O que é condicionamento operante: definição e exemplos
O condicionamento é uma forma de aprendizagem por associação de estímulos, descoberta e defendida por alguns autores partidários do condutismo. Os tipos de condicionamento mais importantes são o condicionamento clássico e o condicionamento operante. O condicionamento operante é um tipo de aprendizagem e uma técnica de comportamento que utiliza o reforço positivo, o reforço negativo, a omissão e o castigo para produzir a adequação ou extinção da conduta.
Neste artigo de Psicologia Online vamos explicar o que é o condicionamento operante, oferecendo a sua definição e alguns exemplos, além de indicar como aplicar o condicionamento operante.
O que é condicionamento operante
O que é o condicionamento operante? É uma forma de aprendizagem que consiste em associar um estímulo a uma resposta, com a finalidade de que a resposta se produza mais ou menos. A ideia é provocar um comportamento e que, após esse comportamento, exista uma consequência. Existem, portanto, duas opções: a consequência positiva ou negativa.
- Se a consequência for considerada positiva, essa atitude terá maior probabilidade de acontecer no futuro, pois está associada ao acontecimento positivo que foi gerado.
- Se, pelo contrário, a consequência é negativa, o comportamento terá menos probabilidade de se repetir no futuro, já que a atitude foi associada a um acontecimento ruim.
Essa conexão entre as condutas e as consequências tem como origem uma técnica de modificação do comportamento que serve para conseguir que um comportamento se repita ou não. Existem diferentes tipos de condicionamento operante.
Condicionamento operante: tipos
- Reforço positivo: quando, após uma determinada atitude, algo bom acontece, as chances desse comportamento se repetir aumentam.
- Reforço negativo: quando, depois do comportamento, algo ruim deixa de ocorrer, o que também reforça a presença da conduta.
- Omissão: quando, após uma determinada atitude, algo ruim acontece e não há reação, as chances desse comportamento se repetir são menores.
- Castigo: quando, depois de uma determinada atitude, algo ruim ocorre e há uma reação, as chances desse comportamento se repetir são menores.
O condicionamento instrumental de Edward Thorndike, por sua vez, refere-se à mesma ideia de associar ações a consequências, embora o enfoque e a terminologia possam variar.
Condicionamento operante: consequências
Quando aplicamos a teoria do condicionamento operante, é possível moldar a conduta. Os conceitos mais importantes são:
Aquisição
A aquisição é um processo de aprendizagem no qual o comportamento está associado ao reforço positivo e/ou ao reforço negativo. Dependendo do reforço, o comportamento ocorre com mais frequência e rapidez, e tem menos chances de desaparecer.
Extinção
A extinção consiste em eliminar o reforço de uma conduta previamente reforçada. Ao deixar de reforçar um determinado comportamento, sua frequência diminui. É um procedimento eficaz para reduzir definitivamente os comportamentos, mas é mais lento que outros métodos, não espere que o comportamento desapareça imediatamente. A redução do comportamento é gradual e depende de:
- A extinção é mais rápida quando a origem da atitude é recente e mais lenta quando o comportamento tem um longo histórico de repetições e já está consolidado.
- O reforço que o comportamento a ser extinguido recebeu: é mais rápido quando a atitude recebeu reforço continuamente e mais lento quando recebeu reforço de maneira esporádica.
- O nível de privação do reforço: quanto mais tempo passa entre os momentos de reforço, mais lenta será a extinção.
- A intensidade do reforço: quanto mais severo o reforço, mais tempo será necessário para extinguir a conduta.
- O esforço necessário para dar a resposta: quanto mais esforço requer, mais fácil será de extinguir.
É preciso considerar que a aplicação da extinção pode aumentar a frequência e a intensidade do comportamento nos primeiros momentos, conhecido como "explosão da extinção". Além disso, pode aumentar comportamentos agressivos ou emocionais, a chamada "agressão induzida pela extinção". É importante persistir na extinção para assegurar sua efetividade.
O comportamento pode reaparecer temporariamente após um período de ausência, fenômeno denominado recuperação espontânea. Mantendo a extinção, esse comportamento desaparecerá definitivamente.
