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Resiliência: o que é e como ser resiliente

 
Equipe editorial
Por Equipe editorial. Atualizado: 3 abril 2026
Resiliência: o que é e como ser resiliente
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"As crianças são inerentemente vulneráveis; no entanto, por vezes, são fortes na sua determinação para sobreviver e crescer".

Radke-Yarrow e Sherman (1990)

A história é testemunha de primeira mão da inimaginável capacidade que o ser humano possui na hora de sobrepôr-se a tragédias, catástrofes, experiências limite, etc. O ser humano pode demonstrar uma grande capacidade para superar a devastação, a privação, perdas e experiências estressantes e dolorosas, seguindo em frente sem perder o sentido da vida. Neste artigo de Psicologia-Online, falaremos de resiliência: o que é e como desenvolvê-la, para que você aprenda a superar a tragédia e a catástrofe pessoal.

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Índice
  1. O que é resiliência - significado
  2. Como ser resiliente
  3. O apego: desenvolvimento da resiliência e da vulnerabilidade
  4. Tipos de apego
  5. Desenvolvendo a resiliência humana
  6. Resiliência humana: Conclusões

O que é resiliência - significado

A história do homem demonstrou que, como diz Boris Cyrulnik, "nenhuma ferida é um destino". Exemplos como o de Job, Anne Frank, Victor Frankl e de outros menos conhecidos (mas não menos relevantes), como alguns dos sobreviventes do holocausto judeu nas mãos dos nazis, ou muitas das crianças órfãs dos bombardeamentos de Londres na Segunda Guerra Mundial que, de alguma maneira, foram capazes de reorganizar suas vidas e superar o horror da guerra e a devastação, mostram a grande capacidade do ser humano para se recuperar de experiências traumáticas.

O termo resiliência teve origem no mundo da física. Usava-se para expressar a capacidade de alguns materiais de voltar ao seu estado ou forma natural depois de sofrer altas pressões deformadoras.

Resiliência vem do latim resalire (re saltar). Conota a ideia de saltar ou ser repelido. O prefixo re diz respeito à ideia de repetição, reanimar, retomar. Apresentar resiliência é, do ponto de vista psicológico, recuperar, superar, seguir em frente depois de ter vivido uma experiência traumática.

Segundo Maria Eugênia Moneta, o significado de resiliência consiste no "processo de possuir uma boa tolerância a situações de alto risco, demonstrando um ajuste positivo em relação à adversidade ou trauma, e manejando as variáveis associadas ao risco perante situações difíceis".

Definição de resiliência

A resiliência é, portanto, a capacidade que o ser humano tem para enfrentar e superar situações adversas - situações de alto risco (perdas, danos recebidos, pobreza extrema, maltrato, circunstâncias excessivamente estressantes, etc.), gerando uma aprendizagem no processo e até mesmo uma transformação. Supõe uma alta capacidade de adaptação às exigências estressantes do seu ambiente. A resiliência gera a flexibilidade para mudar e reorganizar a vida depois de ter recebido altos impactos negativos.

Contudo, resiliência não se trata da capacidade de sofrer e aguentar como um estoico. Mais do que a capacidade de enfrentar e resistir ao maltrato, a resiliência é a capacidade de recuperar o desenvolvimento que o indivíduo tinha antes do impacto. A resiliência de uma pessoa permite superar o trauma e reconstruir sua vida. Boris Cyrulnik chega ainda mais longe e fala da "capacidade do ser humano para superar um trauma e, sem ficar marcado para toda a vida, ser feliz".

Logo, podemos concluir que a resiliência não significa invulnerabilidade nem impermeabilidade ao estresse e à dor, mas sim o poder de se recuperar (bouncing back) e de superação depois de sofrer duras adversidades e experiências estressantes/traumáticas.

