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Autoestima na adolescência: o que é para a psicologia

 
Por Equipe editorial. 5 março 2019
Autoestima na adolescência: o que é para a psicologia

A autoestima é um elemento do autoconceito que se define como o valor que damos a nós mesmos. Se uma das tarefas próprias do desenvolvimento é a de construir um conceito de si mesmo, é essencial que ele tenha conotações positivas e ajustadas com a realidade.

É muito importante trabalhar as bases da autoestima e fomentar um bom autoconceito para poder desenvolver a autoestima na adolescência e nas demais fases da nossa vida. Nesse artigo de Psicologia-Online você encontrará tudo o que precisa saber sobre a autoestima na adolescência, sua evolução e impactos. Além disso, também te daremos técnicas de como melhorar a autoestima e o bem estar psicológico.

O que é autoestima

Está claro que o conhecimento que o sujeito constrói de si mesmo não é unicamente um conjunto de traços ou características sem repercussão em outros âmbitos. Mas então, o que é autoestima?

O que é autoestima para a psicologia

Podemos definir a autoestima como um conjunto de julgamentos que fazemos em relação a como somos. Esses julgamentos são associados, por sua vez, a um conjunto de emoções e sentimentos. Dizeres como "sou desajeitado em situações sociais" supõe uma análise em vários níveis:

  1. Uma comparação em relação a outras pessoas que são mais hábeis ou considerados mais inteligentes ou capazes.
  2. Podem trazer à tona pensamentos sobre o quão difícil (ou até impossível) é superar essas situações, já que em muitas ocasiões essas aptidões são vistas como características fixas do sujeito.
  3. Esses pensamentos e julgamentos também estão relacionados a sentimentos de incompetência, ansiedade etc.
  4. O indivíduo avalia a si mesmo fazendo comparações apenas com o que acredita sobre si e sobre os outros.

Mas, comparando com o que? O psicólogo americano William James afirma que o fundamento da autoestima é a distinção entre o eu real e o eu ideal, ou seja, entre o que o sujeito realmente é e o que ele pensa que deveria ser. Já o professor Edward Higgins vai mais além e estabelece um novo elemento para essa distinção: o eu deveria.

  1. O eu real, ou eu presente, é composto pelas representações que os indivíduos têm sobre o que são e os atributos que os caracterizam.
  2. O eu ideal é composto pelas representações do conjunto de atributos que os indivíduos gostariam de ter.
  3. O eu deveria é composto pelo conjunto de representações que os indivíduos consideram que deveriam ter. Segundo o autor dessa teoria, esse nível do eu se nutriria das expectativas e percepções sobre os direitos, obrigações e responsabilidades que os indivíduos acreditam que seriam bons para eles mesmos.

Parece evidente que o nosso sistema de crenças sobre nós mesmos tende a se comparar com outro sistema de representações sobre o que gostaríamos ou deveríamos ser. Essas comparações nos mostrarão a existência de discrepâncias entre ambos sistemas.

Tradicionalmente, se dizia que essas discrepâncias podiam ser geradoras de desajustes no indivíduo. Atualmente, no entanto, considera-se que ditas discrepâncias vão se criando, de forma natural e em diferentes magnitudes, ao longo do nosso desenvolvimento.

Autoestima na infância

Antes de falarmos da autoestima na adolescência, é importante explicar como ela se desenvolve durante os primeiros anos de vida de cada pessoa.

A capacidade para comparar o eu real e o eu ideal surge desde cedo. Antes dos sete anos, as crianças já são capazes de enumerar traços que as caracterizam e que coisas que as fazem sentir bem.

No entanto, sua autoestima está conformada por um conjunto de informações dispersas e desconexas. Assim, a criança pode dizer que é muito corajosa sem conectar esses traços ou habilidades com outras áreas mais gerais da sua atuação ou com sua personalidade.

Por isso, a psicóloga Susan Harter aponta que as crianças de idade pré-escolar ainda não possuem uma autoestima, mas sim um conjunto de "primeiras autoestimas".

Até os três anos, as crianças se veem como competentes de maneira em geral e expandem essa percepção a todas as áreas, físicas e intelectuais. Essa tendência está relacionada às informações que os pais e cuidadores lhes oferecem, que geralmente são bajuladoras e positivas e que vão ficando mais exigentes ao longo dos anos.

Até o final do período pré-escolar, a criança se torna muito mais sensível às avaliações que os adultos fazem sobre o seu modo de agir, seus pensamentos e suas emoções. A ideia que elas têm sobre seu próprio êxito ou fracasso está muito relacionada com a reação que pessoas mais velhas têm com suas ações.

Assim, os pequenos aprendem desde cedo que seu modo de agir é avaliado por outros e começam a antecipar as reações dos demais em relação a certas condutas. Essas avaliações acabam resultando em um elemento fundamental sobre as quais serão formadas as ideias que as crianças têm de si mesmas.

