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Classificação das drogas e seus efeitos

 
Por Anna Badia Llobet, Psicóloga e redatora. 28 novembro 2019
Classificação das drogas e seus efeitos

As drogas são substâncias que modificam o funcionamento normal do sistema nervoso e criam dependência. Atualmente, o consumo de drogas é considerado um problema importante de saúde na população. No entanto, nem todas as drogas são iguais nem produzem os mesmos efeitos. Que tipos de drogas existem? Existem diferentes tipos de drogas, agrupadas de acordo com diferentes critérios de classificação. Como classificam as drogas? Neste artigo de Psicologia-Online: classificação das drogas e seus efeitos de acordo com a OMS, aprofundaremos as principais classificações usadas para agrupar as drogas, especialmente, a classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde.

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O que são drogas

O que é uma droga? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), "uma droga é toda substância que, introduzida no organismo por qualquer via de administração, produz uma alteração do funcionamento natural do sistema nervoso central (SNC) do indivíduo e, além disso, é suscetível a criar dependência, seja psicológica, física ou ambas."[1] Além disso, as drogas ou substâncias psicoativas são capazes de modificar a consciência, o humor e o pensamento de uma pessoa.

Vamos detalhar essa definição de drogas dada pela OMS:

  1. As drogas são substâncias, portanto, as toxicodependências são as dependências de uma substância. No entanto, existem outras dependências comportamentais, como por exemplo, o jogo patológico.
  2. São todas as substâncias que afetam o SNC e criam dependência. Essas substâncias podem ser tanto naturais como artificiais, e também legais ou ilegais.
  3. As drogas podem ser introduzidas no organismo por qualquer via de administração. Ou seja, elas podem ser ingeridas pela via oral, podem ser fumadas, podem ser injetadas para entrar por via intravenosa e também podem ser "cheiradas" ou aspiradas pelo nariz.
  4. Alteram o sistema nervoso central, portanto, podem excitar, tranquilizar, acalmar a dor ou distorcer a percepção da realidade.
  5. Drogas criam dependência, ou seja, todas as drogas têm a capacidade de gerar dependência. A dependência é entendida como a necessidade de consumir a droga e apresenta uma série de sintomas que sugerem que a pessoa perdeu o controle sobre o consumo da substância e continua consumindo-a mesmo conhecendo suas consequências adversas.

Classificação das drogas

Como as drogas são classificadas? As drogas ou substâncias psicoativas podem ser classificadas de acordo com diferentes parâmetros como, por exemplo, de acordo com sua origem ou procedência, de acordo com sua estrutura, por seus efeitos no comportamento, pelo perigo à saúde ou por seu impacto social. Como vemos, existem diferentes critérios para agrupar as drogas, mas neste artigo focaremos na classificação mais aceita e outras classificações usuais:

  • Classificação de drogas e seus efeitos: de acordo com o efeito que as substâncias produzem no sistema nervoso central, classificação mais adequada de acordo com a OMS.
  • Classificação de drogas e sua legalidade: de acordo com a legalidade de produzir, possuir, comercializar ou consumir as substâncias.
  • Classificação de drogas mais perigosas para a saúde: De acordo com o perigo das substâncias, uma classificação popular.

Tipos de drogas de acordo com a sua legalidade

Uma classificação das drogas se baseia no critério da legalidade das substâncias. A legalidade refere-se à legislação de cada país. Desta forma, encontramos dois grandes tipos de drogas:

Drogas legais

As drogas legais são aquelas substâncias psicoativas que são permitidas, ou seja, cujo uso não é penalizado por lei. A legalidade das drogas varia conforme as leis de cada país, além disso, pode ser legal o consumo de certa substância, mas não a venda da mesma.

Por outro lado, a legalidade das drogas não corresponde à sua periculosidade. Embora sejam legais, o abuso das drogas é perigoso e prejudicial à saúde. Tanto é que, em nossa sociedade, as drogas que mais são consumidas e provocam mais problemas de saúde são, precisamente, as drogas legais como o tabaco e álcool. As drogas legais são:

  • O álcool. Essa é a droga que tem maior aceitação social. Na Espanha, seu consumo é legal somente após os 18 anos de idade.
  • A nicotina. O tabaco é uma das drogas mais consumidas. Gera dependência, que pode ser avaliada com o Teste de Fagerström.
  • A cafeína. A cafeína tem efeitos no sistema nervoso, portanto, pode ser considerada uma substância psicoativa. No entanto, seus efeitos são muito menores e seu consumo em quantidades normais não é perigoso. A cafeína é encontrada principalmente no café, mas também em refrigerantes.
  • A teobromina e a teofilina. Do mesmo modo que a cafeína, não são perigosas em quantidades normais. Elas podem ser encontradas em chás e no chocolate.
  • Os fármacos. Principalmente os psicofármacos, os quais alteram o SNC. Entre eles, estão os benzodiazepínicos e as anfetaminas (mediante receita médica). O uso dos fármacos é medicinal e devem ser utilizados com controle médico.

