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Tipos de feminismo que existem na atualidade

 
Por Marta Thomen Bastardas, Psicóloga. Atualizado: 13 julho 2020
Tipos de feminismo que existem na atualidade

O feminismo surge como um movimento social e político no final do século XVIII. No entanto, a consideração atual que temos sobre o feminismo vem mudando ao longo dos anos, devido à sua longa trajetória na história. Atualmente, é concebido como um movimento que visa conscientizar sobre a situação de subordinação da mulher dentro da sociedade e sua opressão. Diversos tipos de feminismo têm surgido a partir do conceito geral de fazer mais visível a figura da mulher na sociedade.

Para conhecer o que é ser feminista, bem como a trajetória do feminismo desde suas origens e os tipos de feminismo que surgiram, continue lendo este artigo de Psicologia-Online, tipos de feminismo que existem na atualidade.

O que é ser feminista

Atualmente, fala-se muito de feminismo e feministas, mas o que é exatamente ser feminista? Ser feminista é ser uma pessoa que busca desligar a discriminação com o gênero, desprendendo-se dos tabus sexuais que oprimem e reorganizar nossa sociedade, no sentido de derrubar os limites do desenvolvimento pessoal por causa do sexo. Atualmente, o feminismo não concebe gêneros, tanto um homem como uma mulher podem ser feministas. Portanto, ser feminista é ser uma pessoa que acredita na igualdade de gênero e a assume na sua vida, executando-a a partir de práxis pessoais e profissionais. Em suma, uma pessoa feminista busca conviver em igualdade de direitos, oportunidades e condições.

Origem e história do feminismo

Primeira Onda do Feminismo

A Primeira Onda do Feminismo é o feminismo ilustrado e a Revolução Francesa. Neste ponto encontra-se a origem do feminismo. A primeira expressão do feminismo nasce na Revolução Francesa e as revoluções socialistas, ao observar que as liberdades, os direitos e a igualdade jurídica foram os pilares das revoluções liberais do momento, mas não afetaram as mulheres. Diante disso, as mulheres começaram a reivindicar seu direito de autonomia e igualdade.

Essa primeira aproximação do feminismo era regida pelos princípios da ilustração, sendo sua ideia fundamental a busca da igualdade entre ambos os sexos. As mulheres lutaram pelo direito à igualdade jurídica e legal e pela possibilidade de exercer outros ofícios que não eram meramente administrativos ou domésticos.

Segunda Onda do Feminismo

A Segunda Onda do Feminismo compreende desde a revolução francesa até meados do século XIX e consiste no feminismo liberal sufragista. Continuando com a história do feminismo, temos a segunda onda do feminismo, a qual nasce nos Estados Unidos, devido a luta pela independência do país e ao encerramento da escravidão. As mulheres lutaram pela causa, envolvendo-se em questões políticas e sociais. Como resultado, as mulheres começaram a lutar pelo sufrágio, o qual constava de dois objetivos: o direito da mulher ao voto e os direitos educacionais. Diante disso, a solução apresentada pelo referido grupo se sustentava em descartar toda legislação discriminatória. No entanto, até depois da Primeira Guerra Mundial não foi aceito o direito a voto em igualdade de condições. A Primeira GM permitiu o acesso das mulheres à economia, à indústria e à administração pública, porque os homens estavam no front e diante disso, foi inegável reconhecer as demandas das mulheres sufragistas.

No entanto, na Espanha, o feminismo apareceu posteriormente, surgindo em 1920 associações feministas que defendiam o direito da educação e do voto. Somente na década de 1930 que a maioria dos países reconheceram o direito de igualdade de voto.

Posteriormente, as mulheres levantaram o direito a acessibilidade ao ensino superior e a todas as profissões profissionais. Por outro lado, exigiram igualdade de direitos civis e desejavam compartilhar com o homem a autoridade parental dos filhos. Além disso, buscavam a igualdade salarial, enfatizando os valores de igualdade e os valores democráticos. Todas essas premissas foram sustentadas em um movimento centrado em princípios liberais.

Terceira Onda do Feminismo

A seguir, a Terceira Onda do Feminismo, que consiste no feminismo contemporâneo. O feminismo contemporâneo nasce como resultado das revoluções dos anos 60, até a atualidade. Uma das principais objeções era a diversidade da mulher, em um feminismo baseado na crítica do uso monolítico da mulher, expressando a diversidade de situações entre as mulheres. A diversidade foi entendida como o gênero, a raça, a etnia, o país e a preferência sexual.

