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Pensamento lateral: o que é, características e exemplos

 
Por Marta Thomen Bastardas, Psicóloga. 18 setembro 2019
Pensamento lateral: o que é, características e exemplos

Até ao dia de hoje, fomos incentivados desde o ensino infantil a elaborar as formulações do nosso pensamento em torno do eixo do pensamento vertical, também conhecido como pensamento lógico. O pensamento vertical é um pensamento lineal que segue uma trajetória já definida, utilizando ideias ou conhecimentos já existentes. Por exemplo, quando queremos resolver um problema matemático, usamos as fórmulas estabelecidas, seguindo os passos requeridos para resolver o exercício.

Contudo, em 1967, Edward de Bono introduziu o conceito do pensamento lateral para introduzir os processos mentais da criatividade, engenho e perspicácia na elaboração dos nossos pensamentos para poder observar como a realidade é vista desde ângulos diferentes e poder reestruturar e mudar as ideias previamente aprendidas.

Nesse artigo de Psicologia-Online, te ajudaremos a compreender a necessidade e utilidade do uso do pensamento lateral: o que é, características e exemplos.

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Pensamento vertical: características

O que é o pensamento vertical? O pensamento vertical ou lógico é o tipo de pensamento que destaca a corrente sequencial lógica e correta das ideias, ou seja, para o seu funcionamento correto os passos que se seguem para alcançar a solução correta são muito importantes, de modo a que a direção do pensamento esteja claramente definida, deixando entrever uma solução. Além disso, partem de ideias ou conhecimentos prévios que já foram validados, soluções que já demonstraram a sua eficácia.

Esta forma de estruturar os nossos pensamentos é muito útil em determinados campos, como nas matemáticas e nas ciências. Por exemplo, ao tentar resolver um problema matemático, deve ser seguida uma sequência determinada, a alteração dos passos produz uma alteração da solução correta. Se tentamos resolver uma operação matemática simples como 25 + 4 / 2, o resultado difere se alternamos os passos.

Pensamento lateral: características

O que é o pensamento lateral? Edward Bono introduziu o pensamento lateral ou divergente. Este pensamento surge da ideia de introduzir a perspicácia, a criatividade e o engenho na elaboração dos nossos pensamentos, já que o seguimento de modelos fixos de conceitos, como no pensamento lógico, limita a criação de novas ideias. Isso não exclui a utilidade do pensamento vertical, uma vez que os dois são complementares e necessários.

Este modelo de pensamento valoriza a ideia de que a criatividade é um fator de mudança e progresso, procurando reestruturar os modelos já estabelecidos com a finalidade de elaborar modelos novos, buscando que as ideias antiquadas estabelecidas há muito tempo na nossa sociedade sejam liberadas do seu foco restritivo, permitindo assim mudanças de atitudes e o foco em conceitos que até hoje não eram modificáveis.

Em suma, o pensamento lateral procura criar novos focos e, no seu processo, não importam os passos a seguir, é possível saltar de um para outro ou, se as ideias nas quais se fundamenta podem incluir respostas erróneas, explora todas as possibilidades possíveis. Logo, não segue uma direcção, busca criar uma própria.

Um exemplo de pensamento lateral simples seria o seguinte:

"Há meses do ano que têm 31 dias, outros apenas 30. Quantos têm 28 dias?"

Pense na resposta antes de ler a solução.

Se a resposta na qual você pensou é um mês, pensando no mês de fevereiro, a resposta é incorreta. Esta resposta, própria do pensamento vertical, é a que tendemos a utilizar com a argumentação lógica. No entanto, todos os meses do ano possuem 28 dias. Esta resposta é própria do pensamento lateral, o qual contempla todas as possibilidades e associações existentes, fomentando assim o nosso engenho.

6 diferenças entre pensamento lateral e vertical

Em seguida, detalhamos as seis principais diferenças entre o pensamento lateral e vertical.

  1. A importância do processo a seguir. No pensamento lateral, o que importa é a eficácia da conclusão, sem dar importância aos caminhos seguidos para alcançar esta conclusão ou sem ter em contra se os mesmos são corretos, uma vez que todos são contemplados. Ao invés, para alcançar a solução correta no pensamento vertical, o mais é importante é a corrente de ideias para chegar a essa conclusão.
  2. O objetivo do processo. Como consequência da diferença anterior, o pensamento vertical busca alcançar uma solução através de uma única direção previamente definida. Por sua vez, o pensamento lateral não busca seguir uma direção para alcançar uma solução, se move para elaborar uma nova direção, busca uma restruturação das ideias, a mudança.
  3. O respeito pelos passos estabelecidos. O correto funcionamento do pensamento vertical implica uma sequência de ideias, os passos previamente estabelecidos para alcançar a solução correta devem ser seguidos e pular os passos altera a resposta, cada passo depende do anterior. O pensamento lateral permite saltar passos, efetuar saltos de um passo a outro, não importando a sequência dos mesmos. Assim, a validez da solução não depende do fato de o caminho ser o correto, se atribui importância á criação da nova conclusão.
  4. Relação com outros temas. No pensamento vertical, não se têm em conta as considerações que não parecem estar relacionadas com o tema que se está trabalhando, no pensamento lateral todas as opções são baralhadas, embora estas possam parecer alheias ao contexto sobre o qual se trabalha, uma vez que quanto menor for a relação com a ideia estabelecida, mais possibilidades existem de estabelecer novos conceitos.
  5. A missão. O pensamento vertical é regido pela evidência, enquanto que o lateral procura encontrar o foco menos óbvio.
  6. A solução. O objetivo do pensamento vertical é alcançar uma solução, existindo sempre uma solução mínima. Por outro lado, o pensamento lateral não garante sempre que se possa encontrar uma solução, mas incrementa a oportunidade de encontrar uma solução melhor.

Em suma, podemos afirmar que os dois pensamentos são modelos de funcionamento oposto. No entanto, nenhum é mais eficaz que o outro, os dois são necessários em diferentes âmbitos de aplicação e até complementares em muitos casos.

Exemplo de pensamento lateral e vertical

O pensamento lateral e vertical podem complementar-se. Um exemplo de pensamento lateral e vertical poderia ser o seguinte: imaginemos que estamos montando um móvel, para isso empregaríamos o pensamento vertical, seguindo os passos indicados nas instruções. Contudo, imaginemos que de repente vemos que estamos finalizando o móvel e que o estamos montando mal, que perdemos ou quebramos algumas peças. Nessa situação, utilizaríamos o pensamento lateral, tratando de buscar uma alternativa para finalizar a montagem, por exemplo, cortando uma peça que não encaixa em um sítio por falta de outra ou buscando em casa alguma peça que possa substituir a que foi perdida.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Allueva, P . (2002). Desarrollo de la creatividad: diseño y evaluación de un programa de intervención. Revista Persona 5, 67-81.
  • Allueva, P. (2004). Desarrollo del pensamiento creativo en el ámbito universitario. ANUARIO DE FILOSOFÍA, PSICOLOGÍA Y SOCIOLOGÍA, 7, 117-130.
  • De Bono, E. (1986). El pensamiento lateral. Manual de creatividad. Buenos Aires: Paidòs Ibérica.
  • Sánchez, L. La inflexión entre el pensamiento vertical y el pensamiento lateral.

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