Violência no casal

Meu namorado me trata mal, o que devo fazer?

Equipe editorial
Por Equipe editorial. Atualizado: 5 julho 2026
Meu namorado me trata mal, o que devo fazer?
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Quando uma pessoa sente que o namorado a trata mal quando se irrita , é primordial, acima de tudo, buscar ajuda e aconselhamento. Todos nós nos irritamos e, em alguns casos de falta de autocontrole, podemos tratar injustamente nosso parceiro. No entanto, quando esse meio de resolver questões pessoais torna-se uma norma, é crucial permanecer atento e procurar apoio social para evitar esse abuso e prevenir um agravamento da situação.

Neste artigo de Psicologia-Online, exploraremos quais fatores sociais, culturais e pessoais contribuem para situações de maltrato em relacionamentos. Vamos esclarecer quais são as situações concretas de maltrato e forneceremos orientação sobre os passos a seguir e estratégias para modificar esses comportamentos disfuncionais ou impedi-los.

Índice
  1. Meu namorado me trata mal quando se irrita
  2. Falta de respeito no relacionamento: exemplos
  3. Por que meu namorado me trata mal
  4. Meu namorado me trata mal, o que devo fazer?

Meu namorado me trata mal quando se irrita

Nos últimos anos, a violência no namoro entre adolescentes e jovens tornou-se, infelizmente, um problema social com consequências graves em níveis individual e social. Diversos estudos realizados em diferentes países comprovam que o maltrato em geral (verbal, psicológico, físico, sexual, etc.) acontece em maior proporção em jovens de 16 a 24 anos (entre 18 e 33%) do que em outras faixas etárias.

Muitos jovens afirmam que "meu namorado me trata mal". Esta situação reflete um tipo de maltrato, o psicológico, que é aparentemente invisível, mas acarreta terríveis consequências psicológicas na vítima, servindo de precedente para a legitimação de outras condutas abusivas.

Os fatores de risco funcionam como um terreno fértil para que tanto o agressor quanto a vítima acabem se identificando com os papéis derivados do sistema capitalista e patriarcal atual. As necessidades e valores essenciais humanos foram substituídos por artificialidades que nos enchem de frustração e agressividade/desamparo, provocando situações de discriminação e maltrato. Os valores que sustentam essa sociedade e promovem essa situação de abuso entre os jovens incluem:

  • A superioridade do homem sobre a mulher, transmitindo estereótipos culturais de gênero, de maneira evidente ou sutil (publicidade, valores estéticos, desigualdade de gênero em várias áreas, etc.).
  • A superioridade do forte sobre o fraco, em casos onde homens são maltratados por suas parceiras.
  • A invisibilidade da importância da maternidade e da criação, desde a gestação até a adolescência (através de partos instrumentalizados, licenças maternidade insuficientes, falta de conciliação familiar e profissional, escolaridade precoce, etc.), como fonte de estabilidade emocional e valores humanos.
  • Instituições de educação rígidas e antiquadas, que negligenciam as verdadeiras necessidades emocionais e afetivas de crianças e adolescentes, deixando-os desamparados e sem recursos frente ao medo, à solidão e à frustração, e com bases emocionais frágeis para levar adiante seu projeto de vida adulta.
  • Desigualdades socioeconômicas, que favorecem comportamentos familiares e sociais desadaptativos e desajustados, emocional e psicologicamente.
  • O incentivo de valores como o consumismo, o imediatismo, o individualismo e o egocentrismo ao invés da austeridade, da paciência e calma, da união e solidariedade.

Cabe destacar que a violência no namoro, muitas vezes, é perpetuada por normas sociais que minimizam a gravidade do abuso emocional. É essencial reconhecer que atitudes abusivas podem começar de forma sutil, mas se não forem tratadas, podem escalar para formas mais graves de abuso. Portanto, é crucial que os jovens sejam educados sobre o que constitui um comportamento abusivo para prevenir e combater essas situações.

Falta de respeito no relacionamento: exemplos

Todos os fatores mencionados anteriormente estão interconectados, provocando interações sociais desajustadas e, no caso concreto que estamos lidando, relacionamentos desrespeitosos. Exemplos evidentes de falta de respeito em relacionamentos incluem:

  • Menosprezo e tratamento vexatório
  • Provocações, críticas e humilhações
  • Agressão verbal, física ou sexual
  • Controlar, limitar e censurar
  • Falta de empatia e respeito
  • Mentir e ocultar informações relevantes
  • Falta de lealdade
  • Ignorar, 'dar um gelo', não escutar nem falar
  • Chantagear e culpar

Além desses exemplos, é importante reconhecer que a falta de respeito pode se manifestar de formas mais sutis, como desconsideração pelas opiniões e sentimentos do parceiro ou desprezo pelas decisões do outro. Tais comportamentos criam um ambiente tóxico que pode minar a confiança e o respeito mútuo, essenciais para um relacionamento saudável.

Por que meu namorado me trata mal

Os motivos que levam uma pessoa a tratar mal seu cônjuge e que também levam uma pessoa a permitir ser maltratada por seu parceiro têm, como comentamos anteriormente, um substrato sociocultural muito importante. Disso resultam os tipos de padrões de personalidade com características muito particulares, que podem ser fontes geradoras de situações de maltrato.

