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Síndrome de Lima: sintomas, causas e tratamento

 
Por Equipe editorial. Atualizado: 17 setembro 2019
Síndrome de Lima: sintomas, causas e tratamento

A síndrome de Lima é um dos fenômenos mais estranhos e complexos da mente. Nesse síndrome, as pessoas que cometem um sequestro desenvolvem sentimentos de simpatia e cumplicidade em relação às pessoas que retêm contra a própria vontade, chegando a preocupar-se pelo bem estar delas. É um dos síndromes que ainda carece de muita investigação e conhecimento, mas se você quer saber mais sobre ele, continue lendo nosso artigo em Psicologia-Online: Síndrome de Lima: sintomas, causas e tratamento.

O que é síndrome de Lima

A síndrome de Lima faz referência a uma reação psicológica por parte do sequestrador que desenvolve simpatia e um vínculo emocional em relação à vítima. Se trata de uma resposta paradoxal na qual a pessoa sequestradora sente empatia pela vítima e se preocupa tanto pelas necessidades dela como pelo seu bem-estar. Este síndrome é, basicamente, a síndrome de Estocolmo invertido, já que nesse último são as vítimas que desenvolvem um vínculo afetivo e de cumplicidade com os seus sequestradores. Em algumas ocasiões, a síndrome de Lima e o de Estocolmo ocorrem em simultâneo, quando o vínculo entre a pessoa captora e a cativa é mútuo.

Síndrome de Lima: origem

A síndrome de Lima deve o seu nome a um evento que teve lugar na capital do peru, Lima, no ano 1996. O grupo MRTA (Movimento Revolucionário Túpac Amaru) tomou centenas de pessoas como reféns na embaixada japonesa da cidade de Lima. Muitas das pessoas sequestradas eram de grande valor econômico, já que vinham da política, do âmbito militar e diplomático, pelo que se esperava o grupo MRTA pedisse uma grande soma de dinheiro pelo resgate delas. No entanto, em poucos dias, os sequestradores liberaram as pessoas uma a uma, unicamente por sentimentos de simpatia e pelos vínculos gerados em relação a elas.

Existe outra versão sobre a origem desse síndrome: um psiquiatra foi sequestrado em Lima e, ao ser conhecedor da síndrome de Estocolmo, aplicou os seus conhecimentos com a pessoa sequestradora para ganhar a compaixão e simpatia dela.

Síndrome de Lima: sintomas

Atualmente, existem poucos dados e investigações sobre a síndrome de Lima . Contudo, mesmo não sendo considerado um transtorno, foram identificados sintomas presentes nas pessoas sequestradoras que definem a síndrome de Lima:

  • Evitar machucar a vítima.
  • Geram sentimentos de empatia e compaixão em relação à sua vítima.
  • Realizam diferentes gestos de amabilidade em relação que retêm contra a sua vontade.
  • Desenvolvem preocupação sobre o bem-estar físico e emocional da vítima.
  • Concedem algumas liberdades à vítima, chegando até a libertá-la em alguns casos.
  • A pessoa que realiza o sequestro procura e fomenta a conversação sobre diversos assuntos como forma de aproximação.
  • Em alguns casos, o sequestrador pode compartilhar diferentes informações e experiências pessoais com a vítima, em um processo de abertura em relação a ela.
  • Pode chegar a prometer à vítima que não vai machucá-la ou que até a protegerá, uma vez que o sequestrador pode desenvolver a ideia de que é uma figura protetora da vítima.
  • Na síndrome de Lima, o sequestrador gera uma ilusão pela qual se vê a ele mesmo como cuidador e protetor da pessoa cativa.
  • O sequestrador emprega um grande esforço para melhorar as condições da vítima enquanto o sequestro ocorre.
  • Na síndrome de Lima, o sequestrador pode chegar a sentir-se realmente atraído pela sua vítima.
Síndrome de Lima: sintomas, causas e tratamento - Síndrome de Lima: sintomas

