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Transtorno de personalidade antissocial: causas e tratamento

 
Por Marta Menéndez, Psicóloga. Atualizado: 12 abril 2019
Transtorno de personalidade antissocial: causas e tratamento

Normalmente, quando a uma pessoa tem problemas para interagir com os outros ou não mostra interesse em fazê-lo, costumamos dizer que é antissocial. Em psicologia, a palavra antissocial se utiliza para denominar a uma doença mental conhecida como transtorno de personalidade antissocial que costuma aparecer na adolescência, normalmente, antes dos 15 anos. As condutas antissociais se caracterizam pela indiferença em relação às normas sociais e legais e violação dos direitos alheios. Costumam estar relacionadas com o consumo de álcool, com a irresponsabilidade e com a impulsividade. Neste artigo de Psicologia-Online, explicaremos as causas e o tratamento do transtorno de personalidade antissocial em detalhe.

Causas de trastorno de personalidade antissocial

Atualmente, não conhecemos o que causa o transtorno de personalidade antissocial. Determinar as causas deste transtorno é complicado, uma vez que a personalidade se vai construindo ao longo do desenvolvimento da pessoa e requer tomar em consideração muitas variáveis. Alguns investigadores defendem o modelo biopsicossocial, ou seja, que as causas do transtorno de personalidade antissocial se devem provavelmente à interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Algumas das hipóteses mais ou menos aceitas se podem agrupar em dos grupos:

Fatores psicossociais

Principalmente, se referem a estilos parentais pouco eficazes. Por um lado, acredita-se que as pessoas que têm transtorno de personalidade antissocial, frequentemente têm pais hostis que interatuam com eles através do abuso ou maus-tratos. Presenciar estes modelos parentais desde criança pode fazer que a criança, quando seja adulta, repita os mesmos padrões.

Por outro lado, fala-se do outro extremo, pais ausentes ou muito permissivos. Estes fazem com que a criança não aprenda que existem limites e que pense que pode fazer o que ele quiser em qualquer momento, e que perante uma rejeição (algo a que não está habituada), apresente uma reação inadequada.

Ter sofrido de transtorno dissocial na infância aumenta o risco de desenvolver um transtorno de personalidade antissocial.

Outros autores assinalam a hipótese de que estas pessoas não têm a capacidade de se colocar no lugar dos outros e de ver as coisas desde diferentes perspectivas devido às alterações no ritmo do desenvolvimento cognitivo.

Fatores biológicos

Algumas pesquisas mostram a presença de um componente genético. Fala-se de erros na ativação frontal e pré-frontal, áreas relacionadas com a inibição e com processos como a planificação, tomada de decisões, etc. que explicariam a impulsividade caraterística do transtorno.

Sintomas de transtorno de personalidade antissocial

Alguns dos sintomas do transtorno de personalidade antissocial são:

  • Mentir ou enganar com o objetivo de se aproveitar dos outros.
  • Ser cínico, desrespeitoso e cruel.
  • Sentimento de superioridade e obstinação.
  • Problemas com a lei.
  • Utilizar o charme para manipular os outros por prazer ou proveito próprio.
  • Violar os direitos dos outros através da intimidação.
  • Impulsividade.
  • Hostilidade, significativa irritabilidade e agressividade.
  • Falta de empatia e de remorsos por magoar os outros.
  • Não considerar as consequências negativas do seu comportamento.

Os sintomas da conduta de uma pessoa com personalidade antissocial incluem problemas comportamentais graves e persistentes, como:

  • Agressão a pessoas e animais.
  • Destruição da propriedade.
  • Roubo.
  • Violação de regras importantes.

Tratamentos para transtorno de personalidade antissocial

O tratamento das pessoas com transtorno de personalidade antissocial é complicado. A pessoa que apresenta o transtorno antissocial não costuma ver a necessidade de tratamento, e é por isso que na maioria de casos, a família ou a justiça são quem decide iniciar o tratamento. Portanto, nestes casos, o tratamento é visto pela pessoa como algo imposto, o que faz pensar que não se mostrará muito colaboradora.

Tratamento psicológico

Devido à pouca colaboração da pessoa em causa, a terapia deve apresentar as vantagens desta ao paciente, o que e como será feito, bem como deixar explícita a necessidade de mudança e as vantagens e desvantagens que implicaria a mudança na sua vida.

Podem ser aplicados diversos tipos de terapias:

  • Existem provas de que a terapia cognitivo-comportamental, em conjunto com o treinamento das habilidades sociais e a resolução de problemas, regulam as emoções e a frustração.
  • A terapia em grupo deu também bons resultados, pois permite que a pessoa possa interagir com os outros sem agressividade na prática. A terapia começaria tratando o modo como o próprio comportamento influencia os outros e, posteriormente, o objetivo será aumentar a capacidade de pensar nos demais (empatia). Isto pode se trabalhar com a inversão de papéis e a narração da sua história de vida.

De forma complementar, é possível trabalhar com o ambiente familiar da pessoa para melhorar a estratégia de enfrentamento e estabelecer limites no comportamento do sujeito.

Tratamento farmacológico

Não existe um tratamento para o transtorno de personalidade antissocial com fármacos específicos. Os fármacos serão utilizados para combater sintomas específicos, como podem ser a agressividade ou a regulamentação do estado de espírito, mas não solucionam o problema, pois o comportamento caraterístico deste transtorno se reforça cada dia na vida da pessoa e agir sobre um sintoma específico não basta. Podemos ver a medicação como um tipo de apoio num momento determinado.

Algo que deve ser levado em consideração é o consumo de substâncias psicoativas, uma vez que dificulta o tratamento.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Holguín Mendoza, Tomás Efrén, & Palacios Casados, Juan Jorge. (2014). La genética del trastorno antisocial de la personalidad: Una revisión de la bibliografía. Salud mental, 37(1), 83-91.
  • Bateman, W., Gunderson, J.,Mulder, R. Tratamiento del trastorno de la personalidad. Revista de Toxicomanías, 77. 2016

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