de eventos vitais, como uma ruptura amorosa.

O apego seguro faz referência à necessidade de estar com uma pessoa, mas também querer uma independência. O apego ansioso se define pela incapacidade de ficar sozinho/a, o medo de que nos abandonem, ciúmes... O apego evasivo, por sua vez, é a evasão de qualquer aproximação amorosa por medo de ficar vulnerável e ser ferido.

Se você se identifica com o apego ansioso, saiba que isso pode chegar a prejudicar profundamente as relações amorosas. Por isso, continue lendo este artigo de Psicologia-Online a fim de que possa descobrir como superar o apego ansioso.

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Analise seu comportamento

Se você tem apego do tipo ansioso, certamente em mais de uma ocasião chegou a se sentir muito irritado/a com alguém por algo sem importância, mas realmente era isso que estava te afetando?

Em muitos casos, por trás de nossa raiva e aborrecimento, e até mesmo por trás do aparente motivo de discussão, há uma necessidade de carinho e atenção. Quando você estiver sentindo ansiedade, pare e analise o que é que realmente quer. Talvez a única coisa que você precise é que seu/sua parceiro/a te envie uma mensagem de texto enquanto você está no trabalho ou ver esse/a amigo/a com mais frequência. Assim, tentar descrever quais necessidades você tem é o primeiro passo para resolver. Entenda quais são os tipos de apego.

Comunique-se

Como superar o apego ansioso? Uma vez identificada sua necessidade, comunique-a. Seja respeitoso/a, não faça com que seja uma exigência, mas sim um pedido, ou a outra pessoa poderá sentir como um ataque. E, acima de tudo, não peça as coisas através de ações. Deixar no vácuo, demorando mais para responder, por exemplo, não é uma forma sadia de conseguir aquilo que precisa. Além disso, com certeza você vai obter o contrário: que a outra pessoa se distancie mais. Os outros não têm o dever de saber o que passa pela sua cabeça, assim tente se expressar e comunicar de forma assertiva.

Revise seu passado e perdoe

O apego nasce, como comentávamos, de fatores vividos na infância, como a criação dada pelos pais. Em função de como supriram nossas necessidades, desenvolveremos um apego ou outro. Mas, ao invés de ver isto como uma forma de culpá-los, pense em quão difícil pode ser ver qual necessidade concreta uma criança pode ter enquanto eles estavam lidando com seu próprio apego.

Do mesmo modo, lembre-se que aquele/a amigo/a com o qual você brigou por não ter te convidado para algum plano: você interpretou corretamente ou foi tudo sintoma de seu apego ansioso? Da mesma forma acontece em casal. Todas aquelas discussões, por que aconteceram de verdade?

Autoestima

O estilo de apego ansioso tem um problema base, que é a autoestima. Se uma pessoa se sente insuficiente e pouco valiosa, acreditará que as pessoas ao seu redor se afastarão. Isso a levará a sentir um medo constante, em especial naqueles momentos nos quais alguém próximo está um pouco mais ausente.

Recorde todos os dias o quão valioso/a você é, suas qualidades e quão sortudos/as são aqueles/a que o/a têm em sua vida. Se alguém decidir se afastar, lembre-se que não significa que você necessariamente tenha feito algo ruim e que isso não muda o quanto você vale. Neste artigo, te contamos como melhorar a autoestima.

Pense em um modelo para seguir

Como lidar com o apego ansioso? Provavelmente você conheça alguém que sempre é amável com os outros, que sabe dar espaço e que se alegra quando te convidam para um plano. Além disso, quando tem um dia ruim não desconta em ninguém e se alguém comete um erro, não fica lembrando-o de forma constante, mas compreende que não o fez com má intenção e isso não faz com que mude sua forma de perceber os/as outros/as.

Isto, em parte, se consegue por interpretar as situações de uma forma menos catastrófica. Se de forma constante você pensa que os outros agem com má intenção, terá muitos sentimentos de ansiedade, raiva, irritação... Por outro lado, se você pensa que seu/sua melhor amigo/a tem estado mais ausente porque tinha muito trabalho, você poderá dar espaço e mostrar seu apoio.

Imagine o quanto que suas relações mudariam se você fizesse o mesmo com os outros. Este é o comportamento de uma pessoa com apego seguro e você deve tentar alcançar essa meta.

Escolha bem seus/suas parceiros/as

Se você tem apego ansioso, a pior coisa que pode fazer é ficar com uma pessoa com apego evasivo. Você precisa de alguém que seja próximo, carinhoso e que não fuja diante dos problemas. Além disso, que saiba tranquilizá-lo/a quando você estiver mais inseguro/a.

Por isso, se você está começando a conhecer alguém e soam sinais de alarme, não continue e não se aprofunde na relação. Se você já está com alguém evasivo, compreenda que sua forma de ser não tem a ver com você nem com o que sente, mas sim com o que aprendeu ao longo de sua vida e com seus medos.

Ocupe seu tempo

Como superar o apego ansioso? Procure atividades que sejam só para você, de forma que não haja tanta dependência dos outros. Prove algum esporte em grupo, vá a uma escola de arte ou leia livros. A ideia é que sua mente não se foque de forma constante e obsessiva na relação. O objetivo é que você tenha tempo e espaço para você.

Além disso, se você começar a desfrutar, certamente compreenderá mais seu/sua parceiro/a, por exemplo, e não se sentirá tão inseguro/a nem com tanta ansiedade na próxima vez que ele/a te dizer que gostaria de sair com seus/suas amigos/as. Por último, estas atividades servirão como meio de relaxamento, já que seu apego ansioso fica mais ativado quando você está com ansiedade, e essa é uma forma de regulá-la. Neste artigo, você verá o que fazer quando você tem ansiedade.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Levine, A., & Heller, R. (2011). Maneras de amar. La nueva ciencia del apego adulto y cómo puede ayudarte a encontrar el amor… y conservarlo. Barcelona: Urano.

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