Psicologia cognitiva

Pensamento lateral: o que é, características e exemplos

 
Marta Thomen Bastardas
Por Marta Thomen Bastardas, Psicóloga. Atualizado: 7 junho 2026
Pensamento lateral: o que é, características e exemplos
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Até ao dia de hoje, fomos incentivados desde o ensino infantil a elaborar as formulações do nosso pensamento em torno do eixo do pensamento vertical, também conhecido como pensamento lógico. O pensamento vertical é um pensamento linear que segue uma trajetória já definida, utilizando ideias ou conhecimentos já existentes. Por exemplo, quando queremos resolver um problema matemático, usamos as fórmulas estabelecidas, seguindo os passos requeridos para resolver o exercício.

Contudo, em 1967, Edward de Bono introduziu o conceito do pensamento lateral para incorporar processos mentais de criatividade, engenho e perspicácia na elaboração dos nossos pensamentos, permitindo observar como a realidade pode ser vista de diferentes ângulos e possibilitando a reestruturação e a mudança de ideias previamente aprendidas.

Neste artigo de Psicologia-Online, te ajudaremos a compreender a necessidade e utilidade do uso do pensamento lateral: o que é, características e exemplos.

Índice
  1. Pensamento vertical: características
  2. Pensamento lateral: características
  3. 6 diferenças entre pensamento lateral e vertical
  4. Exemplo de pensamento lateral e vertical

Pensamento vertical: características

O que é o pensamento vertical? O pensamento vertical ou lógico é o tipo de pensamento que destaca a corrente sequencial lógica e correta das ideias. Para seu funcionamento adequado, os passos seguidos para alcançar a solução correta são cruciais, garantindo que a direção do pensamento esteja claramente definida e a solução seja evidente. Além disso, utiliza ideias ou conhecimentos prévios que já foram validados, soluções que já demonstraram sua eficácia.

Essa forma de estruturar nossos pensamentos é muito útil em determinados campos, como nas matemáticas e nas ciências. Por exemplo, ao tentar resolver um problema matemático, deve-se seguir uma sequência determinada, pois a alteração dos passos resulta em uma solução incorreta. Se tentarmos resolver uma operação matemática simples como 25 + 4 / 2, o resultado difere se alternarmos os passos. É importante destacar que esse tipo de pensamento é essencial para garantir a precisão e a consistência em áreas onde a lógica e a sequência são fundamentais.

Pensamento lateral: características

O que é o pensamento lateral? Edward Bono introduziu o pensamento lateral ou divergente como uma forma de introduzir a perspicácia, a criatividade e o engenho na elaboração dos nossos pensamentos. A rigidez dos modelos fixos de conceitos, como no pensamento lógico, limita a criação de novas ideias. Contudo, o pensamento lateral não exclui a utilidade do pensamento vertical, pois ambos são complementares e necessários.

Este modelo de pensamento valoriza a ideia de que a criatividade é um fator de mudança e progresso, buscando reestruturar os modelos já estabelecidos para elaborar novos, permitindo que as ideias antiquadas, enraizadas em nossa sociedade, sejam liberadas de seu foco restritivo, possibilitando assim mudanças de atitudes e um foco em conceitos que até hoje não eram modificáveis.

O pensamento lateral busca criar novos focos e, em seu processo, os passos a seguir não importam tanto; é possível saltar de um para outro ou incluir respostas errôneas, explorando todas as possibilidades possíveis. Assim, não segue uma direção predefinida, mas busca criar a sua própria.

Um exemplo de pensamento lateral simples seria o seguinte:

"Há meses do ano que têm 31 dias, outros apenas 30. Quantos têm 28 dias?"

Pense na resposta antes de ler a solução.

Se a resposta na qual você pensou é um mês, pensando no mês de fevereiro, a resposta é incorreta. Esta resposta, própria do pensamento vertical, é a que tendemos a utilizar com a argumentação lógica. No entanto, todos os meses do ano possuem 28 dias. Esta resposta é característica do pensamento lateral, que contempla todas as possibilidades e associações existentes, fomentando assim nosso engenho.

Esse tipo de pensamento tem se mostrado valioso em várias áreas, como inovação em negócios e resolução criativa de problemas, onde encontrar soluções novas e eficazes pode ser a chave para o sucesso.