Como ser resiliente

A resiliência é influenciada por fatores congênitos (aspectos constitucionais, atributos pessoais)? É possível desenvolver resiliência? O que determina que algumas pessoas consigam superar suas experiências traumáticas enquanto outras sucumbem perante as mesmas, dada sua vulnerabilidade? O que ocorre para que pessoas que nasceram e foram criadas em situações de risco se desenvolvam psicologicamente saudáveis e com sucesso? Existem fatores sociais (ambiente familiar, social e cultural) ou intra-psíquicos que tendem a criar resiliência em algumas pessoas? O desenvolvimento da resiliência está limitado a determinadas etapas específicas da vida? Estas são algumas das questões que surgem ao falar deste tema.

Podemos, desde já, dizer que uma pessoa não nasce resiliente. A resiliência não é uma espécie de fortaleza inata e também não é adquirida como parte do desenvolvimento natural das pessoas. A resiliência não é uma capacidade que se desenvolve fora de contexto, por vontade da pessoa. A pessoa não constrói a resiliência sozinha, ela tem relação com um determinado ambiente que rodeia o indivíduo.

Por outro lado, não existe um padrão ou uma fórmula fixa para edificá-la, cada pessoa vai desenvolvendo a resiliência de acordo com as próprias necessidades e segundo as suas diferenças culturais, em função do contexto no qual vive. Nesse sentido, o contexto cultural possui um papel fundamental no modo como cada pessoa interpreta e lida com a adversidade e com as experiências estressantes que a vida apresenta. Assim, cada pessoa desenvolve suas próprias estratégias para lidar com as experiências traumáticas. De qualquer forma, depende de como a interação entre a pessoa e seu ambiente ocorre. Sobre isso, Boris Cyrulnik diz que "a resiliência não se tece: não devemos procurá-la apenas no interior da pessoa nem no seu ambiente, mas sim entre os dois, porque se traduz constantemente num processo íntimo que caminha de mãos dadas com o ambiente social". Em palavras do biólogo Maturana, é uma "dança entre os dois".

Segundo o neuropsiquiatra Boris Cyrulnik, existem dois fatores que promovem a resiliência nas pessoas:

  • Se a pessoa pode traçar um princípio de personalidade cedo na sua infância, através de um apego seguro no qual se força a relação com o outro (cuidador), através da interação e intercâmbio que cria a resiliência desde a comunicação intrauterina, passando pela conexão com o cuidador, especialmente a mãe, que providencia a segurança afetiva nos primeiros anos de vida. Este tipo de interação converte-se em um mecanismo de proteção.
  • Se, logo desde a experiência traumática, se organiza uma rede de "tutores do desenvolvimento" em redor da pessoa, ou seja, a possibilidade de se agarrar ou se apoiar em alguém ou algo. Este algo ou alguém para se segurar se torna um professor de resiliência que promove ou provoca o desenvolvimento psicológico saudável e funcional depois do trauma. Este cuidador age como o meio para que a criança desenvolva um sentido de vida e identidade.

Além dos fatores já mencionados, o desenvolvimento da resiliência também pode ser influenciado por experiências de vida específicas. Por exemplo, enfrentar e superar desafios menores pode fortalecer a capacidade de uma pessoa de lidar com adversidades maiores no futuro. Neste sentido, o apoio social contínuo e a presença de modelos positivos em ambientes escolares ou comunitários também desempenham um papel crucial no fortalecimento da resiliência. Assim, a construção de uma rede de apoio sólida e diversificada pode servir como um colchão protetor em tempos de crise.

O apego: desenvolvimento da resiliência e da vulnerabilidade

O apego - a forma como se vinculam o cuidador e a criança desde uma idade precoce - constitui um fator decisivo na construção da personalidade, e em como o indivíduo aprende a regular as próprias emoções. O apego dá lugar aos primeiros sentimentos e sensações positivos (afeto, segurança, confiança) ou negativos (insegurança, medo, abandono).