Drogas ilegais

As drogas ilegais são aquelas substâncias psicoativas cujo uso não está permitido pela lei do país. É possível que o consumo seja permitido em algumas circunstâncias, mas a venda é penalizada. As drogas ilegais são o restante das drogas. Entre as drogas ilegais mais consumidas estão:

  • A maconha. É considerada a droga ilegal mais consumida. É obtida da planta do cânhamo chamada cannabis sativa. Seu princípio ativo é o tetrahidrocanabinol.
  • O haxixe. É obtido a partir da resina da mesma planta e compartilha do mesmo princípio ativo.
  • A cocaína. Essa droga ilegal é obtida das folhas de coca chamada erythroxylum coca. Além de consumi-la, também é ilegal cultivá-la e vendê-la.
  • A MDMA. É conhecido como ecstasy e é ilegal devido aos perigos e graves consequências que seu uso traz para a saúde.
  • As anfetaminas ou speed. São consideradas ilegais quando usadas sem controle médico para fins recreativos.
  • A heroína. É ilegal fabricá-la, vendê-la e estar de posse dessa substância. Ela tornou-se ilegal depois de observar suas sérias consequências.
  • A fenciclidina ou PCP. Embora tenha sido utilizada para fins analgésicos, hoje em dia é uma droga ilegal.
  • O LSD ou dietilamida de ácido lisérgico. Tinha uso psiquiátrico, mas tornou-se ilegal devido aos seus efeitos alucinógenos.
  • A cetamina. É usada para fins anestésicos, mas também tornou-se ilegal por seus efeitos alucinógenos.
  • O popper ou nitrito de amila. É um vasodilatador que tornou-se ilegal após ser consumido com fins recreativos.
  • Os cogumelos alucinógenos. Contêm psilocibina e psilocina e são ilegais porque produzem alucinações.

Classificação das drogas pelos efeitos no sistema nervoso central

Agrupar as substâncias de acordo com seu efeito no sistema nervoso central é considerada a forma mais correta de classificar as drogas. Essa classificação é a proposta pela Organização Mundial da Saúde e separa as substâncias psicoativas em depressoras, estimulantes e perturbadoras. Os três tipos de drogas são explicados a seguir:

Drogas depressoras

As drogas depressoras são as substâncias que diminuem a atividade do SNC. Elas fazem isso reprimindo as estruturas pré-sinápticas, conseguindo que a quantidade de neurotransmissores seja menor, diminuindo também a função dos receptores pós-sinápticos. Os principais grupos de substâncias depressores do SNC são:

  • Os sedativos/hipnóticos
  • Os opioides
  • Os neurolépticos

Alguns exemplos de drogas depressoras são:

  • O álcool
  • A cannabis
  • Os benzodiazepínicos
  • A heroína

As drogas estimulantes

As drogas estimulantes são substâncias que estimulam a atividade do SNC. Elas fazem isso bloqueando a inibição ou estimulando diretamente os neurônios. A estimulação é explicada pelo aumento da despolarização neural, o aumento da quantidade de neurotransmissores (NT) disponíveis, o alongamento da ação dos NT, a fraqueza da membrana neural e a diminuição do tempo de recuperação sináptica. Dessa forma, podem provocar sintomas como taquicardia, dilatação da pupila, transpiração, aumento da tensão arterial, etc. Também podem ser chamadas de simpatomiméticas. As drogas estimulantes são as seguintes:

  • As anfetaminas
  • A cocaína
  • A cafeína
  • A teobromina e a teofilina
  • A nicotina

A drogas perturbadoras

As drogas perturbadoras do SNC são aquelas substâncias capazes de modificar a atividade psíquica e produzir alterações na percepção, como alucinações, bem como alterar o estado de humor e os processos de pensamento. Alguns exemplos de drogas perturbadoras são:

  • O LSD
  • Os alucinógenos
  • A cannabis
  • A MDMA
  • A cetamina

Classificação das drogas populares

Existe uma maneira popular e coloquial de classificar em dois tipos as drogas: pesadas ou leves. Essa classificação é feita de acordo com a percepção de perigo, impacto social e na saúde. No entanto, essa classificação não é considerada adequada, pois induz ao erro ao subestimar o risco do álcool, do tabaco e da cannabis.

