Cérebro reptiliano: o que é, características e funções
Ao longo do tempo, foram sendo implementadas no cérebro humano determinadas melhorias evolucionais que permitiram que nos fossemos adaptando às diferentes alterações que se foram apresentando, sendo essa uma das principais razões pelas quais conseguimos sobreviver como espécie. Afirma-se que o nosso cérebro é 3 vezes superior ao dos primatas e, ao mesmo tempo, é formado por diferentes zonas que, ao longo do tempo, se foram incorporando uma sobre a outra ao longo da evolução.
Logo, se concluiu que existem três tipos de cérebros, os quais são os seguintes: o cérebro reptiliano, o cérebro emocional ou cérebro límbico e, por fim, o cérebro racional ou neocórtex. Nesse artigo de Psicologia-Online, falaremos sobre o cérebro reptiliano: o que é, características e funções. Explicaremos com detalhe em que consiste esse tipo de cérebro!
O que é cérebro reptiliano
Como sabemos, o cérebro tem estado em constante evolução ao longo de mais de 250 milhões de anos e, em todo esse processo, foi adquirindo novas funções e habilidades cada vez mais complexas. O cérebro mais antigo, ao qual depois se juntaram o límbico e o neocórtex, é o cérebro reptiliano.
Este cérebro foi identificado e desenvolvido através da teoria do cérebro trino de MacLean. O cérebro reptiliano, também chamado de complexo-R ou complexo reptílico, é o que compartilhamos com outros mamíferos e répteis. Se encarrega principalmente de colocar as nossas funções mais básicas e primitivas em marcha, como por exemplo, proteger-nos de possíveis ameaças, defender-nos e fugir para garantir a nossa própria sobrevivência. É encarregue também de levar a cabo algumas condutas inconscientes e involuntárias como a nossa respiração, a pressão sanguínea, a temperatura, o equilíbrio, entre outras. O cérebro reptiliano ou complexo-R ocupa, aproximadamente, 5% do total da nossa massa cerebral.
Cérebro reptiliano: características
Esse tipo de cérebro não é reflexivo e, contrariamente, age de forma inconsciente e por instinto. Ao ter como função principal encargar-se da nossa própria sobrevivência, se considera que também que também acaba dificultando os nossos objetivos pessoais, uma vez que apenas se sente seguro unica,ente estando em território familiar e, quando entra em território desconhecido, se sente sumamente ameaçado e prefere fugir e escapar antes de encarar algo novo.
É importante mencionar que, apesar de sua natureza instintiva, o cérebro reptiliano desempenha um papel crucial na manutenção de hábitos e rotinas que nos proporcionam segurança e conforto. Essa resistência à mudança pode ser vista como uma ferramenta de sobrevivência que nos mantém alertas a potenciais perigos em ambientes desconhecidos. Assim, compreender o funcionamento desse cérebro primitivo pode nos ajudar a gerenciar melhor nossas reações instintivas em situações de estresse ou medo.
Cérebro reptiliano: partes
O cérebro reptiliano está formado pelo sistema reticular, o cerebelo, os gânglios basais e o tronco cerebral. Em seguida, te explicaremos brevemente em que consiste cada uma dessas partes do cérebro:
- Gânglios basais: se tratam de estruturas neuroniais que se encontram conectadas entre elas e se localizam no mais profundo do córtex cerebral. Os gânglios basais têm como função principal processar a informação sobre o nosso próprio movimento corporal para ajustá-lo às diferentes situações e, ainda assim, ter uma ação adequada. Por exemplo, quando queremos conduzir um carro, devemos executar certas ações e movimentos corporais para fazê-lo de forma correta. Logo, também nos ajudam a planificar as nossas ações para conseguir atingir algum objetivo.
