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Meu namorado me trata mal, o que devo fazer?

Meu namorado me trata mal, o que devo fazer?

Quando uma pessoa sente que o namorado a trata mal quando se irrita é importante, sobretudo e como primeiro passo, pedir ajuda e aconselhamento a respeito. Todos nós nos irritamos e podemos, em alguns casos de falta de autocontrole, agredir injustamente nosso parceiro. No entanto, quando este meio de resolução de problemas pessoais se torna a norma, é importante permanecer atento e procurar apoio social para impedir este abuso e prevenir um maior.

Neste artigo de Psicologia-Online, mostraremos quais fatores sociais, culturais e pessoais favorecem as situações de maltrato em relacionamentos. Vamos esclarecer quais são as situações concretas de maltrato e orientaremos sobre os passos a tomar e estratégias a seguir para modificar estes comportamentos disfuncionais ou impedi-los.

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Meu namorado me trata mal quando se irrita

Nos últimos anos a violência no namoro de adolescentes e jovens tornou-se, infelizmente, um problema social com graves consequências em níveis individual e social. Em vários estudos realizados em diferentes países, foi comprovado que o maltrato em geral (verbal, psicológico, físico, sexual, etc.), acontece em uma proporção maior em jovens de 16 a 24 anos (entre 18 e 33%), do que em outras faixas etárias.

São muitos os casos de jovens que afirmam "meu namorado me trata mal". Esta situação reflete um tipo de maltrato, o psicológico, que é aparentemente invisível, mas traz terríveis consequências psicológicas na vítima, e que serve de precedente, em muitos casos, para a legitimação de outras condutas abusivas.

Os fatores de risco funcionam como um terreno fértil para que tanto o agressor quanto a vítima acabem se identificando com os papéis derivados do sistema capitalista e patriarcal atual. As necessidades e valores essenciais humanos foram substituídos por artificialidades e truques que nos enchem de frustração e agressividade/desamparo e que acabam provocando situações de discriminação e maltrato. Os valores que alimentam este tipo de sociedade, e que promovem esta situação de abuso entre os jovens são:

  • A superioridade do homem sobre a mulher, que transmite estereótipos culturais de gênero, de maneira evidente ou sutil (publicidade, valores estéticos, desigualdade de gênero em várias áreas, etc.).
  • A superioridade do forte em relação ao fraco, em casos onde homens são maltratados por suas parceiras.
  • A invisibilidade da importância da maternidade e da criação, desde a gestação até a adolescência (através de partos instrumentalizados, licenças maternidade insuficientes, falta de conciliação familiar e profissional, escolaridade precoce, etc.), como fonte de estabilidade emocional e valores humanos.
  • Instituições de educação rígidas e antiquadas, que negligenciam as verdadeiras necessidades emocionais e afetivas de crianças e adolescentes, deixando-os desamparados e sem recursos frente ao medo, a solidão e a frustração, e com bases emocionais frágeis para levar adiante seu projeto de vida adulta.
  • Desigualdades socioeconômicas, que favorecem comportamentos familiares e sociais desadaptativos e desajustados, emocional e psicologicamente.
  • O incentivo de valores como o consumismo, o imediatismo, o individualismo e o egocentrismo ao invés da austeridade, da paciência e calma, da união e solidariedade.

Falta de respeito no relacionamento: exemplos

Todos os fatores mencionados anteriormente relacionam-se entre si, provocando interações sociais desajustadas e, no caso concreto que estamos lidando, relacionamentos desrespeitosos. Alguns exemplos claros que evidenciam a falta de respeito em relacionamentos são os seguintes:

  • Menosprezo e tratamento vexatório
  • Provocações, críticas e humilhações
  • Agressão verbal, física ou sexual
  • Controlar, limitar e censurar
  • Falta de empatia e respeito
  • Mentir e ocultar informações relevantes
  • Falta de lealdade
  • Ignorar, 'dar um gelo', não escutar nem falar
  • Chantagear e culpar

Por que meu namorado me trata mal

Os motivos que levam uma pessoa a tratar mal seu cônjuge e que também levam uma pessoa a permitir ser maltratada por seu parceiro têm, como comentamos anteriormente, um substrato sociocultural muito importante. Resultando disso, desenvolvem-se os tipos de padrões de personalidade com características muito particulares, que serão possíveis fontes geradoras de situações de maltrato.

