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Pensamento divergente: o que é, características e exemplos

 
Por Gianluca Francia, Psicólogo. 19 junho 2021
Pensamento divergente: o que é, características e exemplos

O pensamento divergente é uma análise geral do que nos rodeia, sem ter muita clareza do propósito de nossa investigação. É como levantar as antenas antes de as apontarmos a alguma parte para ver se há sinais. O uso do pensamento divergente permite se interessar pelo que se encontra observando de maneira talvez superficial, mas muito útil, operação durante a qual não se procuram sinais fortes, nem sinais fracos, paradoxalmente não se procura nada.

Mesmo que não se procure, algo será encontrado, porque a mente está sintonizada a um nível de reatividade tal que, depois que um número de entradas invade, coloca-se em marcha e começa a fazer considerações. Neste artigo de Psicologia-Online, veremos o que é o pensamento divergente, suas características e alguns exemplos a respeito do tema.

O que é o pensamento divergente

Nos anos cinquenta e sessenta do século XX, o psicólogo estadunidense Joy Paul Guilford publicou estudos importantes sobre a inteligência e a criatividade. Esta última, segundo o estudioso, está relacionada com o funcionamento global da mente, e não é mais que uma expressão sua. Definiu que em nossa mente podemos distinguir dois tipos ou modos de pensamento. A seguir, te contamos o que é o pensamento convergente e divergente.

  • Pensamento convergente: caracteriza-se pela repetição do já aprendido e a adaptação de velhas respostas a situações novas de maneira mais ou menos mecânica.
  • Pensamento divergente: implica fluidez, flexibilidade e originalidade e se refere essencialmente à produção de ideias novas e numerosas.

Pensamento divergente

Então, qual é o pensamento divergente? Para clarear melhor estes conceitos, recordamos que Guilford entedia por pensamento divergente um modo de pensamento produtivo, típico da criatividade, que tende para o novo Eu.

Em comparação com o pensamento convergente, que está orientado para o conhecido e a solução correta, o pensamento divergente aparece onde um problema ainda está a ser definido ou descobrir onde não exista nenhuma indicação para resolvê-lo.

De fato, Guilford considerava que o pensamento divergia mais estreitamente ligado ao ato criativo. Por outro lado, também sustentava que esta era a capacidade de produzir uma gama de possíveis soluções para um problema determinado, em particular para um problema que não previa uma única resposta correta.

Características do pensamento divergente

O pensamento tem diferentes aspectos que o diferenciam do resto. De forma objetiva, as características do pensamento divergente são:

  • É espontâneo e livre.
  • Subjacente às formas mais puras de criatividade e, em muitos sentidos, representa a verdadeira criatividade.
  • Gera ideias explorando muitas soluções possíveis, frequentemente em paralelo.
  • As ideias podem surgir em um modo cognitivo aleatório, na forma de epifanias ou sacadas de gênio.
  • Se exploram várias soluções possíveis e se fazem conexões inesperadas.
  • Um alto quociente intelectual não é garantia de criatividade.
  • Há características mais importantes para favorecer esta modalidade de pensamento. Geralmente, são traços da personalidade como o anticonformismo, a curiosidade, a disponibilidade de assumir riscos, o valor, a perseverança e a resiliência.
  • O pensamento divergente é alimentado pelo modo mental do ser e surge, sobretudo, quando o sistema calmante-satisfatório permite que nosso motor funcione com rotações mínimas.

Exemplos de pensamento divergente

É fácil se dar conta de que tal capacidade provavelmente tem um papel no ato criativo, já que o artista frequentemente tem que explorar uma série de possíveis maneiras de pintar um quadro, de terminar um romance ou de escrever um poema antes de se decidir por qual parece melhor no final.

O ato criativo está ligado à originalidade. Neste caso, o pensamento divergente terá seu próprio papel, já que quanto mais ampla seja a gama de possibilidades que somos capazes de produzir, maior será a probabilidade de que uma delas dê prova de originalidade.