Por isso, enquanto uma criança pequena tende a começar um grande número de tarefas e ações e persistir sistematicamente nelas, durante os últimos anos do período pré-escolar ela já tende, ao contrário, abandonar determinadas condutas e tarefas explicitando porque não poderá fazê-las.

Isso indica a expressão de uma consciência maior das suas capacidades e se relaciona completamente com a importância atribuída às avaliações que os outros farão sobre o resultado de sua atuação.

Além disso, esse processo também mostra uma progressiva distinção entre habilidades ou capacidades e o esforço, de maneira que as crianças dessa idade vão entendendo que ter vontade de realizar um trabalho e realizá-lo propriamente dito não é necessariamente sinônimo de ter êxito nele.

Se os pequenos desenvolvem muito prematuramente essa noção, eles podem sofrer de baixa autoestima e insegurança e se tornar pessoas extremamente dependentes de comentários externos.

Autoestima na escola

As discrepâncias entre o eu real e o eu ideal tendem a aumentar a partir dos sete anos e continuar crescendo até a pré-adolescência. As crianças têm uma maior tendência e capacidade à autocrítica, o que resulta na revisão do seu autoconceito e interfere, como consequência, na sua autoestima na educação infantil.

Já entre os sete e onze anos, observa-se uma piora da autoestima que pode ser explicada por diversos fatores. Por um lado, o desenvolvimento do cognitivo permite aos pequenos novas capacidades para estabelecer de forma mais ajustada as diferenças entre o que eles gostariam de ser ou de poder fazer com o que realmente são ou fazem.

Mesmo assim, durante essa etapa da vida, as crianças têm uma noção mais realista de suas capacidades e limitações, ou seja, são menos positivas do que em fases anteriores, mas estão em maior contato com a realidade.

Um fator que influencia decisivamente nesta revisão do seu autoconceito e das suas repercussões na autoestima é, mais uma vez, o progresso próprio dessas faixas etárias em relação ao seu desenvolvimento social, como sua capacidade de inferir no que os outros pensam, sentem e esperam em relação à sua atuação e à importância que atribuem a cumprir ou negar ditas expectativas.

O processo de socialização no qual as crianças crescem resulta na aquisição de um conjunto férreo de normas e expectativas que acaba sendo assumido pelos jovens como próprio.

Até os sete ou oito anos, as crianças já internalizaram de forma muito consistente o que os demais esperam delas e conhecem um conjunto de normas e regras relacionadas a diversas ordens.

Autoconceito e autoestima

Para Higgins, essas normas e expectativas servem como uma potente fonte de comparação para as crianças em relação ao seu eu real. Com isso queremos dizer que essas internalizações seriam como "auto-guias" com o qual os pequenos podem comparar sua atuação e suas competências reais.

Com a idade, esses referenciais podem se modificar sempre e quando o sentimento de autonomia e independência for se desenvolvendo.

Outro aspecto fundamental que se desenvolve durante esse período é a formação de toda uma constelação de representações, muito influenciada por variáveis do entorno social da criança, sobre a possibilidade ou não de mudar suas competências e atuações.

Nesse sentido uma criança pode, por exemplo, pensar que é ruim em matemática e acreditar que a inteligência como ferramenta de compreensão de tal matéria é inata, ou seja, algo que nunca conseguirá alcançar.

Essas pautas de autoconceito mais infantis são um dos referentes para que os pequenos tenham uma autoestima baixa ou uma autoestima alta.

Por isso, pais carinhosos que demonstram interesse pelos diferentes aspectos do desenvolvimento de seus filhos e que expressam expectativas razoáveis e ajustadas às capacidades das crianças costumam gerar nelas um sentimento de autoavaliação positivo.

Esses pais e, no mundo acadêmico, os professores, conferem aos jovens uma sensação de independência e competência.

Já pelo contrário, pais repressivos, autoritários e excessivamente preocupados em comparar seus filhos com outras crianças tendem a gerar crianças com baixa autoestima, já que os pequenos assumem como real a necessidade de seguir modelos externos para "controlar" e "melhorar" seu comportamento e também acreditam que esses traços "errados" são permanentes ou com pouca chance de mudar.

Outro referente são as crianças da mesma idade. Nessas faixas etárias, os pequenos tendem a se comparar sistematicamente com os outros e a levar muito em conta suas opiniões e avaliações sobre eles mesmos.

A autoestima e autoconceito gerados durante esses anos e a sua avaliação são de grande importância para o desenvolvimento posterior do psicológico e emocional da criança. Muitas das ideias que uma pessoa tem sobre si mesma e que são adquiridas durante essa idade tornam-se dificilmente mutáveis.

