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Comportamento pró-social: o que é, características, tipos e como desenvolvê-lo

 
Por Gianluca Francia, Psicólogo. 20 outubro 2021
Comportamento pró-social: o que é, características, tipos e como desenvolvê-lo

Algumas pessoas tem a tendência de se encarregar do bem-estar dos demais mais do que outras, espontaneamente e independentemente das circunstâncias e dos destinatários, às vezes às custas de sacrifícios e riscos pessoais consideráveis.

Não apenas pessoas candidatas à santidade como a Madre Teresa de Calcutá, mas também indivíduos comuns, que nas mais variadas circunstâncias não hesitam em colocar suas vidas em perigo para proteger a dos demais. Mesmo que possa parecer difícil em uma sociedade como a atual, tão orientada à competição e ameaçada pela discórdia, é certo que quem se ocupa de ajudar os outros faz bem a si mesmo também.

O fazer o bem não é por acaso, mas intencional e, dessa forma, reflete a organização de estruturas emocionais, cognitivas e motivacionais, como sentimentos, convicções de eficácia, valores, expectativas, fins. Neste artigo de Psicologia-Online nos aprofundaremos sobre o que é o comportamento pró-social, suas características, os diferentes tipos e como desenvolvê-lo.

O que é comportamento pró-social

Mussen e Eisenberg (1985) definiram o comportamento pró-social em termos de "ações destinadas a ajudar ou beneficiar outra pessoa ou grupo de pessoas, sem esperar recompensas externas". Portanto, uma ação pró-social é qualquer comportamento levado a cabo por um indivíduo ou um grupo e dirigido a melhorar ou bem-estar de outras pessoas ou de um grupo de pessoas, ou a reduzir seu sofrimento ou a melhorar as relações, é comportamento orientado a ajudar os outros.

No âmbito da reflexão e da pesquisa psicossocial, o interesse pelo comportamento pró-social é relativamente recente: o período de maior expansão da pesquisa sobre este tema se situa nos anos sessenta e no início dos anos oitenta do século passado.

O início foi determinado, sobretudo nos Estados Unidos, pelo aumento de fenômenos delitivos, em particular nas grandes cidades: uma série de casos de grande comoção pelo fato de que alguns transeuntes ou observadores presenciaram episódios de violência sem prestar ajuda às vítimas desesperadas. A opinião pública foi questionada sobre o desaparecimento das normas sociais e a decadência dos tempos.

O episódio emblemático que chamou a atenção da opinião pública e dos psicólogos foi o assassinato de Kitty Genovese, ocorrido em 3 de março de 1964 em Kew Gardens, Queens, um subúrbio de Nova York.

Exemplos do comportamento pró-social

Mais especificamente, as expressões "comportamento pró-social" ou "prossocialidade" são utilizadas para indicar uma ampla gama de comportamentos ou condutas destinada a beneficiar outras pessoas além de si mesmo, como por exemplo:

  • A ajuda
  • O consolo
  • A doação
  • O cuidado
  • O compartilhar

Ações que se traduzem concretamente em ajuda física, apoio verbal, escuta: comportamentos destinados a beneficiar a outra pessoa e que possam ter como base motivações altruístas, egoístas ou mistas.

Características do comportamento pró-social

A maioria dos psicólogos acreditam que qualquer comportamento voluntário que beneficie outras pessoas tem direito de ser reconhecido como pró-social. Uma ampla categoria de comportamentos, caracterizados pela intenção de fazer um favor a outra pessoa e da liberdade de escolha (por exemplo, a ausência de obrigações profissionais), na qual se situam também comportamentos que possam ser classificadas como altruístas.

Critérios para considerar uma ação pró-social:

  1. O ato deve beneficiar um indivíduo, ou mais indivíduos, ou um grupo de indivíduos.
  2. O agente ou emissor do comportamento não é obrigado a praticá-lo.
  3. O comportamento deve ser gratuito, isto é, espontâneo, não solicitado pelo outro indivíduo.

Tipos de comportamento pró-social

Os psicólogos sociais, no entanto, não desenvolveram teorias específicas para o estudo do comportamento pró-social, mas trataram de compreender este fenômeno, seja dentro de teorias clássicas e microteorias já existentes, validando sua leitura com dados de pesquisa, ou a partir de teorias propostas por outras disciplinas. A seguir, um resumo da concepção do comportamento pró-social segundo as diferentes teorias:

  • Teoria da aprendizagem social: comportamento aprendido de outros, por imitação, adaptando-se a uma situação existente.
  • Teoria das normas sociais: resultado das normas do dar e da responsabilidade social.
  • Teoria do intercâmbio social e da equidade: comportamento instrumental para obter sucessivamente uma recompensa e compensação de injustiças e dos desequilíbrios do sistema.
  • Teoria da atribuição: resultado da atribuição das disposições ou situações realizadas.
  • Redução da tensão: resultado da impossibilidade de tolerar o embaraço e a angústia provocados pelo sofrimento dos outros.
  • Manutenção/aumento da autoestima: resultado do desejo/necessidade de aumentar ou manter a avaliação positiva do eu.
  • Teoria cognitivo-evolutiva: expressão de um processo moral de desenvolvimento.
  • Teoria sociobiológica-evolutiva: comportamento geneticamente determinado que tem a função de salvaguardar a espécie.

Fatores que influenciam no comportamento pró-social

Existem numerosos fatores ou situações que favorecem ou inibem o fato de ajudar os outros:

  • O número de espectadores no caso de emergência.
  • Observar ou não a situação de ajuda e interpretá-la como situação de emergência.
  • A capacidade para assumir a responsabilidade nesta situação.
  • Em geral, as pessoas são mais propensas à ajuda quando acabam de observar a outra pessoa que ajuda, ou quando tem muito tempo disponível.
  • Inclusive o humor e a semelhança física têm um peso na predisposição à ajuda.

Como desenvolver o comportamento pró-social

As pesquisas sugerem que para aumentar os comportamentos de ajuda ou prossocialidade é necessário:

  1. Reduzir ou eliminar os fatores impeditivos: reduzir a ambiguidade e aumentar a responsabilidade, ativar o sentimento de culpa e a preocupação pela própria imagem.
  2. Ensinar a prossocialidade e o altruísmo: ensinar a inclusão moral, criar modelos de altruísmo, aprender fazendo, atribuir o comportamento altruísta a motivações altruístas, conhecer os mecanismos que regulam o altruísmo.
  3. Favorecer a ação da norma de reciprocidade.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Caprara, G. V. (2006). Il comportamento prosociale. Aspetti individuali, familiari e sociali. Trento: Erickson.
  • Marta, E., Scabini, E. (2003). Giovani volontari. Impegnarsi, crescere e far crescere. Florencia: Giunti.
  • Myers, D. G. (2009). Psicologia sociale. Milán: McGraw-Hill.

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