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Como deixar de ser uma pessoa tóxica

 
Por Equipe editorial. 4 março 2020
Como deixar de ser uma pessoa tóxica

Você acha que seu comportamento é tóxico? Sente que prejudica as pessoas ao seu redor? Não sabe como agir ou se comportar para não machucar os outros? Se você acha que não está agindo de forma empática com o seu ambiente e está preocupado/a por ser uma pessoa tóxica, neste artigo de Psicologia-Online, explicamos como deixar de ser uma pessoa tóxica, como detectar comportamentos negativos em relação aos outros e a si próprio para poder melhorar suas relações pessoais.

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Por que sou uma pessoa tóxica

Se você se considera uma pessoa tóxica porque ter sido informado por alguém próximo ou porque sente que algo não está indo bem em seus relacionamentos, é importante que você tenha claro os conceitos nos quais a personalidade tóxica se baseia, para que você possa ver se se identifica. Se procuramos em qualquer lugar a definição de pessoa tóxica, encontramos uma explicação consensual similar a essa: “Pessoa egoísta e/ou narcisista que afeta as pessoas que a rodeiam.”

Se tomamos isso como base da personalidade tóxica, há duas características importantes a serem consideradas: o egoísmo e o narcisismo. Quando consideramos esses dois termos, é muito improvável que tenhamos a capacidade de reconhecê-los, pois, por outro lado, é necessária humildade para reconhecer as qualidades que consideramos menos favoráveis em nós mesmos. Deixando isso de lado, gostaria de continuar analisando os termos que nos dizem respeito, egoísmo e narcisismo.

O egoísmo

Quando pensamos no termo egoísmo, automaticamente o classificamos como negativo, levando a pensamentos de atitudes déspotas, arrogantes, etc., mas a definição de egoísmo tem mais dimensões do que conhecemos. Existe o egoísmo altruísta, o egoísmo consciente e o egoísmo egocêntrico. Esses três tipos de egoísmo têm a mesma raiz, a função principal de satisfazer nossas necessidades, mas a diferença está em como essa necessidade é expressa ao mundo.

No egoísmo altruísta, tem sua essência quando não nos movemos pela necessidade de satisfazer constantemente nosso vazio emocional, permitindo desfrutar dos vínculos com outras pessoas a partir do amor.

O egoísmo consciente refere-se ao relacionamento que construímos com nós mesmos, a partir do amor próprio e da auto-satisfação de nossas necessidades, como base para a felicidade ser encontrada em nós mesmos e não em fatores externos, sejam pessoas ou objetos.

E, finalmente, o egoísmo egocêntrico é gerado por essa baixa conexão com nós mesmos, a insegurança que produz uma autoestima frágil e que precisa de aprovação constante por pessoas externas, posição social, cargos, etc. Isso leva a uma atitude de necessidade constante quando nos conectamos com outras pessoas.

  • Por exemplo: preciso que me digam que estou bem quando me preparo, porque não sou capaz de me sentir seguro da minha imagem.

Neste exemplo, vemos a função que outras pessoas exercem para a manutenção de nossa autoestima. Convido você a dedicar um tempo para refletir como são seus relacionamentos com as pessoas ao seu redor, o que elas contribuem para seu ser e se há uma exigência da sua parte, com essa simples observação, você poderá detectar se seus relacionamentos são saudáveis ou têm alguma atitude tóxica da sua parte.

O narcisismo

Por outro lado, temos o fator narcisista, essa característica do comportamento é baseada em uma crença exagerada da importância de si mesmo, juntamente da constante necessidade de admiração e atenção dos outros, com foco na crença em si. Isso implica uma baixa empatia por parte das pessoas com traços narcisistas. A empatia nos permite detectar emoções de outras pessoas e criar vínculos com as pessoas ao nosso redor, isso significa que as pessoas com traços narcisistas geralmente não pensam nas implicações de suas ações, nem como podem afetar os outros, pois seu nível de empatia é muito baixo ou nulo.

  • Por exemplo: quero sair com meu cônjuge para comer e desejo comer sushi, a outra pessoa não gosta de sushi, mas sou indiferente e, se não vamos comer sushi, fico irritado com meu cônjuge.

Como deixar de ser uma pessoa tóxica

Se você detecta alguma semelhança entre seu comportamento habitual e as características comentadas anteriormente, é importante que você reconheça sua coragem, porque isso significa que deseja melhorar e mudar o que não é ideal para você em seus relacionamentos íntimos. Lembre-se que as pessoas não adquirem comportamentos tóxicos, em geral por vontade própria ou por consciência, mas é uma necessidade intrínseca derivada de vazios emocionais ou baixo conhecimento emocional. Por esse motivo, a atitude de querer melhorar é um grande fator nessa mudança vital, que permitirá que você se motive a crescer emocionalmente e aprender em uma área nova da sua vida.

Esse aprendizado pode começar com um simples exercício: pare e faça uma autocrítica para pode detectar quando seu comportamento é excessivo e até onde é capaz de chegar para conseguir sua satisfação pessoal. É provável que a princípio você ache difícil reconhecer as características narcisistas ou egoístas, já que seu discurso mental é formado a partir dessa atitude. Se levarmos em consideração que nos construímos através do discurso mental, é fácil começar a nos reconhecer através dele, ou seja, se escutarmos a nós mesmos enquanto dizemos algo, simplesmente observando-o, sem julgar ou querer estar certo, apenas nos ouvindo como se fossemos espectadores de nós mesmos, podemos começar a nos descobrir e fazer as mudanças necessárias.

