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O que é a falsa modéstia na psicologia social?

 
Por Gianluca Francia, Psicólogo. Atualizado: 21 dezembro 2020
O que é a falsa modéstia na psicologia social?

Existem provas de que às vezes as pessoas têm um 'eu' diferente sobre aquilo que sentem e percebem. O exemplo mais claro, na verdade, não é o falso orgulho, mas, sim, a falsa modéstia. Há uma tendência a acreditar que a falsa modéstia permite ressaltar as próprias qualidades positivas como, por exemplo, ser competente, ao mesmo tempo em que há intenção de gerar simpatia e se esconder glórias como queixas ou profissões de humildade.

Nem sempre isso procede. Neste post de Psicologia-Online esclarecemos o que é a falsa modéstia para a psicologia social, por que se usa e quais são as suas facetas.

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O que é a falsa modéstia?

De maneira geral, dizem por aí que a falsa modéstia é a pior das soberbas. Concretamente, a falsa modéstia é a capacidade de parecer, falsamente, tímidos/as enquanto explicamos o quão bons somos. Segundo Freud, é a especialização em "excusationes non petitae" (excusationes non richieste), que significam exatamente aquilo que se quer negar.

A modéstia é diferente da humildade, que é uma virtude criadora que faz as pessoas conscientes de sua própria finitude. Por outro lado, se você se pergunta o que é a falsa modéstia, esse é um engano, parente da vanglória proclamada. A seguir, explicamos o que significa falsa modéstia em diferentes contextos de nossas vidas.

Por que se usa a falsa modéstia?

Em algumas ocasiões nos perguntamos por que se usa a falsa modéstia. Você pode até pensar em alguém que, longe de se elogiar, se desmereça ou não acredite em si mesmos. Essas atitudes 'desmerecedoras' podem ser sutilmente úteis na promoção do 'eu', já que, muitas vezes, provocam um sentimento de tranquilidade. Um clichê da falsa modéstia pode ser, por exemplo, dizer a alguém 'me senti como um idiota', para que essa pessoa te console dizendo: 'não, você fez bem'. Outro exemplo da falsa modéstia seria 'quem me dera eu não me sentisse tão pouco/a atraente', para que a outra pessoa te diga 'até parece, eu conheço gente muito menos atraente do que você'

Existe outra razão pela qual as pessoas se desonrem a si mesmas e elogiem aos demais. Isso se faz, concretamente, para reduzir ao mínimo e dar pouca importância à sua capacidade. Isso permite diminuir a pressão relacionada ao rendimento e se rebaixar ao ponto de referência inicial para avaliação de suas prestações.

Um exemplo da falsa modéstia podem ser treinadoras/es esportivos. Antes da partida decisiva elogiam a força dos/as adversários/as e destacam as fraquezas que a equipe precisa trabalhar. Assim, se transmite uma imagem de modéstia e espírito esportivo e se prepara o terreno para uma avaliação positiva, independente do resultado. Uma vitória acaba sendo uma conquista de um objetivo digno de elogio e uma derrota se converte em algo atribuído à excelente defesa dos adversários. A modéstia, como dizia Bacone, não é nada mais do uma das 'artes da ostentação'. Neste post, explicamos 20 tipos de atitudes da pessoa humana.

A gratidão superficial e o perigo de sobreclassificação

A falsa modéstia também aparece nos informes autobiográficos que as pessoas fazem sobre suas mestas. Para apurar, Roy Baumeister e Stacey Ilko (1995) chamaram um grupo de estudantes para escrever 'uma importante experiência de êxito', pedindo que apenas uma parte deles e delas assinassem com seus próprios nomes e se preparassem para ler seus texto às outras pessoas; os e as estudantes, com frequência, reconheciam a ajuda e o apoio emocional que receberam. As pessoas que escreveram anonimamente, por outro lado, raramente mencionavam essa gratidão e costumavam promover a si mesmos como as únicas pessoas responsáveis por esses êxitos. A partir desses resultados, surgiu a ideia de gratidão superficial entre os pesquisadores, ou seja, aquela pessoa que parece humilde mas em sua cabeça dá os créditos apenas a si mesmo.

A gratidão superficial pode vir à tona quando nosso rendimento supera o das pessoas que nos rodeiam e nos sentimos incomodados/as em relação aos sentimentos que os/as demais podem sentir por nós. Se percebemos que nosso êxito poderia gerar ciúme ou ressentimentos - um fenômeno que Julia Exline e Marci Lobel (1999) definem como 'os perigos da sobreclassificação' - podemos minimizar nossos resultados e mostrar gratidão. Para os sobreclassistas, as autoapresentações modestas são um gesto natural.

Em suma, a gratidão superficial e a sobreclassificação são fenômenos que acontecem quando uma pessoa sente por cima do resto, mas não quer percebam o quão orgulhoso ou orgulhosa está de si mesmo/a.

Tipos de falsa modéstia

O fenômeno da falsa modéstia pode aparecer de muitas maneiras. A seguir, debatemos algumas faces da falsa modéstia:

  • Invisível: uma pessoa dotada, pero que não aceita todo o reconhecimento público para não ser invejado/a. Faz isso como se fosse 'normal' e dissimula suas qualidades naquilo que faz. Sua necessidade é fugir da inveja, a qual teme, com a certeza de que se não se destacar em nada será mais amado/a e aceito/a. Pode gerar suspeita de enganação e de não saber realmente quem é aquela pessoa.
  • Narcisista: faz o possível para fazer algo bem e conseguir um elogio. Ainda que não os aceite, desprezando-os para induzir às outras pessoas que digam coisas boas.
  • Necessidade em obter confirmações externas: que lhe digam: 'muito bem, você está certo/a e é bom nisso'. Procura que as outras pessoas lhe convençam do seu valor.
  • Supersticioso/a: nega qualquer valou ou êxito porque teme que o reconhecimento traga má sorte ou algo negativa. Sua necessidade é não tentar porque para essa pessoa, por alguma razão, se afirmar é o mesmo que se castigar. Quando está com as outras pessoas cria uma atmosfera de iminência, superstição e precariedade inquietantes.
  • Descontente: sempre vê o lado negativo daquilo faz e só percebe aquilo que falta. Nunca se sente feliz. Sua necessidade é procurar metas contínuas para não parar pensar, um perfeccionismo inapropiado. Provoca ira e agressividade nas outras pessoas. Afirma de maneira silenciosa, egocêntrica e despectiva: 'você nem imagina do que sou capaz'.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Myers, D. G. (2008). Social Psychology. Nueva York: McGraw-Hill.
  • Pilutti, R. (2009). La presunzione, la modestia vera e quella falsa. Recuperado de: http://www.renatopilutti.it/2009/02/25/presunzione-modestia-vera-e-falsa/
  • RIZA (2012). No alla falsa modestia. Recuperado de: https://www.riza.it/psicologia/l-aiuto-pratico/3092/no-alla-falsa-modestia.html

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