Como aplicar a extinção
- Explicar e especificar as condições da extinção;
- Identificar todos os reforços que mantêm o comportamento;
- Controlar a apresentação dos reforços. É necessário aplicar a extinção a todas as pessoas no ambiente onde o comportamento ocorre para evitar reforçar a conduta.
- Informar as pessoas envolvidas sobre possíveis aumentos de respostas indesejáveis, reações agressivas pela ausência de recompensas e os efeitos da recuperação espontânea.
- Ser constante, já que se a extinção for usada de forma intermitente equivale a ser reforçada de forma intermitente.
- Utilizar, junto à extinção da conduta inadequada, o reforço de condutas alternativas, que sejam incompatíveis com as que se deseja eliminar. Por exemplo, se quiser extinguir o consumo de bebidas açucaradas, reforce o consumo de água.
Condicionamento operante: exemplos
Tanto Thorndike quanto Skinner e outros autores que teorizaram sobre o condicionamento operante ou instrumental definiram exemplos para melhor compreensão desse procedimento.
Exemplos de reforço positivo
- Dar um prêmio. Oferecer um snack a um cachorro quando ele senta. Isso ensina o cachorro a sentar e o motiva.
- Dar os parabéns. Felicitar uma criança por terminar um prato de verduras. Isso ensina a criança que comer verduras é positivo e aumenta a frequência dessa conduta.
- Oferecer comissões. Dar um bônus aos trabalhadores que vendem mais, incentivando comportamentos que levem a vendas.
Exemplos de reforço negativo
- Suspender repreensões a uma criança que tira boas notas, incentivando comportamentos que levam a notas melhores.
- Lavar os pratos. Se essa tarefa é responsabilidade do parceiro(a) que cozinhou, lavar os pratos pode aumentar a disposição do parceiro(a) a cozinhar mais vezes.
- Permitir que saiam mais cedo as crianças que participam mais na aula, incentivando a participação nas atividades em grupo.
Exemplos de omissão
- Ignorar uma criança que está se comportando mal, como uma birra na rua, diminuindo as chances de repetição do comportamento.
- Silenciar quando uma criança responde mal, gritando ou usando palavrões, favorecendo a redução dessas atitudes.
- Não brincar com um cachorro enquanto ele está latindo, diminuindo a atenção recebida e o comportamento indesejado.
Exemplos de castigo
- Dar trabalho extra a alunos que bagunçaram a aula, reduzindo interrupções.
- Retirar o videogame do filho(a) por não ter recolhido a roupa, desencorajando a repetição dessa atitude.
- Chamar a atenção de uma criança por notas baixas, reduzindo o número de más notas.
Condicionamento clássico e operante: diferenças
Outro tipo de condicionamento é o condicionamento clássico, desenvolvido por Ivan Pàvlov, que consiste em associar um estímulo incondicionado, ou seja, um estímulo que por si só já gera uma resposta, com um estímulo neutro, que por si só não gera resposta. Quando os estímulos são apresentados juntos repetidamente, o estímulo neutro passa a provocar uma reação após a associação. Exemplos ajudam a compreender melhor:
Exemplos de condicionamento clássico de Pavlov
- Um estímulo incondicionado (comida) provoca uma resposta (salivação dos cães) enquanto o estímulo neutro (ver o tutor) não provoca resposta (o cão não saliva).
- Os estímulos incondicionado e neutro (o tutor trazendo comida) são apresentados juntos repetidamente, associando o estímulo incondicionado ao neutro (associando o tutor à comida).
- Agora, o estímulo neutro (ver o tutor) também provoca resposta (salivação), então o cão saliva ao ver o tutor, independentemente de haver comida.
A principal diferença entre condicionamento clássico e operante é que o clássico se concentra em modificar o estímulo que provoca a conduta, enquanto o operante se concentra em modificar a conduta por meio de um estímulo.
Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
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- De la Mora Ledesma, J. G. (1979). Psicología del aprendizaje(Vol. 1). Editorial Progreso.
- Domjan, M. (2007). Principios de aprendizaje y conducta. Editorial Paraninfo.
- Tituana, S., & Dayse, B. (2017). Modificación de la conducta agresiva en niños, postulados de skinner según la teoría de condicionamiento operante, referente al castigo.