O apego pode ser definido como o vínculo que uma pessoa estabelece para formar um laço emocional intenso com outra. Esta tendência do ser humano, especialmente numa idade precoce, a vincular-se emocionalmente com a pessoa que interpreta como sendo seu cuidador, é uma necessidade biológica primária (não aprendida), tão essencial como a fome ou a sede.

A disposição ou necessidade da criança para estabelecer vínculos estáveis com os seus progenitores ou substitutos dos mesmos é tão forte que, mesmo na presença de uma figura "negativa", ele é estabelecido. Neste caso, falamos de apego evasivo, apego ambivalente ou apego desorganizado, os quais explicaremos mais abaixo.

A verdade é que a formação do apego exerce uma influência fundamental na saúde mental e no desenvolvimento emocional da criança, tendo um impacto alto na organização e regularização cerebral. Além disso, terá uma incidência determinante na forma como essa pessoa se relaciona e comporta com outras pessoas na idade adulta. O estado de segurança ou insegurança, ansiedade/medo ou estabilidade emocional que um indivíduo desenvolve na idade adulta depende do vínculo entre a criança e os seus cuidadores. O apego ou vínculo afetivo pode ser um preditor de como o indivíduo se comportará como adulto ao relacionar-se com os demais, parceiros amorosos ou filhos.

O estilo de apego comporta um fator de resiliência psicológica ou um fator de risco quanto ao potencial que tem para fomentar a saúde e bem-estar emocional e um adequado funcionamento cognitivo ou, ao invés, ser a fonte de problemas psicológicos.

Além disso, o tipo de apego também influencia a capacidade de uma pessoa de formar relacionamentos saudáveis e funcionais na vida adulta. Um apego seguro tende a promover a confiança e a abertura emocional, enquanto que um apego inseguro pode resultar em dificuldades de comunicação e em um medo constante de rejeição. Assim, compreender e trabalhar o tipo de apego desde a infância pode ser uma estratégia eficaz para prevenir problemas emocionais e comportamentais futuros, promovendo assim uma sociedade mais equilibrada e resiliente.

Tipos de apego

Dependendo da resposta do cuidador, a criança pode desenvolver vários tipos de apego:

Apego seguro

Surge quando a criança desenvolve a confiança de que o seu cuidador (ou cuidadores) se mostrará sensível e colaborativo em relação às suas necessidades básicas ou perante uma situação ameaçadora ou assustadora. Na edificação deste tipo de apego, a mãe tem um papel fundamental. A figura materna é a base para a construção da resiliência. O recém-nascido é todo ele necessidade e depende totalmente da mãe para satisfazer as suas necessidades. Nesta fase, a criança se torna totalmente confluente com a mãe. A progenitora é a única referência de proteção e de amor para a criança. Quando a mãe cumpre um papel de suministradora das necessidades da criança e contribui para que ele tenha um ambiente seguro em seu redor, promove o aparecimento de uma relação de apego seguro que constitui a plataforma para o desenvolvimento da resiliência na criança. Como expressa Margarita F. Mascovich ao citar Fonagy, "o apego seguro é o condutor seguro para a resiliência".

O fato de a criança desenvolver um apego seguro depende de como o tutor adulto (mãe, pai ou outro) se vincula a ele. Se o contato do tutor com a criança é estabelecido com sensibilidade às necessidades da mesma, se o tutor expressa as suas emoções de forma positiva e congruente, se desfruta do contato físico com a criança, ela terá mais possibilidade de desenvolver confiança e segurança, assim como uma autorregulação emocional superior e uma maior congruência nas suas manifestações emocionais.

O apego seguro representa os laços afetivos que atuam como mecanismos ou sistemas de autoproteção perante as adversidades e choques hostis e estressantes do ambiente.

