Vício em tecnologia: sintomas, consequências e tratamento
Atualmente, o uso da tecnologia representa um enorme potencial comunicativo, criativo e educativo. No entanto, o uso excessivo pode acarretar riscos e consequências, conduzindo a pessoa a um vício em tecnologia.
O vício pode afetar qualquer idade, mas os adolescentes são especialmente vulneráveis, uma vez que as novas gerações nascem com os meios digitais fazendo parte do seu dia a dia e do seu desenvolvimento, sendo a principal fonte de informação, socialização e comunicação. Por isso, é necessário conhecer os possíveis riscos e consequências que o uso excessivo acarreta para poder evitar e tratar o vício o mais rápido possível.
Dentro do vício em tecnologia, podemos encontrar o vício em videogames, Internet, redes sociais, a nomofobia, etc. Se você tem interesse em continuar conhecendo mais detalhes sobre o vício em tecnologia, continue lendo este artigo de Psicologia-Online onde explicaremos o vício em tecnologia: sintomas, consequências e tratamento.
- Vício em tecnologia: o que é
- Vício em tecnologia no Brasil
- Vício em videogame
- Vício em Internet
- Vício em redes sociais
- Nomofobia
- Vício em tecnologia: sintomas
- Vício em tecnologia: causas
- Vício em tecnologia: consequências
- Vício em tecnologia: tratamento
Vício em tecnologia: o que é
Quando pensamos em vício, relacionamos o conceito com o consumo de uma substância nociva que implica o desenvolvimento de tolerância, dependência e abstinência, as quais surgem da necessidade de consumir essa substância para enfrentar um novo dia, impedindo sensações de mal-estar emocional e/ou físico.
Quando falamos de vício em tecnologia, tratamos de adaptar esses termos ao conceito de tecnologia, pois os instrumentos tecnológicos podem levar à perda de controle do comportamento da pessoa. Esta tenta aliviar o seu mal-estar emocional através das tecnologias de forma sistemática, tornando-as um refúgio e gerando a necessidade de acessá-las para combater o mal-estar.
Para ser considerado um comportamento viciante, deve acontecer a perda de controle do comportamento, sob o qual a pessoa não pode estar sem o elemento que gera o vício (as redes sociais, Internet, videogames…), gerando assim a dependência desses elementos e causando sentimentos de ansiedade, irritabilidade, depressão e desespero quando não pode usá-los. Surge então o conceito de abstinência, e cada vez é necessário mais tempo de uso, o que também aumenta a sua tolerância.
Vício em tecnologia no Brasil
Nas últimas décadas, houve um grande avanço das TIC, as tecnologias da informação e comunicação. Esse avanço resultou em um crescimento exponencial destas, aumentando a diversidade e especificidade dos diferentes dispositivos e seus usos, aliado à facilidade de acesso.
Esses avanços oferecem muitas vantagens na nossa sociedade, mas também exigem uma adaptação dos nossos hábitos cotidianos, que nem sempre é saudável, pois podem surgir maus hábitos no uso da tecnologia atual, podendo mesmo atingir um vício comportamental. Assim, a diversidade e especialização que atingiram, bem como a possibilidade de acessá-las de qualquer lugar, tornaram-se os fatores de risco mais catalisadores do seu vício.
O vício em tecnologia é um termo muito abrangente. Por isso, explicaremos alguns tipos de vício em tecnologia, os mais comuns, como o vício em videogames, Internet, redes sociais e a nomofobia.
No Brasil, o impacto das tecnologias é muito visível, com um aumento significativo no uso de smartphones e redes sociais, o que coloca a população, especialmente os jovens, em uma zona de risco para o desenvolvimento de vícios tecnológicos.
Vício em videogame
O vício em videogame já é atualmente reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como um distúrbio de saúde mental. É reconhecido como um vício, não tóxico, que faz parte dos vícios de comportamento, onde se estabelece um comportamento que não se pode controlar. A pessoa desenvolve uma dependência muito intensa do videogame, onde perde a noção do tempo e o controle sobre a duração e a frequência com que joga. Assim, quando a pessoa não pode jogar, podem surgir sentimentos de ansiedade, estresse e alterações no comportamento alimentar e no sono. Os videogames se tornam o refúgio dessas pessoas, que buscam realidades alternativas, provocando, como consequência, um certo isolamento social e uma perda das relações pessoais.
Estudos indicam que esse tipo de vício pode afetar o desempenho acadêmico e profissional, além de prejudicar o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais. Portanto, é crucial que haja um equilíbrio no uso de videogames para evitar esses problemas.
