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Depressão recorrente: sintomas e tratamento

Por Marta Menéndez, Psicóloga. 17 abril 2019
Depressão recorrente: sintomas e tratamento

Em determinados momentos da nossa vida, é normal sentir tristeza e, mesmo que não gostemos disso, muitas vezes ela é necessária para o nosso desenvolvimento como pessoa. No entanto, devemos levar em consideração que em algumas ocasiões não se trata apenas de uma simples tristeza, mas sim do surgimento de um quadro depressivo, que afeta nosso comportamento, saúde, estado de ânimo e até nossas decisões.

Muitos não sabem, mas existem vários tipos de depressão e, neste artigo de Psicologia-Online, te explicaremos sobre a depressão recorrente, sobre o que ela é, se ela tem cura e porque se fala tanto em aposentadoria por depressão recorrente.

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O que é depressão recorrente

Antes de mais nada, o que é depressão? A doença, de maneira em geral, é um desequilíbrio psicológico ou emocional caracterizado por fases de extrema tristeza. Pacientes com depressão costumam apresentar sintomas que podem ser mentais ou até físicos e, na maioria dos casos, necessitam ajuda médica, de um psicólogo ou psiquiatra, para conseguir melhorar.

Já a depressão recorrente, também conhecida como transtorno depressivo recorrente, se caracteriza por um quadro similar, mas que, como o próprio nome já indica, é mais constante e repetitivo que em outros tipos de depressão. Assim, enquanto pessoas com depressão clássica sofrem da doença por um período, pacientes com depressão recorrente sofrem do transtorno em ciclos. Além disso, esse tipo de depressão é mais comum do que se imagina.

A depressão recorrente, então, se caracteriza por um sentimento de tristeza profunda e persistente em todos os âmbitos da vida da pessoa e por um desinteresse por qualquer tipo de atividade que antes era agradável ou gratificante para ela.

Quando se fala da patologia também pode aparecer como "depressão recorrente CID 10 - F33". Trata-se apenas do nome da doença que pessoas que não são da área reconhecem melhor (depressão recorrente) junto com o código relativo à doença pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que no momento está em sua décima edição (CID 10).

Assim, "CID 10 - F33" é o código usado pelo mundo todo, e o mais aceito pela comunidade médica internacional, para se referir ao transtorno depressivo recorrente.

Depressão recorrente: sintomas

Para que se trate de uma depressão recorrente deve-se estar presente ao menos um dos seguintes sintomas por no mínimo 2 semanas.

  • Estado de ânimo negativo, com sentimentos de tristeza, ira, frustração e apatia, persistente ao longo do dia e presente em grande parte da semana.
  • Vontade de chorar do nada.
  • Diminuição da capacidade de desfrutar de coisas ou atividades pelas quais você antes demonstrava interesse.
  • Vontade de não fazer nada contante.

Além disso, a depressão recorrente também gerar outros sintomas como:

  • Problemas no sono (uma pessoa com depressão pode não conseguir dormir ou dormir em excesso).
  • Fadiga física.
  • Incremento ou diminuição do apetite.
  • Ansiedade, agitação, inquietude ou movimentos, fala e pensamentos letárgicos quase todos os dias
  • Sentimentos de culpa.
  • Baixa autoestima.
  • Diminuição da capacidade de concentração.
  • Somatizações (aparecimento de dores e queixas físicas que não conseguem ser explicadas por consultas médicas e exames).
  • Pensamentos e tentativas suicidas.

É importante ressaltar que esses sintomas aparecem tanto em quadros depressivos clássicos quanto em quadros de transtorno depressivo recorrente.

Além disso, eles interferem de maneira negativa em diferentes âmbitos da vida pessoa, como o da família, o dos estudos ou trabalho e o da vida social.

Aposentadoria por depressão recorrente

De acordo com estimativas, 4 pessoas em 10 sofrem de depressão no mundo. E no Brasil, o Ministério da Saúde afirma que mais de 10 milhões são acometidos pelo transtorno. Além disso, a depressão também afeta mais mulheres que homens, sendo que o número de casos no sexo feminino é quase o dobro, e pessoas com a faixa etária dos 20 aos 40 anos, ou seja, no auge da vida profissional. Essa última informação nos ajuda a entender um pouco melhor a expressão aposentadoria por depressão recorrente.

