Psicologia cognitiva

Teoria sociocultural de Vygotsky

Bryan Longo
Por Bryan Longo. Atualizado: 30 julho 2026
Teoria sociocultural de Vygotsky
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Tentar entender a origem ou causa de nossos comportamentos através de ou por influência da cultura e da sociedade é mais fácil graças à teoria sociocultural de Vygotsky, que explica como todo o cognitivo está relacionado com o conhecimento, o qual é obtido pela experiência. Neste artigo de Psicologia-Online, explicaremos como é mediante o conhecimento obtido com a experiência que podemos adaptar e compreender a realidade.

Índice
  1. Teoria da linguagem de Vygotsky
  2. Teoria sociocultural de Vigotsky: resumo
  3. Vigotsky e o construtivismo
  4. Teoria sociocultural do desenvolvimento cognitivo de Vygotsky
  5. Teoria sociocultural de Vygotsky: exemplo

Teoria da linguagem de Vygotsky

Em seu livro Pensamento e Linguagem (1993), Lev Vygotsky propôs a análise das relações entre essas duas funções psicológicas a partir de uma perspectiva teórica inovadora. Ele sugere que a consciência deve ser entendida como um sistema dinâmico de funções psicológicas, em que pensamento e linguagem são apenas duas delas; essas funções constituem as diversas formas da atividade da consciência. A linguagem para Vygotsky é um instrumento fundamental para o desenvolvimento do pensamento e sua evolução. É por essa razão que Vygotsky propõe que o pensamento e a linguagem são a base para compreender a natureza da consciência humana.

Se considerarmos a linguagem como um instrumento de origem social, referimo-nos ao fato de que toda atividade ou processo mental é realizado com o uso de instrumentos psicológicos, ou seja, símbolos que facilitam ou possibilitam o pensamento. Estes instrumentos incluem a língua, obras de arte, escritos e desenhos. Por isso, a utilização de organizadores visuais dentro da sala de aula ajuda a desenvolver o pensamento e a linguagem, assim como a organização de ideias e sua estruturação.

Caicedo (2012) expõe que o cérebro foi dotado, através da evolução, de áreas especializadas no processamento de certos estímulos de acordo com regras universais da linguagem. A área de Broca está envolvida na produção da linguagem e a área de Wernicke está associada a processos semânticos da linguagem. Aqui você pode ver as funções das áreas de Broca e de Wernicke. Caicedo afirma que ambas são estruturas com capacidade de processamento não apenas de estímulos sonoros, mas também daqueles que contêm informação visual e espacial, que podem ser processados linguisticamente.

Medina (2007) argumenta que toda atividade mental é realizada com a utilização de instrumentos psicológicos, isto é, símbolos que tornam possível o pensamento e a execução de atividades. Assim como também expõe Reuven Feuerstein (2008), a mente cognitiva organiza o mundo, formando-se e estruturando-se desde a infância.

Para Vygotsky, a origem dos símbolos é sociocultural, pois são a canalização para o pensamento; os símbolos recriam e reorganizam a composição mental. Vygotsky (2001) diz que a compreensão da linguagem é uma cadeia de associações que surgem na mente, sob influência de imagens conhecidas das palavras. Portanto, entre a linguagem e o pensamento, o «significado» desempenha um papel crucial.

Para Vygotsky (2001), o significado das palavras não é estático, mas evolui com as situações. Por isso, ele propõe que o significado da palavra funciona como unidade de análise da consciência. O significado é a resposta que se produz. A evolução de nosso pensamento é precedida pela linguagem, ou seja, por esses instrumentos linguísticos do pensamento e a experiência social e cultural do sujeito.

Essa unidade de análise está relacionada com as áreas inter e intra psicológicas; considerando o que disse Reuven Feuerstein sobre a metacognição: o componente metacognitivo inclui a consciência dos fatores que afetam o pensamento e o controle que se tem sobre esses fatores.

Medina (2007) expõe que o significado de um símbolo, ou seja, a compreensão de sua conotação, é uma responsabilidade do próprio intérprete. O pensamento se reestrutura e se modifica ao se transformar em linguagem.

Desde pequenos, aprendemos a falar com os outros: como cumprimentar, perguntar sobre a vida alheia... mas nunca nos ensinaram a falar conosco mesmos, embora isso seja uma base muito importante da metacognição, o ser consciente de nós mesmos e dos outros, nossa consciência social. Como dito por Marco Ledesma (2014), o pensamento e a linguagem continuamente transformam a vida cotidiana, são reviravoltas que favorecem a comunicação, com a intenção de expressar o que uma pessoa sente internamente, guiando-se pelas experiências e expectativas. Pela perspectiva da neurolinguística, é fundamental o inconsciente dos seres humanos nas relações subjetivas e intersubjetivas. Como Lacan percebeu, o outro influencia no desenvolvimento e formulação da língua na vida cotidiana.

