Comunicação interpessoal: o que é, tipos, características e exemplos
O papel da comunicação é cada vez mais central em todos os aspectos da vida social, e não é de estranhar que ao seu redor nasçam livros, seminários, cursos de licenciatura e profissões. Toda atividade humana baseada em relações interpessoais implica sempre em processos de comunicação. Em todos os nossos contatos com os outros, precisamos da capacidade de nos comunicar e devemos ser eficazes.
Neste artigo de Psicologia-Online, te falaremos sobre a comunicação interpessoal: o que é, tipos, características e exemplos.
O que é a comunicação interpessoal
A comunicação é o elemento essencial mediante o qual acontece a relação interpessoal. A palavra comunicação provém do latim communicare e significa compartilhar. Comunicar é um ato social e recíproco de participação, um ato mediado pelo uso de símbolos significativos entre indivíduos e grupos diferentes. Sendo assim, a comunicação pode ser definida como a modalidade através da qual se instauram, se estruturam e se desenvolvem as relações sociais, afirmando o "eu" no mundo como atores individuais e/ou coletivos.
Então, o que é a comunicação interpessoal? É a comunicação cara a cara. Pode ser considerada como o conjunto de fenômenos que permitem a troca de informação entre duas ou mais pessoas. Esta troca é feita através da linguagem falada e dos sinais não verbais que enviamos por meio dos movimentos do corpo ou de partes do mesmo, sendo recebidos através do canal visual. A comunicação interpessoal, entendida como um momento de encontro/troca, determina a qualidade da relação e influencia diretamente na conexão emocional entre os interlocutores.
Tipos de comunicação interpessoal
A comunicação interpessoal, que implica várias pessoas, se baseia em uma troca na qual os interlocutores se influenciam mutuamente como em um círculo vicioso. Objetivamente, há três tipos de comunicação interpessoal:
- Comunicação verbal: é a realidade através do uso da linguagem, tanto escrita como oral, e que depende de regras precisas sintáticas e gramaticais. É fundamental para transmitir ideias complexas e compartilhar conhecimento de forma clara e objetiva.
- Comunicação não verbal: ocorre sem o uso das palavras, mas sim através de canais diversificados, como mímica facial, olhares, gestos e posturas. Descubra os tipos de comunicação não verbal. A não verbal muitas vezes complementa ou até contradiz a comunicação verbal.
- Comunicação paraverbal: refere-se em última instância à voz. Isto é, ao tom, ao volume e ao ritmo. Também faz referência às pausas e outras expressões sonoras como limpar a voz ou, por exemplo, brincar com tudo o que acontece por perto. A comunicação paraverbal pode alterar significativamente a interpretação da mensagem, demonstrando emoções e intenções subjacentes.
Características da comunicação interpessoal
A comunicação interpessoal trata-se de um processo em espiral, com características evidentes de reciprocidade, na qual a informação enviada por um "emissor" a um "receptor" produz neste reações ou respostas. Logo estas "voltam" como nova informação ao primeiro dos interlocutores, permitindo a ele enviar uma nova informação. Assim, os principais elementos e características da comunicação interpessoal são:
- O emissor, ou a fonte de transmissão, é a pessoa a partir da qual se produz a comunicação. O emissor se caracteriza e depende de sua cultura, de seus próprios interesses, de sua própria linguagem, dos recursos e instrumentos de que dispõe, de sua experiência passada e de seu conhecimento do contexto e de seus interlocutores. A habilidade do emissor em adaptar sua mensagem ao público pode melhorar a eficácia da comunicação.
- A mensagem é representada pelos conteúdos e significados que o emissor quer transmitir ao destinatário. A clareza e a relevância da mensagem são cruciais para uma comunicação eficaz.
- O canal é o meio utilizado para transmitir a mensagem. Por exemplo, jornais, rádio, televisão, voz, etc. A escolha do canal adequado pode determinar o sucesso da transmissão da mensagem.
- O código é o conjunto de normas convencionais utilizadas para expressar a mensagem. Por exemplo, a língua materna, a linguagem hierárquica utilizada dentro de um grupo juvenil, o alfabeto dos surdo-mudos ou o braille para os cegos. A compreensão do código é essencial para que a mensagem seja entendida corretamente.