Vício em Internet
Quando falamos de vício em compras na Internet, vício em sexo na Internet ou em jogo online, referimo-nos a vícios independentes que usam como meio a Internet para acessar o elemento aditivo com mais rapidez e de forma anônima. O vício em Internet não é em Internet em si, mas naquilo que se pesquisa através desta ferramenta. No entanto, existe gente que desenvolve uma dependência do conceito de Internet de forma geral, graças ao número inesgotável de formas de se comunicar e pelas novas possibilidades que oferece no dia a dia. A Internet é um instrumento de interação, trabalho, informação, lazer, etc., que pode implicar muitas vantagens, mas pessoas viciadas em Internet ficam absortas na rede, trocando sua realidade exterior pela virtual. Por conseguinte, estabelece-se um padrão comportamental abusivo do uso de Internet, abandonando as atividades que a pessoa gostava, a pesquisa de informações desde outros meios, as relações pessoais e negligenciando as diferentes obrigações e responsabilidades.
A grande diversidade que a Internet oferece (poder ouvir música, ver vídeos, pesquisar informações, visitar redes sociais, descarregar filmes…) é o que gera a sua dependência, pois pode satisfazer qualquer necessidade que a pessoa tenha.
Além disso, o fácil acesso a conteúdos inadequados também pode levar a comportamentos prejudiciais, como o cyberbullying e a exposição a material violento ou pornográfico, o que pode ter efeitos devastadores, especialmente em jovens.
Vício em redes sociais
Atualmente, as redes sociais mudaram a forma de comunicação entre as pessoas. Cada indivíduo utiliza as redes sociais para diferentes finalidades, como falar com amigos, conhecer gente nova, espalhar notícias, promover um trabalho, etc. Fazendo um uso correto, podem contribuir para um grande número de vantagens. No entanto, cada vez mais, as redes sociais são usadas para criar identidades falsas, mostrando o que se considera que será bem visto pelos outros, buscando uma aprovação constante. Com o tempo, a necessidade da validação dos outros pode acarretar graves problemas de autoestima, pois a pessoa torna-se dependente das opiniões alheias. Por isso, o vício em redes sociais está muitas vezes relacionado com um baixo conceito de si mesmo, o qual se tenta substituir com mudanças da própria identidade mostradas na rede. Neste vício, o componente viciante se baseia na rapidez de resposta, na recompensa imediata e na interatividade que oferecem as redes sociais, ocasionando afastamento da realidade, problemas de autoestima, dificuldade de controle e aparecimento de ansiedade quando não é possível usá-las.
Estudos mostram que o uso excessivo de redes sociais pode também afetar negativamente o sono e a saúde mental em geral, aumentando os níveis de ansiedade e depressão.
Nomofobia
O termo nomofobia vem de "no-mobile-phone-phobia". O significado de nomofobia refere-se à ansiedade que a pessoa sente quando não pode dispor do seu celular, o que a enche de sensações de incomunicação, seja porque a bateria acabou, deixou o celular em casa, ou o aparelho quebrou, etc. Por isso falamos de uma vício em celular que está relacionado com uma fobia devido aos intensos sentimentos de ansiedade e obsessão que surgem na ausência do aparelho e que desaparecem quando a pessoa volta a ter o celular.
Pesquisas indicam que a nomofobia pode afetar não apenas a saúde mental, mas também a produtividade no trabalho e nos estudos, já que a constante verificação do celular pode interromper tarefas e reduzir a capacidade de concentração.
Vício em tecnologia: sintomas
Os sintomas do vício em tecnologia categorizados como físicos são os seguintes:
- Tensão ocular
- Perda de audição
- Dor nas costas
- Síndrome do canal cárpico
- Vibração fantasma
- Síndrome de de Quervain
- Insônia adolescente
- Dependência exclusiva
- Rizartrose do polegar
- Infertilidade
- Obesidade infantil e juvenil
Por outro lado, os sintomas do vício em tecnologia de tipo psicológico são os seguintes:
- Isolamento
- Comportamento alterado e compulsivo
- Ansiedade e irritabilidade
- Problemas de comunicação
- Empobrecimento da linguagem
- Sensibilidade a julgamentos e avaliações dos outros
- Baixa autoestima
- Desempenho escolar fraco
- Depressão
Além destes, podem surgir sintomas como dificuldades de concentração, procrastinação e uma tendência a evitar responsabilidades e interações sociais.