- Sistema reticular: se trata de um conjunto de neurônios que estão localizadas no encéfalo, perto da medula espinhal. A função principal desse sistema é regular o estado de sono e de vigília. Também se encarrega de filtrar a informação que chega através dos sentidos, escolhendo os dados que são do seu interesse e separando os que são irrelevantes, os quais acabam por não chegar à consciência. Ademais, o sistema reticular desempenha um papel importante na regulação da atenção, ajudando-nos a concentrar em tarefas específicas enquanto ignoramos distrações.
- Cerebelo: Trata-se de uma das partes mais antigas do nosso cérebro e se localiza na fossa posterior do crânio, uma vez que é um órgão sumamente compacto. A principal função do cerebelo é manter um equilíbrio e coordenação muscular adequados. Além disso, contribui para a aprendizagem motora, permitindo que adquiramos novas habilidades físicas ao longo do tempo.
- Tronco cerebral. Se localiza entre o que resta do encéfalo e a medula espinhal. O tronco cerebral, também chamado de tronco encefálico, é formado por 4 diferentes áreas que estão conectadas com o diencéfalo. A tarefa principal do tronco é servir de via de circulação de quase todas as vias sensoriais, com exceção da olfativa e da visual. Ele também desempenha um papel vital na regulação de funções autônomas, como a frequência cardíaca e a respiração, garantindo que o corpo funcione de maneira eficiente e estável.
Cérebro reptiliano: funções segundo a psicologia
Agora que sabemos o que é cérebro reptiliano e as suas partes, é importante conhecer as funções do cérebro reptiliano.
O cérebro reptiliano cumpre com diferentes funções na nossa vida diária. Em seguida, te indicamos com mais detalhe quais são:
- A sobrevivência. Como vimos antes, a principal função do cérebro reptiliano é a de manter-nos protegidos perante qualquer ameaça que se apresenta e, assim, garantir a nossa sobrevivência. Embora essa seja uma função essencial e de grande importância, em alguns momentos, pode impedir-nos de atingir os nossos objetivos de vida na hora de encarar situações novas, se não for bem controlada. Isso acontece porque interpreta situações desconhecidas como possíveis ameaças e prefere permanecer na "zona de conforto".
- Regular as funções vitais básicas. Como vimos anteriormente, se encarrega de regular as nossas funções básicas como a respiração e as funções cardíacas. Além disso, ele ajuda a manter a homeostase, que é o estado de equilíbrio interno necessário para o funcionamento adequado do corpo.
- Evita a dor. Se ocupa de procurar o prazer e todas as sensações agradáveis para a pessoa. Este aspecto do cérebro reptiliano pode influenciar nossas escolhas diárias, muitas vezes nos levando a buscar atividades que proporcionem conforto e satisfação imediata.
- Comportamento territorial. É um dos nossos próprios instintos de sobrevivência e faz com que tenhamos tendência a defender o nosso lar e cuidar das pessoas mais próximas, assim como dos nossos bens. Esta característica pode ser vista em comportamentos como a proteção da família e a defesa de nosso espaço pessoal no ambiente de trabalho.
- Necessidade reprodutiva. Para garantir a sobrevivência, o cérebro réptil tem como função ativar o nosso instinto e motivação sexual, o que faz com que nos atraiam outras pessoas. Esta função não só assegura a continuidade da espécie, mas também desempenha um papel na formação de laços sociais e emocionais que são cruciais para o bem-estar humano.
Compreender o papel do cérebro reptiliano pode nos permitir um maior controle sobre nossas reações instintivas e ajudar a desenvolver estratégias para lidar com situações que, embora percebidas como ameaçadoras, podem ser oportunidades de crescimento pessoal e profissional.
Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
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- Alonso, J. R. A. (2017, 9 noviembre). El mito del cerebro reptiliano. Acessado em 9 de dezembro de 2018. Disponível em: https://jralonso.es/2017/08/24/el-mito-del-cerebro-reptiliano/
- Salazar, C. E. S. A. (s.f.). Evolución del cerebro. Acessado em 9 de dezembro de 2018. Disponível em: http://www.binasss.sa.cr/revistas/neuroeje/v10n1/art3.pdf
