Terapia de casal

Phubbing: o que é e como afeta nossas relações

 
Ana Díaz Azorín
Por Ana Díaz Azorín. 23 dezembro 2022
Phubbing: o que é e como afeta nossas relações

Estamos imersos na era da tecnologia em que muitos adultos manifestam que não podem viver sem ela. Com a popularização generalizada dos dispositivos eletrônicos, especialmente dos celulares, surgiram novos conflitos interpessoais pois existem pessoas que começaram a usá-los de maneira problemática para elas e suas relações.

Alguma vez você ficou falando com alguém que estava distraído no celular? Teve a sensação de que estava mais interessado em seu telefone do que na conversa? Si esse é o caso, então te fizeram phubbing. Neste artigo de Psicologia-Online, falaremos do Phubbing: o que é e como afeta nossas relações. Descubra mais sobre esta nova realidade em que os celulares se intrometem, interrompem ou interferem na comunicação e interações do casal, da família e das amizades na vida cotidiana.

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Índice
  1. O que é phubbing
  2. Como o phubbing afeta nossas relações
  3. Como o phubbing afeta as relações de casal
  4. Como evitar o phubbing

O que é phubbing

O termo phubbing faz referência ao ato de interromper ou ignorar uma conversa pessoalmente para atender o telefone celular. As evidências científicas demonstraram que o phubbing é um comportamento bastante comum e normalizado na atualidade.

Dimmick, Feaster e Hoplamazian[1] apontam em um estudo que os celulares estão alterando nossas rotinas diárias e ocupando nosso tempo livre, devido à sua capacidade de satisfazer uma grande variedade de necessidades e servir para múltiplos propósitos.

Sendo assim, as características do celular propiciam o phubbing. Te mostraremos a seguir para que saiba identificá-las:

  • Tem diversas funcionalidades: calculadora, alarme, redes sociais, etc.
  • Constitui uma forma de entretenimento durante os tempos de ócio ou de espera.
  • Pode dar a sensação de se sentir valorizado/a quando se interage com outras pessoas através de chats ou redes sociais.

Mesmo que não se tenha dúvida que a tecnologia pode ser utilizada de muitas formas benéficas, como para se comunicar com pessoas que vivem longe, também é provável que seja prejudicial se não for usada corretamente. Particularmente, muitas pessoas mantêm os celulares por perto a todo momento, inclusive ao lado de sua cama enquanto dormem, o que fomenta a sensação de estar permanentemente conectado, a sobrecarga de informação, o incômodo ao ter que desconectar e/ou desligar o celular e a sensação de perda de controle.

Se você quer entender melhor estes efeitos e suas consequências, não perca este artigo sobre o vício em tecnologia.

Como o phubbing afeta nossas relações

Os celulares são tão populares e possuem características tão atraentes que algumas pessoas e famílias os estão começando a utilizar de maneira problemática e isso afeta a suas relações pessoais.

O mau uso da tecnologia se traduz em momentos nos quais os dispositivos tecnológicos se intrometem na comunicação e nas interações familiares, amizades e relacionamentos de casal, chegando a causar mal-entendidos e conflitos. O mais provável é que estes conflitos relacionais surjam porque o tempo dedicado aos celulares compromete o tempo que poderia ser dedicado à relação.

Um exemplo de phubbing poderia ser o fato deficar olhando as notificações quando um amigo está te contando um problema. Como podemos ver, este fenômeno se converteu em algo mais que uma falta de atenção ou de bons modos.

Você sabia que o vício em celular tem nome? Descubra mais sobre a nomofobia neste outro artigo.

Phubbing: o que é e como afeta nossas relações - Como o phubbing afeta nossas relações

Como o phubbing afeta as relações de casal

A quase onipresença dos celulares pode causar tensão nos relacionamentos de casal. Uma queixa comum é quando um dos membros se sente ignorado porque seu cônjuge não pode se desligar de seu celular. As interrupções frequentes ao ficar olhando para a tela fazem com que o/a companheiro/a se sinta desconectado/a e menos presente, o que reduz a qualidade da relação.