Vício em tecnologia: causas
A origem do vício em tecnologia tende a ser semelhante ao do início do consumo de substâncias. A pessoa, face a um mal-estar emocional e físico, busca um refúgio nas tecnologias, para atenuar diferentes situações, como podem ser acontecimentos dolorosos, ansiedade social, momentos vitais de estresse, problemas no ambiente familiar, problemas de autoestima, etc.
Perante este conjunto de problemáticas, a pessoa busca nas novas tecnologias uma nova realidade na tela. Este processo está normalizado, uma vez que é muito diferente aos olhos das pessoas buscar refúgio em uma substância tóxica e em uma distração como pode ser um videogame que, à primeira vista, não é prejudicial para a nossa saúde. Além de tudo isso, soma-se o acesso imediato, a falta de limites e a gratificação de recompensas imediatas, como as "curtidas" em redes sociais, o que conduz ao desenvolvimento do comportamento viciante.
Também é importante considerar o papel das pressões sociais e expectativas culturais, que podem levar indivíduos a buscar alívio ou validação através da tecnologia, exacerbando o ciclo de dependência.
Vício em tecnologia: consequências
As consequências derivadas do abuso das novas tecnologias podem ser muito diversas, considerando os sintomas físicos e psíquicos, como mencionamos anteriormente.
Vício em tecnologia pode fazer mal à saúde?
As consequências do vício em tecnologia podem ir desde problemas de saúde como a obesidade, até problemas psicológicos como atingir uma depressão. No entanto, uma das principais repercussões do vício em tecnologia é o isolamento social que produzem e a absorção em uma realidade imaginária, que mesmo permitindo interações, faz com que se tornem mais insensíveis e distantes, podendo gerar grandes sentimentos de solidão e depressão.
Além disso, o vício em tecnologia pode impactar negativamente o desempenho acadêmico e profissional, levando a uma diminuição da produtividade e um aumento do absenteísmo. Em casos extremos, pode haver perda de oportunidades de carreira e dificuldades em manter relacionamentos pessoais saudáveis.
Vício em tecnologia: tratamento
A pedra angular do tratamento em vícios se fundamenta em compreender que o problema não recai no objeto de vício, quer seja nas redes sociais ou em uma substância, mas na pessoa. Diante disso, o tratamento deve se adaptar a cada pessoa e pode ser realizado tanto individualmente como em conjunto, com sessões que variam entre 12 e 16 meses de duração. O tratamento do vício em tecnologia deve abranger todas as áreas da pessoa, considerando a família, seu ambiente social, laboral ou acadêmico e seu espaço pessoal.
No trabalho pessoal, é importante trabalhar, por meio de um processo de psicoterapia, aspectos como a autoestima, a aceitação de si mesmo ou o aperfeiçoamento em habilidades sociais e em resolução de conflitos.
No que diz respeito à família, é fundamental que ela colabore neste processo, embora a implicação familiar seja diferente conforme o caso. Geralmente, costumam-se redistribuir as responsabilidades familiares, trabalhar a comunicação e confiança entre os membros da família, estabelecer controle e limites sobre o uso do objeto do vício, e propor estratégias para a resolução de conflitos.
Tratando-se de vícios que tendem a aparecer na adolescência ou juventude, o ambiente de amizades é muito importante, pois tem muita influência. O problema recai em que muitas das amizades se estabelecem mediante Internet, o que pode levar a pessoa a entrar em grupos sociais indutores de riscos. Esses grupos online poderiam impedir o desenvolvimento do tratamento do vício em tecnologia, de modo que deve-se estabelecer um controle. É importante que a pessoa recupere o contato com prévias amizades ou faça novos amigos, que constituam um apoio.
Com relação ao objeto viciante, deve-se realizar um conjunto de fases. Em primeiro lugar, como ocorre no vício em substâncias tóxicas, é necessário provocar um período de "abstinência", ou seja, que a pessoa deixe de utilizar totalmente o objeto que gera a adição. Posteriormente, poderá utilizá-lo com o controle de outra pessoa, até que finalmente aprenda a usá-lo controladamente.
Como evitar o vício em tecnologia? Para tal, é importante realizar um processo psicoeducativo onde a pessoa compreende que é um instrumento necessário na nossa sociedade, mas também que deve ser usado adequadamente e aprender a utilizá-lo com moderação.
Adicionalmente, promover atividades que não envolvam o uso da tecnologia, como esportes, leitura ou encontros presenciais, pode ajudar a reduzir a dependência e a desenvolver habilidades sociais e emocionais saudáveis.
Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
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- Caro, M. (2017). Adicciones tecnológicas: ¿Enfermedad o conducta adaptativa? Medisur, 15, 10.
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