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Uma pessoa com depressão pode fazer sexo?

 
Por Zoraida Luque, Psicóloga. 25 junho 2021
Uma pessoa com depressão pode fazer sexo?

Um dos sintomas da depressão é a diminuição do interesse nas relações sexuais e da libido em geral. Ter falta de interesse em tê-las é tão comum como se sentir mal falando sobre o tema ou sentir culpa depois de fazer. Mas, existe alguma solução?

Neste artigo de Psicologia-Online, queremos te ajudar a enfrentar as mudanças na vida sexual quando seu/sua parceiro/a tem depressão. Para isso, te explicaremos como a depressão afeta as relações sexuais, se uma pessoa com depressão pode fazer sexo, o que você pode fazer a respeito e te daremos alguns conselhos para fomentar a vida sexual, agora escassa, de vocês. A seguir tudo o que você tem que saber sobre depressão e sexo.

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Por que meu/minha parceiro/a com depressão me rejeita?

A depressão é um transtorno muito delicado. E, mesmo que a pessoa mais afetada é quem sofre dela, o entorno também é alterado. Quanto mais próxima for sua relação com a pessoa deprimida, mais te afetará. Por isso, se é seu/sua parceiro/a, será necessário você se informar bem sobre os sintomas associados, tanto para apoiá-lo/a nos momentos difíceis que está passando, como para que você mesmo passe por isso da melhor forma possível.

Quando vemos uma pessoa importante triste, sem vontade de fazer nada e sem motivação para melhorar, nos sentimos culpados. E se a depressão se estende, é possível que comecemos a notar raiva e indignação diante do que pensamos que é falta de vontade por sua parte.

Uma pessoa com depressão precisamente não tem vontade de ter relações, porque realmente não tem vontade de nada e nesses momentos é incapaz de sentir prazer. E aqui é onde é preciso intervir. É necessário que você comece a fazer algumas coisas sem vontade, porque a vontade vem logo em seguida.

E você, como parceiro/a, pode ser uma peça dessa intervenção. Um passeio, um pouco de leitura, comer algo que você gostava muito... Assim, arme-se de paciência e compreensão e ajuda seu/sua parceiro/a para que comece a fazer pequenas coisas que antes gostava para que possa começar a sentir prazer em pequenas doses.

Como a depressão afeta o sexo

Como já vimos, quando alguém passa por uma depressão, não tem vontade de nada de forma geral, e isso inclui as relações sexuais. Isso não acontece com todas as pessoas deprimidas, mas é o habitual. Portanto, é normal que haja problemas sexuais com uma pessoa com depressão.

Devemos ter em conta que além da tristeza profunda e o pesar, essa pessoa pode estar passando por mudanças físicas que reforçam sua insegurança. Pode ser que tenha perdido muito peso pela falta de apetite ou que tenha ganhado por comer excessivamente tentando preencher o vazio que sente.

A vida sexual fica alterada ou até mesmo inexistente. E não nos esqueçamos que o sexo é uma fonte de prazer, mas também de união do casal. Portanto, devemos dar a importância que merece nos ocupar do que está em nosso alcance.

Você deve ter em conta que as depressões severas geralmente precisam de tratamento psicofarmacológico, e este pode afetar as relações sexuais. Existem alguns medicamentos antidepressivos que podem diminuir a libido. Não é conveniente abandoná-lo até que o profissional indique. Se este é seu caso, tenha paciência e pouco a pouco a situação vai melhorando.

Como melhorar a vida sexual quando seu/sua parceiro/a tem depressão

O primeiro e mais importante para melhorar a vida sexual quando seu/sua parceiro/a tem depressão é atacar o problema principal, isto é, tratar a depressão. Para isso, a terapia que obtém os melhores resultados é a cognitivo-comportamental.

Consultar com um psicólogo ou psicóloga com quem seu/sua parceiro/a se sinta cômodo/a e começar uma terapia é fundamental. No entanto, seu apoio será crucial, portanto, é recomendável que você vá nas consultar junto com seu/sua parceiro/a e siga as etapas marcadas pelo terapeuta. Vamos ver algumas coisas que pode fazer para melhorar a vida sexual de vocês e o que é importante quando falamos de depressão e sexo:

  • Não pressione seu/sua parceiro/a. Poucas pessoas respondem bem se se sentem pressionadas a fazer algo. O que provavelmente você vai conseguir é que a vontade de sexo diminua.
  • Prepare o ambiente. Evite ser muito direto porque não vai funcionar. Você pode fazer muitas coisas para fazer com que surja uma fagulha: carícias, um filme com conteúdo erótico, um jantar tranquilo e romântico apenas para vocês, um banho relaxante, velas e música suave, uma massagem...
  • Utilize lubrificantes. Às vezes, o problema é a falta de lubrificação por consequência da medicação. Para resolver isso, há géis lubrificantes que podem ajudar a começar.
  • Prove de outras práticas e alternativas. Se o problema é a disfunção erétil, vocês podem provar outras modalidades que não incluam a penetração. Existem muitas coisas que vocês podem fazer para se satisfazer.
  • Evite expectativas. Se vocês tiverem uma relação e as coisas não ocorrerem como você tinha planejado, ficará frustrado. Deixe as coisas irem surgindo (fazendo a sua parte) e que cheguem até onde devem chegar. Trata-se de ir sem pressa para que, pouco a pouco, as coisas voltem a seu lugar.
  • Pergunte ao profissional. Lembre-se que qualquer disfunção sexual associada à depressão ou à medicação, pode ser tratada com o terapeuta. Ele ou ela dará indicações sobre como agir de acordo com o caso.

Neste artigo você encontrará mais informações sobre Como ajudar alguém com depressão.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Uma pessoa com depressão pode fazer sexo?, recomendamos que entre na nossa categoria de Sexologia.

Bibliografia
  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (1995). Manual Diagnóstico y Estadístico de los Trastornos Mentales. Barcelona: MASSON
  • BUELA-CASAL, G; Sierra, J.C. (2009). Manual de evaluación y tratamientos psicológicos. Madrid: Biblioteca Nueva
  • MARTELL, C; Dimidjian, S; Herman-Dunn, R (2010). Activación conductual para la depresión: una guía clínica. Bilbao: Desclée de Brouwer.

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