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As 7 etapas do processo de tomada de decisão

 
Por Gianluca Francia, Psicólogo. 3 dezembro 2020
As 7 etapas do processo de tomada de decisão

Que estratégias adotam os grupos quando devem tomar uma decisão? Duas cabeças são sempre melhores que uma? A união sempre faz a força? Neste artigo de Psicologia-Online trataremos de entender juntos as etapas do processo de tomada de decisão, como os grupos decidem e por que, as vezes, intensificam ou anulam as diferenças entre seus membros. Veremos as fases do processo de tomada de decisão, as teorias e os mecanismos envolvidos segundo diversos autores, com exemplos pessoais e empresariais.

O que é a tomada de decisão

Em que consiste o processo de tomada de decisão? A tomada de decisões consiste em escolher uma opção entre várias possibilidades para resolver uma situação. Tomar decisões é indispensável em todas as áreas da vida (pessoal, profissional, familiar, empresarial...).

O momento da tomada de decisão é muito importante na vida de um grupo, e pode dar lugar a uma alteração da sua dinâmica interna: quando o grupo deve tomar uma decisão, pode colocar em questão o equilíbrio anteriormente alcançado, provocando uma crise, mas também pode representar a ocasião na qual os componentes individuais realizam expulsões dinâmicas ou a integração de outros.

Quando o grupo toma uma decisão, os componentes individuais concentram a sua atenção nos aspectos objetivos do problema, ativando assim processos de pensamento predominantemente cognitivo e aberto sobre os aspectos estruturais do grupo; menos evidente e, por outro lado, o fato de que no momento da decisão concorrem também variáveis de natureza subjetiva vinculadas aos aspectos processuais do grupo.

Etapas do processo de tomada de decisão

A literatura oferece uma série de novas contribuições ao processo de tomada de decisões: simples modelos teóricos que cobrem todos os passos necessários para guiar aos participantes na decisão, e o que levaremos em consideração - porque entre os mais reconhecidos pelos especialistas - contém três fases articuladas em sete passos: fase de identificação (reconhecimento de oportunidades, problemas e crises, coleta de informações relevantes e identificação mais clara de problemas), fase de desenvolvimento (surgem e modificam soluções alternativas aos problemas) e fase de seleção (surgem e modificam soluções alternativas aos problemas).

1. Identificar a decisão

O primeiro passo na tomada de decisões é identificar o problema e, para tomar uma decisão, temos que identificar o problema que queremos resolver, tendo em conta os fatores críticos ou estratégicos que o definem, já que dificultam uma solução adequada.

2. Recolher a informação necessária

Uma vez identificada sua decisão, é o momento de buscar toda a informação necessária para essa escolha.

3. Identificar as alternativas

Com a informação relevante a mão, você pode identificar as possíveis soluções para o seu problema, já que - no geral- há mais de uma opção a considerar ao tentar alcançar um objetivo.

4. Desenvolver soluções alternativas

O objetivo principal é tomar a melhor decisão possível entre as linhas de ações alternativas disponíveis, encontrando soluções criativas ou originais.

5. Executar a decisão

Uma vez que você recolheu toda a informação relevante, desenvolvendo e considerando os possíveis caminhos a seguir, está perfeitamente preparado para escolher. Depois de classificar as opções, você deve escolher a que considera ter a maior possibilidade de alcançar seu objetivo; em alguns casos, você pode combinar várias opções, mas na maioria, haverá uma direção clara que você vai querer tomar.

6. Tomar atitude

Uma vez tomada sua decisão, atue segundo ela, e desenvolva um plano para fazer sua decisão concreta e realizável.

7. Revisar a decisão

O último passo importante no processo de tomada de decisões é avaliar a eficácia da sua decisão, já que o acompanhamento permite identificar suas deficiências ou consequências negativas, proporcionando um valioso feedback em que a decisão pode ser revista ou reconsiderada.

As decisões que um indivíduo toma a cada dia são o resultado de um processo para resolver os problemas, pequenos ou grandes, que se denominam "heurísticas": um processo de tomada de decisões que não utiliza todas as vias lógico-analíticas descritas anteriormente, mas que aproveita os "atalhos" mentais confiando na assim chamada "intuição" ao avaliar as variáveis e informações a sua disposição e adaptando as decisões as circunstâncias de tempo e de lugar. Além do mais, as modalidades de tomada de decisão dependem do tipo de tarefa que deve afrontar.

Etapas do processo tomada de decisão em grupo

Por outo lado, o processo de tomada de decisões em grupos de Forsyth (1990) costumam ter quatro fases:

  1. Fase de orientação: inclui a identificação pelo grupo da tarefa que pretende realizar, do objetivo que pretende alcançar e das estratégias que devem utilizar para o alcançar (na maioria dos casos, o tipo de objetivo determina a escolha das estratégias).
  2. Fase de discussão: a equipe busca informações, identifica possíveis soluções e avalia; as tentativas de influência dos membros do grupo sobre os demais estão muito presentes nesta fase, bem como na próxima relacionada à real tomada de decisão.
  3. Fase da decisão: no processo de tomada de decisão, o grupo se refere a algumas regras, implícitas ou explícitas.
  4. Fase de aplicação: o grupo atua em consequência e avalia sua eficácia.