Teoria sociocultural de Vigotsky: resumo

Lev Vygotsky, psicólogo soviético considerado o pai do construtivismo social, ou seja, a teoria de que a mente e suas funções são originadas na cultura e na interação com os outros, e de que os aprendizados ocorrem em um contexto histórico-cultural determinado. Essas ideias foram retomadas pelo cognitivismo e serviram de base para a revolução cognitiva.

Para Vygotsky, existem diferentes funções psíquicas:

  • Uma delas são as inferiores, isto é, aquelas que compartilhamos com o reino animal, como a memória, a atenção e a percepção.
  • Por outro lado, temos as funções psíquicas superiores, que nos caracterizam como seres humanos, e são aquelas que apenas nós podemos alcançar através da interação com outros seres humanos, por exemplo, a atenção seletiva, raciocínio abstrato, metacognição, insights, e o pensamento matemático. Tudo isso mediado pela linguagem, a qual é a principal ferramenta cultural humana, que nos possibilita o pensamento e a comunicação.

Vygotsky diferencia dois níveis de desenvolvimento:

  1. O nível de desenvolvimento atual da criança (tudo o que uma pessoa pode fazer sem problemas nem ajuda).
  2. O nível de desenvolvimento potencial (tudo o que a criança poderá alcançar ou fazer). A distância entre o desenvolvimento atual e o desenvolvimento potencial é a zona de desenvolvimento próximo, é nesta zona que a criança recebe ajuda e colaboração do adulto, de um especialista ou de colega de classe mais avançado que ela para o aprendizado.

Na teoria de Vygotsky, discute-se o potencial humano ou capacidade cognitiva do ser humano, onde se expõe que cada geração não deve iniciar novamente do zero. Não é necessário reinventar a roda ou o fogo; cada geração pode partir dos conhecimentos desenvolvidos pela geração anterior. Os adultos e especialistas podem exercer essa troca de consciência obtida através do desenvolvimento da aprendizagem. Desta forma, aumentamos nosso potencial.

Teoria sociocultural de Vygotsky - Teoria sociocultural de Vigotsky: resumo

Vigotsky e o construtivismo

O que caracteriza o pensamento de Vygotsky, segundo Medina (2007), são os três pontos seguintes:

  1. A semiótica.
  2. A gênese social da consciência.
  3. O papel do instrumento simbólico como regulador da atividade cognitiva.

Mediante esse pensamento, ocorre o desenvolvimento do homem e sua explicação comportamental com sua prática, já que os processos construtivistas são próprios das funções mentais, onde se dá a assimilação dos conhecimentos culturais.

O construtivismo de Vygotsky enfatiza que a aprendizagem é um processo ativo, onde o aprendiz constrói novos conhecimentos com base em sua experiência anterior. Neste sentido, a interação social desempenha um papel crucial na aprendizagem, pois permite que os indivíduos compartilhem e construam significados em conjunto, enriquecendo assim seu entendimento coletivo e individual.

Teoria sociocultural do desenvolvimento cognitivo de Vygotsky

Vygotsky busca responder à pergunta: como a criança aprende?

Aprendizagem segundo Vygotsky

Para Vygotsky, aprender significa adquirir funções cognitivas superiores. Como a criança adquire essas funções? Interagindo com o entorno que a rodeia, mas não apenas isso, já que ela também interage com o entorno através de uma série de ferramentas.

  • Por exemplo: uma lupa, utilizada ao se aproximar de uma árvore e observá-la.

Dessa forma, está interagindo com seu entorno, mas também está utilizando uma ferramenta que facilita a interação com o entorno. É por esse motivo que Vygotsky também denomina sua aprendizagem como aprendizagem mediada, porque as ferramentas que mediam a criança e o entorno geralmente são de tipo social ou cultural: pessoas e os instrumentos que os adultos utilizam.

Aprendizagem sociocultural

Para Vygotsky, a cultura influencia no desenvolvimento cognitivo das pessoas. Segundo Savater (1997), a comunidade na qual a criança nasce impõe o que ela será obrigada a aprender e também as peculiaridades dessa aprendizagem. Savater continua explicando através do artigo The Super Organic de Alfred L. Kroeber: «A distinção que existe entre o animal e o homem não é a física nem a mental, que não é mais do que relativa, mas sim a que há entre o orgânico e o social». Bach, se nascido no Congo, em vez da Saxônia, não teria produzido nem o menor fragmento de um coral ou uma sonata, mesmo sendo provável que teria superado seus compatriotas em alguma outra forma de música.

