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Transtorno esquizoafetivo: causas, sintomas e tratamento

 
Por Equipe editorial. Atualizado: 24 julho 2019
Transtorno esquizoafetivo: causas, sintomas e tratamento

O transtorno esquizoafetivo é um distúrbio de saúde mental que se caracteriza pela manifestação combinada de sintomas psicóticos, como delírios ou alucinações, e sintomas de transtornos do estado de ânimo, como depressão e mania. As pessoas que sofrem desse transtorno podem ter sérios problemas em seu desempenho ocupacional e acadêmico e na interação com os demais. Os sintomas que se apresentam podem ser de maior ou menor intensidade e podem incluir também delírios, alucinações, tristeza profunda, mudanças no apetite, problemas de concentração, problemas de comunicação, isolamento, descuido com o aspecto físico, discurso ilógico e transtornos do sono.

Esses pacientes requerem um tratamento médico que combine uma terapia farmacológica com uma psicoterapia para que os sintomas possam ser reduzidos e para que a pessoa com a doença possa ser capaz de gerir seus próprios comportamentos e emoções. Assim, nesse artigo de Psicologia-Online te explicaremos com detalhes tudo sobre o transtorno esquizoafetivo: causas, sintomas e tratamento. Além disso, também apresentamos os prognósticos desse distúrbio psicológico e te contamos se tem cura ou não.

O que é transtorno esquizoafetivo

O transtorno esquizoafetivo pode ser definido como um transtorno mental no qual as pessoas que o apresentam sofrem de uma combinação de sintomas associados à esquizofrenia, como alucinações e delírios, e ao transtorno bipolar, que causam distúrbios no estado de ânimo e que podem resultar em manifestações depressivas ou maníacas.

Por isso, dizemos que essa patologia que afeta a saúde mental do paciente pode ser encontrada entre o diagnóstico do transtorno bipolar e da esquizofrenia, já que os sintomas de ambos distúrbios psicológicos costumam estar presentes.

No entanto, a evolução da doença é diferente para cada pessoa e, quem conta com ela, mas não procura tratamento, pode ter problemas nos âmbitos social, escolar e de trabalho. Além disso, indivíduos com transtorno esquizoafetivo costumam apresentar problemas de percepção nos processos psicológicos de natureza emocional, e complicações para cuidar de si mesmos.

Transtorno esquizoafetivo: CID

Segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10), publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que codifica todas as doenças existentes para que elas sejam comparadas rapidamente pelo mundo todo, os transtornos esquizoafetivos são classificados como CID F25.

Nessa classificação, a doença se encontra na categoria dos transtornos como a esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes, que abrangem do CID F20 (esquizofrenia) ao CID F29 (psicose não-orgânica não especificada).

Além disso, como a maioria das patologias psicológicas, o transtorno esquizoafetivo também se difere em tipos, que são:

  • CID F25.0: transtorno esquizoafetivo do tipo maníaco.
  • CID F25.1: transtorno esquizoafetivo do tipo depressivo.
  • CID F25.2: transtorno esquizoafetivo do tipo misto.
  • CID F25.8: outros transtornos esquizoafetivos.
  • CID F25.9: transtorno esquizoafetivo não especificado.

Transtorno esquizoafetivo: causas

As causas do transtorno esquizoafetivo ainda não foram totalmente identificadas, no entanto, especialistas afirmam que uma série de fatores combinados pode favorecer o desenvolvimento dessa patologia. Entre esses fatores de risco estão:

  • Fatores de origem genética: pessoas que têm familiares diretos com esquizofrenia, bipolaridade ou transtorno esquizoafetivo têm probabilidades maiores de sofrer desse transtorno.
  • Fatores físicos: variações na química e na estrutura do cérebro das pessoas que sofrem desse transtorno mental, como apresentarem um volume cerebral menor, também foram observadas por estudiosos da área. Assim, indivíduos que sofrem de atrasos do desenvolvimento, por exemplo, têm maiores riscos de sofrer dessa doença.
  • Fatores ambientais: ter sido exposto a toxinas ou a vírus durante a gestação também pode aumentar o risco da criança desenvolver o transtorno ao longo de sua vida. Além disso, os danos cerebrais que podem se dar devido a complicações no parto ou a situações de abuso e abandono na infância também podem ser determinantes no aparecimento desse transtorno mental.

