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O que é sistema límbico: funções, anatomia e doenças associadas

 
Por Claudia Pradas Gallardo. 11 março 2019
O que é sistema límbico: funções, anatomia e doenças associadas

O sistema límbico é a parte do nosso cérebro encarregada de regular as respostas fisiológicas e emocionais do nosso corpo. As estruturas anatômicas do sistema límbico são as responsáveis por processar as nossas emoções e regular a nossa conduta, assim o sistema límbico do cérebro funciona como o centro das emoções.

Essa parte do cérebro sempre despertou muita curiosidade dentro da comunidade científica e no mundo da psicologia já que é incrível investigar como uma parte concreta da nossa anatomia pode regular algo tão importante como as nossas emoções.

Nesse artigo de Psicologia-Online, te mostraremos o que é sistema límbico, qual a função do sistema límbico além de descrever suas estruturas e anatomia e informar quais são as doenças relacionadas a ele.

O que é sistema límbico

O conjunto de zonas cerebrais que temos nem sempre foi definido como o entendemos atualmente. Ao longo da evolução histórica e dos avanços da neurociência, o termo sistema límbico evolucionou até a definição que usamos hoje em dia.

Sistema límbico: evolução do termo

Há dois séculos, um cientista chamado Paul Broca se referiu pela primeira vez ao sistema límbico para se tratar da zona adjacente à glândula pineal. Broca afirmou a existência de um "grande lóbulo límbico", que englobava todo o aspecto medial dos hemisférios cerebrais ao redor do corpo caloso. O estudioso também introduziu neste grande lóbulo os bulbos olfactórios, mesmo que estes não estejam muito relacionados com o processamento de emoções.

Posteriormente, James Papez descobriu um circuito formado por estruturas nervosas que também fazem parte do sistema límbico, o que ficou conhecido como o circuito de papez. Esse neurólogo também foi o primeiro a propor um modelo anatômico para as emoções e para colocar em examinação tudo aquilo que estiver relacionado com o plano sentimental.

Só em 1952, no entanto, que Paul McLean deu nome ao termo sistema límbico da maneira como conhecemos atualmente. Esse cientista definiu as estruturas neuronais implicadas nesse sistema e propôs várias teorias em relação ao cérebro e à sua evolução.

Nelas, o estudioso afirmava que o sistema emocional era o mais avançado de todos (ele definiu isso dentro do cérebro de um neo-mamífero) e que era algo próprio de mamíferos muito avançados.

O que é sistema límbico: definição atual

Hoje em dia, quando falamos de sistema límbico fazemos referência a um conjunto de estruturas situadas no encéfalo (área interna do cérebro) cuja utilidade principal é a gestão e a regulação das emoções. O que muitas vezes definimos na psicologia como o inconsciente ou o irracional tem sua base em uma área muito concreta da anatomia humana.

Esse sistema é formado por estruturas como o hipotálamo, hipocampo, amígdala, entre outras que descreveremos em seções seguintes.

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Sistema límbico: anatomia

O sistema límbico, ou sistema nervoso emocional, está situado na área interna do nosso cérebro, depois do córtex cerebral. Ele recebe influências de muitas outras vias do sistema nervoso relacionadas aos nossos sentidos: os sistemas auditivo, olfativo, sensorial do tato e do paladar.

Por estar conectado com tantas outras vias, é muito complicado montar um esquema totalmente preciso de todos os seus elementos anatômicos. No entanto, podemos afirmar que a anatomia e as estruturas do sistema límbico é formada por:

1. Hipocampo

Esse elemento está relacionado com a transformação da memória recente pela memória de longo prazo e a memória autobiográfica. O encontramos na parte central do lóbulo temporal (1) e também tem uma importante função relacionada à orientação e à memória espacial.

2. Amígdala ou amígdala cerebral

A amígdala ou corpo amigdalino é uma massa de neurônios em forma de uma amêndoa localizada em um dos lóbulos temporais (2). Essa zona do sistema límbico está relacionada com a formação e o armazenamento de memória associada a feitos e acontecimentos que nos produziram fortes emoções. Se diz que a amígdala cerebral é a sede de todas as emoções. Além disso, estudos recentes também demonstram que esse elemento tem uma forte implicação na consolidação da memória.