No caso do agressor, identificamos pessoas com as seguintes características:

  • Imagem negativa de si mesmas, coberta por uma aparente segurança
  • Falta de controle de impulsos
  • Estilo de comunicação agressivo
  • Rigidez
  • Falta de empatia
  • Baixo nível de inteligência emocional
  • Atitude negativa e defensiva diante da vida

Em relação à vítima, falamos de:

  • Imagem negativa de si mesma
  • Desvalorização de si mesma
  • Comportamentos de submissão e obediência
  • Estilo de comunicação inibido ou passivo
  • Solução de conflitos por esquiva ou inibição
  • Atitude negativa e depressiva diante da vida

Ainda que nem todos os casos apresentem esses padrões comportamentais (nem em vítimas, nem em agressores), é possível que tais aspectos sirvam como diagnóstico do nível de abuso em um relacionamento. A partir daí, tomar medidas para intervir nesse escopo é fundamental.

Além disso, é crucial entender que a dinâmica de poder em um relacionamento pode influenciar esses comportamentos. A educação e a conscientização sobre relações saudáveis podem ajudar a prevenir que tais padrões se estabeleçam e perpetuem. Em última análise, a promoção de uma cultura de respeito e igualdade entre os parceiros é vital para erradicar o maltrato em relacionamentos.

Meu namorado me trata mal, o que devo fazer?

Infelizmente, mesmo que muitas dessas relações disfuncionais sejam resultado de estruturas de personalidade com deficiências emocionais oriundas, em sua origem, de nosso sistema social, muitos aspectos dessas interações são normalizados pelos membros do casal (agressor e/ou vítima), ou ainda, por seu entorno social imediato.

No entanto, quando as características de falta de respeito no relacionamento citadas anteriormente, de fato aparecem, é necessário intervir rapidamente para modificar a situação ou, quando essa opção não é viável, pôr fim à relação. As medidas mais convenientes para alterar a situação de maltrato são:

  1. Tomar consciência da situação de abuso
  2. Buscar apoio social (família e amigos), institucional (serviços sociais e agentes comunitários) e profissional (psicólogos, mediadores e profissionais do setor)
  3. Realizar um trabalho de cuidado e crescimento pessoais (tanto no caso da vítima como no do agressor) para restaurar o equilíbrio emocional perdido, ou para criar uma base emocional sólida, inexistente até o momento.

O trabalho de desenvolvimento da inteligência emocional é utilizado como ferramenta de prevenção (e para interromper) o abuso emocional na relação. Neste sentido, as áreas mais importantes a serem trabalhadas são:

  • Intrapessoal: desenvolver o autoconceito, autoestima, assertividade, autoconsciência emocional e independência. No seguinte artigo descobrirá como melhorar a autoestima.
  • Interpessoal: trabalhar a empatia e as relações interpessoais.
  • Adaptabilidade: dispor de estratégias para resolução de problemas e desenvolver uma atitude de abertura e flexibilidade diante das mudanças e/ou frustrações.
  • Controle do estresse: desenvolver a tolerância ao estresse e o controle dos impulsos.
  • Estado de ânimo e motivação: fomentar o estado de ânimo positivo e orientado à ação.

É importante lembrar que, incorporar corretamente esse tipo de trabalho emocional nas escolas é crucial, mas é igualmente essencial continuar atuando em todos os outros âmbitos sociais, que, como elencamos anteriormente, alimentam os maus tratos entre os jovens e muitas outras desigualdades sociais. Intervir e mudar a raiz dos problemas é a melhor maneira de evitar que estes surjam e se desenvolvam.

Por último, lembre-se que existe um telefone gratuito que oferece ajuda às vítimas de maus tratos: é o 180 (Centro de Atendimento à Mulher em Situação de Violência). Este serviço é um recurso vital para quem precisa de apoio imediato e orientação sobre como proceder em situações de abuso.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Blazquez Alonso, M., Moreno Manso, J.M. y García-Bahamonde Sánchez, M.E. (2009). Inteligência emocional como alternativa para a prevenção do maltrato psicológico em relacionamentos. Anales de Psicología. Volúmen 25, nº2, pag.250-260. Universidad de Murcia.
  • Fernández de Juan, T. (2014). A educação sexual e de gênero vs. o maltrato em relacionamentos. Escenario sobre la violencia en jóvenes en Baja California. Departamento de Estudios Culturales. El colegio de la frontera norte. Vol. 15. Número 30. Disponível em: http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0187-69612014000200003
  • Martínez Gómez, J.A., Vargas Gutierrez, R. y Novoa Gómez, M. (2016). Relação entre a violência no namoro e observação de modelos parentais de maltrato. Psychologia: Avances de disciplina. 10(1), 101-112
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3 comentários
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Maria Eduarda
Meu namorado não deseja o que eu faço?
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Marilene de souza
Estou num relacionamento que meu namorado e muito grosseiro quando e contrariado .eu quero terminar mais não consigo sinto que estou adoecendo emocionalmente por favor mim ajuda. Eu preciso mim livrar .sinto sufocada as vezes acho que vou morrer. Tenho 37anos.
Antonia
Marilene,
Quando você amar a si mesma perceberá que não é esse tipo de relacionamento que você quer para a tua vida e terá forças para terminar. Se já está assim no namoro, no casamento vai piorar muito mais.
A sua avaliação:
Jennifer cristina
Necesito tirar duvidas
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