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O que é transfobia: características e exemplos

 
Por Equipe editorial. 29 dezembro 2021
O que é transfobia: características e exemplos

Em 17 de Maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) eliminou a homossexualidade da lista dos transtornos mentais. Isto marcou um antes e um depois na sociedade em que vivemos. Mesmo assim, atualmente há uma grande discriminação quanto a questões de gênero, como é no caso da homofobia e da transfobia.

A transfobia é um conceito relativamente novo, objetivamente surge no final da década de 90 nos Estados Unidos. No entanto, as atitudes que este termo descreve estiveram presentes ao longo da história, apesar de que não o teríamos concebido nem entendido como faríamos na atualidade. Você está interessado em saber do que se trata? Descubra neste artigo de Psicologia-Online, no qual nos aprofundaremos sobre o que é a transfobia, suas principais características e exemplos.

O que é transfobia

O significado de transfobia faz referência ao medo, repulsa e aversão obsessiva pelas pessoas transexuais, transgênero ou travestis. Faz referência ao medo irracional pelas pessoas que não se identificam com o gênero biologicamente designado ou simplesmente tendem a se vestir da forma com que o sexo contrário se veste. A transfobia também é conhecida como cissexismo, transpreconceito, transmisoginia, referindo-se a mulheres trans, ou transandrofobia, quando se trata dos homens trans.

É interessante citar que o termo transexualidade foi introduzido no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais[1] em 1980, quase ao mesmo tempo em que se eliminava o termo homossexualidade. No entanto, este conceito foi mudando durante os anos nos diferentes manuais, incluído no DSM-5, o qual atualmente fala de disforia de gênero. A disforia faz referência ao mal-estar que provoca a discordância entre a identidade e o sexo biologicamente designado.

Além disso, incluir o termo transexualidade nos manuais de transtornos mentais não garantiu que em muitos países se proporcione a atenção de saúde que estas pessoas precisam. De fato, em muitos lugares do mundo se persegue, condena e se maltrata os indivíduos transexuais. Isto ajuda a entender que na transfobia existe um importante componente cultural. Por exemplo, na cultura africana se reprime e se nega a existência da transexualidade.

Características da transfobia

A transfobia se manifesta de vários modos. Algumas das características da transfobia são:

  • Considerar as pessoas transexuais inferiores, anormais ou doentes.
  • Armazenar, insultar, abusar, discriminar, intimidar e manifestar violência física e/ou psicológica em relação a estas.
  • Expressar aversão e preconceitos.
  • Não aceitar a identidade de gênero com a qual a pessoa trans se identifica e negar-se a utilizar o pronome que ela deseja.

Tipos de transfobia

Existem diferentes tipos de transfobia. Vejamos quais existem:

  • Transfobia direta: de maneira intencional se expressa discriminação e violência física e/ou verbal por estas pessoas. Por exemplo, quando se nega um tratamento médico a elas pelo simples fato de serem transexuais.
  • Transfobia indireta: na rejeição passiva. A pessoa não tem a intenção de provocar danos ao outro e simplesmente o faz por ignorância. Por exemplo, na política de não discriminação muitas vezes os transexuais ficam excluídos.

Exemplos da transfobia

A seguir, são expostos exemplos da transfobia em diferentes âmbitos nos quais este tipo de comportamento ocorre:

  • Âmbito escolar: nos centros educacionais há muita violência deste tipo e, em certos casos, isto faz com que os alunos abandonem os estudos. Frequentemente esta população apresenta problemas de autoestima e outros problemas psicológicos. Além disso, também é importante destacar que entre os adolescentes é muito frequente o cyberbullying ou bullying virtual. Isto é importante, já que o abuso já não se limita ao ambiente escolar.
  • Âmbito familiar: outro dos exemplos da transfobia é que o abuso e o maltrato familiar geralmente aumenta nos casos das pessoas transexuais. Muitas vezes esta identidade sexual não é aceita pelas famílias, que agem de maneira transfóbica direta ou indiretamente.
  • Âmbito profissional: atualmente, a taxa de desemprego desta classe está ao redor de 20,47%[2] em nosso país. Estes dados refletem que a inserção laboral para esta população é muito complexa, já que habitualmente o setor empresarial não está disposto a contratá-las. Isto causa isolamento e certo grau de exclusão social, o que repercute em sua saúde mental. A transfobia também se manifesta mediante o assédio moral no trabalho. Neste artigo, te contamos o que é assédio moral no trabalho e suas consequências.

Infelizmente, a transfobia é um problema importante em nossa sociedade. Em muitas ocasiões podemos não ser conscientes de que algumas de nossas atitudes podem ser transfóbicas. No entanto, no presente existem muitas associações que lutam contra a transfobia e isto está repercutindo paulatinamente em uma mudança de mentalidade da população, mesmo que ainda tenha um longo caminho a percorrer.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Referências
  1. American Psychiatric Association. (2014). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM-5). American Psychiatric Pub.
  2. CNN BRASIL. Seis em casa 10 pessoas LGBTQIA+ perderam renda ou emprego na pandemia. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/business/seis-em-cada-10-pessoas-lgbtqia-perderam-renda-ou-emprego-na-pandemia/> Acesso em: 23 de dezembro de 2021.
Bibliografia
  • Barffusón, R. (2018). Por una vida libre de homofobia y transfobia. La Palabra y el Hombre, revista de la Universidad Veracruzana, 1(43), 38-41.
  • Grau, J. M. (2017). Del transexualismo a la disforia de género en el DSM. Cambios terminológicos, misma esencia patologizante. Revista internacional de sociología, 75(2), 059.
  • Martínez, D. B. (2011). Transexualidad, salud y derechos humanos. Revista de Estudios de Antropología Sexual,1(3) enero-diciembre
  • Platero Méndez, R. L. (2014). La agencia de los jóvenes trans* para enfrentarse a la transfobia. Revista internacional de Pensamiento Político,9.

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