Por outro lado, buscava derrubar o estereótipo sexualizado da mulher nos meios de comunicação, na publicidade e até na arte. Outra premissa foi a abolição do patriarcado determinando que, muito além do direito à educação e ao voto obtidos anos atrás, é a própria estrutura da sociedade que compromete as desigualdades, configurando hierarquias que ainda hoje beneficiam os homens.

Finalmente, nasce o debate com o lema “o pessoal é político”, onde se manifesta a abolição da violência contra as mulheres, o direito ao aborto ou à concepção e à saúde feminina. A partir dos anos oitenta, as diferentes correntes de feminismo que foram surgindo como tipos de feminismos, expostas a seguir, entram em um intenso debate. Por último, é interessante ler algumas frases feministas para conhecer melhor o que é o feminismo e ver como ele evoluiu na história.

Tipos de feminismo

Hoje, os diferentes movimentos feministas na atualidade separam os diferentes tipos de feminismo. Alguns dos tipos de feminismo que existem na atualidade são os seguintes:

Anarquismo feminista

O feminismo anarquista começa nos finais da segunda onda feminista, nos anos 60. Refere-se a um feminismo radical, o qual defende que o sistema patriarcal de nossa sociedade é o verdadeiro problema, pois transmiti o autoritarismo e a opressão do homem sobre o gênero feminino. Essa corrente defende que se a função é lutar contra o patriarcado, essas devem se opor à todas as manifestações deste, porque são estruturas opressivas por si mesmas.

Feminismo radical

Este tipo de feminismo se baseia na desigualdade social, manifestando que esta foi causada pelo patriarcado, na submissão da mulher ao homem. Por outro lado, defendem a iniciativa de instaurar um matriarcado, como forma de compensação, ou outras pessoas deste mesmo movimento defendem a elaboração de fraternidades feministas igualitárias. Saiba mais no artigo "o que é o feminismo radical: exemplos e frases".

Feminismo abolicionista

Compartilha as premissas do feminismo radical, destacando também a luta contra a prostituição e a pornografia, classificando-as como manifestações próprias do patriarcado.

Transfeminismo

Outro dos tipos de feminismo que existem na atualidade é o transfeminismo. Como o feminismo abolicionista, este tipo de feminismo compartilha as principais premissas do feminismo radical, acrescentando a não concepção da transexualidade, pois acreditam que os aspectos masculinidade e feminilidade são construções formuladas pela sociedade, às quais se opõem.

Feminismo igualitário

Compartilha a ideia do transfeminismo de nos desfazer dos papéis de gênero, os quais interpreta como influências da cultura e da educação. Seu principal objetivo é que a mulher possa ter o mesmo status que o homem, diferindo de outras correntes feministas, pois se refere ao conceito de status masculino, enquanto as outras não.

Feminismo da diferença

Ao contrário da corrente igualitária, surge nos anos 90, introduzindo a perspectiva da diferença entre o homem e a mulher. Começaram com o trabalho da crítica à linguagem e seu trabalho sobre esta. Reivindica a diferença entre homens e mulheres, com diferenças de valores, indicando que as mulheres não devem ser tratadas como homens. Estabelecem uma ruptura radical com o sistema patriarcal, com o objetivo de mudar a concepção do mundo, não apenas reduzir o tratamento do gênero ou resgatar algumas mulheres. Busca ampliar a luta à tarefa política.

Ecofeminismo

Outro dos tipos de feminismo que existem na atualidade é o ecofeminismo. O ecofeminismo apareceu na Europa no final do século XX, como uma resposta à apropriação do gênero masculino da agricultura e da reprodução, tendo como consequência a superexploração das terras e na comercialização da sexualidade da mulher. O ecofeminismo trabalha em conjunto com o movimento feminista e ecologista, estabelecendo a opinião de que deveriam conjuntamente traçar objetivos comuns de igualdade de direitos e abolição de hierarquias.

Feminismo separatista

Este tipo de feminismo é a vertente mais extrema do feminismo radical, a qual não se encontra no princípio de igualdade, pois sustenta a diferença entre ambos os gêneros, apontando que a mulher deve manter-se de fora de qualquer relação com os homens, defendendo o sexo lésbico como única alternativa para o correto desenvolvimento da sexualidade da mulher.

Feminismo interseccional

O feminismo interseccional, fundado por Kimberlé Crenshaw, luta pelos direitos de todas as mulheres. Esta luta leva em consideração que existem fatores que criam desigualdade também entre as mulheres e pretende lutar pelos direitos de todas.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • De Miguel, A. (2000). Los feminismos.
  • Fiss, O. (1993). ¿Qué es el feminismo? THEMIS, 14, 211-220.
  • Jaén, J. (2006). Soy feminista. Transversales, 2.
  • Sánchez, P. Definición del feminismo: inicios del movimiento.

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