6 diferenças entre pensamento lateral e vertical

Em seguida, detalhamos as seis principais diferenças entre o pensamento lateral e vertical.

  1. A importância do processo a seguir. No pensamento lateral, o que importa é a eficácia da conclusão, sem dar importância aos caminhos seguidos para alcançar esta conclusão ou sem considerar se os mesmos são corretos, uma vez que todos são contemplados. Por outro lado, para alcançar a solução correta no pensamento vertical, o mais importante é a corrente de ideias para chegar a essa conclusão.
  2. O objetivo do processo. Como consequência da diferença anterior, o pensamento vertical busca alcançar uma solução através de uma única direção previamente definida. Já o pensamento lateral não busca seguir uma direção específica para alcançar uma solução; move-se para elaborar uma nova direção, focando na reestruturação das ideias e na mudança.
  3. O respeito pelos passos estabelecidos. O correto funcionamento do pensamento vertical implica seguir uma sequência de ideias; os passos previamente estabelecidos para alcançar a solução correta devem ser seguidos, e pular passos altera a resposta, pois cada passo depende do anterior. O pensamento lateral permite saltar passos, efetuando saltos de um passo a outro, sem se importar com a sequência. Assim, a validade da solução não depende do caminho correto, mas sim da criação de uma nova conclusão.
  4. Relação com outros temas. No pensamento vertical, não se consideram aspectos que não parecem estar relacionados com o tema em foco. No entanto, no pensamento lateral, todas as opções são exploradas, mesmo que possam parecer alheias ao contexto em questão, pois quanto menor a relação com a ideia estabelecida, mais oportunidades existem de criar novos conceitos.
  5. A missão. O pensamento vertical é regido pela evidência, enquanto o lateral procura encontrar o foco menos óbvio, explorando diversas possibilidades.
  6. A solução. O objetivo do pensamento vertical é alcançar uma solução, existindo sempre uma solução mínima. Por outro lado, o pensamento lateral não garante sempre que se possa encontrar uma solução, mas aumenta a oportunidade de descobrir uma solução melhor e mais inovadora.

Em suma, podemos afirmar que os dois pensamentos são modelos de funcionamento oposto. No entanto, nenhum é mais eficaz que o outro; ambos são necessários em diferentes âmbitos de aplicação e até complementares em muitos casos. A escolha entre um e outro depende do contexto e do tipo de problema que se está enfrentando.

Exemplo de pensamento lateral e vertical

O pensamento lateral e vertical podem complementar-se. Um exemplo de pensamento lateral e vertical poderia ser o seguinte: imaginemos que estamos montando um móvel. Para isso, empregamos o pensamento vertical, seguindo os passos indicados nas instruções. Contudo, imaginemos que, de repente, percebemos que estamos finalizando o móvel e que o estamos montando errado, ou que perdemos ou quebramos algumas peças. Nessa situação, utilizamos o pensamento lateral, tentando encontrar uma alternativa para finalizar a montagem, por exemplo, cortando uma peça que não encaixa em determinado lugar por falta de outra ou buscando em casa alguma peça que possa substituir a que foi perdida.

Além do pensamento vertical e lateral, existem outros tipos de pensamento na psicologia. Cada um oferece diferentes abordagens e ferramentas que podem ser aplicadas em diversas situações, enriquecendo nossa capacidade de resolver problemas e compreender o mundo ao nosso redor.

Considerando isso, é interessante explorar como essas diferentes formas de pensar podem ser aplicadas em contextos educacionais e profissionais, promovendo um ambiente mais criativo e adaptável.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Allueva, P . (2002). Desarrollo de la creatividad: diseño y evaluación de un programa de intervención. Revista Persona 5, 67-81.
  • Allueva, P. (2004). Desarrollo del pensamiento creativo en el ámbito universitario. ANUARIO DE FILOSOFÍA, PSICOLOGÍA Y SOCIOLOGÍA, 7, 117-130.
  • De Bono, E. (1986). El pensamiento lateral. Manual de creatividad. Buenos Aires: Paidòs Ibérica.
  • Sánchez, L. La inflexión entre el pensamiento vertical y el pensamiento lateral.
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