Apego ambivalente

Neste caso, a criança sente insegurança em relação ao seu tutor, já que o mesmo não é congruente nem consistente na resposta em relação a ela. Neste contexto, se estabelece uma relação do cuidador com a criança caracterizada por baixa comunicação verbal, baixo contato físico, assim como baixo nível de resposta ao choro e vocalizações da criança. Como consequência, a criança desenvolve um comportamento colérico e ambivalente, mostrando-se passiva, dependente e pouco disponível para aceder a regras e limites. Este comportamento é a resposta a uns cuidadores que apenas respondiam à sua expressão emocional de forma intermitente e ambivalente, reagindo mais aos sentimentos negativos que aos sentimentos positivos da criança.

Na fase adulta, as pessoas que desenvolvem um apego ambivalente mostram-se dramáticas e excessivamente emocionais, como consequência de que a base da sua segurança funcionou mal, mantendo um comportamento "excessivamente apegado" e colérico, com baixa regulação emocional.

Apego inseguro (evasivo)

Surge quando o adulto não responde às demandas de proteção da criança ou é inconsistente na resposta, provocando insegurança na mesma. Este tipo de vínculo impede que a criança satisfaça a sua necessidade de segurança, dando lugar ao isolamento da mesma (evita o contato) ou ao desenvolvimento de uma atitude ansiosa ao notar falta de disponibilidade do seu cuidador.

Sob este contexto, o cuidador evita o contato físico com a criança. Por outro lado, os seus comportamentos são de rejeição da criança e de oposição aos desejos dela. Este estilo de relacionamento com a criança por parte do tutor gera um distanciamento dela em relação a ele, evitando o contato físico e emocional com ele.

Apego desorganizado

Este apego acontece quando o tutor (es) é ambivalente no seu trato e na forma de se vincular à criança, já que algumas vezes aceita e responde favoravelmente e outras vezes a rejeita, fazendo com que a criança gere medo e confusão em relação a ele. Nesse tipo de vinculação afetiva, o cuidador não oferece respostas que suportem o bem-estar da criança.

Este estilo de apego em particular é diretamente associado ao maltrato infantil, muito provavelmente pela experiência de abusos e maltrato que o tutor sofreu.

Este tipo de apego é o que apresenta maior risco, dada a hostilidade demonstrada pelo tutor, que se traduz em rejeição, abuso e maltrato da criança.

Compreender esses diferentes tipos de apego é essencial para intervenções eficazes que visem melhorar a saúde mental e emocional das crianças. Profissionais de saúde e educadores podem usar esse conhecimento para desenvolver programas de apoio e estratégias que ajudem a mitigar os efeitos negativos dos apegos inseguros. Além disso, incentivar a formação de vínculos fortes e seguros desde a infância pode ter um impacto positivo duradouro no bem-estar emocional e social de um indivíduo.

Desenvolvendo a resiliência humana

Como promover o desenvolvimento e o forjamento precoce dos pilares da resiliência? Como uma pessoa, família, instituição ou nação conseguem articular e oferecer os recursos externos que permitem retomar um tipo de desenvolvimento saudável e funcional à pessoa que recebeu o trauma? Que estratégias podem ser aplicadas para promover a resiliência? Vejamos alguns elementos chave no processo:

  • Contexto familiar

Em primeiro lugar, avaliemos como S. Sánchez expressa esta questão: "A resiliência é uma característica que se pode aprender como produto de uma interação positiva entre a componente pessoal e ambiental de um indivíduo". Esta componente ambiental mencionada por Sánchez é constituída, inicialmente, pela família.

Não há dúvidas de que a maior responsabilidade para a promoção da resiliência cai sobre a família, já que caminha de mãos dadas com as leis do desenvolvimento e ecologia próprias do ser humano. Dentro da família, o principal papel promotor é a resiliência pertence à mãe, como tutora principal. É assim que a interação funcional ou disfuncional da mãe com a criança geram na mesma aprendizagens que conformarão a forma de vínculo afetivo e o estilo relacional de fortaleza ou debilidade, que será a base de atuação e respostas do indivíduo aos desafios e exigências do ambiente. Em sintonia com esta linha de pensamento, os resultados empíricos confirmam que o tipo de vínculo afetivo edificado nos primeiros anos de vida criam as bases para o desenvolvimento de uma pessoa capaz e segura, com as forças necessárias para enfrentar e superar fortes adversidades e experiências traumáticas.