Outros possíveis fatores de risco do transtorno esquizoafetivo são os seguintes:

  • Ter sofrido algum outro distúrbio patológico antes.
  • Ter passado por uma experiência traumática.
  • Ter passado por episódios muito estressantes.
  • Alto consumo e abuso de drogas e álcool.

Especialistas também trabalham com o conceito de “vulnerabilidade versus estresse”, que consiste na ideia de que o estresse de uma situação e a falha de mecanismos adaptativos para lidar com ele fazem com que certas pessoas fiquem mais propensas ou vulneráveis a desenvolver essa doença.

Trantorno esquizoafetivo: aposentadoria por invalidez

Acredita-se que, atualmente, os transtornos esquizofrênicos afetam cerca de 0,6% da população e que os esquizoafetivos representam aproximadamente metade dessa porcentagem. No entanto, muitas vezes os dois distúrbios são identificados erroneamente como sendo a mesma patologia, devido à dificuldade de diagnóstico do segundo, o que pode contaminar os dados que se têm sobre a doença.

O que se sabe com certeza, porém, é que o transtorno esquizoafetivo pode se desenvolver em qualquer etapa da vida, mas com maior frequência no começo da fase adulta. De acordo com a idade da pessoa afetada também se pode observar que se manifestam tipos diferentes de transtorno esquizoafetivo.

Em jovens adultos, o transtorno esquizoafetivo do tipo maníaco (CID F25.0) ou o transtorno esquizoafetivo do tipo misto (CID F25.2) são os mais comuns. Já em pessoas mais velhas, o mais frequente é o transtorno esquizoafetivo do tipo depressivo (CID F25.1).

Por esse transtorno psicológico se apresentar na maioria das vezes já na fase adulta uma das consequências que pode ser observada em vários casos, principalmente nos de pessoas com a doença que não seguem o tratamento adequado, é uma aposentadoria por invalidez.

Com os sintomas da esquizofrenia e da bipolaridade acentuados, que serão melhor explicados na próxima seção do texto, o paciente não consegue levar a vida normalmente, seja nos âmbitos social, educacional ou laboral. Com sintomas depressivos, por exemplo, o paciente não consegue ter forças para se levantar da cama e muito menos vontade para trabalhar.

Além disso, segundo a OMS, a depressão é a segunda patologia que mais causa incapacidade no trabalho. Por isso, se você quer saber mais sobre essa doença e como ela afeta as pessoas que sofrem dela leia o nosso artigo Depressão recorrente: sintomas e tratamento.

Transtorno esquizoafetivo: sintomas

Os sintomas do transtorno esquizoafetivo variam consideravelmente de uma pessoa a outra e sua evolução está caracterizada por períodos de sintomas intensos e graves e por outros períodos de melhora e de sintomas com menos intensidade. Geralmente, os pacientes apresentam ao mesmo tempo sintomas psicóticos e sintomas do transtorno bipolar.

A seguir, te mostraremos quais costumam ser os sintomas do transtorno esquizoafetivo nos níveis físico, comportamental, cognitivo e psicossocial:

Transtorno esquizoafetivo: sintomas físicos

  • Transtornos do sono.
  • Mudanças nos hábitos alimentares.
  • Aumento ou perda de peso.
  • Falta de higiene.
  • Mudanças no aspecto físico e descuidado com a própria imagem.

Transtorno esquizoafetivo: sintomas comportamentais

  • Deficiências no desempenho social, acadêmico e ocupacional.
  • Comunicação difícil ou nula. Exemplo: não responder ao que foi perguntado ou responder a uma pergunta de maneira parcial.
  • Comportamentos desordenados.
  • Isolamento.
  • Alternância de movimentos rápidos e lentos.
  • Tentativas de autoflagelação.
  • Pensamentos suicidas.
  • Ausência de vontade e mobilidade.

Transtorno esquizoafetivo: sintomas cognitivos

  • Delírios.
  • Alucinações. Exemplo: ver coisas que não existem ou que não são reais no momento ou escutar vozes.
  • Sintomas depressivos como tristeza profunda ou se sentir vazio ou inútil. Para saber mais como lidar com esse sintoma também pode te interessar a nossa matéria Não tenho vontade de viver: o que faço?
  • Pensamento rápido ou acelerado e desordenado.
  • Dificuldade para se concentrar.
  • Problemas na percepção.
  • Paranoia.
  • Problemas de memória.