Ainda assim, a tomada de decisão exige que outros fatores além da rede de comunicação do grupo sejam levados em consideração: entre esses, por exemplo, a pressão do tempo, o grau de coesão do grupo, o poder efetivamente nas mãos do líder e seu estilo de liderança do próprio grupo.

A pressão do tempo

Alguns autores demonstraram que quando um grupo deve tomar uma decisão pressionada pelo tempo, independentemente do tipo de tarefa, se utilizam heurísticas (simples e eficientes regras para problemas complexos ou informação incompleta) e se ativam processos sociais de influência normativa.

A polarização do grupo

É difícil que todos tenham a mesma opinião: sempre haverá uma maioria de pessoas que pensa de uma maneira, que proponha atuar seguindo uma determinada linha, e outras pessoas que pensarão de outra maneira. Quando a discussão de um grupo consegue gerar um compromisso, a posição refletida na regra final do grupo é mais moderada que as opiniões iniciais de seus membros individuais e produz um efeito chamado despolarização. Por outro lado, quando a posição intermediária inicial de um grupo é deslocada para uma posição mais extrema após o debate entre os membros do grupo se move para uma posição mais extrema após uma discussão entre os membros do grupo, ocorre o processo de polarização de grupo. No entanto, este fenómeno não pode se generalizar a qualquer tipo de grupo, já que não funciona para os grupos nos quais as pessoas não se conhecem ou não tem um líder, porém pode ocorrer naqueles em que há uma troca relativa consolidada.

O pensamento do grupo

O processo de polarização pode conduzir um desequilíbrio cognitivo no processo de tomada de decisão mais consistente e sem dúvida mais prejudicial: através de seus estudos sobre a tomada de decisões, o psicólogo social Irving Janis chegou a conclusão de que muitas vezes os grupos se preocupam mais em alcançar um consenso do que tomar a decisão correta, um fenômeno que chamou de groupthink ou pensamento de grupo.

Em 1961, o Presidente Kennedy e seus conselheiros tentaram derrubar o governo de Fidel Castro invadindo Cuba com 1400 cubanos exilados e treinados pela CIA. A invasão da Bahia de Cochinos foi um verdadeiro fracasso, devido a falta de estudo do território cubano e de suas linhas defensivas: quando Kennedy planejou a invasão pôde contar com um grupo de conselheiros compacto, mas a informação crítica não foi considerada, e sim, ele deu seu consentimento aos fiéis do presidente.

Na continuação faremos uma analise teórica do pensamento de grupo (Janis y Mann, 1977):

Condições sociais

    1. Alta coesão;
    2. Isolamento de grupo;
    3. Falta de pesquisa metodológica e procedimentos de avaliação;
    4. Liderança de gestão;
    5. Alto estresse e baixo grau de esperança na busca de uma solução melhor do que a preferida pelo líder ou outras pessoas consideradas influentes.

    Busca de consenso: sintomas de pensamento de grupo

    1. Superestimação do grupo: ilusão de invulnerabilidade; crença na moralidade intrínseca do grupo;
    2. Estreiteza: racionalização coletiva; estereótipos de grupos externos;
    3. Pressões por uniformidade: autocensura; ilusão de unanimidade; pressão direta sobre dissidentes; autovigilância.

      Consequências de um processo de tomada de decisão falha

      1. Análise incompleta de alternativas;
      2. Análise incompleta dos objetivos;
      3. Falha na análise de risco em relação à opção preferida;
      4. Pesquisa de informação insuficiente;
      5. Viés seletivo no rápido processamento de informações;
      6. Falha em reconsiderar alternativas;
      7. Falha na elaboração de projetos obrigatórios.

      Estes sintomas não só levam a decisões erradas, mas também desastrosas e terríveis. Para combater este processo é necessário compreender qual é o motivo e a causa do pensamento de grupo: a cada uma das causas citadas corresponde uma atitude para combatê-las. Evitar o isolamento de grupo, incentivar uma atitude mental crítica, favorecer ativamente a discórdia, minimizar a intervenção do líder, incentivar a autocrítica sem medo de expressar dúvidas e objeções, são estratégias cientificamente comprovadas para reduzir e combater o pensamento de grupo.

      Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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      Bibliografia
      • Forsyth, D. R. (1990). Group dynamics. Belmont: Wadsworth Cengage Learning.
      • Janis, I. L., Mann, L. (1977). Decision making: A psychological analysis of conflict, choice, and commitment.Free Press.
      • Karau, S. J., Kelly, J. R. (1992). The effects of time scarcity and time abundance on group performance quality and interaction process. Journal of Experimental Social Psychology, 28(6), 542–571
      • Leone, G., Mazzara, B. M., Sarrica, M. (2013). La psicologia sociale. Processi mentali, comunicazione e cultura. Roma: Laterza.
      • Moscovici, S., Zavalloni, M. (1969). The group as a polarizer of attitudes. Journal of Personality and Social Psychology, 12(2), 125–135.
      • Myers, D. G. (1983). Social Psychology. New York: McGraw-Hill.
      • Panpatte, S., Takale, V. D. (2019). To study the decision making process in an organization for its effectiveness. The International Journal of Business Management and Technology, 3(1):2581-3889.
      • Scialoja, P. (et al.) (1998). Psicologia sociale delle organizzazioni. Napoles: Alfredo Giunta Editore.

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