  • Tutores de resiliência

Outro elemento indispensável no processo de desenvolvimento da resiliência deixa-se entrever na resposta esclarecedora aportada por Boris Cyrulnik em uma entrevista publicada na Le Figaro Magazine: "Todos podem tornar-se resilientes, pois consiste em voltar a unir, dentro do possível, as partes da personalidade que foram destruídas pelo trauma. No entanto, a sutura nunca é perfeita e o destroço deixa rastos. Para ser resiliente, é necessário descobrir como os recursos internos se impregnaram dentro da memória, qual o significado do trauma para um, e como nossa família, amigos e cultura colocam recursos externos à volta do traumatizado para permitir que retome um tipo de desenvolvimento.

Estes recursos externos que Cyrulnik menciona apenas podem ser oferecidos pelos tutores da resiliência (família, amigo, cultura). Acrescenta Cyrulnik: "Se a ferida é demasiado grande, se ninguém sopra as brasas de resiliência que restam no seu interior, será uma agonia psíquica e uma ferida impossível de curar" (Cyrulnik, 2001). Sobre o tema, comenta também Ma. Elena Fuente Martinez "Nesse processo de reconstrução, a presença dos outros é significativa, pois na solidão não é possível encontrar os recursos para sanar a dor, necessitamos outra pessoa para expressar, falar, compartilhar, significar e construir ações que permitam elaborar as experiências dolorosas".

  • Sentido da vida

Finalmente, dar um sentido à vida é um elemento essencial que permite que a pessoa que sofreu o trauma possa superá-lo. Sobre isso, Anna Forés comenta: "Quando a procura de sentido tem um final favorável, a pessoa traumatizada pode avançar no seu processo de transformação. Caso contrário, se esta busca continua indefinidamente sem repostas, apenas encontraremos uma ferida que nunca cicatrizará: a sensação de desassossego e dor continuará por muito tempo". Nietzsche dizia o mesmo: "Quem tem por que viver, encontrará um como". Ou dito em palavras do Dr. Stephen Covey: "Desgraçado o que não vê sentido na sua vida, nenhuma meta, nenhum intento e, por isso, nenhuma finalidade em vivê-la, esse estaria perdido. O homem que toma consciência da sua responsabilidade perante o ser humano que o espera com todo o seu afeto ou diante de uma obra inacabada, jamais poderá jogar sua vida ao mar. Conhece o «porquê» da sua existência e pode suportar quase qualquer «cómo»".

O ser humano vive permanentemente em busca de um significado que dê sentido à sua vida e, quando não encontra um, sucumbe perante as exigências do ambiente. Como dizia R. May: "O ser humano não pode viver uma condição de vazio por muito tempo: se ele não está crescendo em relação a algo, não só se estanca a ele mesmo; as potencialidades reprimidas convertem-se em morbosidade e desespero e, eventualmente, em atividades destrutivas". Esta realidade se torna ainda mais clara em situações de dificuldade e carência importantes (morte, pobreza extrema, perdas importantes, doenças, maltrato, privações, abusos, etc.).

O Dr. Victor Frankl, sobrevivente dos campos de concentração nazistas e, sem dúvida um resiliente, diz: "Uma pessoa que se projeta em direção a um sentido, que adotou um compromisso por ele, que o vê desde uma posição de responsabilidade, terá uma possibilidade de sobrevivência incomparavelmente maior em situações de limite em relação ao resto das pessoas normais".

O sentido faz com que a pessoa imersa em situações devastadoras e trágicas se abra em relação a aspetos positivos e esperançosos da existência.

