Crise dos 2 anos: o que é e como lidar


A chamada "crise dos 2 anos" é um período do desenvolvimento infantil marcado por desafios, mas também por grandes conquistas. Nesta fase, a criança começa a explorar sua autonomia, expressar desejos e afirmar sua individualidade, muitas vezes por meio de birras e frustrações. Isso ocorre porque, embora ela já possua vontades próprias, ainda está aprendendo a lidar com emoções e limites.
Para os pais, é essencial ter paciência e acolher esses momentos como oportunidades de aprendizado. Com empatia, comunicação clara e regras consistentes, é possível fortalecer o vínculo com a criança, promovendo seu crescimento emocional e social de forma saudável.
Neste artigo do Psicologia-Online sobre a crise dos 2 anos: o que é e como lidar, vamos conversar sobre o que está por trás desse comportamento, porquê essa fase acontece e, o mais importante, como lidar de forma respeitosa e eficaz. Afinal, entender o que está acontecendo no universo emocional da criança torna tudo mais leve para ela e para os pais.
1. Quais são os sintomas da crise dos dois anos
Nessa fase, a criança já desenvolveu uma maior independência e começa a explorar o mundo com mais curiosidade e iniciativa. Isso significa que ela quer fazer mais coisas sozinha, como se alimentar, vestir-se e escolher com o que brincar. No entanto, essa nova independência vem acompanhada de frustrações, pois a criança ainda está aprendendo a lidar com limites e com sua própria capacidade. É comum que ela reaja com birras, choro intenso e até mesmo pequenos ataques de raiva quando algo não sai como deseja.
A linguagem também passa por uma grande evolução. Aos dois anos, a criança começa a formar frases simples e expressar melhor seus desejos e opiniões. No entanto, sua compreensão ainda não acompanha completamente sua capacidade de comunicação, o que pode gerar frustração e impaciência. Além disso, essa é uma fase em que a palavra “não” se torna frequente no vocabulário infantil, pois a criança está testando sua autonomia e aprendendo sobre seu próprio poder de escolha.
Do ponto de vista emocional, oscilam entre querer independência e buscar a segurança dos pais, o que pode se manifestar em momentos de carência e necessidade de atenção. Essas oscilações fazem parte do amadurecimento e ajudam a criança a construir sua identidade. A melhor forma de lidar com essa fase é estabelecer limites claros com carinho, oferecer alternativas para que a criança possa sentir-se no controle de pequenas escolhas e, principalmente, acolher suas emoções sem reforçar comportamentos desafiadores. Com paciência e entendimento, essa fase pode ser vivida com mais leveza, fortalecendo o vínculo entre a criança e seus cuidadores.

2. Quanto tempo demora a crise dos dois anos
A chamada "crise dos dois anos" é uma fase natural do desenvolvimento infantil, caracterizada por um aumento da independência da criança e pela necessidade de autoafirmação. Esse período pode durar, em média, de alguns meses até os três anos, variando conforme a personalidade da criança e o ambiente em que ela está inserida.
É um momento em que os pequenos começam a testar limites, manifestando vontades próprias, e muitas vezes se frustram ao perceber que nem sempre podem obter o que desejam. Isso pode resultar em birras, choro intenso e até agressividade.
Durante essa fase, a criança está aprimorando suas habilidades cognitivas, motoras e linguísticas, desenvolvendo maior consciência de si mesma e do mundo ao redor. Segundo estudos sobre desenvolvimento infantil, aos dois anos, as crianças apresentam uma explosão no vocabulário e começam a expressar opiniões e preferências mais claramente. Entretanto, como ainda não possuem total controle emocional e cognitivo, expressam frustração de maneira mais intensa.
A forma como os cuidadores lidam com essa fase é essencial para o desenvolvimento emocional saudável da criança. Manter a paciência, estabelecer rotinas e oferecer opções para que ela se sinta parte do processo de decisão pode ajudar a reduzir conflitos. Além disso, nomear emoções e validar sentimentos ensina a criança a lidar melhor com as próprias frustrações.
Vale lembrar que essa fase não é um "problema", mas sim uma etapa importante do desenvolvimento. A compreensão e o apoio dos pais e cuidadores ajudam a criança a atravessar esse período de forma mais tranquila, contribuindo para sua autonomia e regulação emocional no futuro.

3. Como lidar com a crise dos dois anos
A chegada dos dois anos marca uma fase de transformações intensas na vida da criança. Nesse período, ela está mais ativa, curiosa e determinada a explorar o mundo ao seu redor. No entanto, junto com essa crescente independência, surgem desafios, como birras, teimosia e explosões emocionais. Essa é a chamada “crise dos dois anos”, que, na verdade, reflete um avanço no desenvolvimento infantil.
A criança começa a perceber que tem vontades próprias e deseja expressá-las, mas sua capacidade de comunicação ainda está em construção. Isso pode gerar frustração e reações intensas quando algo não sai como esperado. Além disso, o desejo de autonomia entra em conflito com sua dependência dos adultos, o que pode levá-la a resistir a comandos simples e testar limites com mais frequência.
Para lidar com esse momento de forma saudável, é essencial que os cuidadores ajam com paciência e compreensão. Em vez de reprimir as emoções da criança, é importante nomeá-las e validar seus sentimentos, ajudando-a a entender o que está sentindo. Oferecer escolhas dentro de limites seguros, como permitir que ela decida entre duas opções de roupas ou lanches, também pode reduzir conflitos e fortalecer sua autonomia.
Manter uma rotina previsível dá segurança à criança, pois ela sabe o que esperar ao longo do dia. Atividades que incentivem a comunicação, como contar histórias e cantar músicas, ajudam no desenvolvimento da linguagem e na expressão das emoções. Diante de uma birra, respirar fundo, manter a calma e demonstrar firmeza afetuosa são atitudes fundamentais. Com acolhimento e consistência, essa fase desafiadora pode ser vivida com mais leveza, fortalecendo o vínculo entre a criança e seus cuidadores.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
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- LEDU, Carolina Sarzi; ZANATTA, Edinara; PEREIRA, Caroline Rubin Rossato; ARPINI, Dorian Mônica; MACARI, Maria Lucia; ROCHA, Patrícia Jovasque da. O desenvolvimento infantil aos dois anos: conhecendo as habilidades de crianças atendidas em um programa de saúde materno-infantil. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 25, n. 1, p. 40-59, jan. 2019. Acessos em: 30 de janeiro de 2025.