Autoestima na adolescência: o que é para a psicologia - Autoconceito e autoestima

Baixa autoestima na adolescência

Durante a puberdade e os primeiros anos da adolescência, os jovens experimentam uma baixa autoestima que irá se recuperando progressivamente. Atualmente já se contam com algumas explicações para esse fenômeno.

Para alguns atores, como Symmons e Blyth, essa baixa autoestima se origina das mudanças biológicas que os adolescentes sofrem, da necessidade de ajuste do seu psicológico e também de uma maior consciência sobre os diversos aspectos da sua personalidade e do seu caráter.

Para outros profissionais da área, a mudança da escola primária para o ensino fundamental e depois médio origina em muitos dos jovens sensações de desassossego e desorientação por se tratar de uma passagem de um entorno confortável, controlado e no qual todos eram conhecidos e já tinham uma identidade própria para um ambiente de maior competitividade e com uma relação mais adulta com os professores.

Outra razão que também pode causar a baixa autoestima na adolescência é que o jovem une ao seu espectro de expectativas e comparações novos âmbitos, como o do amor e da competitividade em termos de estudo.

Isso traz consigo uma grande sensação de desorientação e insegurança. Durante a adolescência, uma das tarefas mais difíceis é a de "se encontrar".

Como apontam Katheleen Stassen e Ross Thompson, os adolescentes devem "se construir" como seres independentes do ambiente no qual se encontram, porém fazem isso junto com a necessidade de manter conexões com o passado.

Os jovens se empenham em ser autônomos, mas ao mesmo tempo sentem a necessidade de assegurar seu pertencimento a um grupo assumindo e aceitando valores, normas e princípios do mesmo.

Identidade e autoestima

Nessa etapa da vida, é de extrema importância a construção de uma identidade madura, que irá se refinando durante ela. A resolução desse processo tem um papel super relevante na autoavaliação dos adolescentes. Assim, o desenvolvimento da autoestima, do autoconceito e da identidade do adolescente é completamente necessário.

De acordo com as posturas tradicionais do psicólogo Erik Erikson, nas sociedades complexas, os adolescentes encontram-se submetidos a pressões diferentes que os levam a analisar seu eu real, seu autoconceito e promovem uma revisão destes e da autoestima a que está associada.

O modelo de Erikson supõe quatro estágios de desenvolvimento pessoal como o caminho a recorrer para alcançar uma identidade ajustada, mas também aponta que esse caminho não é linear e que nem todos conseguem alcançar essa identidade considerada como ótima.

De fato, durante a vida adulta, também se apresentam crises de identidade que podem indicar um regresso momentâneo do indivíduo a algumas fases de identidade não bem resolvidas.

Os sujeitos que estiverem nos primeiros estágios de desenvolvimento da identidade e autoestima costumam a ser indivíduos problemáticos e em permanente estado de crise de identidade e que, portanto, são suscetíveis a não se sentirem adaptados.

O contrário também ocorre com os indivíduos que evolucionam até o quarto estágio da teoria psicossocial do desenvolvimento de Erikson e que contam com um maior ajuste entre si mesmos e a realidade. Para o profissional, o período da adolescência já não é interpretado em términos de crise.

Como melhorar a autoestima

Um dos maiores desafios que enfrentamos a partir do estudo da autoestima é como melhorar a autoestima ou como recuperar a autoestima. Por isso, agora que temos toda a informação necessária, vamos te oferecer algumas dicas de como elevar a autoestima.

Na adolescência, os jovens têm que se integrar de forma madura em novos desafios e âmbitos que anteriormente pareciam distantes ou simplesmente inexistentes.

Uma identidade adequada, saudável psicologicamente e que se une a uma autoestima realista é aquela que define um indivíduo comprometido com valores e metas não impostas, mas escolhidas por ele mesmo.

Em todos os casos, tratam-se de indivíduos que indagam a realidade neles mesmos. Com pais que o apoiam e um ambiente familiar acolhedor psicologicamente falando, ou seja, com um lugar onde o adolescente possa expressar suas emoções, ideias e visões de realidade, o adolescente conta com uma fonte de gratificação e segurança que o incentiva a explorar seu entorno e a se sentir mais competente com a gestão da sua vida.

Como melhorar a autoestima na adolescência e na fase adulta

  • Fazer exercícios de diálogo interno: se preocupar com o que pensamos e dizemos sobre a nossa identidade e tentar enviar a nós mesmos mensagens e frases de autoestima positivas são técnicas muito importantes para manter uma boa autoestima.
  • Transformar a culpa em responsabilidade: todo mundo comete erros ao longo da vida, mas carregar o peso da culpa não é nada positivo. Por isso, transforme a culpa em responsabilidade para melhorar.
  • Realizar autocuidados: muitas vezes nos esquecemos de nos proporcionar a atenção e cuidados necessários, o que pode repercutir negativamente na nossa autoestima. Reserve um tempo para cuidar de você mesmo.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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