No caso do agressor, temos pessoas com as seguintes características:

  • Imagem negativa de si mesmas, coberta pode uma aparente segurança
  • Falta de controle de impulsos
  • Estilo de comunicação agressivo
  • Rigidez
  • Falta de empatia
  • Baixo nível de inteligência emocional
  • Atitude negativa e defensiva diante da vida

Em relação à vítima, falaríamos de:

  • Imagem negativa de si mesma
  • Desvalorização de si mesma
  • Comportamentos de submissão e obediência
  • Estilo de comunicação inibido ou passivo
  • Solução de conflitos por esquiva ou inibição
  • Atitude negativa e depressiva diante da vida

Mesmo que nem todos os casos apresentem os padrões comportamentais (nem em vítimas, nem em agressores), é possível que tais aspectos sirvam como diagnóstico do nível de abuso em um relacionamento para, a partir daí, tomar medidas para intervir neste escopo.

Meu namorado me trata mal, o que devo fazer?

Infelizmente, mesmo que muitas destas relações disfuncionais sejam resultado de estruturas de personalidade com deficiências emocionais oriundas, em sua origem, de nosso sistema social, muitos aspectos destas interações são normalizados pelos membros do casal (agressor e/ou vítima), ou ainda, por seu entorno social imediato.

No entanto, quando as características de falta de respeito no relacionamento citadas anteriormente, de fato aparecem, é necessário intervir rapidamente para modificar a situação ou, quando esta opção não é viável, pôr fim à relação. As medidas mais convenientes para alterar a situação de maltrato são:

  1. Tomar consciência da situação de abuso
  2. Buscar apoio social (família e amigos), institucional (serviços sociais e agentes comunitários) e profissional (psicólogos, mediadores e profissionais do setor)
  3. Realizar um trabalho de cuidado e crescimento pessoais (tanto no caso da vítima como no do agressor) para restaurar o equilíbrio emocional perdido, ou para criar uma base emocional sólida, inexistente até o momento.

O trabalho de desenvolvimento da inteligência emocional é utilizado como ferramenta de prevenção (e para interromper) o abuso emocional na relação. Neste sentido, as áreas mais importantes a serem trabalhadas são:

  • Intrapessoal: desenvolver o autoconceito, autoestima, assertividade, autoconsciência emocional e independência. No seguinte artigo descobrirá como melhorar a autoestima.
  • Interpessoal: trabalhar a empatia e as relações interpessoais.
  • Adaptabilidade: dispor de estratégias para resolução de problemas e desenvolver uma atitude de abertura e flexibilidade diante das mudanças e/ou frustrações.
  • Controle do estresse: desenvolver a tolerância ao estresse e o controle dos impulsos.
  • Estado de ânimo e motivação: fomentar o estado de ânimo positivo e orientado à ação.

Na verdade, embora incorporar corretamente este tipo de trabalho emocional nas escolas é importante, é essencial seguir atuando em todos os outros âmbitos sociais, que como elencamos anteriormente, servem de alimento aos maus tratos entre os jovens e à muitas outras desigualdades sociais. Intervir e mudar a raiz dos problemas é a melhor maneira de evitar que estes surjam e se desenvolvam.

Por último, lembre-se que existe um telefone gratuito que oferece ajuda às vítimas de maus tratos: é o 180 (Centro de Atendimento à Mulher em Situação de Violência).

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Meu namorado me trata mal, o que devo fazer?, recomendamos que entre na nossa categoria de Violência no casal.

Bibliografia
  • Blazquez Alonso, M., Moreno Manso, J.M. y García-Bahamonde Sánchez, M.E. (2009). Inteligência emocional como alternativa para a prevenção do maltrato psicológico em relacionamentos. Anales de Psicología. Volúmen 25, nº2, pag.250-260. Universidad de Murcia.
  • Fernández de Juan, T. (2014). A educação sexual e de gênero vs. o maltrato em relacionamentos. Escenario sobre la violencia en jóvenes en Baja California. Departamento de Estudios Culturales. El colegio de la frontera norte. Vol. 15. Número 30. Disponível em: http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0187-69612014000200003
  • Martínez Gómez, J.A., Vargas Gutierrez, R. y Novoa Gómez, M. (2016). Relação entre a violência no namoro e observação de modelos parentais de maltrato. Psychologia: Avances de disciplina. 10(1), 101-112

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Jennifer cristina
Necesito tirar duvidas

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