Causas da Síndrome de Lima

Nos pontos anteriores vimos o que é a síndrome de Lima e como se manifesta, mas por que ele ocorre? A síndrome de Lima se deve a uma interação entre as características internas da pessoa sequestradora e as condições ambientais do sequestro. Entre as possíveis causas ou explicações dessa resposta psicológica, foram identificadas as seguintes:

  • Caso a pessoa forme parte de um grupo que comete o sequestro, essa pessoa pode não concordar com a realização do mesmo e formar parte dele, tendo cedido à pressão dos pares e à pertença do grupo. Também pode não concordar com a forma ou método usado no sequestro.
  • É possível que o sequestrador atue devido a uma situação de necessidade extrema como uma situação econômica muito grave,
  • O agressor pode ter premeditado que não quer machucar as vítimas, estas simplesmente são um método para conseguir algo, são um instrumento para conseguir um fim.
  • É provável que o sequestrador acabe desenvolvendo sentimentos de culpa e questione os seus próprios atos. Como forma de se redimir, preocupa-se pelo bem-estar da vítima.
  • É possível que a pessoa que realiza o sequestro acredite que não vai sair do lugar com vida ou pense que não é capaz de manter a vítima retida durante muito mais tempo, pelo decide libertá-la.
  • É possível que o sequestrador não tenha realizado anteriormente nenhum outro ato delitivo e tenha uma grande capacidade empática.
  • É possível que a pessoa sequestre a sua vítima devido a sentimentos prévios de atração ou amor. É por isso que, uma vez em cativeiro, ela cuida do sue bem-estar, já que o sequestrador alberga sentimentos em relação à vítima e tenta seduzi-la e agradá-la.

Síndrome de Lima: tratamento

Atualmente, não existe uma intervenção psicológica estabelecida para a síndrome de Lima, uma vez que não se considera um transtorno, além de existir um défice de investigações sobre o mesmo. Sem embargo, algumas das chaves necessárias para o tratamento são:

  • É necessário avaliar de forma exaustiva e individual os motivos e causas subjacentes à ação de sequestro, já que estas podem ser muito variadas e, dependendo delas, o perfil de sequestrador é diferente.
  • As pessoas com condutas delitivas costumam apresentar algum transtorno mental, como transtornos de personalidade antissocial, ou abuso de álcool ou outras substâncias. Será necessário avaliar cada caso individualmente para abordar de forma específica a problemática das pessoas com síndrome de Lima e desenhar um tratamento adaptado às necessidades dela para ter sucesso.
  • Refletir sobre as consequências a longo prazo para a pessoa que é vítima do sequestro, mesmo que ela tenha sido trata corretamente, e obter uma compreensão da vivência da vítima. A empatia deve ser fomentada, já que a pessoa pode acreditar que não agiu de forma prejudicial ao atuar com amabilidade em relação à vítima. É importante que ocorra uma mudança no ponto de vista desde o próprio em relação à pessoa sequestrada; fomentar que entenda que a outra pessoa foi privada da própria liberdade e sentiu medo e angústia perante a incerteza da situação do sequestro.
  • É importante que a pessoa sequestradora gere uma reflexão sobre os seus atos e as consequências dos mesmos, chegando a aceitar a sua responsabilidade sobre os mesmos.
  • Aplicar técnicas de reestruturação cognitiva, técnicas cujo objetivo é modificar a interpretação e avaliação do tipo subjetivo, através das quais se fomente que a pessoa sequestradora seja consciente da realidade e deixe de ver-se a si mesma unicamente como cuidadora e protetora, mas assuma que participou em um sequestro. Dessa forma, tenta-se que a pessoa elabore uma imagem dela mesma que se ajuste à realidade.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Camelo, R., & Vargas, N. (2002). El vínculo secuestrador-secuestrado. Una mirada desde el secuestrador. Trabalho de graduação. Departamento de Psicologia, Universidade Nacional da Colômbia.
  • Cely, L. A. R., & Gómez, L. V. (2002). Estrategias de interacción que el secuestrador genera con la víctima durante el cautiverio. Universitas Psychologica, 1(1), 52-66.
  • Garrido Genovés, V. (2012). Perfiles criminales. Ariel.

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