3. Tálamo e hipotálamo

  • O tálamo é definido como a estrutura cerebral situada em cima do hipotálamo (3). Todos os estímulos sensoriais (menos o olfato) passam por essa região do nosso sistema límbico para depois se derivar a zonas mais específicas. Essa parte do nosso cérebro tem a função principal de se comportar como núcleo de conexão e associação de estímulos e informação de caráter emocional.
  • Já o hipotálamo é um pequeno elemento de nosso sistema nervoso emocional (4), mas que possui muitas funções neuroniais. A função do hipotálamo é a de gerir e coordenar o equilíbrio do nosso corpo. Esse equilíbrio é conhecido como hometostase e é o processo mediante o qual nos regulamos e podemos nos manter estáveis. Recentemente descobriu-se que o hipotálamo também percebe os níveis de uma proteína chamada leptina quando comemos muito e, como resposta a outros níveis, diminui o nosso apetite. Ela também regula condutas tais quais os ciclos do sono e o mantimento da temperatura corporal.

4. Gânglios da base

Os gânglios da base participam de forma indireta no sistema nervoso emocional. esses se encarregam de gerir nossas respostas motoras (gestos ou expressões) relacionadas aos estados emocionais produzidos pelas outras partes do sistema límbico.

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Funções do sistema límbico

Como já dissemos anteriormente, o sistema límbico é encarregado da regulação e da expressão motora das emoções. Agora que você já sabe o que é sistema límbico, confira as principais funções do sistema límbico:

  • Busca a autopreservação da espécie mediante à ativação dos sistemas de homeostase.
  • É encarregado de gerir a maioria dos mecanismos cerebrais relacionados à memória.
  • Os circuitos de prazer e vício passam pela amígdala, pelo hipocampo e por outros núcleos do sistema límbico. Por isso, os sentimentos agradáveis nascem dai.
  • Ativa o sistema nervoso autônomo. Ele é responsável por enviar sinais aos nervos para manter um estado de alerta (sistema nervoso simpático) ou para inibir esse estado (sistema nervoso parassimpático).
  • De acordo com pesquisas e estudos, o sistema límbico também pode ter possíveis implicações em algumas condutas sexuais.

Sistema límbico e emoções

Quando falamos de vivências emocionais, nos vem à cabeça uma certa sensação de irracionalidade que parece que não vem do nosso cérebro. No entanto, o órgão sempre relacionado à razão é o principal causador das nossas respostas emocionais. Assim, podemos afirmar que as nossas emoções são sim processadas pelo sistema nervoso central.

O sistema límbico possui uma grande quantidade de estruturas neuronais encarregadas de regular as emoções através de neurotransmissores.

É ele que regula as respostas do nosso corpo ante a estímulos emocionais. O sistema límbico, por exemplo, ativa sistemas de alerta e aumenta a taxa de batimentos cardíacos quando estamos nervosos ou sentimos medo.

Graças aos estudos de Papez, e mais recentemente de McLean com sua teoria do cérebro trino, foram descobertos os núcleos emocionais nesse sistema cerebral. O último neurocientista, aliás, utilizou o termo cérebro límbico ou emocional como uma das três estruturas que enumera em sua teoria.

E mesmo que atualmente algumas dessas teorias já estejam um pouco defasadas ou desatualizadas e que na verdade todo o sistema nervoso atua na regulação das emoções, não se pode duvidar que existe uma importante relação entre o sistema límbico e as emoções.

Sistema límbico: doenças

Sabendo o que é sistema límbico, suas funções e anatomia, explicaremos um pouco sobre as doenças que estão relacionadas a ele. Por ser uma parte tão importante do nosso sistema nervoso, existem vários transtornos associados ao sistema límbico e, entre eles, destacamos os seguintes:

  • Esquizofrenia: muitos estudos demonstram que essa doença está relacionada com uma notável diminuição do hipocampo. Por isso, esse transtorno afeta a organização das memórias e da aprendizagem de um indivíduo.
  • TDAH: uma grande parte da comunidade científica afirma que o transtorno do déficit de atenção surge em pessoas que contam com um defeito aumentado na área do hipocampo e das amígdalas. Esses estudiosos afirmam que, por existir tantos neurônios sobrexitadas, crianças e adultos apresentam desinibição comportamental e emocional.
  • Encefalopatia límbica: os pacientes que sofrem dessa doença podem apresentar perdas de memória a longo prazo, mudanças de conduta e, em alguns casos, convulsões extremas. A encefalopatia pode ter sintomas sutis no começo porém costuma avançar rapidamente. No entanto, ela tem um bom prognóstico, e um rápido tratamento pode garantir uma recuperação completa.
  • Epilepsia psicomotora: quando os neurônios situados na zona do hipocampo se lesionam causam essa doença que também afeta os lóbulos temporais. Seus sintomas variam entre defeitos na grafia (escrever com letras muito grandes ou pequenas) e até em disfunções sexuais.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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