As drogas leves

As drogas consideradas leves são as que são mais aceitas socialmente, pois são percebidas como menos prejudiciais. Algo totalmente equívoco, como já comentamos antes, o tabaco e o álcool são as drogas que mais provocam custos à saúde. Embora algumas das drogas leves não produzam dependência física, elas produzem dependência psicológica. São consideradas drogas leves:

  • O tabaco
  • O álcool
  • A maconha
  • O haxixe
  • Os esteroides anabolizantes
  • A cafeína
  • O popper

As drogas pesadas

As drogas consideradas pesadas são percebidas com maior impacto social e à saúde, pois seu consumo é mais perigoso à curto prazo. A esse tipo de drogas correspondem:

  • Os psicofármacos
  • A heroína
  • A morfina
  • A cocaína
  • As anfetaminas
  • O MDMA ou ecstasy
  • O LSD
  • Os cogumelos alucinógenos
  • O PCP
  • A cetamina
  • Os barbitúricos
  • A metadona

Tipos de drogas de acordo com os modelos psicanalíticos

Seguindo esse critério, foram propostos os seguintes tipos de drogas:

  • Álcool e barbitúricos.
  • Anfetaminas.
  • Cannabis (maconha, haxixe).
  • Cocaína.
  • Alucinógenos (LSD e similares).
  • Opiáceos
  • Solventes voláteis (colas, produtos industriais)
  • Tabaco.

Nos modelos com maiores índices de reabilitação e manutenção da abstinência de drogas e álcool, as posições psicanalíticas não são utilizadas e não são incluídas as posições clássicas de S. Freud e J. Lacan porque são sistemas de psicoterapias prolongadas, que não possuem o objetivo psicológico de mudar o comportamento ou eliminar um hábito ou dependência e, portanto, a eficácia é ainda mais limitada.

A complicação do tratamento psicanalítico faz com que, na abordagem da dependência em cocaína, os especialistas utilizem criatividade e a improvisação em muitas situações para tentar ajudar o paciente. Os resultados alcançados pelas correntes psicodinâmicas têm sido infelizes, sua teoria e metodologia não estão configuradas para o tratamento de alterações e transtornos humanos dessas características. Conhecemos consideráveis casos de psiquiatras e psicanalistas que tentam o tratamento psicológico de consumidores de drogas com a mesma metodologia psicodinâmica, sem conseguir que abandonem o consumo.

Durante a abordagem psicoterapêutica de um viciado ou usuário de drogas, o primeiro objetivo é a urgência necessária que existe para interromper o consumo da substância, essa é a prioridade porque enquanto o indivíduo consome qualquer droga ou cocaína, sua saúde e das outras pessoas próximas e alheias a ele correm riscos de saúde. É muito útil e inadiável orientar e trabalhar com o presente da pessoa porque será o único que pode gerenciar e modificar como, por exemplo, com as técnicas da terapia cognitivo-comportamental.

Efeitos das drogas

As drogas são substâncias químicas. Quando consumidas, chegam à corrente sanguínea e, a partir dali, se deslocam para todo o organismo, incluindo o cérebro. Quando atingem o cérebro, as drogas podem produzir diferentes efeitos. Como vimos nas seções anteriores, podemos diferenciar três tipos de efeitos das drogas no cérebro ou SNC: podem estimular, podem relaxar ou podem alterar os sentidos.

  • O efeito das drogas estimulantes é produzir a sensação de estar acordado ou ter bastante energia, além de euforia, desinibição, falta de controle emocional, agressividade, falta de sensação de cansaço, excitação psicomotora e irritabilidade.
  • O efeito das drogas depressoras é sedativo, portanto, afetam na diminuição da percepção dos estímulos, relaxando e proporcionando a sensação de bem-estar e tranquilidade.
  • O efeito das drogas perturbadoras ou alucinógenas são as distorções na percepção, a alteração do humor e do pensamento. Provocam a alteração dos sentidos de maneira que podem ter sensações irreais.

Existem muitos tipos de drogas e cada droga produz seu efeito em particular. Em termos gerais, podemos dizer que a maioria das drogas produzem dependência química, embora esse não seja o único perigo. A dependência química tem muitas consequências. As drogas afetam negativamente na capacidade de tomar decisões que causam os comportamentos de risco sob seus efeitos. Em geral, as drogas podem causar doenças, problemas psíquicos, problemas familiares, sociais, legais e até mesmo a morte. Por isso que é tão importante prevenir a dependência química.

Classificação das drogas (OMS): esquema resumido

Essa imagem é um resumo esquemático da classificação dos tipos de drogas de acordo com a Organização Mundial da Saúde, perfeita para estudar ou revisar:

Classificação das drogas e seus efeitos - Classificação das drogas (OMS): esquema resumido

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Referências
  1. Organización Mundial de la Salud (2004): Neurociencia del consumo y dependencia de sustancias psicoactivas.
Bibliografia
  • Berruecos Villalobos, L. (2010). Drogadicción, farmacodependencia y drogodependencia: definiciones, confusiones y aclaraciones. Cuicuilco, 17(49), 61-81.
  • Hourmilougué, M.C. (1997). ¿Qué es una droga?
  • Kramer, J. F., Cameron, D. C., & World Health Organization. (1975). Manual sobre la dependencia de las drogas: compilación basada en informes de grupos de expertos de la OMS y en otras publicaciones de la OMS.
  • Maturana, A. (2011). Consumo de alcohol y drogas en adolescentes. Revista Médica Clínica Las Condes, 22(1), 98-109.

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