- O receptor é o sujeito ao qual se dirige a mensagem. Ele ou ela também é caracterizado por sua cultura, sua própria linguagem e suas experiências e instrumentos próprios. A receptividade do receptor pode ser influenciada por suas experiências prévias e contexto cultural.
- A retroalimentação representa a "mensagem de retorno" do receptor ao emissor. Permite verificar que a mensagem chegou a seu destino e foi compreendida. A retroalimentação eficaz pode ajudar a ajustar a comunicação e resolver mal-entendidos em tempo real.
Distúrbios na comunicação interpessoal
Quanto à estrutura do processo comunicativo, existem distúrbios da comunicação também chamados "ruídos". Estes atuam sobre os elementos da comunicação interpessoal e podem interromper este fluxo, provocando uma "má" recepção da mensagem emitida. Os distúrbios da comunicação podem afetar os seguintes fatores:
- Atitude: interesse escasso na comunicação. A falta de interesse pode resultar em desentendimentos e perda de informações importantes.
- Canal ou código: uma linha telefônica perturbada, uma linguagem diferente, etc. Problemas técnicos e barreiras linguísticas podem obstruir o fluxo da comunicação.
- Escuta: uma má escuta tanto por parte do receptor como do emissor. A habilidade de escutar ativamente é fundamental para a troca eficaz de informações.
- Contexto ou cultura: diversidade de valores culturais. Diferenças culturais podem levar a interpretações equivocadas das mensagens.
- Conteúdo e relação: uma mensagem construída de forma muito complexa para o receptor. Mensagens complicadas podem ser difíceis de decifrar e entender, levando a confusões.
- Verbal ou não verbal: contradições entre o que é dito e o que é mostrado podem criar confusão.
- Estereótipos: preconceitos podem distorcer a percepção da mensagem.
Os distúrbios da comunicação também ocorrem quando um dos atores implicados no processo de comunicação se dá conta de que o outro não responde, isto é, que não dá a retroalimentação adequada à sua comunicação. Quando se comunica, especialmente de forma pessoal e profunda, é muito importante receber uma retroalimentação adequada. Se isso não acontece, o emissor pode se retrair e deixar de se comunicar, o que pode ter impactos negativos nas relações interpessoais.
Exemplos de comunicação interpessoal
Agora que já falamos do conceito de comunicação interpessoal, mostraremos alguns exemplos deste tipo de comunicação:
- Chamada telefônica: falar por telefone é um exemplo de comunicação interpessoal. A comunicação verbal e paraverbal são empregadas. As inflexões de voz e o tom são fundamentais para transmitir emoções e intenções.
- Reunião de amigos: manter amizades supõe um ato de comunicação interpessoal. Há uma troca de informações mediante a comunicação verbal, não verbal e paraverbal. O ambiente descontraído facilita a expressão genuína e a conexão emocional.
- Exposição de um projeto no trabalho: reunião formal de pessoas na qual se produz uma troca de informações. Neste caso, a comunicação interpessoal é muito importante para transmitir o que queremos corretamente. A clareza e a articulação são essenciais para o sucesso da apresentação.
- Escrever um e-mail ou uma mensagem de texto: quando escrevemos uma mensagem de texto trata-se de comunicação escrita. A comunicação interpessoal também é um exemplo, porque existe uma troca de informações. A escolha das palavras e o tom escrito podem influenciar significativamente como a mensagem é recebida.
- Jogo de olhares: quando você cruza com alguém que você gosta ou conhece na rua. Nestas situações, geralmente há uma troca de olhares, gestos ou palavras. Neste caso, a comunicação não verbal tem um papel muito importante. O contato visual pode transmitir uma variedade de emoções e intenções, desde simpatia até desconforto.
Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
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- Cheli, E. (2004). Teorie e tecniche della comunicazione interpersonale. Un’introduzione interdisciplinare. Milán: Franco Angeli.
- PAQ (2013). Comunicazione interpersonale. Disponível em: qualitapa.gov.it/sitoarcheologico/relazioni-con-i-cittadini/comunicare-e-informare/comunicazione-interpersonale/index.html
- Zanon, R. (2010). Elementi di etica per operatori socio-sanitari. Santarcangelo di Romagna: Maggioli Editore.
