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Depressão maior: critérios DSM-V, sintomas, causas e tratamento

 
Por Marta Thomen Bastardas, Psicóloga. 23 março 2021
Depressão maior: critérios DSM-V, sintomas, causas e tratamento

Durante o transcorrer de nossa vida, é normal sofremos períodos nos quais nos sentimos mais tristes do que o habitual e mesmo que muitas vezes consideremos que estar triste não é positivo, é certo que estes sentimentos podem nos ajudar muito a crescer e nos desenvolver como pessoas.

Porém, quando estes sentimentos de tristeza se mantêm por muito tempo e invadem em grande medida os diferentes aspectos de nossa vida, pode ser que estejamos falando de um transtorno patológico, a depressão.

Podemos nos encontrar diante de vários tipos de depressão, neste artigo de Psicologia-Online, vamos falar da depressão maior (transtorno depressivo maior): critérios DSM-V, sintomas, causas e tratamento.

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O que é o transtorno depressivo maior?

A depressão maior faz parte dos denominados transtornos do estado de humor, na qual aparece um sentimento constante de tristeza, de humor decaído, de falta de motivação para fazer aquelas atividades que você gostava de fazer antes. Estes sentimentos afetam todo o conjunto de nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos, o que produz uma interferência em todos os aspectos de nossas vidas, como o pessoal, profissional e/ou relacional.

A depressão maior não é considerada simplesmente uma tristeza temporária, que pode melhorar de um dia para o outro, na maioria dos casos requer um tratamento a longo prazo, no entanto, não se preocupe, na maioria dos casos é reversível.

Depressão maior: critérios DSM-5

Para poder classificar um transtorno depressivo como um transtorno de depressão maior, o DSM-5 propõe os critérios a serem levados em conta no diagnóstico. Os critérios DSM-5 da depressão maior são:

  1. Para poder determinar a aparição de um transtorno de depressão maior, cinco (ou mais) dos seguintes sintomas devem aparecer ao mesmo tempo durante duas semanas, representando uma mudança no modo de viver da pessoa no estado de humor deprimido, ou seja, a perda de interesse nas coisas, de motivação ou prazer:
  • Deve-se apresentar um estado de humor deprimido grande parte do dia, em quase todos os dias.
  • Observa-se uma diminuição do interesse por atividades que costumavam gerar empolgação, durante quase todo o dia, na maior parte dos dias.
  • Ocorre uma perda ou aumento de peso.
  • Alterações nos hábitos de sono, como insônia ou hipersonia, quase todos os dias.
  • A própria pessoa e seu entorno observam uma maior agitação ou diminuição psicomotora, quase todos os dias.
  • A pessoa se sente fatigada e/ou com falta de energia, quase todos os dias.
  • Aparecem sentimentos de culpa e de inutilidade excessivos.
  • Dificuldade para manter a concentração ou tomar decisões.
  • Aparecem pensamentos relacionados à morte de forma recorrente, podendo ser idealizações suicidas sem um determinado plano de execução, tentativas de suicídio ou meditações prévias para prosseguir com o suicídio.

Os seguintes critérios também devem ser cumpridos:

  1. A aparição dos sintomas gerando um elevado mal-estar que produz deterioramento em diferentes áreas nas quais a pessoa se encontra, como profissional ou social.
  2. Os sintomas não podem estar relacionados com o consumo de uma substância, um efeito fisiológico ou uma enfermidade médica.
  3. O episódio depressivo não se encaixa melhor com um diagnóstico do transtorno esquizoafetivo, esquizofrenia, esquizofreniforme, um transtorno delirante ou qualquer outro transtorno não especificado entre os transtornos psicóticos.
  4. Nunca houve um episódio maníaco ou hipomaníaco.

Sintomas de transtorno depressivo maior

Observemos mais detalhadamente quais são os sintomas que aparecem no transtorno depressivo maior, os quais podem ser divididos em sintomas psicológicos, físicos, de comportamento, intelectuais ou cognitivos e sociais, sendo eles:

  1. Psicológicos: a pessoa experimenta um sentimento constante de tristeza, acompanhado de sentimentos excessivos de culpa ou inutilidade. Aparecem pensamentos vinculados à morte, que se manifestam com idealizações suicidas recorrentes, com ou sem plano de execução e podem acontecer tentativas de suicídio ou suicídios consensuais.
  2. Físicos: é habitual que uma pessoa que sofra de depressão maior tenha alterações na higiene do sono, os quais podem causar insônia ou hipersonia, assim como alterações na alimentação, produzindo perdas ou aumentos de peso. A mobilidade também pode ser afetada, com a presença de lentidão de movimento e uma sensação constante de fatiga e falta de energia.
  3. Comportamentais: surge um desinteresse pelas atividades que previamente geravam satisfação, junto com falta de motivação.
  4. Intelectuais ou cognitivos: pode aparecer uma diminuição da capacidade de concentração, de tomada de decisões e do pensamento em geral.
  5. Sociais: a sintomatologia apresentada no transtorno depressivo, pode comportar um isolamento da pessoa, produzindo com isso um deterioramento nas relações sociais.