Transtorno esquizoafetivo: sintomas psicossociais

  • Episódios depressivos.
  • Episódios maníacos.
  • Ansiedade elevada ou excessiva.
  • Alternância de autoestima muito alta e excessivamente baixa.

Transtorno esquizoafetivo tem cura?

Uma das perguntas mais recorrentes sobre essa patologia é se o transtorno esquizoafetivo tem cura. No entanto, como outros transtornos e distúrbios mentais, a resposta infelizmente é não. Pessoas com essa doença não podem ser curadas, no entanto, com o tratamento adequado, o quadro da patologia pode apresentar uma melhor evolução do que, por exemplo, de pacientes que sofrem de esquizofrenia.

Mesmo assim, é importante ressaltar que o prognóstico do transtorno esquizoafetivo é mais negativo do que de outros distúrbios do estado de ânimo devido aos problemas de percepção que se desenvolvem na primeira patologia. Além disso, quanto maior o número de sintomas psicóticos que se manifestem, mais crônica será a doença no paciente.

Assim, para controlar os sintomas e uma evolução negativa da patologia, é necessário um tratamento tanto farmacológico como psicológico prolongado. A seguir te explicaremos mais sobre esses dois tipos de tratamento, indispensáveis para a melhora de um paciente com o transtorno esquizoafetivo.

Transtorno esquizoafetivo: tratamento farmacológico

O tratamento do transtorno esquizoafetivo deve ser estabelecido em função do tipo que é registrado dessa patologia, assim como da sua gravidade e dos sintomas que estão presentes. Geralmente, os pacientes costumam responder bem à intervenção clínica se essa for combinada com a psicoterapia, utilizada para ajudar a reduzir os sintomas. Com os dois tipos de tratamento, o paciente pode conseguir controlar suas emoções, gerir positivamente seus comportamentos sociais e se cuidar melhor.

Assim, no tratamento farmacológico do transtorno esquizoafetivo podem ser receitados ao paciente com a doença:

  • Antidepressivos: medicamentos que ajudam a pessoa com o transtorno a lidar com a tristeza, a angústia, a insônia e as dificuldades para se concentrar.
  • Antipsicóticos: esses fármacos, como é o caso do antipsicótico atípico paliperidona, modificam algumas substâncias naturais no cérebro e permitem diminuir os sintomas da esquizofrenia.
  • Estabilizadores de humor: remédios que ajudam a estabilizar, como o próprio nome diz, o estado de ânimo e de humor do paciente e a reduzir os episódios maníacos, eufóricos ou depressivos.

Transtorno esquizoafetivo: tratamento psicológico

Como já comentamos, para uma boa redução dos sintomas dessa patologia mental é necessário combinar o tratamento farmacológico com a psicoterapia. No caso do transtorno esquizoafetivo, o tratamento psicológico mais adequado e eficiente é a terapia cognitivo-comportamental. Os principais objetivos da mesma são:

  • Ajudar a pessoa que sofre do transtorno a identificar todos os sintomas depressivos e/ou maníacos para que estes possam ser melhor trabalhados.
  • Ajudar essa pessoa a esclarecer de que maneira a sua realidade é construída e como ela dá significado as suas experiências a partir dos erros cognitivos que comete e de sua história pessoal.
  • Melhorar a comunicação e a interação social do paciente.
  • Desenvolver novas habilidades pessoais e sociais.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Transtorno esquizoafetivo: causas, sintomas e tratamento, recomendamos que entre na nossa categoria de Psicologia clínica.

Bibliografia
  • CONITEC, Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS, Governo Federal. Transtorno esquizoafetivo. Disponível em: <http://conitec.gov.br/images/Protocolos/TranstornoEsquizoafetivo.pdf>. Acessado em: 04 de junho de 2019.
  • DATASUS, Departamento de Informática do SUS, Governo Federal. F20-F29 Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes. Disponível em: <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f20_f29.htm>. Acessado em: 04 de junho de 2019.

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