Solução de conflitos

Vejamos um dos exemplos de pensamentos divergente. Para isso, observaremos as diferentes maneiras de enfrentar e resolver um conflito de um pensador convergente e de um pensador divergente:

  • Pensador convergente ou racional: aborda os problemas como uma pergunta de múltipla escolha, onde há respostas incorretas que podem ser excluídas para deixar apenas a correta.
  • Pensador divergente: trataria de encontrar mais caminhos para resolver o problema, até mesmo rodeando-o. Na essência, a resposta é encontrada tomando tempo para pensar antes de agir, um enfoque mais amplo e criativo de solução de problemas comuns. Um exemplo de pensamento divergente, relatado por um bom manual de psicologia, é pensar em usar um tijolo como peso de papel, em vez de imaginá-lo como um elemento para construir uma casa.

Como podemos ver, o pensamento divergente está relacionado com a criatividade.

Enigma do pensamento divergente

Tomemos agora um clássico enigma como exemplo de pensamento divergente: imagine que você se encontra em um quarto com apenas duas portas. Ao cruzar a primeira, será pulverizado instantaneamente por uma lente gigante capaz de concentrar os raios solares. Abrindo pela segunda vez, será golpeado pelas chamas de um poderoso dragão. Qual das duas portas você escolhe? Naturalmente, você tem que escolher a primeira, a da lente: basta esperar que o sol se ponha.

Resolver este enigma requer uma capacidade de pensar "out of the box", isto é, fora da caixa, de ver mais além do caminho já percorrido da lógica sequencial e de pensar criativamente sem tomar nada como certo.

O exemplo da filha do comerciante

Qual é o significado de uma pessoa divergente? Para explicar, um dos exemplos de pensamento divergente é a anedota da filha do comerciante.

Um comerciante acumulou uma grande dívida com um agiota. O agiota, apaixonado pela jovem filha do comerciante, propôs perdoar a dívida se conseguisse a garota em troca. Como era um jogador contumaz, propôs deixar que a sorte decidisse.

Disse que iria colocar em uma bolsa duas pedras, uma branca e uma preta: a menina iria retirar uma. Se a pedra preta saísse, teria se convertido em sua esposa com o perdão da dívida. Se a branca saísse, poderia ficar com seu pai e então a dívida teria sido quitada. Se se recusasse a retirar uma pedra, seu pai iria para a cadeia.

O comerciante acabou aceitando. Convidadas algumas testemunhas, o agiota se inclinou para recolher as duas pedras do caminho de cascalho onde se encontravam. A moça notou que ele colocou duas pedras pretas na bolsa. Imediatamente depois, o agiota convidou a donzela a extrair a pedra que decidiria seu destino.

Em tal situação, a garota, usando o pensamento convergente, poderia fazer o seguinte:

  1. Se negar a retirar a pedra.
  2. Mostrar que a bolsa continha, na verdade, duas pedras pretas e desmascarar o truque.
  3. Pegar uma das pedras pretas e se sacrificar para salvar seu pai.

No entanto, nenhuma destas soluções teria sido útil. Usando o pensamento divergente, a garota tirou uma pedra, que deixou cair da mão, fazendo-a cair na avenida onde se confundiu com as outras. "Oh, que desastrada!" exclamou. "Mas, não importa, olhando na bolsa será possível deduzir pela pedra que sobrou, a cor da pedra que peguei".

A solução, uma vez encontrada, parece até mesmo logicamente óbvia. Em retrospectiva é fácil ver o rumo tomado e, partindo dos dados iniciais de um problema, se guiar até a solução. A anedota ilustra como o pensamento divergente muda o esquema de referência.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • ATTINI, G. (2017). Capitolo terzo. Crescita e percezione individuale.
  • BARGELLINI, J. F. (2015). Design trendsetting. Capire le tendenze per creare prodotti di successo. Milán: Franco Angeli.
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  • PELUSO Cassese, F. , Granato, S. (2011). Introduzione alla psicopedagogia del gioco. Roma: Edizioni Universitarie Romane.
  • PENMAN, D. (2016). L’arte della Mindfulness. Milán: Mondadori.
  • PSICHE (2020). Il pensiero divergente e la creatività. Disponível em: <http://psiche.altervista.org/il-pensiero-divergente-e-la-creativita/> Acesso em: 09 de junho de 2021.

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