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Preconceito social: significado, exemplos e como combatê-lo

 
Por Equipe editorial. 7 novembro 2019
Preconceito social: significado, exemplos e como combatê-lo

No seguinte artigo de Psicologia-Online, vamos definir uma série de conceitos complexos que todos usamos em muitos contextos sociais e laborais: preconceito, estereótipo e discriminação. Explicaremos o que significa cada um deles e como diferenciá-los para que possam ser usados de forma correta e como se repercutem na sociedade atual.

Além disso, explicaremos em profundidade o que significa preconceito social com exemplos e identificaremos as suas consequências, assim como atividades para combatê-lo.

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Relação entre preconceito, estereótipo e discriminação

Partimos de un conceito com 3 componentes - cognitivo, afetivo e comportamental. No caso de uma atitude negativa em relação a um grupo, podemos distinguir os três termos como:

  • Estereótipo: conjunto de crenças sobre os atributos associados a um grupo.
  • Preconceito: afeto ou avaliação negativa de um grupo.
  • Discriminação: comportamento parcial ou negativo no tratamento de pessoas em virtude da sua pertença ao grupo ou categoria.

Brighman: O estereotipo serve para racionalizar a hostilidade que uma pessoa preconceituosa sente em relação a certos exogrupos (grupos aos quais não pertencemos).

Vinacke: síntese entre as duas posturas. Os esterótipos são a expressão e racionalização de um preconceito, embora também possam não expressar nada para um preconceito.

Conceito de atitude de 1 componente exclusivo (cognitivo):

Fishbein e Ajzen: "O estereótipo equivale a uma crença ou opinião e o prejuízo a uma atitude negativa em relação a um grupo." Embora exista correspondência entre esterótipos e preconceitos, existem esterótipos que não são associados a preconceitos (estereótipos positivos).

Stroebe e Insko: Relação empírica entre preconceito e estereótipo, entre a atitude em relação a um grupo e a avaliação dos rasgos atribuídos a ele.

Exemplos de preconceito social

Uma vez que os preconceitos estão presentes em todas as sociedades de forma complexa, como mínimo, sempre terão uma série de consequências, mesmo que de forma subtil. Por exemplo, quando as pessoas são muitos conscientes dos preconceitos dos outros em relação a elas, o preconceito social tem um efeito auto-realizável. Isso significado que as pessoas se comportam como os outros esperam que se comportem. Da mesma forma, as pessoas que têm um preconceito tratam os outros de forma diferente em função de como esperam que os demais se comportem, ou de como querem que os outros se comportem.

Estas expectativas de comportamento são, muitas vezes, baseadas em estereótipos. Os estereótipos são, como vimos, preconceitos excessivamente simplificados relacionados com características físicas ou de comportamento, geralmente exacerbadas, que supostamente se aplicam a cada membro desse grupo.

Além disso, as pessoas comportam-se de forma diferente quando interagem com uns ou com outros, em função de se esperam ou não hostilidade dos demais. Estudos demonstraram que uma pessoa que é vítima de esterótipos pode acabar comportando-se como o estereótipo. Em termos mais gerais, é provável que uma pessoa se comporte como a outra pessoa espera que ela se comporte. Todos esses comportamentos significam que os preconceitos afetam as interações diárias que ocorrem em uma sociedade.

Tipos de preconceitos e esterótipos

As consequências dos preconceitos cotidianos vão mais além que simplesmente modelar as relações entre as pessoas.

Os indivíduos são atacados por juízos de valor em função de:

  • A cor da pele
  • A classe social
  • O gênero
  • A orientação sexual
  • Opiniões políticas
  • Outros

Essa exposição constante ao ridículo e à discriminação provoca uma autoestima baixa. Quem é vítima de preconceito sente-se inseguro em relação ao seu lugar na sociedade. Desenvolvem o ódio e a ira dirigidos tanto aos que têm preconceitos contra eles como a si mesmos, por apresentarem os supostos traços que atraem esse preconceito. Ditos prejuízos são destrutivos para os indivíduos e para a sociedade. Além disso, também impedem que essas pessoas possam viver à altura do seu verdadeiro potencial.