Em um estudo realizado na Universidade de Baylor, James Roberts e Meredith David[2]encontraram que os altos níveis de phubbing se associam com relações menos satisfatórias e mais conflitos no casal. Este efeito é ainda maior para aqueles membros do casal com ansiedade por abandono. Se você sente ansiedade nas relações de casal, descubra mais sobre esse assunto neste outro artigo.

Como se pode ver, o phubbing é especialmente problemático para as pessoas que se sentem inseguras em suas relações. Por que as pessoas recorrem aos celulares no lugar de seus/suas companheiros/as? As possíveis razões podem ser que encontram o celular mais divertido ou relaxante, se irritam ou se incomodam com o/a parceiro/a. E mais, se você está em um relacionamento que não satisfaz suas necessidades emocionais, é mais provável que recorra ao phubbing.

Como evitar o phubbing

A seguir, te explicaremos algumas estratégias para evitar o phubbing. Não perca!

  • Ser mais consciente: às vezes, se olha para o celular de maneira quase automática, sem prestar atenção. A chave para evitar o phubbing é se manter focado o maior tempo possível na interação com a outra pessoa e se desculpar se precisar olhar para o celular. Se você está no meio de uma conversa, faça o tempo juntos valer a pena. Não importa somente a quantidade, mas a qualidade, isto é, que sejam interações valiosas e úteis.
  • Estar presente no aqui e agora: é importante estar plenamente presente no momento e evitar se distrair da conversa. A falta de presença e compromisso no encontro tira a importância e enfraquece as interações. Quando estiver conversando, deixe o telefone ou o guarde no bolso. Isto te ajudará a se manter comprometido, consciente e concentrado no momento.
  • Ser aberto e transparente: para iniciar e manter uma boa conexão com outra pessoa, é importante escutar e falar com ênfase. Ser aberto, honesto e transparente te ajudará a criar conexões de maior qualidade com outras pessoas. Se você está procurando esconder seus sentimentos, é provável que gere confusão na outra pessoa e ela te perceba como distante.
  • Pratique a escuta ativa: permita assimilar o que a pessoa que está falando te transmite, coloque em suas próprias palavras e dê feedback. Além disso, a escuta ativa dá lugar a possíveis esclarecimentos e nuances que enriquecem a conversa.

O que fazer quando alguém te faz phubbing

Se é com você que fazem phubbing, deve saber que existem várias formas de abordar a situação. Te mostraremos a seguir:

  • Não ignore o phubbing quando acontece: tão logo alguém te faça phubbing, coloque sobre a mesa e o torne óbvio, sempre de uma maneira empática e sem exageros. Isto permitirá à pessoa saber que a conversa que estavam tendo não está avançando, que não vai ignorar sua distração, mas também é importante que esteja disposto a ser flexível.
  • Retome a conversa quando não houver distrações: é importante transmitir a mensagem de que seu tempo e sua atenção são importantes. Se seu interlocutor está distraído com seu celular, pode oferecê-lo retomar a conversa em outro momento. É uma maneira suave, porém eficaz, de resolver a situação, já que gera consciência no phubber de que seu comportamento repercute nos outros.
Phubbing: o que é e como afeta nossas relações - Como evitar o phubbing

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Referências
  1. Dimmick, J., Feaster, J. C., & Hoplamazian, G. J. (2011). News in the interstices: The niches of mobile media in space and time. New media & society, 13(1), 23-39.
  2. Roberts, J. A., & David, M. E. (2016). My life has become a major distraction from my cell phone: Partner phubbing and relationship satisfaction among romantic partners. Computers in human behavior, 54, 134-141.
Bibliografia
  • Coyne, S. M., Stockdale, L. Busby, D., Iverson, B., & Grant, D. M. (2011). I luv u :): A descriptive study of the media use of individuals in romantic relationships. Family Relations, 60, 150–162.
  • Middleton, C. A., & Cukier, W. (2006). Is mobile email functional or dysfunctional? Two perspectives on mobile email usage. European Journal of Information Systems, 15(3), 252–260.
  • Tomasulo, D. (2018). Beautiful thinking in action: Positive psychology, psychodrama, and positive psychotherapy. The Journal of Psychodrama, Sociometry, and Group Psychotherapy, 66(1), 49-67.
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