Como essas estruturas de pensamento e de ação se desenvolvem? Para Vygotsky, através das atividades sociais; ele coloca ênfase no social para o desenvolvimento.

Vygotsky também fala de habilidades cognitivas básicas, que são desenvolvidas quando interagimos com um grupo, com a sociedade ou nossa cultura. As habilidades e estratégias cognitivas que uma pessoa irá desenvolver são diferentes, é por isso que não se pode extrapolar a cultura e as habilidades da Índia, China, Estados Unidos ou qualquer outro país.

Essas habilidades cognitivas básicas são a atenção, a memória, a linguagem e a percepção, e vão se transformando, através da influência da cultura e da sociedade, em funções superiores de pensamento para resolver problemas mais complexos.

Vygotsky nos fala da zona de desenvolvimento próximo, onde fica o que a criança pode e não pode fazer por si mesma. Por isso, o autor diz que os pais devem orientar e direcionar sua aprendizagem, e isso é conhecido como andaimes (é o apoio do adulto para guiar a aprendizagem da criança, até que esta alcance autonomia na atividade concreta ou possa resolver o problema sozinha). É o que faz um professor com alguém que está aprendendo a tocar guitarra, está criando um andaime para que a criança desenvolva autonomia.

Quanto mais interações realizar, mais estruturas e formas de comportamento serão desenvolvidas, mas não é possível extrapolar a todas as culturas (uma criança da África terá estratégias cognitivas e de pensamento diferentes de uma americana).

Vygotsky fez um trabalho muito importante, pois coloca ênfase no fato de que a aprendizagem e desenvolvimento são obtidos através da interação social e que não se torna inteligente apenas por se ter um coeficiente intelectual alto, mas que as pessoas que possuem grandes capacidades possuem diversas inteligências e têm um desenvolvimento cognitivo superior.

Ele nos disse que essa forma de pensar e agir são ferramentas para que a pessoa possa resolver diferentes tipos de problemas. Uma criança que dispõe de menos educação em um ambiente menos rico de estímulos, que ajudem seu crescimento pessoal e educativo, terá menos ferramentas que uma criança que possui grande quantidade de educação, portanto, esta criança com menos ferramentas pode resolver menos problemas que aquela que possui um entorno melhor, que enriquece seu desenvolvimento cognitivo.

Teoria sociocultural de Vygotsky: exemplo

Um menino que caminha, se aproxima de uma árvore e observa que em um dos galhos há uma fruta que ele deseja pegar, mas não possui capacidade suficiente para alcançar a fruta (como escalar a árvore ou qualquer outra coisa que precise para subir). O chão onde o menino pode se desenvolver sem ajuda seria chamado de nível de desenvolvimento real. Posteriormente, chega um adulto que ajuda o menino a subir pelo tronco para que ele alcance a fruta (ele não sobe na árvore, apenas ajuda o menino a fazê-lo). Com a ajuda do adulto, o menino chegará até um ponto do tronco da árvore, que seria o nível de desenvolvimento potencial, ou seja, o ponto até onde o menino pode chegar com ajuda e que depois dele, não conseguiria realizar nenhuma ação mesmo contando com a ajuda dos adultos. O adulto seria o andaime, que constituiria a zona de desenvolvimento próximo.

Essa situação ilustra perfeitamente a importância do suporte social e da interação no desenvolvimento cognitivo, conforme proposto por Vygotsky. A criança, ao contar com a orientação de um adulto, consegue expandir suas habilidades e alcançar níveis de desenvolvimento que não seriam possíveis sozinha. Este exemplo destaca como o aprendizado mediado é crucial para o crescimento intelectual e a aquisição de novas competências.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Referências
  1. Lev Vygotsky. (1993). Pensamiento y lenguaje. Editorial Paidos. España.
  2. Caicedo, H. (2012). Neuroaprendizaje. Ediciones de la U. Bogotá.
  3. Medina, A. (2007). Pensamiento y Lenguaje. Enfoques constructivistas. Editorial Mc Graw Hill Interamericana. México DF.
  4. Reuven Feuerstein. (2008). Teoría de la modificabilidad estructural cognitiva. UNMSM. Perú.
  5. Oscar Wilde. (1905). De profundis. Editorial Siruela. Madrid.
  6. Vygotsky. (2001). Psicología Pedagógica. AIQUE. Buenos Aires.
  7. Marco Ledesma A. (2014). Analísis de la teoría de: Vygotsky para la reconstrucción de la inteligencia social. EDUNICA. Ecuador.
  8. Fernano Savater. (1997). El valor de educar. Ariel. España.
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carlos
Olá, alguma indicação de compra (local) da teoria sociocultural Vygotsky.
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