Além disso, encontrar um propósito pode servir como um catalisador para a reconstrução pessoal, oferecendo à pessoa não apenas um motivo para seguir em frente, mas também uma nova perspectiva sobre a vida. Este sentido de propósito não precisa ser grandioso; pode estar enraizado em metas pessoais simples, mas significativas, que ajudam a orientar e a dar direção à vida da pessoa. Dessa forma, o processo de encontrar significado pode ser transformador, ajudando a pessoa a redefinir sua identidade e a se conectar de maneira mais profunda com o mundo ao seu redor.

Resiliência: o que é e como ser resiliente - Desenvolvendo a resiliência humana

Resiliência humana: Conclusões

  • Os estudos demonstram que, quando as crianças conseguem estabelecer um vínculo seguro como apego nos meses e anos de início de vida (segurança, confiança com o tutor, etc.), esta condição atua como um preditor de sua capacidade de resiliência. A mãe tem um papel fundamental neste processo, embora a criança não seja só um "recipiente passivo" no processo, mas sim "coautora" junto com a mãe e o pai, sem esquecer o peso do contexto cultural. Por sua vez, os estilos de apelo inseguro dificultam o aparecimento da resiliência, embora este estilo de apego não deva ser visto, em termos deterministas, como uma fatalidade, mas sim como uma tendência que pode ser revertida, quando abordada adequadamente.
  • No momento do trauma, a existência de tutores de resiliência serve como apoio fundamental para ajudar o indivíduo a recuperar o sentido da vida. Nas palavras de Boris Cyrulnik, se requer "alguém que lhes marque a vida de forma positiva, no plano dos afetos".
  • A evidência empírica mostra que as crianças resilientes, que conseguiram estabelecer um apego seguro, manifestam competências para a interação pessoal, a socialização, a força para superar as adversidades, a autorregulação afetiva, a orientação em relação aos recursos sociais, a autoestima saudável, a criatividade e o engenho para superar obstáculos, entre outras.
  • "A resiliência é um processo dinâmico que ocorre no passar do tempo e que se sustenta na interação existente entre a pessoa e o ambiente, entre a família e o meio social. É o resultado de um equilíbrio entre fatores de risco, fatores protetores e personalidade de cada indivíduo, funcionalidade e estrutura familiar." (Alicia Engler)

Ademais, a resiliência não é um estado permanente; é uma capacidade que pode ser aprimorada ao longo da vida. Com o tempo, as pessoas podem desenvolver novas habilidades de enfrentamento e estratégias de adaptação, tornando-se mais eficazes ao lidar com futuras crises ou desafios. Assim, promover uma cultura de resiliência em diferentes âmbitos da sociedade, como nas escolas, locais de trabalho e comunidades, pode contribuir para o fortalecimento coletivo e individual, resultando em um mundo mais preparado para enfrentar adversidades.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Moneta María Eugenia, Apego, Resiliencia y Vulnerabilidad a Enfermar: Interacciones Genotipo-Ambiente. Gaceta de Psiquiatría Universitaria, Universidade do Chile, año 3, volume 3, No. 3 setembro de 2007.
  • Cyrulnik Boris, De corpo e alma, Gedisa, 2007
  • Entrevista a Boris Cyrulnik por Catherine Nay e Patrice De Meritens, Le Figaro Magazine, sábado 24 de julho de 1999. Edição Internacional.
  • Fuentes Ma. Elena, ¿Es posible la felicidad? Vínculo y apego.
  • Domínguez J., Resiliencia Después del Huracán Katrina y Rita.
  • Sánchez S. (2003). Resiliencia. Como generar un escudo contra la adversidad. Diário El Mercurio. Acessado em 12 de outubro de 2005.
  • Forés Anna, Pedagogía de la Resiliencia, Revista Misión Joven. No. 377 - 2008
  • Covey Stephen, El 8vo. Hábito, 2005
  • Frankl Victor, En el principio era el sentido, 2000
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