Por exemplo, pense em uma situação em que você foi egoísta, que gostaria de estar certo ou de colocar seus desejos diante dos outros. Comece um discurso mental explicando o que aconteceu naquela ocasião. Deixe o discurso mental fluir, mas observe-o e analise:

  • Como você se justifica?
  • Quem assume a responsabilidade?
  • Que posicionamento você adquiriu nessa situação?

Quando você terminar o discurso, faça a si mesmo essas três perguntas, se as respostas forem direcionadas para uma explicação “coerente” do porquê você agiu assim, que era seu direito ou seu dever, que a responsabilidade é do outro e que “eu não sou culpado”, é provável que exista uma baixa responsabilidade de você mesmo e seu comportamento.

Se for difícil fazer esse exercício sozinho, procure alguém de confiança para ajudá-lo, peça que simplesmente ouça seu discurso sem dar opinião.

Depois de tentar esse exercício, você pode fazê-lo novamente, desta vez questionando a si mesmo, não acontece nada por se sentir inseguro ou vulnerável, aprender a se sentir vulnerável nos permite entrar em contato com outras dimensões emocionais que nos ajudam a crescer. Estamos rodeados de estímulos e crenças que repetem que se sentir fraco ou ruim é algo negativo, no estudo da dimensão emocional do ser humano, essa crença é completamente errada e contraproducente, pois a dor emocional e a tristeza têm funções específicas no crescimento emocional. Do mesmo modo, quando quebramos um braço, sentimos dor e isso nos alerta que algo não está indo bem, ajudando-nos a tomar consciência da imobilização e da necessidade de repouso do membro afetado para sua recuperação efetiva, a dor emocional age da mesma maneira.

Quando nos sentimos fracos, vulneráveis ou tristes, é um indicativo de que algo não vai bem, por isso é saudável nos dar o espaço necessário para cuidar e atender nós mesmos emocionalmente. Como explicávamos antes, traços narcisistas e/ou egocêntricos têm uma autoestima frágil, sustentada por estímulos externos, possivelmente quando você começa a revisar esses aspectos mais internos, sente sensações desagradáveis ou incomodas que não sabe lidar. É bom que, no processo de melhoria, você conte com apoios reais que possam transmitir confiança, bem-estar e segurança emocional.

Existem profissionais especializados nas emoções que podem acompanhá-lo nesse processo para ganhar mais confiança em você e conhecimento de suas emoções. Nesse caso, os profissionais com abordagens humanísticas e/ou transpessoais são os mais adequados para trabalhar a autoestima e os comportamentos derivados do mundo emocional.

Como deixar de ser uma pessoa tóxica no relacionamento

A primeira coisa a ter mente para parar de ser uma pessoa tóxica é seu comportamento, detectar como você afeta os outros e como pode melhorar essa atitude. As atitudes podem ser modificadas pouco a pouco, com paciência e tornando-se muito consciente delas para não as repetir.

Aprender a valorizar as emoções da outra pessoa, tentar compreender e respeitar atitudes diferentes das suas fará com que sua empatia cresça e experimente maior satisfação com seus vínculos. Lembre-se que os relacionamentos não são para satisfazer nossa necessidade, mas para compartilhar o que somos ajudará você a ter uma boa base em seus relacionamentos. Algo muito interessante nos relacionamentos que construímos é que tendem a ser um reflexo de quem somos, ou seja, temos relacionamentos saudáveis e satisfatórios quando conseguimos ter um bom relacionamento com nós mesmos. Portanto, para poder aprender a valorizar as emoções e respeitar as atitudes dos outros, primeiro temos que compreender nossas próprias emoções e atitudes em todas as suas facetas.

Se você acha que seu comportamento foi realmente tóxico no passado e deseja melhorar, é muito coerente e saudável que você informe seu ambiente e relacionamentos que considere importantes sobre a mudança que deseja fazer. Se o ambiente o apoia e você o vê positivamente, é uma boa base para poder crescer, se, pelo contrário, existem reticências, é bom que você compreenda que quando realizamos uma mudança, seja o que for, o ambiente ao qual pertencemos começa a mudar de forma periférica e isso nem sempre é algo que todo mundo quer experimentar. Respeitar os medos dos outros e seu próprio processo permitirá que você se concentre nos seus, sem julgar os outros.

Posteriormente, é saudável tentar detectar qual é sua necessidade, qual é a raiz desse comportamento e o que você está procurando nos outros. Saber isso o ajudará a satisfazê-lo da maneira mais saudável e com você. Esses processos nunca são rápidos nem simples, mas no momento que somos capazes de detectá-los temos a capacidade de modificá-los e crescer emocionalmente. Lembre-se que os processos emocionais são complicados e aprender a pedir ajuda é um sinal de compromisso e amor próprio.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Fromm, E. (2017) Tener o ser. Barcelona: Paidós.
  • Goleman, D. (1996) Inteligencia Emocional. Barcelona: Kairós.
  • Lowen, A. (2000) El narcisismo. Barcelona: Paidós.

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