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O que é o cyberbullying: causas e consequências

 
Por Marta Thomen Bastardas, Psicóloga. 21 outubro 2020
O que é o cyberbullying: causas e consequências

Nas últimas décadas houve um aumento importante e uma elevada preocupação social sobre a violência produzida entre iguais. Estes comportamentos foram produzidos, principalmente, nos diferentes centros educativos, seja "cara a cara", com o famoso bullying, como através das novas tecnologias, método que incrementou de forma significativa o cyberbullying.

O cyberbullying e o assédio virtual tem alta prevalência, estima-se que aproximadamente entre 40-55% das crianças escolarizadas estiveram envolvidas neste tipo de assédio, seja como vítimas, como agressoras ou como observadoras. Assim, o assédio escolar tem se expandido e foram surgindo novas formas de maltrato, uma delas é o cyberbullying, o qual utiliza as novas tecnologias, sobretudo as redes sociais e o celular, para produzir estes comportamentos de violência entre semelhantes. Neste artigo de Psicologia-Online, veremos o que é o cyberbullying: causas e consequências.

O que é o cyberbullying ou assédio virtual

O cyberbullying é o assédio reiterado e intencional, que ocorre em um longo período de tempo, com o uso das novas tecnologias. A metodologia utilizada implica que a vítima não possa se defender com facilidade. No cyberbullying, as vítimas e assediadores são crianças e adolescentes, que tendem a ser colegas de escola e possuem uma relação física. É preciso levar em conta que, para que o comportamento violento possa ser considerado cyberbullying, em ambos extremos devem haver menores. Quando um adulto utiliza as redes sociais para aliciar um menor, para obter um fim sexual, recebe o nome de grooming.

Por outro lado, as formas pelas quais o cyberbullying se manifesta podem ser muito diversas, e sua única limitação é a imaginação de seus participantes e o acesso a estas tecnologias. Algumas das formas apresentadas são: compartilhar imagens comprometedoras, criar perfis falsos das vítimas, fazer comentários ofensivos em chats ou perfis nas redes sociais das vítimas, circular boatos pelas redes, enviar mensagens com conteúdo ameaçador, etc.

Causas do cyberbullying

O estudo do cyberbullying é relativamente recente e poucas pesquisas investigaram as causas dele. Para poder contemplar as causas, deve-se ter em conta diversos fatores como:

  • Os valores;
  • A educação;
  • Fatores emocionais;
  • Fatores sociais;
  • Fatores psicológicos.

No entanto, cabe destacar que as crianças e adolescentes se encontram em plena exploração de sua própria existência, buscando se encaixar nos diferentes grupos sociais e qualquer aspecto que não se encaixe ou seja diferentes de um deles, se converte em objeto de chacota. Por outro lado, as vítimas percebem que estão sendo assediadas por mera diversão do assediador e acabam se vendo como fracas ou inferiores.

Uma causa irrefutável do incremento deste assédio, é o auge das redes sociais e sua facilidade de acesso, sem limitação de idade. Seu fácil aceso também produz uma dificuldade de controle por parte dos pais e professores das crianças, o que complica a detecção do cyberbullying, diferente do bullying ou assédio escolar, que pode ser detectado mais facilmente.

Consequências do cyberbullying

As consequências que se manifestam ao sofrer ou praticar uma situação de assédio ou cyberbullying são muitas, tanto para a vítima como para o agressor, sendo o suicídio a mais preocupante.

Consequências do cyberbullying para as vítimas

O dano emocional produzido por estes comportamentos nas vítimas é muito significativo. Este sofrimento emocional pode ser maior que o assédio através de outros métodos, devido ao fato de que a informação prejudicial é pública e está disponível durante 24h, sendo muito difícil apagar o conteúdo. As consequências do cyberbullying se assemelham com as consequências do assédio moral no trabalho. As consequências mais representativas são as seguintes:

  • Sentimentos de ansiedade
  • Depressão
  • Pensamentos suicidas
  • Estresse
  • Medo
  • Baixa autoestima
  • Sentimentos de raiva e frustração
  • Sentimentos de indefesa
  • Nervosismo
  • Irritabilidade
  • Somatizações
  • Transtornos do sono
  • Dificuldade para se concentrar
  • Alteração do rendimento escolar

Consequências do cyberbullying para os assediadores

Os assediadores, com estas atitudes, acham que podem conseguir a atenção e aquilo que querem a partir de ações violentas e o assédio a pessoas que consideram mais fracas. As principais consequências destes comportamentos são as seguintes:

  • Dificuldade de criar empatia
  • Possibilidade de uma desconexão moral ser produzida
  • Problemas por seu comportamento agressivo
  • Dificuldade para acatar as regras
  • Comportamentos criminosos
  • Ingestão de álcool e drogas
  • Dependência das novas tecnologias
  • Absenteísmo escolar

Tipos de cyberbullying

Dentro do cyberbullying, há diferentes formas de assédio. Os tipos de atos no cyberbullying são:

  • Exclusão: não deixar a vítima participar de algum espaço tecnológico específico, como uma conversa de WhatsApp.
  • Assédio: enviar, de forma reiterada, mensagens ofensivas a uma única pessoa, sendo um ou vários assediadores. Pode acontecer nas redes sociais, e-mail, no celular, ...
  • Insultos: troca de insultos por ambas as partes envolvidas, que ocorre através das novas tecnologias.
  • Difamação: publicar ou compartilhar informação depreciativa e falsa de uma pessoa, difundida pelas novas tecnologias. Por exemplo: alterar uma imagem de uma adolescente para que ela pareça estar grávida.
  • Roubo de identidade: o assediador consegue acesso aos perfis sociais da vítima e se faz passar por ela, enviando comentários ofensivos ou negativos, como se fosse a vítima.
  • Revelação e exposição: difundir informação confidencial da vítima.
  • Perseguição virtual: enviar mensagens ameaçadoras de forma reiterada.
  • Happy slapping: uma agressão física que foi gravada, e que é compartilhada nas redes para que seja vista por muitas pessoas.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
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