A doença pode ser causada por diversos fatores, como a morte de um amigo ou ente querido, problemas financeiros ou rompimento de um relacionamento. No entanto, dificuldades no ambiente de trabalho ou profissionais são alguns dos fatores que mais se destacam. Sentir-se sobrecarregado com sua carga de trabalho, com a competitividade, com o stress, com os baixos salários, com as pressões por resultados e com as longas jornadas pode gerar um quadro de depressão ou até mesmo de depressão recorrente.

Além disso, para a OMS, a segunda patologia que mais causa incapacidade no trabalho atualmente é a depressão, que deve alcançar o primeiro lugar até 2020, segundo a instituição.

Depressão recorrente tem cura?

Seja uma depressão recorrente ou clássica, se a doença não for tratada seus sintomas podem durar meses ou até anos e piorar de intensidade. Assim, um tratamento apropriado pode melhorar o quadro do paciente.

Depressão recorrente tem cura?

Essa pergunta costuma ser muito realizada por pacientes com o distúrbio ou que acreditam que possam apresentá-lo e depende do ponto de vista do psicólogo ou psiquiatra questionado. Para alguns profissionais da área, a depressão recorrente não tem cura já que se apresenta em vários ciclos, mas seus sintomas podem ser minimizados com tratamentos, permitindo com que o paciente possa viver sua vida sem problemas.

Já para outros, a depressão recorrente tem cura, que se obtém a partir de tratamentos com terapias ou fármacos. No entanto, uma pessoa com esse tipo de depressão pode sofrer de recaídas ao longo da vida.

Tratamento para depressão recorrente

O tratamento da depressão pode variar em função da severidade dos sintomas, dos outros transtornos ou patologias sofridas pelo paciente e pelas respostas obtidas por ele a tratamentos anteriores. Em casos mais graves, o mais recomendado costuma ser psicoterapia combinada com fármacos.

Também é importante ressaltar que muitas vezes o tratamento que mais apresenta resultados positivos para determinado paciente pode demorar para ser encontrado. Os profissionais da área analisam o quadro de cada pessoa depressiva e tentam achar a melhor combinação e dosagem, em caso do uso de medicamentos.

Depressão recorrente: terapia

O tratamento para depressão e depressão recorrente com terapia consiste principalmente em:

  • Proporcionar pautas que a pessoa deve incluir no seu dia dia, como praticar exercícios, encontrar formas de entretenimento ou técnicas de relaxamento e controle da ansiedade, melhorar os hábitos do sono e saber como organizar o tempo livre.
  • Tratar os pensamentos negativos e irracionais que a pessoa apresenta e substitui-los por ideias, crenças e pensamentos mais positivos ou pelo menos que se adaptem melhor. Isso é fundamental para pacientes com risco de cometer tentativas suicidas.
  • Treinar estratégias para solução de problemas. Não ter essa habilidade pode estar relacionado com depressão recorrente.
  • Treinar as competências sociais (treinamento assertivo) da pessoa.
  • Fazer revisões periódicas para analisar se o paciente incorporou o que foi discutido durante a terapia na sua vida.

Atualmente, as terapias psicológicas que mostram uma maior eficácia são as terapias cognitivo comportamental e interpessoal.

Depressão recorrente: sintomas e tratamento - Depressão recorrente: terapia

Depressão recorrente: medicamentos

Mesmo que em alguns casos menos graves de depressão recorrente, ou em outras doenças que também contam com um quadro depressivo, como o transtorno bipolar, não seja necessário o uso de psicofármacos, em casos nos quais a depressão é mais grave ou recorrente, é aconselhado o uso de medicamentos específicos durante um tempo determinado.

Os objetivos principais desses fármacos são os de favorecer a recuperação e prevenir com que o paciente tenha uma recaída da doença no futuro. Os mais usados são:

  • Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (antidepressivos ISRS): são os mais usados e costumam ser a primeira opção no tratamento da depressão por fármacos. Têm menos efeitos colaterais e alguns dos mais conhecidos são Fluoxetina, Paroxetina e Citalopram.
  • Antidepressivos Tricíclicos (ADT): como Clomipramina ou Amitriptilina.
  • Inibidores de Monoaminoxidase (IMAO): são usados com uma frequência menor que os anteriores pelos seus efeitos colaterais mais agressivos. A Iproniazida é um exemplo de IMAO.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Depressão recorrente: sintomas e tratamento, recomendamos que entre na nossa categoria de Psicologia clínica.

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Izabel Tavares
Preciso de ajuda...ja tomei muitos remedios e fui a varios médicos e nada...comecei um tratamento com sertralina.. que acham? Sos

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