Causas da depressão maior

Para falar das causas da depressão devemos levar em conta os fatores biológicos, pessoais e ambientais. Sua origem pode ser atribuída a um ou vários fatores.

Fatores biológicos

  • Alteração nos neurotransmissores: nosso cérebro funciona a partir da correta comunicação entre os neurônios do cérebro. Os neurônios podem se comunicar entre si através dos neurotransmissores, tais como a dopamina, a serotonina e a noradrenalina. Na depressão, estas conexões neuronais são alteradas e por isso um mal funcionamento cerebral é produzido.
  • Alterações em áreas cerebrais: na depressão, ocorre uma alteração na área frontal e no sistema límbico de nosso cérebro.
  • Alterações genéticas: frente à herança genética na depressão, onde há mais possibilidade de desenvolver um transtorno depressivo se um familiar próximo sofre um, pode-se encontrar um fator genético de tal transtorno. No entanto, atualmente ainda não foi apontado um gene relacionado com a aparição da depressão.

Fatores relacionados com a personalidade

A personalidade de cada um nos torna mais vulneráveis a um possível desenvolvimento de uma patologia. Na depressão, as personalidades mais inseguras, ansiosas, dependentes, perfeccionistas e autoexigentes possuem mais chances de desenvolver uma depressão.

Fatores ambientais

Certos eventos traumáticos ou estressantes da vida da pessoa, como a perda de um familiar, lutos, situações econômicas precárias, doenças agudas, ... podem predispor o desenvolvimento de uma doença.

Depressão maior: critérios DSM-V, sintomas, causas e tratamento - Causas da depressão maior

Tratamento do transtorno depressivo maior

O tratamento da depressão maior deve ser feito de forma individualizada, devido ao fato de que o transtorno pode aparecer de formas muito diferentes em cada pessoa.

Frente a isso, podemos dispor de alternativas terapêuticas distintas, concentrando seu enfoque no tratamento psicológico e farmacológico. Estas duas modalidades não são excludentes entre si, de fato, a grande maioria das remissões do transtorno depressivo são produzidas com o benefício das duas intervenções combinadas.

Tratamento psicoterapêutico da depressão maior

Nos transtornos depressivos a modalidade terapêutica que tem demonstrado maior eficácia tem sido a terapia cognitivo-comportamental. O objetivo desta modalidade terapêutica é que se produza uma mudança nas emoções que a pessoa sente, nos pensamentos que se estabeleceram e nos comportamentos que estes pensamentos e sentimentos desenvolvem.

A pessoa que sofre de uma depressão maior mantém uma visão negativa sobre ela, sobre o mundo e sobre o futuro, sem esperança. Esta percepção aparece como causa de um conjunto de pensamentos automáticos irracionais que se estabeleceram e que produzem alterações em sua vida cotidiana, por exemplo, "por que devo buscar um/a parceiro/a se ninguém vai me querer?", estes pensamentos surgem de forma espontânea e natural, porque a pessoa os tem interiorizados. A psicoterapia cognitivo-comportamental pretende mudar os pensamentos automáticos que o transtorno mantém, por construções mais saudáveis, positivas e racionais, a partir da técnica da reestruturação cognitiva. Diante da possibilidade de mudar este conjunto de pensamentos, a pessoa começará a agir de forma diferente, a tomar atitudes e com isso se sentirá muito melhor.

Por outro lado, também tratará os traços de personalidade que mantêm o transtorno depressivo, para ajudar a pessoa a ter uma menor vulnerabilidade ao humor depressivo.

Nesta intervenção, é importante aprender a identificar a aparição precoce dos sintomas e as possíveis recaídas.

Finalmente, tendo em conta que é muito frequente uma comorbidade com picos de ansiedade e estresse na depressão, será importante dotar a pessoa com estratégias para poder combater estes sintomas de ansiedade, onde o terapeuta oferecerá diferentes técnicas de relaxamento ou de melhora na habilidade de solução de problemas para poder enfrentá-los.

Tratamento farmacológico da depressão maior

O eixo principal do tratamento farmacológico da depressão maior reside nos remédios denominados antidepressivos. Foi demonstrada empiricamente a necessidade de sua administração nos casos graves ou moderados da depressão maior.

Um aspecto importante para a pessoa saber ao tomar esses remédios, é que os efeitos do tratamento farmacológico para a depressão começam a fazer efeito a partir de 3 ou 4 semanas de sua administração. Por outro lado, cabe destacar que podemos nos encontrar com uma grande variedade de fármacos antidepressivos, os quais serão prescritos em função das necessidades e características de cada paciente.

Para o tratamento farmacológico do transtorno, podemos fazer uso dos seguintes medicamentos para a depressão maior:

  • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS);
  • Inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN);
  • Antidepressivos atípicos;
  • Antidepressivos tricíclicos;
  • Inibidores da monoamina oxidase (IMAO).

Se um ente querido seu tem depressão, neste post explicamos como ajudar uma pessoa com depressão.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
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