Consequências do preconceito social

O preconceitos de umas pessoas afetam outras pessoas que são objeto dos mesmos e condicionam a vida delas. Os preconceito sociais determinam o que as vítimas dos mesmos pensam sobre o mundo, as pessoas que os rodeiam, como se sentem em relação a si mesmos, ou seja, a vida em geral. O preconceito pode ter consequências individuais e sociais:

Baixo rendimento

As pessoas que são expostas a estereótipos tendem a guiar o seu comportamento em função dos mesmos, afetando o próprio rendimento. Um conceito chamado "ameaça estereotipada" explica este fenômeno. Diversos estudos concluíram que, quando um membro de um grupo minoritário é recordado de um esterótipo sobre o seu grupo, é mais provável que tenha um rendimento inferior. Uma mulher que lê um livro afirmando que as mulheres são inatamente más em matemáticas, provavelmente apresentará um resultado pior quando precise de resolver problemas matemáticos. A ameaça estereotipada é tão forte que, por vezes, as minorias nem necessitam que o estereótipo seja recordado.

Problemas de saúde física

Não deve surpreender que a discriminação seja estressante para quem a sente. Os médicos já sabem que o estresse aumenta o risco de ataques cardíacos, acidente vascular cerebral, câncer, diabetes e uma série de outros problemas médicos e de saúde durante toda a vida. Uma nova investigação sugere que o estresse relacionado com a discriminação pode ser ainda mais perigoso.

Um estudo de 2008 concluiu que, entre os afroamericanos, o estresse relacionado com preconceitos por raça era um indicador de saúde mais eficaz que outras fontes de estresse. As minorias raciais são muito mais vulneráveis a problemas de saúde crônicos e doenças. Possivelmente, o resultado direto de uma vida de estresse.

Problemas de saúde mental

A discriminação é intrinsecamente estressante o estresse aumenta o risco de que uma pessoa desenvolva depressão, ansiedade e problemas de saúde mental semelhantes. As taxas de ansiedade são significativamente mais altas entre as mulheres que entre os homens, e as mulheres têm mais do dobro de probabilidade que os homens de desenvolver estresse pós-traumático. Embora existam vários fatores que desempenham um papel nessas diferenças, a discriminação poderia ser uma.

Consumo de drogas

A discriminação pode ser um fator que aumenta a probabilidade de consumo de drogas. Um estudo concluiu que ter experienciado discriminação de gênero aumentava a probabilidade de que uma mulher consumisse drogas, mesmo quando a mulher não informava ter sofrido de estresse como resultado dessa discriminação.

Auto-sabotagem

Quando as pessoas duvidam da sua capacidade para realizar um bom desempenho, podem desenvolver explicações que não danifiquem a sua autoestima para explicar o baixo rendimento. Um mecanismo comum é a auto-sabotagem. Por exemplo, um estudante que se preocupa pela sua capacidade em obter bons resultados em um exame pode sair e beber na noite anterior para poder justificar o mau resultado com a ressaca. Investigações recentes demonstraram que a experiência de discriminação aumenta a probabilidade de auto-sabotagem e isso, por sua vez, está relacionado com outros problemas de saúde mental.

Como combater o preconceito social

Além de observar as razões pelas quais o preconceito social ocorre, a investigação se focou nas diferentes formas de reduzir ou até mesmo acabar com o preconceito. Estas são algumas coisas que podemos fazer para prevenir ou combater o preconceito social:

Capacitar as pessoas para que sejam mais empáticas com os membros de outros grupos é um método que já demonstrou ser eficaz. Imaginando-se a eles mesmos na mesma situação, as pessoas podem pensar como reagiriam e obter uma compreensão melhor das ações dos outros. Além disso, é possível:

  • Aprovar leis e regulamentos que requerem um trato justo e equitativo para todos os grupos de pessoas
  • Obter o apoio e aumentar a consciência pública sobre normais sociais contra o preconceito
  • Fazer com que as pessoas tomem consciência das inconsistências das suas próprias crenças
  • Aumentar o contato com membros de outros grupos sociais

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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